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segunda-feira, maio 31, 2010

Ja viram o cartaz do Marés Vivas?

O Porto voltou a ficar à frente, no que diz respeito ao indicador mágico preço-qualidade. Por enquanto, a coisa vai em 40€ por três dias de música boa. Pop, mas boa pop — nada contra isso.

No entanto, olhando para o cartaz, não deixo de pensar que está ali algo de errado quando vejo que o David Fonseca vai tocar mais tempo que os dEUS ou tanto quanto os Editors. Não estamos fartos do rapaz?

quinta-feira, maio 27, 2010

Hoje há mais Rock in Rio.

Vocês sabem, aquele festival em que se paga 60€ para que haja um espaço VIP enorme, zonas comerciais, parques de diversões e pouca música.

Há duas semanas, o Ipsílon teve a classe de descrever algumas bandas que lá vão actuar, mais precisamente os cabeças-de-cartaz do primeiro dia e de hoje. Citando alguns excertos (agora não me recordo dos jornalistas com muitas certezas, mas tenho ideia de que foi o João Bonifácio que escreveu estas pérolas):

"A música da Shakira mistura exotismo nativo com suposta sofisticação pop e a ocasional balada, mas a Shakira-o-ícone é um programa de tonificação muscular, música para aulas de step e respectiva coreografia. A música não importa, importa a barriga mais sexy do mundo não-desenvolvido."

"Quantas vezes foram os Muse comparados a imitadores de Radiohead sem neurónios, que do original retiraram apenas uma noção vaga de 'épico', adulterando-a em favor de priapismo virtuosista acompanhado textos analfabetos sobre o fim do mundo? Não as suficientes."

Bullseye!

quarta-feira, abril 28, 2010

Tendo em conta que...

...muitas das coisas que nós ouvimos diariamente ou pelo menos com o mesmo tipo de gosto são, muitas vezes, de artistas de pouca expressão mediática, ou de nichos reduzidos, cabe-nos também a nós fazer uma divulgação. Quando os artistas são portugueses, essa obrigação a que eu chamo gosto torna-se ainda mais premente. Porque se nos podemos queixar que ninguém apoia e que só o que vende muitos álbuns é que tem dinheiro a sério - e toda a gente conhece os nossos tops - e que a inércia é enorme, bom, ao menos façamo-lo com a sensação de dever cumprido. Toda esta dissertação faria sentido para mim se terminasse neste parágrafo, mas o timing prende-se com o que passará para o próximo.

Os The Rising Sun Experience - dos quais já falámos no blog algumas vezes e que já foram entrevistados para o Ponto Alternativo - estão entre um grupo de 40 bandas de onde sairão 5 que vão actuar no Festival de Benicassim. A partir daqui já perceberam o mote, ide por este link e ajudem à divulgação da banda, da boa música portuguesa lá fora, e todas essas imagens bonitas. Se gostarem deles. Senão, todos amigos na mesma.

sexta-feira, abril 09, 2010

Abram alas, os GY!BE vivem!

Os Godspeed You! Black Emperor vão reunir e estarão presentes no All Tomorrows Parties no Reino Unido. Vão, aliás, ser os curadores do evento. E ao que parece vão também vão dar mais uns quantos - não muitos - concertos. Para não me tomarem como um sonhador da madrugada, fica aqui a prova lida e relida.

Boa cena.

terça-feira, março 09, 2010

Mais novidades festivaleiras

Pela mesma razão que referi neste post volto a dar-vos o cartaz até ao momento do Alive!10, visto que os outros ou têm um cartaz deveras fraco ou ainda não têm nada sequer.

8 de Julho
Faith No More (Palco Optimus)
Alice in Chains (Palco Optimus)
Kasabian (Palco Optimus)
Phoenix (Palco Optimus)
The xx (Palco Super Bock)
La Roux (Palco Super Bock)

9 de Julho
Skunk Anansie (Palco Optimus)
Gossip (Palco Super Bock)
Steve Aoki (Palco Super Bock)
Bloody Beetroots (Palco Super Bock)

10 de Julho
Pearl Jam (Palco Optimus)
LCD Soundsystem (Palco Optimus)
Gogol Bordello (Palco Optimus)
Simian Mobile Disco (Palco Super Bock)

Sim, podíamos ver isto numa qualquer Blitz ou assim, mas é sempre giro saber disto e ouvir as vossas opiniões. Por falar nisso, há algumas apostas que tenham e que gostavam de ver?

terça-feira, novembro 17, 2009

Cancelado o Prayer Fest

O segundo dia do Prayer Fest foi, infelizmente, cancelado. Devido ao mau tempo, a cobertura do palco rompeu e estão inviabilizadas as condições para que este festival continue. A promotora Ritual Som garante o reembolso dos bilhetes.

É demasiado azar, mas não há nada a fazer. Ficamos à espera de que isto não desanime a Ritual Som na organização de um novo Prayer Fest.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Prayer Fest: primeiro dia

Muito há a dizer sobre este primeiro dia. Mas o que, infelizmente, marcou toda a gente foi o facto de os Minsk terem sido interrompidos por ordem da polícia. Já se sabia que força repressiva e cultura são duas coisas que não se conjugam, mas, tendo em conta o grandioso concerto que os Minsk estavam a dar, o que ali aconteceu foi um atentado à arte. Obrigadinha e voltem sempre, *acrescentar insulto à medida do freguês*.

Não fosse isso, podia-se dizer que tinha sido uma boa noite, uma noite perfeita - ou quase.

domingo, novembro 15, 2009

E hoje há (finalmente!)...

...o Prayer Fest. Um pequeno festival com um cartaz de luxo. Ver para crer (no cartaz e em concerto).

domingo, novembro 08, 2009

É já no próximo fim de semana...

...que se realiza o Bracara Extreme Fest, que marca o regresso dos Minsk a Portugal, mas que também conta com nomes como A Storm of Light e Altar of Plagues.


Os Minsk e os A Storm of Light vão estar também, no dia seguinte, em Lisboa.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Notas sobre tudo

Pois bem, agora que o Verão acabou mesmo, falta-me voltar atrás e falar sobre coisas que aconteceram que ainda não referi e coisas que estão para acontecer cuja importância tem de ser salientada.

Voltando ao já longínquo Paredes de Coura ’09, faltou-me falar sobre o último dia do festival. Mas se fosse preciso escolher um dia sobre o qual não é necessário falar, teria certamente escolhido este. Foge Foge Bandido, que me tinha cativado em álbum pela simplicidade e divertimento criada por Manuel Cruz, desiludiu bastante ao vivo, pelo menos em ambiente de festival. A presença em palco do mentor do projecto é quase nula, sentadinho ao fundo do palco. Pode ser que resulte melhor em nome próprio, num ambiente mais íntimo. Jarvis Cocker foi uma surpresa agradável, um bom concerto, mas não passou muito disso. The Hives deram um excelente concerto com uma fantástica resposta do público de PDC, deixando-me ainda mais surpreso. Pena mesmo é ser The Hives.

Já a minha excursão pontual ao SW ’09 foi frutífera: Faith No More foi imensamente genial. Mike Patton e os seus compinchas mostraram que não brincam em serviço e presentearam o público português com um alinhamento irrepreensível. Mike Patton, como seria de esperar, fez macacadas nonstop ao longo do concerto, desde entrar de bengala e óculos de sol em palco até beatboxes acompanhados de sintetizador melancólico. Para mim foi, sem dúvida, o concerto do Verão.

Ainda este Verão tive oportunidade de rever Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra em Albufeira – agradável mas nada de transcendente – Fatboy Slim em Portimão – DJ set engraçado mas nada por aí além – e os velhinhos The Stranglers em Lagoa, sendo que este último foi bastante bom.

Quanto ao que aí vem em termos de concertos, aquilo que me vem à cabeça de imediato é mesmo Kayo Dot. Mais não vou dizer porque já aqui foi repetido muitas vezes, e bem, pelo que friso apenas o mais importante: hoje no Porto, Passos Manuel e amanhã em Coimbra, Teatro Estúdio CITAC.

Também no Porto, há Fuck Buttons dia 30 de Setembro no Plano B e dia 1 de Outubro na galeria Zé dos Bois, desta vez em Lisboa.
Legendary Tigerman também vai andar por aí a apresentar o novo disco em Lisboa, Porto, Guimarães e Tondela. Voltando ao jazz, mas desta vez com menos peso, os irreverentes The Bad Plus vão marcar presença no Museu do Oriente em Lisboa dia 10 de Outubro.
De resto e de relevância, vem-me à cabeça Rammstein, que vêm apresentar o novo registo Liebe Ist Für Alle Da, dia 8 de Novembro no Pavilhão Atlântico, e Massive Attack dias 21 e 22 de Novembro no Campo Pequeno.
Sei que há mais mas ou já foi referido aqui no tasco ou então não me pareceu relevante.

terça-feira, setembro 15, 2009

Intronaut na India

É verdade. E por acaso é daquelas bandas que eu vejo a tocar num ambiente todo transcendente, cheio de incenso, bom para levitar.

Eu acho que eles ficaram contentes.

terça-feira, setembro 01, 2009

Última posta sobre as Noites Ritual

O segundo e último dia foi estranhamente interessante. Felizmente, ao que parece, perdi o concerto dos Pontos Negros. Não sei mesmo se foi bom, mas garanto que amigos meus rezaram para que o concerto terminasse o mais depressa possível. Eu faria o mesmo, provavelmente.

Com o dito atraso, cheguei ao recinto - que é como quem diz "sítio em que nos revistavam antes de entrar para nos poderem impingir cerveja a 2€ e coisas semelhantes," porque os jardins do Palácio de Cristal ficaram a isso reduzidos - quando os Blind Zero estavam a começar a tocar. Bem... os Blind Zero... Como é que hei-de de dizer isto? Hmmm... Foi... mau? Teve momento abomináveis e foi medíocre no geral? É complicado dizer, mas um solo de guitarra terrível que se tenta disfarçar atrás da música d"O Padrinho", precedido de um triste cover da "Where's My Mind" dos Pixies e de um solo de percussão completamente desenquadrado de tudo não abonam muito a favor deles. Nem as músicas novas, que são fraquinhas.

Adiante, apanhei um concerto bom: Andrew Thorn, que tocaram o novo EP na íntegra e encerraram o concerto com uma música inédita (tendo em conta que o projecto é recente, não há nada de fantástico nisso). O frontman da banda, João Pedro Coimbra, esteve bem, mexeu-se, fez o que pôde, mas a verdade é que o seu lugar não me pareceu ser esse; pareceu-me que se sentiria mais confortável atrás dos holofotes, a fazer música, mais do que espectáculo. De qualquer forma, é a primeira vez que o mentor dos Mesa assume um projecto desta forma. Apesar de muito tempo de música, há sempre alguma coisa a aprender. O que importa realmente é observar que as músicas resultam bem ao vivo.

Os Mão Morta encerraram a festa e, claro, portaram-se como de costume. Não há muito a dizer: deram um óptimo concerto, tocaram um alinhamento que cobre toda a sua carreira e que satisfez desde os mais novos aos mais velhos (até tocaram uma do Maldoror, senão me engano) e ainda se deram ao luxo de, sem grandes problemas, serem os senhores do festival portuense.

Foi isto. Uma experiência única para mim, parece-me, porque para o ano não devo repetir a experiência. Desculpem-me a mancha textual, mas é difícil falar de tanta coisa em pouco espaço.

sábado, agosto 29, 2009

Depois destas curtas férias...

...gostaria de declarar reaberta a actividade no blogue.

É verdade, os Oasis acabaram. Uma amiga minha, que vai permanecer no anonimato, esteve precisamente no Rock en Seine, em Paris - onde "a melhor banda do mundo" se chateou -, e disse-me e enviou-me a seguinte mensagem: "Yeah yeah yeahs e bloc party, a-ok. Oasis? Due to an altercation between members of the band the oasis gig has been cancelled. Gallagher-pussys." Está dito.

Noutros pontos da ordem de trabalhos que acabei agora mesmo de inventar na minha cabecinha, começaram ontem as Noites Ritual, no Porto. Eu até estive lá. Sou preconceituoso em relação ao Manel Cruz, certamente, porque tudo o que ele faz me soa a pequenas variações dos Ornatos Violeta (algo que destroi fantasticamente qualquer tipo de brilhantismo ou de genialidade que tão frequentemente lhe atribuem; que tipo mais chato, a sério! Não compreendo mesmo como é que ainda não se fartaram de ouvir sempre o mesmo depois de tantos anos!), e Foge Foge Bandido (se tiver vírgulas, perdoem-me) é que não foge a essa regra. Noiserv acabei por não porque fiquei sentado num sítio bom demais para ver Dead Combo - e como não paguei bilhete, também não me chateei. E sim, Dead Combo rendeu. Depois vieram umas cenas electrónicas e os Deolinda - que me perturbam imenso, com a sua Ana Bacalhau e a pseudo-consciência político-popular de intervenção de tasca. Claro que não vi, mas ouvi o suficiente para manter a minha posição.

Hoje são os Mão Morta e o novo projecto do mentor dos Mesa, o senhor João Pedro Coimbra (o projecto chama-se Andrew Thorn, já agora. Se tiverem oportunidade façam o seguinte: ouçam a música do Tricky chamada "Overcome" e ouçam a versão feita por este senhor que está no Myspace. Muito curioso, não?). A ver o que sai. Os outros marmanjos não me interessam muito, sinceramente.

E, pronto, não sei. Se calhar precisava de mais férias, não?

quarta-feira, agosto 12, 2009

Mergulho em Paredes de Coura '09 - dia 3


Depois de 2 dias consistentes de boa música, chegava aquele que mais gente atraiu a Paredes de Coura. Com Nine Inch Nails a cabeça de cartaz, estava já pré-definido que o 3º dia do festival seria o melhor. E foi, sem qualquer tipo de dúvida.

O primeiro concerto que vi pertenceu à banda do Alaska, Portugal. The Man. Curiosamente, conheci esta banda aquando da primeira vinda de Trent Reznor a Portugal, em 2007. O pôr-do-sol courense foi testemunho da estreia dos americanos em Portugal que, apesar de não serem muito conhecidos por estas bandas, cativaram uma boa mão cheia de gente, algo positivo tendo em conta a hora a que tocaram. O concerto teve um bom fio condutor, tendo havido vários momentos longos de música ininterrupta, graças à capacidade da banda alongar os seus temas, dando-lhes mais experimentalismo, adicionando diferentes sonoridades, o que se reflectiu, consequentemente, na longevidade das músicas. Foi um excelente primeiro concerto em Portugal, num festival que, este ano, primou pelas estreias nacionais.
Depois de ter falhado Blood Red Shoes (creio que só 2 mergulhadores é que viram) chegou a vez da irreverente Peaches. Após ter passado pelo nosso país no Optimus Alive!08 em DJ set, a canadiana vinha agora para um concerto completo, acompanhada pela sua banda Sweet Machine. Mal o concerto começou, o potente baixo tomou conta da plateia. O rock electrónico levado a cabo pela artista deixou o corpo de qualquer um a tremer, literal e figuradamente. Foi um concerto repleto de fucks, shits, motherfuckers e fatherfuckers. Peaches mostrou ser uma entertainer nata, mudando de outfit várias vezes ao longo do concerto, provocando o público, comunicando abundantemente e, acima de tudo, mantendo um espectáculo de elevada qualidade, algo que foi mais tarde salientado por Trent Reznor à imprensa. The Teaches Of Peaches, Fatherfucker e I Feel Cream foram os álbuns mais visitados, num concerto provocante e cheio de força, que terminou com a eléctrica Fuck The Pain Away.

Nine Inch Nails foram os responsáveis pela enchente de portadores de bilhetes pontuais no dia. Algo mais que esperado, uma vez que se espera que esta tenha sido a última passagem do projecto de Trent Reznor pelo nosso jardim. Foi a 2ª vez que o projecto NIN veio ao nosso país, sendo que a primeira, em 2007, foi em dose tripla. Abrindo com o tema inicial de The Fragile, Somewhat Damaged, Reznor e companhia emergiram da nuvem de fumo que enchia o palco, começando o concerto lenta e progressivamente e estabelecendo logo a atmosfera negra e a sua imponência física. Seguiu-se uma setlist perfeita até ao fim (ver em baixo). Primeiro visitou-se The Downward Spiral através de March Of The Pigs e Piggy. Houve tempo para reviver uma colaboração com David Bowie há alguns anos, facto relembrado pelo frontman da banda, com I’m Afraid Of Americans. Um dos melhores momentos do concerto chegou quando, invariavelmente, Reznor incidiu em The Fragile: a sequência que começou com La Mer (tocada na íntegra!) e terminou com The Wretched foi das melhores coisas que ouvi este ano, chego mesmo a dizer que foi tocante. Entretanto fui visitar a Cruz Vermelha, pelo que perdi, entre outras, Non-Entity, b-side de With Teeth, e Gone, Still, instrumental magnífica do álbum Still. Após Wish e Survivalism, único tema recente tocado no concerto todo, chegou a apoteose final com a enérgica Head Like A Hole, seguida da antítese Hurt e um “Thank You, Good Night” final, com a banda a desaparecer do palco. Pode ter sido a última vez que muita gente viu NIN em Portugal e, quem sabe, na vida. Eu não acredito muito, descrença esta acompanhada de alguma esperança. Por que é que este não foi, para mim, o concerto do Verão? Dois factores muito importantes pesam aqui: já vi Nine Inch Nails em nome próprio e agora mais recentemente tive o privilégio de ver Faith No More. Não deixou de ser, no entanto, um concerto histórico, que não vou esquecer tão cedo. Obrigado Trent!

Setlist NIN:

1. Somewhat Damaged
2. Terrible Lie
3. Sin
4. March Of The Pigs
5. Piggy
6. The Becoming
7. I'm Afraid Of Americans
8. Burn
9. Gave Up
10. La Mer
11. The Frail
12. The Wretched
13. Non-Entity
14. I Do Not Want This
15. Gone, Still
16. The Way Out Is Through
17. Wish
18. Survivalism
20. The Hand That Feeds
21. Head Like A Hole

22. Hurt

segunda-feira, agosto 10, 2009

E o prémio de concerto do Verão vai para...


... Faith No More, indubitavelmente. E isto diz muito, uma vez que também estive presente em Nine Inch Nails. Mas a banda de Mike Patton foi soberba, arrebatou-me por completo. Os 40€ que gastei na minha deslocação ao santuário da poeira que é o Sudoeste não podiam ter sido mais bem gastos.
Mais palavras virão, mas antes ainda falarei do resto de Paredes de Coura '09, coisa que ainda não fiz estritamente por causa de problemas técnicos.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Mergulho em Paredes de Coura '09 - dia 2

29 de Julho marcou a abertura total do recinto, ou seja, o magnífico anfiteatro natural de Paredes de Coura pôde ser apreciado pelos novatos no festival minhoto ou revivido pelos conhecedores ao som de “que saudades Paredes de Coura…”.

Para mim, o dia, em termos de concertos, só começou no último ¼ do concerto levado a cabo pelos The Horrors (não vou aqui discutir as razões pelas quais vi uns concertos e outros não, e confesso que me arrependi em alguns casos, mas o que interessa agora é falar do que vi). Desconhecia por completo a banda de Inglaterra mas, do que vi, gostei essencialmente do ambiente soturno e negro que a música transmitia. No que diz respeito aos escassos minutos que presenciei, deu-me a impressão que o local mais adequado à banda britânica fosse uma sala fechada e, de preferência, tocando em nome próprio. Uma banda a descobrir.

Seguidamente entraram os Supergrass, uma das bandas para qual eu estava mais expectante nesse dia. Quase ícones da cena indie britânica, foi a primeira vez que tocaram no nosso país, em mais de 10 anos de carreira. Visitando os álbuns I Should Coco, Road To Rouen, Supergrass e Diamon Hoo Ha, deram um concerto sólido e consistente, mostrando ser uma banda rotinada e experiente. As palavras não foram muitas mas era notável o prazer com que tocavam junto ao rio Coura. Houve ainda tempo para uma visita a Sunday Morning, tema de abertura do álbum homónimo dos conhecidos Velvet Underground. Sobressaíram principalmente a faixa Pumpin’ On Your Stereo e o tema final, que fechou a actuação em grande.

Sobravam os Franz Ferdinand, a quem coube a função de fechar o segundo dia do festival. Quanto à inclusão deste nome em Paredes de Coura ’09, eu tinha as minhas dúvidas: encontram-se claramente numa fase mais experimental e o seu pico, isto é, a altura em que me aprazia mesmo muito vê-los, terá sido em 2004-2005, quando tocaram no já extinto Lisboa Soundz, juntamente com Mogwai (!). Esperava-os, portanto, com expectativas um tanto quanto baixas. A banda de Alex Kapranos abriu com The Dark Of The Matinee e o alvoroço na plateia foi instantâneo, pela primeira vez no dia (nota negativa aqui para a organização que resolveu remover a carpete de relva sintética este ano, de modo a que toda a gente pudesse respirar e comer poeira – obrigado). A parte inicial do concerto foi muito boa, cheia de energia proveniente da banda, correspondida de imediato pelo público. No entanto, como eu esperava, o ritmo rápido do concerto quebrou a meio, momento em que a banda incidiu mais no seu último álbum, Tonight: Franz Ferdinand. Seguiram-se então momentos chatos q.b., intercalados com hinos dançáveis e pujantes, muito por culpa de nomes como Take Me Out e 40ft. Apesar de não ser particular fã dos temas recentes tocados, confesso que esta foi a primeira vez que vi a banda actuar ao vivo e fiquei impressionado com a excelente qualidade do espectáculo, particularmente da energia e diversão com que se tocava no ex-palco Heineken. Chegado o encore, foi a vez de Michael e The Fallen darem o mote para o reboliço na plateia, seguidos pelo tema final, que começou como rock com uns laivos electrónicos, mas lenta e progressivamente converteu-se num momento electrónico de alta qualidade, tendo os elementos da banda deixado o palco um a um, tendo recebido cada um recebido o respectivo aplauso e ovação. E bem merecidos que foram.

terça-feira, agosto 04, 2009

Mergulho em Paredes de Coura '09 - dia 1


Não foi permitido pela maldita salmonella algumas vezes, mas estamos aqui para falar de outras águas. Como o André frisou, nada como uma bela de uma banhoca e, no meu caso, um grande e suculento bife (não sou vegetariano, mas confesso que senti falta de chicha decente na semana que passei no Taboão). Anyway, vamos à música, isto é, ao festival em si.

Não fui para Paredes de Coura este ano à espera de um grande festival. Em grande parte, o que me moveu foi o nome cabeça de cartaz: Nine Inch Nails. Não deixou de haver, no entanto, algumas boas surpresas.

O primeiro dia, encabeçado por Patrick Wolf, revelou-se um desastre no que toca a organização: apenas palco secundário? Valente asneirada! Um mar de gente onde só cabiam umas meras centenas. Ridículo no mínimo. Sean Riley & The Slowriders tiveram as honras de abrir o festival e fizeram o melhor que podiam: foram o mais enérgicos que a sua música permite ser e chegaram a entreter-me. Pena não serem o meu prato favorito. Strange Boys foram no mínimo irritantes e chatos, graças principalmente ao vocalista e a sua voz esganiçada. Arrancou-me umas quantas gargalhadas, este sujeito (nota: com outro vocalista a banda podia muito bem ter-me cativado, mas a característica vocal do frontman sobrepôs-se à música levada a cabo pelo resto dos membros, estragando muito do que ali se tocou). Já Patrick Wolf foi uma lufada de ar fresco, colorido e animado. O excêntrico britânico revelou ser um excelente entertainer, multi-instrumentista exímio e cativou o público com a sua simpatia contagiante. Sempre bem disposto e comunicativo, Patrick Wolf visitou principalmente o seu último álbum, The Bachelor, sem que registos anteriores, como The Magic Position, fossem ignorados. Os seus dotes vocais aliados de múltiplos instrumentos, desde o violino, passando pelo ukelele, até ao piano, foram os ingredientes de um concerto rico de sonoridades que despertaram sentimentos variadíssimos. Destacaram-se os temas Battle, Hard Times, The Bachelor e The Magic Position, tema que finalizou a noite de concertos do primeiro dia do festival.

O primeiro dia valeu principalmente pela versatilidade e simpatia de Patrick Wolf e pecou pela abolição perfeitamente descabida de um anfiteatro natural, mais do que adequado e merecido para o artista que ainda agora referi. Todavia, não se pode dizer que foi um mau começo.

Dia 2, 3 e 4 virão num ápice!

domingo, agosto 02, 2009

Depois de Paredes...

...um banho! É essa a verdadeira necessidade do festivaleiro civilizado que vai ao Minho por estes dias. Verdade seja dita, infra-estruturas não existem - eu, enquanto vegetariano, ainda tive de inventar umas refeições estranhas sem ser roubado às claras (esta malta é muito século XIX, ainda. Eheh) - e a organização falhou redondamente em algumas coisas - aquele primeiro dia, de recepção ao campista, com concertos no palco secundário foi um flop grandioso; ainda não percebi o que se passou ali, até porque mal consegui ver um concerto, de tal forma lotado estava o meio recinto aberto ao público.

Fora estas coisas, música. Desordenadamente, começando pelo melhor e avançando sem grande nexo, Nine Inch Nails foi tão bom quanto seria de esperar (que grande baterista!!!!!!!! E que grande banda, que grande alinhamento, que grande entrega... Claramente, foi o concerto do festival.), Blood Red Shoes foi verdadeiramente surpreendente, Peaches foi curioso (tenho de ceder e admitir que ela deu um bom concerto), Patrick Wolf foi decente, Portugal The Man foi bom Q.B. e mote para piadas da senhora Peaches, proporcionou momentos ricos, musicalmente muito interessantes e Franz Ferdinand, apesar de chatíssimos a meio da actuação, iniciaram muito bem e fecharam com um momento electrónico algo incrível.

Para primeiras impressões, nada mais tenho a assinalar. Estes foram os pontos positivos e/ou, digamos, os menos maus/terríveis. Acho que o resto da malta aqui do tasco tem algo de mais decente a dizer.

segunda-feira, julho 13, 2009

Altos e Baixos do Alive!09

Altos:

The Prodigy - O que eles fizeram ali não tem grandes palavras. Foram uns RATM de 2009 - isto até soa bem se virem o quão electrónico estava o cartaz.

Crystal Castles - Vale pelo espírito praticamente punk e pela fabulosa Alice Glass. Pode haver bandas a mais neste universo indie e electrónico, mas esta é claramente uma que faz falta.

Placebo - Já foram hype, já estiveram mortos, e na última sexta-feira deram um best-of que ficará na memória (e vi apenas pouco mais de meia-hora).

Mastodon - Curto e a mostrar mais do que o Crack The Skie. E este último pormenor elevou um pouco o concerto. Qualidade inegável, mas não se deixa de ficar com aquela sensação de porque às 6 da tarde?

Linda Martini - Salvando o dia 11, fizeram-no em força, qualidade e presença. Melhor concerto deles que vi até hoje, o que diz alguma coisa.

Baixos:

Palco Principal de dia 11 - Uma banda a menos não justifica o quão pobre este dia era. Dois primeiros nomes que nem valiam a visita, restantes 3 que confirmaram os receios. Fraco.

Hadouken! - Uma das bandas que vêm com aquele rótulo de sensação da NME mas que provou pouco em palco. Pode ter sido dia mau, ou pode ser do tal rótulo.

terça-feira, julho 07, 2009

Cartaz de Paredes de Coura 09 fechado

E é o seguinte:

29 de Julho
Patrick Wolf
The Strange Boys
Sean Riley and the Slowriders
Bons Rapazes

30 de Julho
Franz Ferdinand
Supergrass
The Horrors
The Pains Of Being Pure At Heart
The Temper Trap
Palco Burn After-Hours: Chew Lips e Holy Ghost

31 de Julho
Nine Inch Nails
Peaches
Portugal. The Man
Blood Red Shoes
Mundo Cão
Palco Burn After-Hours: Kap Bambino e Punks Jump Up

1 de Agosto
The Hives
Jarvis Cocker
Howling Bells
Foge Foge Bandido
The Right Ons
Palco Burn After-Hours: Sizo e Nuno Lopes

O que é fabuloso é que no site oficial anuncia-se para breve as confirmações para o palco ibérico e para o jazz na relva. E no entanto recebo um mail da Ritmos a dizer que o cartaz está fechado. Não sou daqueles que diz que o cartaz está fraquissimo. Tem opções menos boas - na minha perspectiva - mas tem nomes interessantes e de qualidade. Agora estou convencido que a confusão reinou na organização. O After-Hours do último dia é uma forte nota a ter em conta neste particular.