quarta-feira, maio 13, 2009
E o que me dizem destas duas?
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Amplifficasom e companhia - sempre eles
A última é o interessante "No blog com...", que consiste em ter um convidado a responder a pequenas perguntas pessoais... sobre música! Ou não fosse o blogue destes bons tripeiros sobre música.
Ora, os primeiros convidados são Josh Graham (A Storm of Light, ex-Red Sparowes) e Daniel O'Sullivan (Guapo, Sunn o))) ao vivo). Bons convidados. Aguardamos mais e igualmente bons.
Agora, tempo de rumor: se os A Storm of Light vêm até cá via Amplificasom, será que os Guapo, do Daniel, também cá vêm? - desmintam-me, gentes do Porto.
terça-feira, julho 15, 2008
Rua Sésamo e a menina Feist
Esta posta fica na secção infantil do blogue.
quarta-feira, julho 02, 2008
O tal concurso já começou...

De qualquer forma, ficam a saber que EU voto no Stage-Diving porque sou FIXE.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Mais um, mais Música
Um grande bem-haja para o Tiago!
domingo, janeiro 06, 2008
E temos música!
Havia várias complicações a travar esta iniciativa... mas acabou por chegar.
Deixo-vos uma cover catita :)
quinta-feira, novembro 08, 2007
Mais um nesta emenda cultural!
Bom, lacuna preenchida e o António assume um teclado ao vosso dispor!
Este tal de António é bom rapaz, de bom ouvido e ideias lúcidas, com um bom reportório de concertos e vem do campo de Estudos Artísticos em Coimbra (o que quer dizer pouco ou nada). Mais alguma informação, procurem o hi5 dele.
Fora isso, é realmente um prazer ter este caro compincha connosco, finalmente.
Sede bem-vindo, caro António!!
domingo, agosto 12, 2007
Só se vender a 50 cêntimos
Mais interessante, Paredes de Coura arranca hoje e eu ninguém da equipa vai marcar presença no festival, em princípio. Mas como estamos numa de colaborações... O festival só acaba no dia 15, vamos com calma.
Devotchka e Sizo, no palco «After Hours» a não perder.
sexta-feira, agosto 10, 2007
Sudoeste 07 - último dia
No palco mais pequeno, para uns o secundário e para outros, que dali não desandaram, os nomes mais aguardados eram os Of Montreal, Trail of Dead e, acima de tudo, The National. Os dois primeiros a estrearem-se em Portugal e os terceiros a regressarem depois de terem tocado há dois anos em Paredes de Coura. Apesar do cansaço, este dia ainda reservava concertos a figurar no top do Sudoeste 2007.
Seguiram-se os desinteressantes Razorlight, que na sua banalidade estrelada proporcionaram um concerto desinteressadamente chato. Entraram ao som dum tango repetidamente interrompido por uma batida poderosa em jeito de alerta para o que se seguiu. E o que se seguiu foi, nada mais nada menos, do que um tipo de branco, com umas calças apertadas a olhar com profundidade para as meninas da frente, sem descoser o seu ar sério e sentimental, enquanto soltava uma ventania morna do palco capaz de desarrumar o cabelo das adolescentes histéricas presentes. O guitarrista dava uns saltinhos tão tímidos que chegava a fazer lembrar o guitarrista do Avô Cantigas, comedido para não assustar as criancinhas. Até tenho medo de referir que tocaram uma música dos The Doors, pois ainda ficam tão tristes quanto eu fiquei.
Os Phoenix eu desconhecia e, como preciso de me alimentar para sobreviver, decidi ir jantar para poder estar em forma para a tempestade que se avizinhava no palco secundário. Mas, para não dizerem que não disse nada sobre eles, fica a nota de que o guitarrista parecia o Jack Sparrow do «Pirata das Caraíbas».
É difícil não ter ouvido pelo menos uma música de James, portanto, não poderiam ter começado o concerto de outra forma senão com um dos seus hits. Logo no início despacharam três das suas músicas mais conhecidas, “Born of Frustration”, “Tomorrow” e “Sit Down”, garantindo assim uma grande actuação, acompanhada desde o início por palmas e pelo coro de vozes da maior multidão da noite. O simpático e carismático Tim Booth mostrou como os James ainda sentem o que tocam, totalmente inebriado pela música e perdido em constantes espasmos que o assaltavam numa espécie de transe. É bom, mas cada vez mais raro, ver um músico entregar-se com tanta alma à sua música, sentindo-a e transmitindo essa energia aos que assistem. Acabei por não assistir até ao fim, pois outro concerto que aguardava com ainda mais interesse estava prestes a começar no palco secundário. Mas não duvido que se assim continuou até ao fim terá sido um dos melhores concertos do festival.
Aos Babylon Circus coube a simbólica tarefa de encerrar o palco principal da edição 2007 do festival do Sudoeste. E, num palco por onde passou uma grande variedade de países e estilos musicais, o festival só podia encerrar num verdadeiro ambiente festivo, contagiados pela energia dos dez elementos que compunham este circo. Percorreram o palco de forma incansável, transbordando energia para a multidão, e percorreram uma misturada de estilos que foram desde o Punk/Rock, à musica cigana, ao Reggae ou até ao Jazz, fazendo lembrar outros nomes que por ali tinham passado nos dias anteriores. Infelizmente, não fiquei até ao fim mais uma vez, pois para mim o fim do festival estava programado para o «Planeta Sudoeste».
Por distracção, e com alguma pena minha, acabei por perder os Tara Perdida, uma espécie de Xutos & Pontapés do underground português. Mas pelo que ouvi dizer foi dos concertos a dar mais trabalho aos seguranças, descansadinhos durante todo o festival sem terem que aturar mosh’s ou stage divings. Diz quem viu, e não foram poucos, que foi um grande concerto.
Os primeiros estrangeiros da noite foram os Guillemots, projecto que desconhecia até então. Compostos por bateria, sopros, contrabaixo e um vocalista/ teclista com ar excêntrico, sentado no órgão num cadeirão de madeira, mostraram o seu Rock cheio de pedais de efeitos e barulhinhos electrónicos. Não deixaram grande recordação.
Aguardados por uma grande multidão e sob uma música épica, entraram em palco os estreantes Of Montreal, um projecto que me passava um pouco ao lado, e contínua a passar, mas que pelo menos passou a constar nas minhas memórias. Isto porque dão um concerto no mínimo original, cheio de elementos teatrais a recriar um ambiente meio surreal. Em palco, os elementos chamavam a atenção com as suas roupas excêntricas, estando o guitarrista vestido de anjo, o vocalista de voz irritante vestido a qualquer coisa que não deu para perceber bem o quê (com direito a mudança de roupa a meio do concerto) e o tipo da parte electrónica num traje que fazia lembrar “A Morte”. Durante o concerto iam entrando em palco algumas figuras estranhas, tais como uma Lagosta gigante, um espécie de ninja todo vestido de preto e com uma máscara brilhante a cobrir a face, ou um tipo de fato e gravata que entrou aos saltos no palco, tipo pandeireta da tuna académica, e acabou muito direitinho a ler o jornal sem chatear ninguém. Há que reconhecer que foi um dos momentos mais interessantes do dia, independentemente do som não me dizer nada.
O concerto da noite foi, sem dúvida, para os igualmente estreantes ...and You Will Know Us By the Trail of Dead. Surpreendentemente, foram poucos os que assistiram ao excelente concerto que esta banda facturou. Com momentos de uma intensidade inigualável neste festival, a contagiar de uma forma arrebatadora aqueles que sabiam o que podiam esperar e decidiram assistir ao concerto, os Trail of Dead deixaram no palco «Planeta Sudoeste» uma actuação poderosa para o qual muito contribuiu o uso de duas baterias em simultâneo em algumas músicas. Alguma das músicas dos álbuns mais recentes, e mais criticados pelos seus fãs, resultam de forma esplêndida ao vivo, ganhando outra dimensão com a alternância dos membros entre os diferentes instrumentos e com a riqueza que esse factor proporciona. Para mim, este discreto concerto que passou ao lado da maioria, foi uma das melhores prestações a registar nesta edição do festival Sudoeste.
Com os The National, a banda mais aguardada pela maioria dos presentes no palco secundário, dei por encerrado o festival. Já tinha ouvido falar muito bem desta banda ao vivo e sou apreciador dos seus trabalhos em Cd, mas considero que o burburinho que se gera em seu redor é, em grande medida, um hype. E o concerto, apesar de ter momentos interessantes pela força das suas músicas, ficou muito aquém das minhas expectativas, não só pela má qualidade do som mas também pelo estado do vocalista Matt Berninger, totalmente embriagado e quase aos tropeções pelo palco, chegando, a dada altura, a esquecer-se da letra de uma das músicas. Sem ter que cair no discurso do politicamente correcto e basear a minha opinião sobre o concerto apenas nestes factores, tenho que admitir que esta decadência não é propriamente o que procuro num concerto daqueles. Talvez por o tipo de som não se enquadrar com aquela imagem.
No entanto, ficou demonstrado que o público tem a capacidade de tornar um concerto atrapalhado num belo momento, com a capacidade que tem de se abstrair do cambaleante vocalista, acompanhando em coro a banda e sentindo intensamente cada música do concerto. Fico à espera que os The National voltem para um concerto à imagem daquilo que sempre ouvi deles e com a força que ainda conseguiram fazer passar numa escala menor, na sua plenitude.
Até breve,
Diogo Duarte
quinta-feira, agosto 09, 2007
Sudoeste 07 - terceiro dia
Ainda antes de iniciar o dia musical, e para ajudar ao cansaço, tive a infeliz oportunidade de assistir ao rebentar de um dos elásticos que segurava o Smart que era usado no Bungee Car, uma espécie de bungee jumping mas dentro dum carro. Foi um susto dos diabos ver aquela coisa pequena às cambalhotas no ar com pessoas lá dentro, ver os vidros a estilhaçar e tantos outros bocados do carro a soltarem-se. Felizmente, tudo acabou bem e os ocupantes do veículo só sofreram umas escoriações. Curioso foi notar que passados dois minutos do sucedido, já se formava uma nova fila de jovens imberbes ansiosos por entrar dentro do carro e sentir aquela adrenalina que os “acidentados” sentiram. Mas os coitadinhos sofreram uma desilusão, pois o divertimento foi interrompido temporariamente, como não podia deixar de ser, para tratar dos estragos e repor a ideia de segurança necessária àquele tipo de actividades.
O segundo já me despertava muito mais interesse: Sérgio Godinho. Artista incontornável no panorama musical português, brindou algumas gerações com a sua música e palavras. No Sudoeste apresentou-se de forma muito descontraída e totalmente despretensiosa, o que lhe garantiu um concerto muito agradável. Entrou pelo palco a correr sob o lusco-fusco e debitou desde logo alguns clássicos e outros êxitos mais recentes: “Às vezes o amor”, “O rei vai nu”, “A democracia” ou “Marcha centopeia”. Sempre comunicativo e com um sorriso na cara, Sérgio Godinho descansou o fim de tarde com a sua voz já histórica, vivida e nostálgica.
Seguiu-se outro português, este mais recente e humilde reconhecedor da sua divida para com Sérgio Godinho; falo de Sam the Kid. Confesso que a sua música me diz pouco, mas é preciso reconhecer que ao vivo ganhou muito com a presença de uma banda: o baixo enchia o som de uma forma contagiante e a bateria, muito mais orgânica, dava outra dimensão à música. Foi o primeiro a compor a multidão em frente ao palco e a arrancar um monumental coro com a música Abstenção. Foi engraçado ver o público a gritar a alto e bom som, com toda aquela convicção efémera das massas, “o povo unido jamais será vencido!”. Após este momento inicial o concerto esmoreceu um pouco e dispersei-me por outras andanças até ao final do mesmo. Ainda fui a tempo de assistir a um momento muito simpático, em que Samuel Mira chama ao palco, em jeito de homenagem, o seu pai e a sua irmã que contemplaram e acenaram à multidão meio envergonhados.
Pouco depois foi a vez de as ruas invadirem o palco do Sudoeste com a sua poesia. The Streets era um dos nomes mais aguardados da noite pelos presentes e até eu mesmo tinha alguma curiosidade em ver como o projecto resultava ao vivo e naquele ambiente. O concerto não me fascinou mas teve alguns momentos interessantes, com Mike Skinner muito comunicativo, dirigindo-se ao público frequentes vezes no seu português macarrónico: “Mãos em cima”, “Saltem!” e por aí fora. A assinalar ainda um baixo poderoso que lançava um vento das colunas capaz de me despentear as pestanas, fosse nas incursões feitas ao Drum’n’Bass, ao Reggae ou ao Hip-Hop.
Devido a um atraso no voo dos Groove Armada, o seu concerto passou para último lugar e assim os Australian Pink Floyd tocaram antes. O meu pensamento para estes tipos era: “e porque não ver uma banda de tributo aos Pink Floyd num palco gigante e perante umas 30 mil pessoas?” Muito se fala sobre este projecto e há até quem diga que esta banda toca as músicas ainda melhor que os originais; eu cá não duvido. Mas confesso que se fosse ver Pink Floyd ao vivo não os queria ver a tocar tudo perfeitinho, presos aos Cd’s e esse tipo de coisas. Queria uns Pink Floyd como estes habituaram quem os conhece: genuínos e criativos, a divagar pelas suas paisagens sónicas e psicadélicas. Sobre esta versão australiana só tenho a dizer que são um grande fiasco: o instrumental é exactamente igual aos Cd’s, sem tirar nem pôr, e apenas a voz destoa grandemente. Diga-se que isto tira toda a magia e interesse da banda, pois tocar igual não é difícil; o verdadeiro mérito está no criar e no recriar. E é aqui que reside o absurdo da sua existência, pois não se pode exigir que toquem como os Pink Floyd, que improvisem sobre músicas que não são suas, com sentimentos que não totalmente seus. Isto levanta uma questão interessante: mas que raio faz uma banda de covers num festival deste tamanho e ainda por cima como cabeça de cartaz? Fica para reflectir.
Mas a maior romaria no palco secundário, durante os quatro dias, deu-se com o concerto de Patrick Wolf. O público estendia-se muito para lá dos limites da tenda para assistir ao concerto explosivo que esta figura andrógina registou na edição do Sudoeste deste ano. O som de Patrick Wolf, para quem não conhece, é algo de bastante agradável e original. Às vezes podemos encontrar parecenças com Antony and the Johnsons ou até com os Arcade Fire, por causa dos violinos, mas a sua música percorre o Jazz, o Folk ou até alguma música erudita. Logo que entrou no palco foi possível perceber a quantidade de gente que lá estava para o ver, com algumas raparigas a lançar uns gritos histéricos e a darem uns saltinhos frenéticos. Mais um concerto a que deu prazer assistir, com uma personagem muito interessante pela sua sensualidade e presença em palco. Todo maquilhado e com brilhantes na cara e no corpo, sapatos de verniz, calções curtos e justinhos adequados à sua figura esguia, colares de bolas à volta do pescoço ou pendurados à cintura: era esta a indumentária que prendia todo o público. Para desespero dos seguranças, Patrick Wolf não se cansou de andar pelo meio do público, de ser apalpado, de ver as suas roupas quase destruídas e tudo mais. Não tardou muito para que ficasse em tronco nu e para que voltasse mais não sei quantas vezes para junto dos fãs, alternando com umas quantas quedas aparatosas e reboladelas em cima do palco. Certamente que este será um concerto a ficar na memória de muita gente e é ainda mais certo que serviu para alimentar o desejo de um regresso para breve.
quarta-feira, agosto 08, 2007
Sudoeste 07 - segundo dia
Antes de continuar, fica já o primeiro comentário: a tal banda de música e mensagem intragáveis, os Bonde do Rolé, deram o concerto da noite e um dos melhores de todo o festival. Posto isto, avancemos que eu já lá chegarei.
Ido o Armandinho, entram os Outlandish que me prenderam durante longos 5 minutos e me abriram o apetite para uma boa jantarada. Ainda deu para ver quatro tipos a rappar com um ar meio perdido, metade do público indiferente e a outra metade a dançar (aquela metade que, por qualquer força estranha da natureza, até costuma dançar com a publicidade nos intervalos das bandas), e a banda fascinada e agradecida a despedir-se com umas fotografias à multidão para mais tarde recordar.
Com a barriga cheia e com um passeio dado pelo local, julgava-me preparado para receber os Cinematics, grupo que em CD não me convenceu totalmente por ser demasiado parecida com aquela banda chamada Editors que, por sua vez, é demasiado parecida com Interpol. Atenção que, contrariamente a Cinematics, considero Editors e Interpol duas bandas excepcionais, não há é paciência para a banda que segue a banda e por aí fora sem que a isso acresça qualquer novidade. O concerto começou com simpatia, teve bons momentos, como quando tocaram a música Break, mas não chegou para convencer, sendo tão cansativo como a versão em CD. Banda sem grande originalidade, com as influências mencionadas, e outras como Arctic Monkeys, sempre presentes em demasia.
Frustrada a esperança que tinha de que Cinematics ainda me surpreendesse, ainda restava a vinda dos Cypress Hill que aguardava com ainda mais interesse. Estes rappers são um verdadeiro clássico e dispensam apresentações. Os melhores dias já lá vão, pelo menos em termos de popularidade, mas o que é certo é que a prestação no Sudoeste serviu para confirmar que ainda estão em grande forma. Muito power e muita entrega, tanto dos músicos como do público, a confirmar que não é preciso ter a batida mais poderosa do mundo para pôr dezenas de milhares de pessoas a saltar. Sempre simpáticos e comunicativos, falando para o público em castelhano, a banda despediu-se com a "Rock Superstar" e com uma entrega de abraços e beijinhos para a fila da frente do concerto. Nota ainda para o traje do B-Real que veio equipado a rigor para a visita ao deserto, cobrindo a cabeça com um turbante ao melhor estilo das arábias.
Depois de me perder pelo recinto e pelos artistas do palco principal, lá voltei à pequena tenda de circo para assistir ao concerto dos Data Rock, um grupo meio estranho constituído por quatro tipos de fato de treino vermelho, capuz na cabeça e óculos escuros. Foi um momento muito divertido, ver estes atletas de jogging a puxar constantemente pelo publico e a executar interessantes exercícios de aeróbica. O público vibrou o concerto todo, sempre a saltar e com um sorriso na cara com as prestações e coreografias dos artistas.
O mergulhador honorário, representando o Sismógrafo,
Diogo Duarte
terça-feira, agosto 07, 2007
Sudoeste 07 - primeiro dia
É bem sabido que o excesso de festivais que começam a haver em Portugal e o esgotamento das grandes reservas de ouro musicais provocado pelo Superbock Superrock, acabam por desequilibrar em grande medida os cartazes daqueles que foram os primeiros eventos do género a ser realizados em Portugal. Por isso, o festival do Sudoeste já teve cardápios mais consensuais do que o desta 11ª edição. Mas que não se julgue que foi por isso que deixou de reunir um bom número de grandes nomes com capacidade para justificar a deslocação de milhares de pessoas à Herdade da Casa Branca. E a prova disso mesmo é que o primeiro dia deste edição bateu o record de afluência aos dias de abertura dos festivais, com 40 mil pessoas a receber Manu Chao e Damian Marley.
Eu não fazia parte da camada da população psicologicamente afectada com a necessidade de me deslocar à Zambujeira do Mar, mas a oportunidade surgiu e não e hesitei. Contrariando as minhas previsões iniciais, o balanço final é bastante positivo e guardo comigo uma série de concertos memoráveis. O festival do Sudoeste, não fornecendo um cartaz muito equilibrado, tem a vantagem de reunir um número muito diversificado de bandas e estilos diferentes, e isso acabou por ser fundamental para esta opinião.
Os I’m From Barcelona, que afinal são da Suécia, eram outro dos nomes esperados por alguns presentes e se em CD é bem desinteressante, ao vivo mostrou-se um projecto bem divertido com os seus cerca de 30 elementos. A banda tem uma entrada épica ao som de “Barcelona” dos Queen que permite que os elementos entrem todos numa invasão interminável. Parecia que o autocarro duma qualquer excursão tinha parado junto ao palco e fornecido um carregamento de turistas equipados com calções de banho e camas insufláveis para a piscina debaixo do braço. Apesar do palco parecer a estação de Santa Apolónia em hora de ponta, a presença dos músicos no palco era harmoniosa e divertida, sem que ninguém atrapalhasse ninguém: enquanto meia dúzia tocava, os restantes vinte faziam bolinhas de sabão, abraçavam-se e andavam aos pulos pelo palco a brincar com balões. O vocalista da banda, se repetir a brincadeira quando voltar a Portugal e este blog for famoso, receberá certamente o prémio Stage-Diving por ter decidido passear sobre o público em cima dum colchão da praia. Apesar das dezenas de indivíduos a cantar em cima do palco só se ouvia a voz de duas, e a música é tão pobrezinha que o que safou mesmo foi o circo que ali se instalou.
Gilberto Gil veio logo a seguir e, diga-se de passagem, não é todos os dias que temos a oportunidade de ver um Ministro da Cultura de guitarra na mão a entrar por um palco a dentro aos pulos. Apesar de não ter faltado ritmo à actuação do sr. Ministro, os pontapés na gramática deste sujeito bem cotado no governo brasileiro e as falhas na sua voz enfraquecida por uma certa rouquidão também não quiseram deixar de iluminar os festivaleiros. Mas a actuação foi interessante e estimulante o suficiente para me ter feito questionar sobre o fosso enorme que existe entre a espontaneidade e a genuinidade da música e o artifício da arte retórica e da mentira política. E custa a crer que alguém possa estar ao mesmo tempo nos dois lados com a consciência tranquila. Outra nota para os primeiros avisos dos seguranças aos flashes das máquinas fotográficas que disparavam do público, provavelmente na tentativa de evitar que alguma delas apanhasse uma carantonha feia que não fosse possível conjugar com o estatuto de ministro que o músico tem que assumir de vez em quando. Damian Marley foi o músico que antecedeu Manu Chao e, pelo menos para mim, deixou um gostinho a prestação insonsa. Apesar de se ter livrado bem do peso do pai que transportava às costas com uma entrada contagiante, o primeiro concerto reggae foi esmorecendo cada vez mais até se perder na banalidade. Algo afectado pelo estrelato, o que dificultou o trabalho dos fotógrafos de serviço presentes que apenas podiam fotografar com uma autorização prévia, Damian Marley deixou a impressão que está a anos de luz da imagem do pai e da mensagem que este deixou ao mundo. Nem as suas letras sobre justiça, sobre a paz e sobre o rastafarianismo chegaram para convencer do contrário pois ficaram diluídas na burocracia gerada para tirar uma única fotografia. Mas uma coisa é certa: é mesmo filho de Bob Marley e os olhos não enganam ninguém, são os do pai: semicerrados e inchados, talvez para se proteger duma nuvem de fumo insuspeita que pairava nas redondezas.
