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sexta-feira, dezembro 10, 2010

Top para aqui, top para ali

Estamos nessa fase, de resumir um ano em tops disto e daquilo.

De todos os que vi, aquele de que mais gostei foi o do We Listen For You. Já dizia o Miguel Esteves Cardoso que os álbuns que marcam alguém são os muito bons, claro, e os muito maus. O top do WLFY não partilha com ninguém os melhores, mas sim os 5 piores discos de 2010.

Foi o top de que mais gostei, mas não é necessariamente aquele com que mais me identifico, até porque não ouvi tudo o que lá está. Mas não tenho dúvidas de que os Vampire Weekend merecem o seu lugar entre os cinco piores discos deste ano (e não sou cabeçudo o suficiente para dizer que merecem um lugar nos 5 piores de sempre, até porque toda a gente sabe que o David Hasselhoff tem uma discografia).

terça-feira, outubro 12, 2010

As boas novas de Men Eater

MenEater Teaser 2010 from John Filipe on Vimeo.



Esta malha fala por si, parece-me. Gosto de perceber que a qualidade dá ares de quem se vai manter pelos lados destes senhores.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Há mais uma malha nova de Intronaut!

Bendita Stereogum, que nos traz estas coisas. Chama-se Core Relations e tem muito de Intronaut e menos matrecada metaleira. Parece mais contemplativa.

Não é fácil dizer o que vou dizer, mas começo a achar que este Valley of Smoke vai ser melhor do que o grandioso Prehistoricisms. Não?

segunda-feira, setembro 06, 2010

Blonde Redhead e a evolução

É curioso observar como o sou já nada natural dos Blonde Redhead se transformou neste último álbum: de repente quase lembram trip-hop, parece que se esqueceram de como rockar. Ainda mais curioso é perceber que isso é uma evolução que resulta (ou, então, teria outro nome).

De qualquer forma, dentro da pop, esta é daquelas bandas que me tem vindo a surpreender por conseguir manter a qualidade e reinventar-se sem se perder no meio das invenções (passe-se a redundância).

Por mero acaso, andei hoje a manhã a ouvir Fever Ray para descobrir que partilha o produtor do novo álbum deste trio. Muito se explica nestas andanças.

PS: o álbum já circula pelas internets, como é óbvio.

terça-feira, agosto 17, 2010

O novo dos Arcade Fire...

Antes de mais, tenho de pedir desculpa pela ausência, mas as opiniões são como o vinho: demais dão dores de cabeça.

Desculpas esfarrapadas de parte, ainda não ouvi o novo dos Arcade Fire. Não sei se a desmotivação vem do facto de serem, dentro do pop, uma das minhas bandas preferidas, ou se simplesmente todo mediatismo em torno deles me faz perder o interesse, simplesmente porque acho que se tornem preguiçosos.

Em vez de o ouvir, vi duas músicas no Daily Show (podem seguir o link do Brooklyn Veegan). Uma deixou-me contente, por ver que eles ainda têm aquela coisa de serem a versão pop, infantil e despreocupada dos Silver Mt. Zion; no entanto, a outra, Month of May, deixou-me com a sensação de que agora as coisas estão diferentes e podem não ter a magia de funeral...

Ou seja, tenho mesmo de ouvir o raio do bicho.

terça-feira, junho 22, 2010

Os Animais Mecânicos

Esta tem sido uma semana de Mechanical Animals do Marilyn Manson, e é com prazer que digo que só os singles do álbum é que me chateiam (fora a boa e bonita Coma White).

Passados tantos anos, ainda é um álbum que me dá gosto ouvir, acho que por não ser o clássico Marilyn Industrial com vontade de mandar toda a gente dar uma curva ao bilhar grande, mas por ser, só e apenas, triste e suicida (as delícias dos fundamentalistas, por isso).

Fica aqui um bom exemplo da coisa emo do rapaz controverso dos States:

quarta-feira, maio 26, 2010

Cá estou eu a desejar que a Joanna Newsom venha a Portugal (porque nem só de metal e matrecada vive a alma)

Ando agora a explorar o novo álbum da harpista mais fofinha que por aí anda (a Joanna Newsom, claro) e, até agora, estou a gostar imenso daquilo.

Suceder ao Ys é uma tarefa difícil, mesmo muito difícil, mas esta senhora parece estar empenhada em mostrar-se brilhante no que toca a fazer música. Arrisco-me a dizer que, de certa forma, o álbum deixou a faceta folk de Newsom em Ys e no seu predecessor, em prol de um lado sinfónico que, em certos aspectos, relembra a fase dourada dos anos 60 e 70 do rock mais progressivo (esta minha comparação rebuscada vai mais direccionada para os arranjos dos Genesis).

Por isso mesmo, despertou-se-me a curiosidade para ver este Have One On Me em concerto. Quão interessante não seria? E não é que ela até vai andar em tourné pela Europa no verão. Coincidência? Eu diria que talvez. Mas vejam por vocês próprios:

05.25.10 - Oslo, Norway - Sentrum Scene
05.27.10 - Helsinki, Finland - House of Culture
05.29.10 - Eindhoven, Netherlands - Muziekcentrum Frits Philips
05.30.10 - Amsterdam, Netherlands - Melkweg
05.31.10 - Paris, France - Grand Halle de la Villette
08.22.10 - Glanusk, Wales - Green Man Festival

Viram aquele festival em Agosto, no País de Gales, viram? É precedido de uma maravilhosa falta de concertos de 15 dias. Duas semaninhas vazias que podiam ser preenchidas por estes lados, eventualmente. Pensem nisso, senhores-que-arranjam-concertos-à-malta-e-organizam-festivais-porreiros (partindo do princípio que lêem aqui o estágio).

quinta-feira, maio 20, 2010

Já ouviram o novo dos Rosettas?

Correndo o risco de exagerar imenso com esta afirmação, a audição do Wake/Lift mudou muito a forma como via o metal mais larilas (e não me compreendam mal, nem descontextualizem: é desse metal que eu gosto). Mas vá, para não exagerar, mudaram a forma como via as camadas de delays: voltei a ter esperança de que não seriam para sempre um cliché. Fora isso, é um daqueles álbuns que vou ouvindo e reouvindo com gosto e que ainda me faz curvar a espinha.

A Determinism of Morality caminha para esse lado, também. Parece que muita coisa cresceu ali e confesso que isso me fez confusão nas primeiras audições, mas agora a coisa começa a entranhar-se.

Os Rosetta nunca estiveram com meias medidas, pelo que foi lendo e ouvindo, porque começar a sua carreira discográfica com um álbum duplo quase a tentar seguir as pisadas de uns Neurosis e dos alter-egos Tribes of Neurot (no caso dos Rosetta, em que o primeiro se sobrepõe ao segundo completando-o) é de gente com coragem — mesmo que o resultado não seja o melhor. Para segundo álbum, o Wake/Lift é uma grande chapada na malta toda. E imagino-os a dizer "toma! toma!" quando começaram a ver as reacções à coisa. Só têm de ter orgulho e de reunir uma ainda maior quantidade de coragem para se tentarem ultrapassar.

Eu ainda não o sei dizer, mas será que o conseguiram? Lá moralmente determinados, estão eles.

segunda-feira, março 29, 2010

Diamond Eyes

O novo álbum dos Deftones já circula e quem o ouviu já pôde concluir o óbvio: passados dez anos da edição da obra-máxima da banda, White Pony, os americanos estão em óptima forma. Se não fosse por uma ou outra música isolada, dizer que Diamond Eyes é o melhor álbum da carreira de Chino Moreno e companhia não seria exagero algum. Mas ainda é um exagero, ou as primeiras audições assim o indicam. Verdade é: não são só os singles deste novo registo a ter qualidade de topo.


Já me esquecia, mas este Diamond Eyes lembrou-me porque é que eu deixei de ouvir Nu-Metal. Sei que é estranho colocar os Deftones na mesma caixa que as demais bandas do género, apesar de terem surgido em contextos semelhantes e de serem etiquetados como tal. Mas o White Pony levou-me a pensar: se isto é Nu-Metal, não quero mais ouvir o resto. Isso está bem presente, finalmente e outra vez.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Löbo numa palavra n'A Trompa

Colossal. Temo bem que seja precisa, esta opinião em relação ao EP de estreia da banda, Älma. Já o tinha dito aqui há uns meses e volto a repeti-o (principalmente tendo em conta o trabalho "bipolar" envolvido, em que o que se ouve no EP é completamente transformado em concerto).

terça-feira, fevereiro 23, 2010

E a nova dos Deftones?

Bolas, está mesmo boa! Eu assumo a minha culpa: os singles deles deixam-me sempre toda maluca e depois fico triste com o álbum.

Mas tenho esperança para este (como, aliás, tenho sempre). Desta vez eles tentaram um regresso às ditas origens e, parece-me, falharam com classe. Acho que eles não conseguem retroceder e, atrevo-me, regredir dessa forma. Ficaram pesados como eram aquando de um Around The Fur e de um Adrenaline, mas continuam com a negritude típica dos últimos trabalhos - eu agradeço.

Vá, 18 de Maio, vê lá se te despachas.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Esquisitices #2

Falo-vos de novo de um homem só, de uma banda que fez furor e boas músicas nos deu. Falo de Einar Örn, ex-Sugarcubes (isso, isso, a banda onde a Björk cantava, dizem muitos). Confesso que deste homem conheço pouco. Aliás, fora do trabalho com a sua banda só conheço mesmo um álbum chamado In Cod We Trust (não fosse ele islandês). Julgo que vos estrago um bocadinho da surpresa se vos disser que foi editado pela Ipecac Records, a editora de Mike Patton. Todos sabemos o que se passa por aqueles lados.

O álbum de Örn é estranho. Mas absurdamente apelativo. Não pode ser caracterizado de outra forma que não pop. Com muitos sintetizadores. E muitos efeitos vocais. E muitos dos recursos que andam hoje na berra em qualquer artista que use electrónicas. Mas uma das maiores estranhezas disto são os vocalizos à la hip-hop. Mesmo rap. Tudo isto sempre povoado por um ambiente com muito ruído e sons psicadélicos/freaks/simplesmente noia.

É seguramente diferente de muitas das coisas que possam ouvir por aí, e nem que seja só por isso já vale a experiência académica da sua audição. E o que pensam dos Sugarcubes não é minimamente relevante.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Esquisitices #1

Nota prévia: o #1 do título é só para o caso de começar a botar aqui música deveras esquisita/genial, de gente que vou encontrando pelas internets e que deve ser completamente doidinha/genial. Ouçam uma boa dose de parvoíce/inovação e pode ser que consigam parar a meio/encontrar outra coisa que gostem.

Neste post venho-vos mostrar o único álbum do DJ Pica Pica Pica, que data já de 1999 e que se chama Planetary Natural Love Gas Webbin' 199999. Este DJ é Yamantaka Eye, que já deviam saber quem era daqui, e o seu album vai buscar muitas coisas do seu universo. O resultado final é mais uma esquisitice da grossa, impossível de classificar num género ou algo que o valha. Principalmente porque passa por muita coisa, desde música asiática a electro a percussões quase tribais ou a apenas sons, naturais ou sintéticos. Ou tudo ao mesmo tempo. E tudo com muito ritmo, muitos loops, muito noise. Ou tudo ao mesmo tempo.

Vale a pena ouvir para conhecer. E deste posso dizer que gostei.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Entrevista a Toby Driver (Kayo Dot)

Depois de alguma inactividade (damn you, exames!), acho que me posso dizer orgulhoso de re-arrancar com o arremesso de postas através de um bicho desta envergadura:



“Cada álbum que faço é como uma viagem” - Toby Driver em entrevista ao Ponto Alternativo

As verdades, agora comprováveis por muita gente: o Toby é um tipo de pés no chão, humilde, mas com tanta a coisa a passar-se naquela cabeça que nos reduz simpaticamente a um pontozinho - e sem consciência de o fazer. É uma boa pessoa que faz música brilhante.

Nesta entrevista, ele explica-nos sucintamente o seu trabalho, tanto a nível musical, com os Kayo Dot, com os Tartar Lamb e mesmo com os Maudlin, como a nível visual, com a produção do artwork de cada álbum. A experiência em Portugal está presente e, o mais importante, desvenda-nos alguns pormenores sobre o próximo álbum, COyote. Espero que gostem tanto de a ler como eu gostei de a fazer. Foi uma das horas mais ricas dos meus últimos meses.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

De 2010, sobre 2009...

...vêm as minhas opiniões. Desisti das listas. Sobre isso, lembro-me de fazer uma comparação que, no fundo, nada tem a ver com o assunto: no álbum de estreia dos (International) Noise Conspiracy, eles, em vez de letras, tinham textos a explicá-las, precisamente por estas serem redutoras e estarem sujeitas a regras musicais e de métrica. Para transmitir uma ideia, não há melhor solução do que dizê-la e não sujeitá-las às formas compactas.

Neste texto vou fazer algo semelhante: não vou fazer listas mas vou falar do conteúdo que colocaria nelas, pelo menos para já.

O ano de 2009 já foi, mas eu ainda estou em fase de o encerrar. Ainda não ouvi tudo o que queria desses tempos e mal me sinto preparado para dar os primeiros passos no mundo da música de 2010. Ou seja, com muita pena minha, os Vampire Weekend vão ter de esperar umas semanas para que eu possa dizer mal deles novamente.

Mas já estou em condições para dizer que o ano teve algumas desilusões e óptimas surpresas.

Começando pelas desilusões, há uma que não se pode deixar de sublinhar: o novo surto do rock português. Para mim, foi como se os Strokes voltassem a estar na moda e decidissem escrever em português ideias muito más. Aliás, não preciso sequer de pensar muito para afirmar convictamente que essa onda foi a pior coisa que podia acontecer à nossa boa música. Na sua totalidade, as bandas da FlorCaveira e da AmorFuria, ou lá como se diz, são musicalmente pobres e liricamente vazios. Por mim, passaram-me de razia - senti o vento da sua passagem e fiquei indignado com isso, mas rapidamente os coloquei para trás das costas.

Houve outras desilusões, e essa afectam-me, principalmente a morte o Vic Chesnutt. Sinto-me imensamente triste, e é comigo. Sobre a sua decisão nada tenho a dizer, mas fico mesmo inconsolável por ter tido a oportunidade de o ver há relativamente pouco tempo e de a ter deixado passar. Definitivamente.

Surpresas, que são sempre agradáveis, tive imensas. Tive o prazer de ver Minsk, Kayo Dot e Isis duas vezes cada um. Foram repetições que valeram bem a pena - a par do concerto de Nine Inch Nails, foram os grandes concertos de 2009. Isis foi esmagador, Kayo Dot hipnotisante e Minsk foi uma verdadeira viagem, agressiva, pesada e psicadélica. Os Nine Inch Nails foram os Nine Inch Nails - e tão cedo não os devo voltar a ver. E em matéria de concertos, já estou a ser muito redutor e conciso.

Tive também o prazer de ouvir imensos álbuns bons de 2009, e não consigo fazer uma lista deles. Mas arrisco-me a enumerar alguns: Minsk, Isis, Mono, The Autumn Project, Hildur Gudnadottir, A Storm of Light, Vic Chesnutt, Shrinebuilder, Jesu, Dälek, Altar of Plagues, Evangelista, Wolves in the Throne Room, Junius, Do Make Say Think, Tim Hecker. E certamente que há mais, até porque não acabei de encerrar o ano. Vou agora dedicar-me aos portugueses e espero poder dizer boas coisas de alguns (Mão Morta, Lalala Ressonance, por exemplo).

Para fechar, tive o prazer de descobrir umas quantas bandas que me enchem as medidas. Não vou enumerar. Talvez noutro texto.

O vídeo do ano é este (que fica como prendinha para os corajosos que leram o meu testamento. Um bem-haja):

terça-feira, dezembro 29, 2009

The Flaming Lips - The Dark Side Of The Moon

Chamem-me doido, mas isto não está nada mau mesmo. Levou um twist valente, mas muito longe de ser desagradável. E não são muitos que conseguem isto, muito menos com o álbum que é.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

2010 com Zorn x12

O incansável artista norte-americano John Zorn vai fazer das suas em 2010. Prometidos estão não mais do que 12 álbuns para ouvir no próximo ano. Pode-se ler no site da sua editora, a Tzadik, que o que aí vem "...will be new music from The Dreamers, Moonchild and Alhambra, 3 new releases in The Book of Angels series, a major new studio composition dedicated to the Korean-American writer Theresa Hak Kyung Cha, a classical release featuring his acclaimed violin concerto Contes des Fées, the DVD release of his opera with Richard Foreman ASTRONOME, a ripping improvised duo recording with Fred Frith and undoubtedly several surprises..."

Todas as quartas terças-feiras de cada mês vai sair um diferente, e o primeiro será já no próximo dia 26 de Janeiro. Há também a informação que a maioria dos álbuns já se encontram completos e acabados, por isso é só esperar para ver.

sábado, novembro 28, 2009

Massive Attack - Heligoland


Já lhe chamaram Weather Underground, Gothic Soul, Hell-Ego Land e LP5 mas o título final foi revelado: Heligoland. Ao fim de vários anos de adiamento, chega em Fevereiro de 2010 o último trabalho dos MA. Muitas sessões de estúdio com inúmeros convidados foram gravadas, mas ao longo de 7 anos muitas ficaram para trás. Tunde Adebimpe, Horace Andy, Martina Topley-Bird e Damon Albarn são algumas das vozes que poderemos escutar daqui a uns meses. Do que já ouvi, realço Splitting The Atom e Atlas Air (conhecido pelos fãs por Marakesh). É o regresso esperado por muitos dos soturnos senhores do trip-hop. Enquanto não sai, podem ir molhando o bico com Splitting The Atom EP.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Massive Attack @ Campo Pequeno

No passado fim de semana os britânicos Massive Attack apresentaram-se no Campo Pequeno para finalizar a tournée com 2 concertos consecutivos em Portugal. Eu estive lá no primeiro desses dias e posso afirmar que foi qualquer coisa de espantoso, superando de longe o concerto dado no Festival Super Bock Surf Fest 08.

Para abrir, os Massive Attack escolheram Martina Topley-Bird. A artista participou no novo álbum dos ingleses e estava em tour com eles, pelo que aproveitou para fazer as primeiras partes de todos os concertos, tendo a possibilidade de mostrar o seu trabalho próprio. Acompanhada por um ninja na bateria, a britânica, que emprestara a voz a Tricky no seu primeiro álbum, deu um concerto curto, expondo algum do seu reportório triphop/dub/soul. Transmitindo sempre uma aura de tranquilidade e satisfação, Martina mostrou os seus dotes vocais a par de um xilofone, uma bateria, a ocasional guitarra e outros mil instrumentos - a complementaridade instrumental ajudou a tapar os silêncios e tudo junto criou uma sonoridade própria. Ainda assim, Martina Topley-Bird resultará muito melhor em nome próprio, num ambiente mais familiar e como a música pede, mais íntimo.

Com um Campo Pequeno esgotado, esperava-se uma ligeira apresentação do álbum que está para vir - Heligoland - até porque o Splitting The Atom EP, já lançado, também o é. O último álbum lançado tinha sido 100th Window, lançado em 2003. No entanto, a banda manteve-se activa no que diz respeito a concertos, pelo que a máquina se manteve sempre muito bem oleada.

A parte inicial confirmou as expectativas: material novo através de Hartcliff Star, Babel, 16 Seeter e Bulletproof Love. Robert Del Naja deu logo a conhecer duas das estrelas da noite: Martina Topley-Bird, substituindo Stephanie Dousen, singer/songwriter que actuou com a banda em 2008, e Horace Andy, o eterno clássico colaborador da banda.
A partir daqui o concerto tomou um ritmo frenético, acompanhado sempre pelo placar de LEDs por trás da banda exibindo factos, frases e mensagens polémicas. Um concerto de Massive Attack vem sempre carregado de intervenção política e humanitária, ainda que silenciosa mas complementada pela música envolvente. Desta vez as mensagens de luz estavam na nossa língua, algo que eles alteraram ao longo da tour consoante o país onde tocavam. Risingson marcou o celebrado regresso a Mezzanine pela mão dos mestres Robert Del Naja e Grant Marshall.

Teardrop pela voz de Martina Topley-Bird foi acompanhada por arranjos mínimos e suaves, ficando a voz no primeiro plano (ainda mais!) e o silêncio que se fez sentir no Campo Pequeno tornou o momento mágico. Future Proof ganhou uma nova dimensão ao vivo, nunca tinha ouvido a música de uma forma tão enérgica e intensa. Quando Horace Andy entrou em palco e se ouviram os primeiros acordes de Angel iniciou-se mais um dos momentos da noite. Inertia Creeps voltou a juntar Del Naja e Marshall em mais um momento "mezzaninesco" mas desta vez houve, na minha opinião uma abordagem visual por parte da banda que não foi muito bem conseguida. Sou totalmente a favor da complementação do concerto com adereços visuais, e neste caso acho que é muito importante. No entanto frases como "Grande golo coloca selecção nacional no Mundial" e "Simão Sabrosa deseja acabar a carreira no Benfica" levaram a aplausos do público a meio de uma música que estava a ser tão, mas tão boa. Mal aqui os britânicos, embora eu ache que não era mal intencionado.

O primeiro encore serviu para voltar de novo a Blue Lines com o clássico Unfinished Sympathy, protagonizado pela enorme capacidade vocal de Deborah Miller. Seguiu-se a incendiária Marakesh, faixa nova que muita tinta está a fazer correr no no tubo (ver aqui) e que deixou o Campo Pequeno perfeitamente perplexo: Del Naja cantou o pouco que tinha de cantar e depois deixou que a fluidez e progressão da música tomassem conta da enorme sala e dele também. Acho que o britânico deve ter sido das pessoas que mais vibrou e dançou (sempre de costas para o público) ao som daquela autêntica bomba.

Houve ainda tempo para um terceiro encore (foi só mesmo um brinde, porque depois de Marakesh eu estava mais que satisfeito) limitado a Karmacoma, que finalizou de uma maneira muito groovy e dançável uma excelente noite.
Foi, sem dúvida, dos melhores concertos deste ano, e vem mostrar que não é o facto de os Massive Attack não fazerem um álbum há 7 anos que os torna ferrugentos: pelo contrário - compensam ao vivo e de que maneira!

Setlist:

Bulletproof Love
Hartcliffe Star
Babel
16 Seeter
Risingson
Red Light
Future Proof
Teardrop
Psyche
Mezzanine
Angel
Safe From Harm
Inertia Creeps

Splitting The Atom
Unfinished Sympathy
Marakesh

Karmacoma