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quarta-feira, abril 28, 2010

Tendo em conta que...

...muitas das coisas que nós ouvimos diariamente ou pelo menos com o mesmo tipo de gosto são, muitas vezes, de artistas de pouca expressão mediática, ou de nichos reduzidos, cabe-nos também a nós fazer uma divulgação. Quando os artistas são portugueses, essa obrigação a que eu chamo gosto torna-se ainda mais premente. Porque se nos podemos queixar que ninguém apoia e que só o que vende muitos álbuns é que tem dinheiro a sério - e toda a gente conhece os nossos tops - e que a inércia é enorme, bom, ao menos façamo-lo com a sensação de dever cumprido. Toda esta dissertação faria sentido para mim se terminasse neste parágrafo, mas o timing prende-se com o que passará para o próximo.

Os The Rising Sun Experience - dos quais já falámos no blog algumas vezes e que já foram entrevistados para o Ponto Alternativo - estão entre um grupo de 40 bandas de onde sairão 5 que vão actuar no Festival de Benicassim. A partir daqui já perceberam o mote, ide por este link e ajudem à divulgação da banda, da boa música portuguesa lá fora, e todas essas imagens bonitas. Se gostarem deles. Senão, todos amigos na mesma.

segunda-feira, junho 08, 2009

Com isto das políticas...

...repararam, ou não, que o tal partido sueco chamado Piratpartiet (em tuga, Partido Pirata) elegeu um deputado para o Parlamento Europeu.

Digamos que na prática é mais importante o acto em si do que as consequências reais. E embora o partido deva integrar um de dois grupos parlamentares (ADLE ou EFA) a sua influência não deverá ser mais do que residual - caso o Tratado de Lisboa seja aprovado serão dois deputados; o que afirmei manter-se-á válido, no entanto.

Mas a afirmação mais premente disto tudo é a de que os jovens começam a mudar a sociedade - neste caso específico, a cultura. Primeiramente na Suécia, país seminal neste tipo de situações, mas julgo que rapidamente se irá espalhar esta forma de ver a política: menos ideológica e mais pragmática (veja-se o caso do Partido Cannabis por la Legalización y la Normalización em Espanha).

Acaba por ser, no fundo, um marco com a sua importância na nossa geração.

domingo, abril 19, 2009

Xutos Políticos?

Quando há porrada e a polícia está envolvida talvez. A nova música daqueles que, na minha opinião, já deviam ter arrumado as botas e as palhetas é tão política quanto as músicas de Tara Perdida (que não o tentam ser, sublinhe-se). Isto se tivermos em conta a ingenuidade com que a letra está (mal) escrita. Pronto, é Xutos e Pontapés, têm de fazer qualquer coisinha e desta vez tentaram meter os dedos nas várias feridas que nos têm vindo a abrir pública e desavergonhadamente. Acho importante, a sério que acho, o esforço, apesar de o resultado final ser tão parco em qualidade.

Claro que é um esforço que perde todo o valor quando no fim se saem com um "eu quero acreditar que esta vai mudar" (destruído e adornado - só os Xutos para o conseguirem - com um mítico "espero vir a ter uma vida bem melhor" sem sequer darem espaço para digerir a frase anterior), que não é nada mais nada mesmo do que um "estou revoltado mas fico à espera que mudem isto porque senão fico chateado, apesar de não planear fazer mais nada em relação a isso". Mas admiro o tal esforço na mesma.

Fica aqui uma banda que lhes pode servir de exemplo para futuros investimentos na arte da política:


PS: e o melhor é que demorei uma boa meia-hora para escolher a música dos RATM para escolher aqui... Há muito por onde pegar, caramba!

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Ainda há Música nos Grammys?

Ontem decorreu mais uma edição dos enfadonhos Grammys. Quando se lê os jornais e os nossos olhos dão de caras com as capas das revistas, cai-nos na ideia de imediato que os Grammys são o que aparentam ser: uma masturbação do negócio discográfico. A única relação que aqui há com a música é que o primeiro vive do segundo. Seja com macacos de imitação ou com o maior génio musical.

Podia entrar na usual crítica aos principais prémios desta coisa. Alguém acha mesmo que aquela música dos Coldplay não é igual ao riff do Satriani? É que ela ganhou o prémio de melhor música...Mas indo onde quero mesmo: ainda há Música com M grande nos Grammys?

Vejamos, há 110 categorias (!!!), muitas delas de coisas bem mais interessantes que desconhecia por completo. E quanto a nomes? Os Daft Punk ganharam dois prémios destes, sendo a sua qualidade indesmentível. Frank Zappa também. E os The Mars Volta. E o terrífico album de B.B. King também. E para quem gosta de ouvir cinema, Hans Zimmer e Peter Gabriel (este último até levou 2). E se nos centrarmos na lista de nomeados, ficamos surpreendidos com Erykah Baduh (este nem tanto) ou Nine Inch Nails ou mesmo a banda sonora do Sweeney Todd. E será Gilberto Gil um mau exemplo? Ou David Gilmour?

E agora o que me chateia: porque é que todos estes nomes ficam presos em categorias menores ou de género musical? Todos nós sabemos a resposta. Mas acaba por ser um bocado como o futebol em Portugal. Toda a gente sabe ou desconfia o que se passa, mas ninguém faz nada e cria-se um desinteresse que demora muito tempo a curar. E tudo se torna numa fachada que enriquece. Mas não quem deve. Por muito que se diga que não se quer saber disto e que ninguém liga nenhuma, não vos chateia os Coldplay ganharem, onde quer que seja, a Melhor Canção do Ano?

Notas finais: porque um melhor album ou canção Gospel e não Post-Rock ou Prog? Mas a sério, é que há um prémio para o melhor album tropical latino...
E sabiam que Barack Obama já tem no seu curriculo 2 Grammys?

segunda-feira, agosto 11, 2008

Bandas com consciência

E entre elas estão Trent Reznor (que matematicamente é os Nine Inch Nails), os REM e os Pearl Jam, que assinaram uma petição para a realização de um debate entre os dois candidatos à presidência dos EUA, em Nova Orleães. O debate focar-se-ia unicamente naquilo que ambos os senadores McCain e Obama se propõem a fazer pela cidade que em 2005 foi destruida pelo furacão Katrina.

Se isto for em frente, posso sempre dizer "eis o poderio da música!"

terça-feira, agosto 05, 2008

No ano 2000...

...os Rage Against The Machine decidiram fazer mossa no partido Democrático dos EUA, organizando um concerto/manifestação mesmo em frente ao local da convenção do mesmo. Resultado? Helicópteros a sobrevoar o recinto, snipers nos telhados, balas de borracha por parte da polícia sem qualquer razão (não estou a ser faccioso, basta ver o documentário que por acaso está no DVD do último concerto dos RATM para ver que o que digo é verdade), ou seja, um verdadeiro atentado à Democracia pelas mãos dos senhores que mandam na 'maior democracia do mundo'. Algo realmente único.

MAS!!!!



A história está prestes a repetir-se: a banda liderada por De La Rocha e Morello agendou um concerto para 3 de Setembro, em Minneapolis, no Minnesota, precisamente na mesma altura em que ocorre, nessa cidade, a convenção do partido Republicano - um partido que ainda é representa um oposto maior aos ideais da banda do que o Democrático.

Quem dizia que eles estavam por aí para fazer dinheiro, é capaz de ter razão. Mas que eles não se vão embora sem primeiro fazer mossa, ah isso é que não vão!

domingo, julho 06, 2008

Finalmente, notícias da Suécia! - The (International) Noise Conspiracy


Depois de uma longa espera, que se pode dizer de um ano, os suecos The (International) Noise Conspiracy dão notícias sobre o novo álbum. No blogue do Myspace, a banda adiantou já alguns pormenores sobre o novo álbum, os quais se encontravam entre notícias que abalam todo e qualquer ideal democrático (já coloco essa informação em anexo). O novo trabalho dos suecos já foi remisturado e a banda está a negociar com a editora uma data para o lançamento de The Cross of My Calling.

Entretanto, deixo-vos com algumas fotos, retiradas DAQUI (viste, António, como eu sei fazer links como tu?), que mostram o actual aspecto da banda - visto que de álbum para álbum eles escolhem roupas diferentes, por exemplo - e que podem dar um cheirinho do que, se tudo correr bem, está para vir.






Em relação às notícias que tanto entristecem esta grande banda, e com alguma razão (para não dizer "toda e mais alguma"), eis o que se passa: o governo sueco decidiu aprovar a "FRA-law", que basicamente coloca sob vigia todo o tráfego de SMS e e-mail que circule na Suécia para "proteger os cidadãos do terrorismo" - o mesmo discurso hipócrita de sempre; acho que todos estamos familiarizados. The (International) Noise Conspiracy, enquanto banda cujos objectivos principais são políticos e de intervenção, não deixaram de mostrar alguma frustração com um "Welcome to 1984!". E, para não lhes facilitar as coisas, começaram por usufruir da sua liberdade de expressão ao mesmo tempo que chamam a atenção das autoridades com tendências repressivas suecas através de um bombardeamento de palavras no seu Myspace - e passo a citar: "before we leave you we will post some keywords that will get the attention of the internet spies of the Swedish government. Because if our tax money is going to a systematic surveillance of e-mails and text-messages, we want some bang for our buck. So here goes:

BOMB, TERRORISM, REVOLUTION, FREE SPEECH, JIHAD, EXPLOSION, GLOBAL THREAT, OVERTHROW THE SWEDISH GOVERNMENT, COUP, COMMUNISM, CONSPIRACY."

quarta-feira, julho 02, 2008

One Day As A Lion, o novo projecto de Zach De La Rocha e John Theodore

Em Setembro passado falou-se neste blogue do regresso tão aguardado do vocalista de Rage Against The Machine (RATM) com um projecto que tem vindo a amadurecer eternamente.
Ora, oito anos depois de decretar um fim a RATM enquanto projecto principal, One Day As A Lion, a nova banda de Zach, prepara-se para invadir o mundo da música com um EP homónimo, que se espera ser tão corrosivo quanto sempre foram as letras e a atitude do autor.

One Day As A Lion é uma colaboração com um dos maiores bateristas da actualidade, o ex-Mars Volta Jon Theodore. O duo descreve-se como "a entrega de um aviso e uma promessa a manter". Esperemos que seja surpreendente.

Aquilo que já circula há algum tempo sobre este projecto é que De La Rocha deverá assumir a posição de vocalista-teclista, com o acompanhamento das baterias de Theodore a dar nós aos ouvidos de muita gente. Fontes próximas do duo dizem que é uma sonoridade que ronda Led Zeppelin com influências Hip Hop. Ou seja, fala-se muito, mas pelos vistos é mais especulação que informação certa. Por um lado, espero que seja mais do que as descrições feitas, senão é quase uma recuperação de Rage Against The Machine; por outro lado, algo me diz que será mais, pois a forma como a banda está disposta - teclas e bateria - é algo curiosa. One Day As A Lion dizem que são "a defiant affirmation of the possibilities that exist in the space between kick and snare. It’s a sonic reflection of the visceral tension between a picturesque fabricated cultural landscape, and the brutal socioeconomic realities it attempts to mask. One Day As A Lion is a recorded interaction between Zack de la Rocha and Jon Theodore".
Outro pormenor abordado pela banda há algum tempo diz respeito à distribuição. De La Rocha falou em procurar a melhor forma de distribuir o álbum (ainda sem título). Por enquanto, a banda assinou com a ANTI-, editora irmã da Epitaph Records, que como se sabe é uma editora independente.

One Day As A Lion EP será editado a 22 de Julho e apresentará o seguinte alinhamento:
01 - Wild International
02 – Ocean View

03 – Last Letter

04 – If You Fear Dying

05 – One Day As A Lion


Site dos One Day As A Lion
Blogue da ANTI-

sexta-feira, março 21, 2008

Silver Mt. Zion

Fez ontem uma semana que o mais recente trabalho dos canadianos Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band foi editado. Acho que não há uma altura mais oportuna para fazer uma pequena recuperação de todo o trabalho associado ao nome Silver Mt. Zion.

O projecto surgiu espontaneamente em meados de 1999, sem qualquer pretensão. O objectivo primeiro seria saciar a sede do guitarrista de Godspeed You! Black Emperor (GY!BE) Efrim Menuck de aprender a comunicar musicalmente, de aprender teoria musical.
Cedo, o objectivo primeiro foi colocado de parte - que se faça música com o coração e não com a cabeça - mas um concerto surgiu, marcado com o nome A Silver Mt. Zion, e o auxílio da violinista Sophie Trudeau e o contra-baixista Thierry Amar, ambos igualmente membros de GY!BE. Durante uma tour de Godspeed, um ente muito querido de Efrim adoeceu e a morte era inevitável; a sua vontade de lhe dedicar um álbum tornou-se uma necessidade e, com os trabalhos do guitarrista, juntaram-se as três pessoas responsáveis pelo único concerto: surgiu o triste e melancólico He Has Left Us Alone but Shafts of Light Sometimes Grace the Corner of Our Rooms… Um álbum maioritariamente instrumental, mas com duas melodias que contêm vozes: um passo inovador no trabalho destas pessoas. Uma tendência que tem vindo a alastrar, a contagiar os restantes álbuns de uma forma cada vez mais grave, e cada vez melhor.


O nome do projecto foi sofrendo uma evolução que acompanhou igualmente o crescimento da banda - às iniciais três, juntaram-se quatro simpáticas almas. A Silver Mt. Zion começou a fazer sentido enquanto The Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band, mais enquanto Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band with Choir e finalmente Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band. Se os álbuns foram assim recordados, o único EP, The "Pretty Little Lightning Paw" E.P., ficou marcado com o nome Thee Silver Mountain Reveries. Se o primiero era um álbum simples, como o nome, os trabalhos que se seguiram foram reflexo daquilo em que a banda se tornava, com mais pormenores, mais trabalhados, mais sérios. Se Silver Mt. Zion começou como um projecto paralelo, cedo ocupou o papel principal na vida destes músicos.

The Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band assinou o álbum "Born into Trouble as the Sparks Fly Upward", que era mais cantado, mais revoltado e desesperado: no fim do álbum, depois da música que insulta toda um industria de músicos hipócritas e cobardes, ouvimos crianças a questionarem-se, durante uma brincadeira, sobre como seria o mundo depois de os amigos responderem aos apelos da banda. É um álbum de fé.
"This Is Our Punk-Rock," Thee Rusted Satellites Gather + Sing acrescentou um coro ao projecto e intensificou as ambiências da banda com tendências ainda mais neoclássicas. Soa a retrospectiva, principalmente quando ouvimos "Goodbye Desolate Railyard", que parece falar do famoso hotel2tango, situado por debaixo de um caminho de ferro; no fim ouvimos cânticos: «everybody gets a little lost sometimes».
Finalmente chegam os problemas que assombram a banda, em Horses in the Sky. Críticas às guerras, canta-se a esperança e pede-se coragem a quem quiser ouvir. Aqui, a banda apercebe-se da importância das vozes, das mensagens, a força com que têm de as proferir. Cantam todos, como quem pretende universalizar o pensamento sobre os problemas de um mundo inteiro.
O último trabalho da banda insere-se mais na linha dos primeiros trabalhos, que cantam uma revolta. 13 Blues For Thirteen Moons é composto por músicas que eles já tocavam ao vivo. Decidiram juntá-las, num álbum que fizesse sentido; por isso tardaram. Mais do que a necessidade de mudar o mundo, este álbum mostra a urgência de mudar as mentalidades - e assim faz sentido que as músicas não estivessem já integradas em trabalhos anteriores.


Ideologicamente, este projecto acabou por ocupar o lugar que os Godspeed não conseguiram preencher: o de transmitir ideias que as pessoas percebessem. Enquanto o antigo projecto era feito a partir do subversivo, com mensagens que exigiam ser descodificadas e desmontadas - assim como muitos dos males do nosso mundo, e isso era parte do interesse da banda, ser ela própria um mal -, este segue uma ideia mais Punk de "se tens algo a dizer, di-lo e bem alto". Mas não é uma banda de conteúdo tão político quanto GY!BE, e eles próprios gostam de diferenciar isso: por isso é que Silver Mt. Zion não é um projecto tão abstracto, ainda que as suas mensagens sejam ricas em metáforas pouco fáceis - as suas ideias também não são de acessível compreensão, sendo muito objecto de preconceito. É claro que essa dificuldade de compreensão se reflicta no facto de os canadianos não se considerarem uma banda de intervenção, mas antes uma banda com opiniões; é hábito deles dizer que se limitam a escrever nas suas letras aquilo que, entre amigos, costumam conversar.

É engraçado perceber esta necessidade de comunicar que os Silver Mt. Zion sentem e que se nota tão bem nos seus trabalhos. Inicialmente, as suas mensagens estavas escritas nos títulos que davam às coisas: frases grandes e algo complexas que completavam a ideia da música instrumental; já as músicas cantadas falavam por si. E agora as músicas, sendo todas cantadas, falam todas por si; as letras em Silver Mt. Zion adquiriram uma importância imensa na comunicação que eles pretendem estabelecer. Musicalmente, isso nota-se muito, pois a banda que inicialmente era instrumental com algumas raridades cantadas tornou-se numa banda de música cantada e de letras bem fortes e sentidas - agora, não é só o Efrim que canta, mas, sempre que é necessário, os restantes seis membros também o fazem.

Instrumentalmente, a banda tem traçado um caminho muito peculiar. O seu topo é, sem qualquer sombra de dúvida, o último álbum, que marca um pico, mas não um culminar. É uma banda de identidade muito própria e vincada, mas que não parece que tenha parado de crescer. A sua sonoridade é tão rica em termos de influências que é impossível de definir em que quadro musical se inserem, senão o que eles mesmos desenharam: um quadro de bandas como Fly Pan Am, GY!BE, Hangedup, etc., que marcaram a música de Montreal com as suas formas musicais muito vincadas e próprias.

Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band é das melhores bandas actuais (em todos os sentidos possíveis de extrair desse 'melhores') e não me parece que seja um projecto condenado aos grandes trabalhos de antes. A sua evolução é tão notória e a humildade com que trabalham é imensa; algo me diz que só descansam quando não se conseguirem revolucionar a si mesmos, como têm feito até agora.

domingo, fevereiro 10, 2008

Godspeed You! Black Emperor - O Fim

É oficial: os canadianos terminaram definitivamente o projecto.

Desde de 2004 que os Godspeed You! Black Emperor (GY!BE) haviam interrompido o seu trabalho, sem que tivessem tomado uma decisão relativamente ao futuro da banda.

O vocalista de Silver Mt. Zion, Efrim Menuck, explicou, em entrevista à Drowned In Sound, que a banda interrompeu a sua produção devido a um problema de comunicação que se havia estabelecido com o público, isto é, sendo os GY!BE uma banda claramente política, os seus concertos não iam de encontro a este ideal de transmitir uma mensagem alternativa, já que não enviavam qualquer tipo de informação clara - como diz o próprio Menuck, "apontavam em direcção aos problemas que assolavam o mundo nessa altura", mas "o que as pessoas precisam é de algumas palavras ridículas, uma apresentação mais humana [destas questões]".

Naturalmente que esta não foi a única motivação para o fim de um projecto, agora paralelo. Os membros da banda admitem ter sentido necessidade de se dedicar a coisas novas. "Eu cheguei a um ponto em que eu já não sentia vontade de contribuir para a condução do 'navio'", explica o vocalista de Silver Mt. Zion.

Fica, então, o legado de uma banda que deixou um trabalho de três álbum e um EP oficiais, todos eles trabalhos fantásticos e excelentemente orquestrados. Infelizmente, este fim foi pelo melhor: não faz sentido insistir num projecto que não vai de encontros a aquilo a que se propôs inicialmente.


Deixo, para recordação, uma música do segundo álbum de Godspeed You! Black Emperor, Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven:

boomp3.com
Só tem 20 minutos, tenham paciência...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Música de Intervenção?

Portugal é um país onde despontaram grande nomes daquilo a que se convencionou chamar de música de intervenção. Nomes como Zeca Afonso ou José Mario Branco vão ser sempre lembrados - embora não só - desta forma. Nunca pondo em causa a sua qualidade musical (que é, em muitos dos casos, superior), é pela mensagem que a maioria das pessoas reconhece este autores.

Hoje em dia, no nosso país, despontam nomes que são apontados como uma nova geração de intervenção. A sua música é diferente. Maioritariamente hip-hop. E é disso que quero falar aqui. Aproveitando esta catalogação, Valete fez uma "música de intervenção" sobre...futebol. Sobre Paulo Bento. E insultuosa. Vejam por vocês mesmos:



Será este o caminho? Será isto a chamada nova geração de musicos de intervenção? Se for, estamos num mau caminho...

terça-feira, janeiro 22, 2008

Silver mt. Zion - 13 Blues for Thirteen Moons

Depois de três anos em suspenso no que toca a álbuns - ainda que rico em concertos e participações (nomeadamente no projecto Evangelista de Carla Bozulich) Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & The Tra-la-la Band regressam com 13 Blues For Thirteen Moons, que será oficialmente editado pela Constellation no dia 25 de Março. No entanto, este aguardado álbum já circula e eu já ouvi. É completamente aconselhável:

Um início descomprometido, quase sem qualquer sentido. Na realidade, doze inícios, cada um começo do anterior, algo que pega no feedback esquecido e lhe dá um novo sentido. Aquelas primeiras faixas parecem uma conversa dissonante em tom de aviso para o que está de atalaia. De seguida apercebemo-nos de que "1.000.000 Died To Make This Sound". E é com alguma tristeza que nos dizem. Tristeza que não é atenuada pelo balanço repentino que a música parece adquirir. Muito pelo contrário, a guitarra com uma distorção carregada e quase exagerada como ruído de fundo só ajuda a este sentimento frustrante. Se há algo que não falha nos trabalhos de Silver Mt. Zion (SMZ) é a intensidade das suas músicas e a forma como estas nos atingem - este não falha à regra.
Esta frustração, carregada de ódio, carrega ainda em "13 Blues For Thirteen Moon", sob os gritos «I just want some action!». Uma música que em semelhança com um Post-Metal só tem a lentidão do andamento e o peso transmitido pela guitarra, que os restantes instrumentos cortam essa sensação, consegue nutrir os mesmo efeitos que bandas do género. Algo que acaba, que o bom não é para sempre. Mas fica melhor, com um Blues à SMZ; a música é a mesma e a harmonia também. À medida que cresce, percebemos que a melodia não mudou. Realmente, podia ser uma música Post-Metal ou até Post-Doom, visto que até a composição nos recorda algo semelhante, porventura. Acalma, e volta a crescer. Desta vez excede-se até ao fim, que retoma o descanso - que é algo que este álbum não dá: mexe connosco.
"Black Waters Blowed/Engine Broke Blues" começa no tal descanso. É quebrado pelo puro ruído, pela aleatoriedade, ainda que atenuados pelas vozes, até que estes se tornam numa melodia nos mesmo moldes da anterior: pesada, lenta e com força. Não fosse a guitarra a solar por trás de tudo isto... Descanso, novamente, que se perde outra vez numa lentidão melodiosa e que encerra calmamente, de igual forma.
No entanto, o erudito é algo que ainda está bem presente, como demonstra "BlindBlindBlind", que é uma recuperação de todas essas capacidades, ilustrada pela voz de Efrim, que está cada vez melhor no papel de vocalista - ainda que com a sua voz peculiar. Esta última música, é aquilo que caracteriza esta banda: música Clássica numa interpretação Rock. Um auge, entre muitos. Mas este sabe a esperança.


Não me sinto capaz de dizer "este é o melhor", ou "este é o pior álbum da banda". No fundo, como todos os outros, tem uma identidade própria e independente dos outros; uma identidade que se compreende na perfeição em Silver Mt. Zion e naquilo que se espera deles.
Posso, no entanto, dizer que este álbum tem muito dos dois últimos trabalhos da banda, Horses In The Sky (2005) e This Is Our Punk-Rock, Thee Rusted Satellites Gather + Sing (2003): as vozes do primeiro excelentemente combinadas com a instrumentalização do segundo, com uma pitada de Punk na mistura e uma intensificação do peso nas músicas. Este álbum está longe da sonoridade de câmara que inicialmente caracterizou o projecto Silver Mt. Zion. Agora que consagrado, o experimentalismo é cada vez mais nítido, fugindo aos moldes do Post-Rock em que estavam. Este 13 Blues For Thirteen Moons está mais Rock, está mais Clássico, está mais pesado e está cada vez mais distante daquilo que identificava o anterior projecto principal que reunia grande parte da banda, Godspeed You! Black Emperor, que se movimentava precisamente dentro deste esquema. E é precisamente o que escrevi que quero dizer: ainda que em moldes semelhantes, Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & The Tra-la-la Band conseguiram distinguir-se de Godspeed You! Black Emperor; já não faz sentido afirmá-los como um projecto paralelo desse.

Naturalmente, a presença do ex-baterista de Hangedup faz uma diferença significativa na força/balanço da música de SMZ. Enquanto baterista, Eric Craven toca certinho, sem grandes avarias, mas mostrou ser o baterista indicado para o projecto em questão, libertando muito mais os violinos, os violoncelos e o contra-baixo - que antes tinham ainda o papel de fazer ritmo, para além da melodia. E esta liberdade sente-se muito na riqueza das melodias e da ambiência, que estão muito mais exploradas pelas cordas. Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra é cada vez mais Tra-la-la Band, ou pelo menos neste álbum funciona como uma.

As letras ganham um papel ainda mais importante neste álbum, nem que seja por já se poderem encontrar no álbum - segundo anunciou a editora da banda. Cada vez mais revoltadas e cada vez mais revolucionárias e despolitizadas, as palavras de toda a banda adquirem uma vida contagiante, que desperta em nós a vontade de nos juntarmos a eles, para cantar a revolta e a mudança - que devíamos ser. É impossível separar as aspirações de toda a banda da natureza das suas letras, pois, segundo eles mesmos afirmam, estas são resultado das conversas e das relações que a banda mantém. E é essa capacidade, de tornar as suas descrições algo de corriqueiro, natural e desejado, que é mais contagiante naquilo que eles entoam.

Valeu a pena esperar por 13 Blues For Thirteen Moons. Agora só vale a pena esperar mais por um concerto aqui perto.

terça-feira, janeiro 08, 2008

José Mário Branco mostra coerência

O Correiro da Manhã não é uma leitura aconselhável. Se me sinto culpado de o ler? Não: as melhores reportagens de música que tenho lido nos media mainstream portugueses são editados lá (surpreendentemente?). Por exemplo, a melhor cobertura dos festivais de verão do ano de 2007 foi feita por este jornal, que nem especializado em música é (e eis a grande supresa: os media especializados não fazem sequer o seu papel jornalístico, fazendo publicidade aos seus produtos e mostrando-se claramente tendenciosos).

Eis um excerto da curiosa e bem conduzida entrevista feita a José Mário Branco para o "Correio Êxito" (suplemento do jornal em questão) da semana passada, publicado no dia 5:


«Correio Êxito – Em 1994 foi abordado pelo então Presidente da República, Mário Soares, no sentido de receber a condecoração da Ordem da Liberdade. Por que é que recusou?
José Mário Branco – Porque o condecorador tem de ser digno do condecorado. Não aceito distinções oficiais de um Estado que corporiza a sociedade injusta em que vivemos.
(...)
– Tem sido prejudicado por assumir pública e frontalmente as suas posições políticas?
– Quem vai à guerra dá e leva. Sou contra o sistema e, naturalmente, o sistema não me dá muito espaço.
(…)
– É verdade que afirmou: “Não fui à Expo’98 porque achei que uma iniciativa daquelas, num País como o nosso, foi um insulto aos pobres”?
– Sim. Recusei a proposta mais cara que alguma vez me fizeram. As minhas convicções não estão à venda.

– A sua canção é uma arma?
– No sentido de ser uma forma de intervir na sociedade qualquer canção é uma arma. Quando me fazem perguntas sobre o canto de intervenção, respondo que acho essa designação inadequada. Qualquer canto é uma forma de intervir.

– O seu canto é inquietação?
– É evidente que nisso, como em tudo o resto, vamos por tentativas, por esforço, tentando aprender com os enganos. A inquietação resulta de nós fazermos isso com a presença da dor, algo que me é insuportável.

– São sintomas da fase em que viveu no exílio?
– O exílio é uma coisa muito má, em que se tem saudades e se está muito revoltado contra esse afastamento das pessoas e dos sítios que gostamos. Por outro lado, durante os 11 anos em que estive exilado vivi coisas muito boas e muito bonitas.

– Como por exemplo?
– O nascimento dos meus dois filhos, o Maio de 68, o surto do espírito libertário, que está relacionado com os meus sentimentos humanísticos. Mas fiquei zangado com essa parte da minha vida, e Paris paga por tabela.

– Usando um chavão: Comeu o pão que o diabo amassou?
– Estávamos inseridos numa sociedade e num mundo que era a preto e branco. Em Portugal nada era a cores. Não é normal uma pessoa aos 18 anos ter que tomar decisões que são definitivas para toda a vida. Decisões que tinham um preço. Se queria exprimir-me livremente, associar-me, ter iniciativas com os meus amigos ou cantar publicamente sabia que isso tinha um preço. Se tinha, por causa das minhas convicções, uma recusa em participar na guerra colonial, sabia que isso tinha um preço. E teve um preço que foi não só ter que fugir do País mas zangar-me com pessoas que aparentemente deviam estar de acordo comigo.
(...)
– O preço que pagou foi demasiado alto para o retorno?
– É tudo relativo. Quando existe injustiça na sociedade, desigualdade, guerras, prisões ou perseguições, temos uma sensação que parece antagónica. Por que é que o Bush, como ser humano que é, não pensa no que está a fazer? Porque dá a ideia que se ele caísse em si percebia que é horrível matar um milhão de pessoas que não têm culpa nenhuma. As desigualdades, o racismo, a xenofobia em relação aos imigrantes têm um lado irracional. A par disso há a noção de que é preciso lutar para mudar essas coisas pois no fim dessa luta poderá estar uma sociedade um bocadinho melhor. Em mim há estes dois lados que estão sempre a lutar um contra o outro.

– A integração na Europa desvirtuou esses dados?
– Como diria o outro, nem sim nem não, antes pelo contrário. A Europa é um fenómeno de globalização capitalista que não está feita para as pessoas mas para as empresas, para os bancos, para os grandes grupos económicos. Está feita para regular este mercado enorme e para o dinheiro.
(...)
– Considera que a sua música conseguiu dar voz a toda essa gente e abanar a incaracterística pobreza da canção urbana?
– Num certo aspecto deu. Se bem que não se possa dizer que a história da nova canção portuguesa começou aí.

– Pode dizer-se que o José herdou de Zeca Afonso?
– Eu, o Fausto, o Sérgio, e outros, somos filhotes do Zeca. No meu caso, no do Sérgio e de outros, posso dizer que começámos a fazer canções estimulados pela criatividade do Zeca.
(...)
– A vossa música foi uma força catalizadora dos nossos esparsos valores culturais [.] Portugal não está carente, ou distante, desses valores?
– Embora continue a existir o cacete e a prisão, estamos numa época em que o principal factor de opressão é o cinzentismo. As pessoas estão todas sozinhas, mesmo que dentro das mesmas casas, em frente ao ecrã, computador, telemóvel. Tudo o que seja pôr as tripas cá para fora ou mobilizar energia para acordar as pessoas desta letargia é subversivo.

– Foi o que fez com o ‘FMI’?
– É esse aspecto da energia, de um certo despudor e de gritos viscerais que podem ajudar a despertar a malta que anda a dormir.

– É um álbum confessional, o confronto do revolucionário com o refluxo da revolução?
– Cada vez mais estou convencido de que ninguém é capaz de fazer uma revolução se não a fizer também por dentro.
(…)
– O seu critério político está à frente do artístico?
– Não. Desde muito novo que estive ligado a iniciativas políticas, a partidos e movimentos, mas dificilmente alguma vez na vida separei uma coisa da outra. Na última vez em que falei em nome do Bloco de Esquerda já estava a perceber que aquela casa, que era de pessoas que se estão a acomodar perante o sistema, que não querem mudar a sociedade mas reformá-la, não era compatível com o meu radicalismo. Nunca saí de partido nenhum. Os partidos é que vão saindo de mim.

(…)»

Na íntegra, aqui. Leia-se, que vale a pena.

domingo, janeiro 06, 2008

E temos música!

Pois é, finalmente este blogue tem música!
Havia várias complicações a travar esta iniciativa... mas acabou por chegar.
Deixo-vos uma cover catita :)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

"Declare Independence"



Michael Gondry e Björk, tal como haviam anunciado, editaram o vídeo do terceiro single de Volta, "Declare Independence", no dia 1 de Janeiro. E o resultado está visível: enérgico, revoltado - dois pontos que não podiam ficar intocáveis num tema tão sensível como a independência de regiões com capacidade para se auto-reger (neste caso as Ilhas Faroé e a Gronolândia, regiões colonizadas pela Dinamarca à qual esta música se refere). Mais uma vez, a dupla mostrou bons resultados.

A grande estrela da Islândia, numa excelente entrevista dada à Pitchfork, refere como foi trabalhar de novo com Gondry, já passada uma década desde a última vez, refere as conotações claramente políticas de "Declare Independence" e também como está a ser preparado o vídeo de "Dull Flame Of Desire", música em que Anthony (de Anthony & The Johnsons) faz dueto com Björk.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

13 Blues For Thirteen Moons

As novas músicas de Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band já soam ao vivo e há planos de tours para 2008 (espero que Portugal fique na rota). O alinhamento do álbum foi divulgado entretanto (assim como a capa):

(01-12 Untitled)
13 1,000,000 Died to Make This Sound
14 13 Blues For Thirteen Moons
15 Black Waters Blowed/Engine Broke Blues
16 BlindBlindBlind



Entretanto, deixo-vos um pequeno presentinho: um concerto da banda numa espécie de stream (espécie de Youtube sem imagem) onde estão músicas desta nova obra, a editar em Março do próximo ano.

Como é natal, deixo também os álbuns e mais alguns concertos para ouvir da mesma forma (bendita internet).

Nota anexa: o concerto está simplesmente incrível!!! (ou seja, as músicas novas estão brutais)

terça-feira, dezembro 11, 2007

Novo LP de A Silver Mt. Zion

Depois de Horses In The Sky e sob o nome de Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & The Tra-la-la Band (que vem de uma interessante evolução a abordar mais tarde, num texto que explore a banda), os canadianos voltam à carga: 13 Blues For Thirteen Moons será editado a 25 de Março do próximo ano.
O álbum, já nos últimos preparos, foi gravado no mítico Hotel2Tango e produzido pelo ex-baterista de Arcade Fire, Howard Billerman, ou seja, nada mudou realmente.
Nada? Não é bem assim: segundo a Constellation, editora da banda, este novo álbum só começa à 13ª música, sendo as doze primeiras um contínuo e puro Drone.


Aguarda-se...

domingo, novembro 04, 2007

Fado-Core?

“O mundo verá
os pobres libertos da opressão
esmagando os carniceiros
da burguesia regente”

ou

“1º de Maio
Marchar! Marchar!
Oh soldados da liberdade!
Marchar e destruir
as fronteiras nacionais e a propriedade”


Estes são alguns excertos de letras de Fado do início do século XX e dos finais do século XIX. Felizmente que há pessoas que gostam de estar bem informadas, como o Diogo do Sismógrafo, que ao folhear o Courier Internacional descobriu esta faceta da nossa música, que é o Fado.

terça-feira, outubro 16, 2007

Mais Peter Gabriel

Para quem desconhece Peter Gabriel de todo, também desconhece o seu trabalho de divulgação da World Music e dos problemas que assolam os países subdesenvolvidos. Desde cedo na sua carreira que Gabriel lançou uma iniciativa que ele mesmo subsidia onde procura provar que existem problemas, para que ninguém ande a combater fantasmas. Ao contrário de hipócritas como Bono e Geldof, que se combatem problemas que são simplesmente falados e nem sequer que são a génese da questão, ou seja, fazem publicidade a si mesmos, Peter Gabriel criou a Witness, um programa em que distribui câmaras de filmar e fotografar, para que se mostre às pessoas aqui, deste lado do globo onde a fome apenas é um problema de uma parte grande da população e não da totalidade da mesma, que existem pessoas que precisam de ajuda. Esta sim!, é uma medida de sensibilização que pode trazer frutos, ao contrário de discursos enfadonhos. Como diria o bom cliché: "uma imagem vale mais que mil palavras". E Porque não?

Bom, desta vez, não é pela Witness que Gabriel intervém, mas através de um concerto em que vai partilhar o cargo de cabeça-de-cartaz com Annie Lennox marcado para o dia mundial contra a SIDA (dia 1 de Dezembro) pela organização 46664, da qual ambos foram fundadores. Parece-me óbvio que a questão a ser abordada neste dia, em Joanesburgo, é mesmo o problema do vírus que assombra os cinco continentes de uma forma tenebrosa.
Também confirmados estão Corinne Bailey Rae e Goo Goo Dolls.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Trent "Shop Lifter" Reznor

Trent Reznor acusou (e com toda a razão) a indústria discográfica de praticar preços ridiculamente elevados, durante um concerto em Sydney. O mentor do projecto Nine Inch Nails afirmou que apesar de falar nesta questão constantemente, é em vão que o faz: "alguém viu os preços baixarem?", remata perante o público.
Partindo do princípio que a indústria roubava toda a gente, Trent Reznor incitou os fãs a responderem da mesma moeda e 'roubarem' os álbuns de Nine Inch Nails.
E há o bom ditado popular, "ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão", que concorda com ele. Acho que quando até o cristianismo, uma religião que por norma levanta obstáculos a coisas desnecessárias, apoia esta iniciativa... não há como não dar razão ao compositor.

E Reznor não foi o primeiro a indagar sobre este assunto: System Of A Down lançaram em 2002 o controverso Steal This Album!. Acho que há pouco a dizer senão...

Roubem!