sábado, maio 19, 2007

Jeff Buckley

Boas composições, contagiantes e tristes, e ainda tinha uma voz incrível para suportar tudo isso. Era um dom. Grace, de 1994, é um exemplo de excelência, um grande trabalho que corre vários estilos musicais todos com um sentido único; é perfeitamente errado dizer que toca rock, pop, seja o que for: é mesmo daqueles álbuns que leva a crer que a música é una e é de quem a faz, não interessa o que lhe possam chamar, é Jeff Buckley e não mais nada a discutir aqui.
Melodias bonitas, fortes, alegres, tristes... todas elas com a carga melancólica de uma vida desgastada caracterizam este talento marcado pela morte aos 25 anos. Não fica aquela questão Como seria se ele tivesse vivido? Não teria tanto para dar? A realidade é que o esquecimento já tinha sido posto de lado em 1994. Quem é que não conhece a famosissíma Hallelujah, música de mil e um momentos, filmes, séries de televisão, etc?

Deixo na memória deste espaço o que não é para ser esquecido:



Jeff Buckley - Last Goodbye

sábado, maio 12, 2007

"a pirataria financia o terrorismo"

Imaginem, vocês, depois de sacarem um álbum da net para o ouvirem e ficarem a conhecer o trabalho de uma banda cujo concerto gostavam de ver, irem plantar uma bomba de seguida: parece-me perfeitamente lógico. Ou então, sabotarem o carro do senhor presidente de não sei do quê depois de ouvirem o cd que gravaram da vossa banda preferida para não terem de pagar 4 contos por meia-hora de cultura: parece-me normalíssimo.
Não vou tecer mais comentários à afirmação de Tozé Brito.

Logh @ Santiago Alquimista

Ontem, o Santiago Alquimista, em Lisboa, recebeu os suecos Logh (+ Christian Kjellvander + Katabatic, na primeira parte), concerto em que eu, como não podia deixar de ser, marquei presença. Sunset Panorama é daqueles álbuns que ainda agora me arrepia de tão bom: muito equilibrado, consistente e apesar de uma sonoridade leve e pouco pesada, tem uma carga grande melancólica imensamente contagiante. Mesmo o hábito não atenuou o efeito que o penúltimo trabalho da banda tinha em mim - se tanto, amadureceu a minha forma de o ver e intensificou-o, de certo modo. Confesso que North, o mais recente álbum da banda, me deixou de pé atrás, bastante exitante quanto ao concerto, mas como nem sequer que conheço este trabalho decentemente, acho que não seria justo deixar de ver o concerto. Aliás, ao vivo, North parece resultar muito melhor, ou pelo menos deixou-me curioso para ouvir melhor e com mais atenção.
A sala de espectáculos era uma novidade para mim. Nunca tinha ao Santiago Alquimista e fiquei agradávelmente surpreendido. Para os concertos que nos esperavam, o formato de bar com música ao vivo era perfeito. (vamos ver se aplicável para Pelican, ahah). Infelizmente, acho que o PA estava com alguns problemas, pois desde o início que enchia a sala com um ruído bastante irritante, muito evidente durante o concerto de Christian Kjellvander. Mas isso são pormenores...



Katabatic

Estes portugueses fazem parte da nova geração de Post-Rock que está em surgimento na capital. Também estes gravaram na Black Sheep Studios (assim como Linda Martini, Riding Panico, If Lucy Fell, Men Eater, entre outros) recentemente e apresentam uma sonoridade muito ambiental - talvez demais - e claras influências de Sigur Rós e God is an Astronaut. O concerto não foi muito vivo, pois parecia que a banda se ficava simplesmente pela ambiência, deixando a música um pouco vaga. Apesar de tudo, foi interessante ver o uso do arco de violoncelo na guitarra e alguns instrumentos estranhos noutras alturas. Outro problema que demonstraram foi na ligação entre as músicas, onde demoravam imenso e cortavam logo todo o efeito da música e da ambiência criada, o que não ajudou em nada ao espectáculo. O mais provável é que toda a minha opinião tenha sido influenciada por pequenos pormenores como este, mas que dizem imenso. Katabatic não apresentam nada de novo dentro do Post-Rock, fazem o que gostam e isso vê-se e é importante.



Christian Kjellvander

Também sueco, tem acompanhado os Logh nesta tour. Song Writter e com uma voz extremamente peculiar e interessante. Acompanhado por uma bonita rapariga, com uma voz muito interessante, a sua música, na sua maioria acústica, mostrou-se muito melodiosa e harmoniosa, conseguindo sobrepôr-se ao burburinho que enchia o bar. Burburinho que rapidamente se dissipou, assim que Christian começou a contagiar o público, o que não se mostrou ser difícil para ele, bastate comunicativo, calmo e simpático. Conseguiu deixar toda a gente muito à-vontade com a sua música, principalmente quando explicou a razão que o levou a compôr uma música com o nome de "Portugal" (numa tradução sueco-português ou inglês meio manhosa). As suas composições pareciam simples, mas tinham o essencial para satisfazer uma pessoa calma, e a música de Christian é, acima de tudo, apaziguadora.
Foi interessante ver como, para além da guitarra, conseguiu introduzir bem outros instrumentos nas suas composições, para além da backvocals, sem quebrar o feeling que as enche. E instrumentos como o famoso e mítico Serrote, por exemplo. No fim, fechou com uma música «não-acústica», dando um gosto do que seria o próximo e esperado concerto.
O concerto foi perfeito para o formato da sala, conseguindo dissipar o burburinho que enchia o público. A música, e a sua voz, eram bonitas, calmas e simples, deixando qualquer pessoa bastante feliz com aquele momento. Foi um concerto muito engraçado e uma experiÊncia quase que nova para mim, que já não sabia o que era estar sentado a assistir a um concerto de um Song Writter sem ter de saltar e fazer o pino. O sossego também é música, e Christian Kjellvander conseguiu deixar isso bem claro.



Logh

O momento porque todos os presentes esperavam. Mal subiram ao palco, encheram a sala com o single do último álbum, que, felizmente, resultou muito melhor naquele momento do que quando o ouvi pela primeira vez. Para quem esperava um concerto vazio, os Logh contrariaram essa hipótese com muita classe. Apresentaram-se com os seus 6 elementos em palco, preenchendo muito bem as melodias musicalmente, e todos mostraram ter vontade de estar em palco, vontade de tocar, com uma energia oscilante, establecendo uma ligação forte com as suas músicas.
Mattias Friberg, o vocalista, falou pouco, mas falou o essencial, deixando a sua presença falar acima de todas as palavras, assim como o resto da banda; uma presença muito negra e triste, intensificada não só pelas roupas de todos eles (pretas), mas pelas próprias letras, muito obscuras e depressivas. No entanto, deixou-nos a todos com um sorriso, talvez de ironia.
Na realidade, há poucas palavras para descrever um bom concerto. Fico sempre com a sensação que deixo algo de fora, mas também não quero deixar ninguém com a imagem errada de uma boa simplicidade. Foi um concerto tranquilo nalguns pontos, enérgico noutros; contagiante e equilibrado; uma setlist muito bem ponderada e que resultou na perfeição; presença em palco excelente... e seria muito fácil continuar com esta descrição.
Infelizmente para mim, deixaram Sunset Panorama de parte, tocando apenas uma música, o que é perfeitamente compreensível, visto que estão em tour a promover o mais recente North. Mas nem foi mau, muito pelo contrário: fiquei com uma ideia completamente diferente do trabalho em geral de Logh, que não conhecia tão bem como o penúltimo trabalho.
No final, o encore foi necessário e, mais uma vez, bem gerido. Tocaram 3 músicas (entre elas "Smoke Will Lead You Home") bem trabalhadas, reflectindo o que foi o concerto: muito bom.

quarta-feira, maio 09, 2007

The Vicious Five + Linda Martini @ Queimodromo

Como não podia deixar de ser, e como já referi anteriormente, eu marquei presença nestes concertos. Infelizmente, não estava nas melhores condições para tirar fotografias ou tomar nota das músicas tocadas – fui arrastado várias vezes para o mosh pit que se gerou mesmo ao meu lado – e, por isso, não vou brindar ninguém com imagens bonitas dos concertos ou setlists chorosas (pelo menos até as arranjar). Claro que o som não estava o melhor – afinal, não eram cabeças de cartaz, convinha terem um som pior que Xutos e Pontapés para não deixar ninguém envergonhado – e o público não era o mais fácil, visto que toda a gente esperava ouvir as músicas cujas letras toda a gente conhece, mas eles chegaram, viram e tocaram o que tinham a tocar da melhor maneira que se pode imaginar, conseguindo mesmo, tanto The Vicious Five como Linda Martini, arrebatar alguns fãs aos Xutos.



The Vicious Five

Vieram novamente a Coimbra com a energia toda. Sempre irreverentes, puseram os ainda poucos – mas cada vez mais, gradualmente – espectadores a dançar, a saltar, ou simplesmente aos empurrões solidários. Apresentaram uma música nova, sempre rock, sempre enérgico; nada de novo, portanto. Tocaram os singles de Up On The Walls, mostrando uma onda mais de dar ao público o que querem, ao invés de entrarem numa de promoção do álbum, num pedido de socorro para que consumam os belos CDs. Quim (ou CALIPO, segundo o Myspace), o vocalista, está cada vez mais eloquente nos seus discursos e apelos à revolta e revolução, assumindo desta vez uma posição muito crítica em relação à escola e ao ensino, mas sempre de forma pertinente, aproveitando o momento de Queima e mostrando o seu sentido de opurtunidade; esteve acima de tudo muito interactivo, o que ajudou imenso ao concerto e levou à adesão de muitos dos que não estavam presentes para ver The Vicious Five.
O concerto foi muito enérgico, mas eu já tive o prazer de ver melhor deles. Mas isso não significa nada, até porque o território da Queima das Fitas, num concerto de abertura dos Xutos não facilita em nada a situação. Acima de tudo, acho que The Vicious Five estão de parabéns pelo o crescimento que têm demonstrado.



Linda Martini

Vindos de Queluz, vieram dar o seu primeiro concerto a Coimbra, visto que só tinham showcases no seu reportório da cidade. Começaram logo com “Este Mar”, envolvendo logo o público pré-disposto ao seu som; nenhumas palavras para começar, apenas música. De seguida, após uma curta e sóbria «identificação», tocaram “Amor Combate”: era óbvio que tinham preparado um concerto muito enérgico e a setlist mostrou-se, desde logo, prova disso. Sendo o primeiro single da banda e a música que os chutou para um mercado mais mainstream, a “Amor Combate” é a música que é mais facilmente aceite pelo público em geral, e na Queima não foi diferente, nas primeiras filas cantava-se a letra bem alto. A partir daqui, o concerto foi simplesmente brutal. Desde mosh a momentos mais ambientais e envolventes, a actuação de Linda Martini foi o momento alto da noite, e a banda mostrou-se capaz de aguentar isso, apresentando-se com uma atitude de palco cada vez melhor e mais espontânea (pobres Xutos e Pontapés, nunca hão-de conseguir dar concertos assim. Tive pena deles…), apesar de muito introspectiva, não deixou de ser contagiante. Para além das já referidas, tocaram ainda “Efémera”, “Dá-me a tua melhor faca”, “Estuque”, “Cronófago”, “Lição de voo nº1” e fecharam com “A Severa (ver de perto)”. Esta última é outra música que merece destaque: assim como “Este Mar” é um início perfeito para o que os Linda Martini têm para mostrar, a última faixa do Olhos de mongol é simplesmente a desfecho que um concerto deles pede. Começa calma, mas cedo começa a crescer e não tarda o momento em que sufoca com um balanço, uma energia e um ambiente incrível.
Vieram de Queluz até a Coimbra para mostrar que não esqueceram o EP – felizmente, que eu já estava a começar a acreditar que esse grande trabalho já tinha se tinha perdido no grande Olhos de mongol – e para mostrar que, mesmo que não cresçam mais nos meios comerciais, têm imenso para dar. Aguarda-se o regresso para um concerto com ainda mais tempo – sabe sempre a pouco; fica-se com vontade de mais.

segunda-feira, maio 07, 2007

Hoje...

Esta noite, no famoso Queimodromo de Coimbra (onde a festa estudantil se sente com uma intensidade ridicula), estreiam-se os Linda Martini na cidade académica - excluindo showcases, que são simples amostras de concertos. Era um momento esperado por todos, mas a estreia pode não ser a melhor, visto que é um uma altura complicada: ou o concerto vai ser muito bem aceite e no mínimo brutal, ou corre mal e espera-se por uma altura melhor.
Sinceramente, não estou muito preocupado. Os Linda Martini já têm anos de estrada e a música deles tem vindo a amadurecer cada vez mais, assim como as suas actuações estão cada vez mais enérgicas e envolventes. Acho que vai ser complicado o público não se deixar arrastar pela onda da banda. Lá estarei para ver.

Não posso deixar de estar entusiasmado com o concerto de The Vicious Five, igualmente esperado (acho que nunca falei de nenhum concerto deles no blog). Igualmente com "estaleca" e estrada, os revolucionários lisboetas andam a cantar cada vez mais forte a diferença.

Os concertos de hoje são, portanto, The Vicious Five e Linda Martini. Depois são os Xutos que vão fazer não sei o quê... é o espirito da Queima das Fitas, não é? Ninguém estará sóbrio, já, toda a gente vai curtir à sua maneira.

terça-feira, maio 01, 2007

Rage Against The Machine

E estão de volta, os meninos de L.A. (nunca pensei ver o de la Rocha tão menino...).

Testify

domingo, abril 29, 2007

Mais sacrifícios do culto

Para os interessados, visitem o Amplificasom, um blog sobre música muito bom e que merece uma boa cadeia de elogios que eu vou saltar agora. Estão lá fotos e clips do concerto de Cult of Luna, em Coimbra, no dia 21. Acreditem que vale a pena. Muito a pena.



Já agora, vejam este outro que encontrei, do mesmo concerto, claro, mas que não consta entre os do Amplificasom.

Cult Of Luna - Waiting For You (s/ bateria)

Arte, para além de música

Neurosis é uma banda de genios que nunca há-de ser entendida. Mais que música, eles fazem arte, criam ambientes e proporcionam estados de espirito. Há mesmo n lendas sobre estudos de psicologia relacionados com a composição dos álbuns e situações parecidas, que roçam, talvez, o absurdo; todavia, assim que começamos a conhecer a banda começamos mesmo a ponderar a possiblidade desses factos.
Odiados ou amados, Neurosis é um grupo de pessoas que nunca pode ser colocado no mesmo patamar de todos os seus seguidores (Tool, Cult of Luna, Isis, Mastodon, etc.), pois, contrariamente a estes, nunca se tornaram profissionais. Sempre fizeram a música como quiseram e nunca sofreram uma "evolução" no sentido de serem uma banda grande e mainstream, mantendo-se num circuito mais underground. Claro que a banda é apreciada e respeitada mundialmente, à sua maneira, e com esse crescimento de fãs e de pessoas que os acompanham, acabaram por conseguir fundar a Neurot Records, editora importantíssima no movimento de novas bandas com novas sonoridades em surgimento.
Pessoalmente, acho-os geniais e admiro o pouco das suas vastas criações que conheço. Claro que não me quero ficar por esse pouco e pretendo conhecer melhor. Muito melhor.

Deixo-vos uma pequena demosntração da sua arte, que transcende a música, chegando a campos de imagem e de envolvência muito superiores e diferentes do nosso normal:


Neurosis - A Sun That Never Sets

domingo, abril 22, 2007

O culto da lua em Coimbra

Os suecos oriundos da cidade de Umëa, Cult Of Luna, apresentaram-se ontem em Coimbra e vão ainda tocar em Corroios, hoje. Para meu grande prazer, estive presente no grande concerto no Convento de S. Francisco, em Coimbra. Devo desde já dizer que para a banda em questão, o espaço foi mais que perfeito. Se o concerto já se avizinhava intenso, o ambiente envolveu ainda mais, graças ao local.

Cult of Luna


Men Eater foi a banda escolhida para abrir os concertos dos suecos em Portugal.
Estes, sempre com o objectivo de promover o recém editado álbum de estreia, Hellstone, apresentaram um concerto muito forte e sentido, excelente a todos os níveis. Confesso que o álbum, apesar de me parecer muito bom, não me tinha entrado muito bem; ao questão é que ao vivo a coisa muda de figura completamente. O quarteto tem um feeling fenomenal e uma presença incrivel, muito envolvente. A sua pequena apresentação durou o suficiente para se perceber que o álbum tem muito que se lhe diga e que merece ser ouvido; e acima de tudo, eles merecem ser ouvidos, com concertos assim... Estou ansioso para os voltar a ver, numa apresentação deles e com mais tempo.

Men Eater


Deu-se a pausa em que montam o palco para a banda da noite... Apagam-se as luzes e começa um piano, ainda o palco estava vazio. Eram as notas de "Marching to the Heartbeats", intro de Somewhere Along The Highway. A melodia manteve-se o tempo suficiente para tornar a impaciência incomportável; o público no burburinho à espera do momento da noite. Então, finalmente, entraram 4 membros de Cult Of Luna. Brevemente aplaudidos, começou a soar "Waiting For You", num estranho alinhamento da banda - 3 guitarras e um sintetizador. No crescendo da música, entram o baterista e Johannes, a «estrela» da banda, acrescentanto muito pouco, inicialmente. Não houve bateria nesta introdução, pois o baterista apenas tocou pandeireta; já Johannes entrou com o power que a música tem no cd. Ainda que não com o balanço que a música tem no cd, a introdução foi imensamente forte, a preparação perfeita para o que estava para vir: pesada, mas a poupar energia para o que esperava o reduzido público (cerca de 150-200 pessoas).

Johannes Persson, de Cult of Luna


Pode-se então dizer que o concerto começou, propriamente, com "Finland". Cheio de melodia e de peso. Segui-se hora e meia de pura presença, verdadeiro peso e uma envolvência surreal. O espaço, propício a ecos, ajudou imenso em termos acústicos.
Os meninos de Umëa não se mostraram reservados, todos extremamente enérgicos e cheios de feeling (via-se que gostavam do que faziam), mostravam ao público como se toca post-doom e como se curte o post-doom.

Um concerto sempre introspectivo, com a ajuda das luzes, formando um ambiente de solidão imenso


Pesado é a palavra que melhor descreve o concerto, mas foi um peso tão tolerável e tão sui generis que é impossível dizer que foi realmente pesado... é uma contradição, bem sei. Mas é verdade. Aliás, a verdade é que o concerto foi indiscritível. Mais uma vez... a envolvência.

A setlist foi equalitariamente dividida entre os dois últimos álbuns da banda


A banda apresentou-se sem vocalista (contrariamente ao que aconteceu na Casa da Música, no Porto), mas com os restantes 6 elementos. O alinhamento foi perfeito, cativante e bem explorado, sendo ele próprio um crescendo - em que o concerto começa menos pesado e acaba com uma intensidade brutal.

Um dos concertos do ano, certamente, Cult of Luna, com a sua
presença muito enérgica e pouco comunicativa, criam ambientes
muito característicos e possibilitam ao público as experiências
mais singulares e únicas.



Setlist:

0.1 Marching to the Heartbeats (piano)
0.2 Waiting For You (s/ bateria)
1 Finland
2 Adrift
3 Dim
4 Echoes
5 Crossing Over
6 Dark City, Dead Man

segunda-feira, abril 16, 2007

Rumores...

Houve rumores a circular pelos meios da música... e parece que não eram mais que isso. Falava-se da vinda de Police, esses grandes senhores do New Wave, ao Estádio Municipal de Coimbra. Infelizmente os rumores que circulavam foram meras confusões com o concerto de George Michael no mesmo recinto... Mas a esperança não se perde, ah isso não! Afinal, os Police reuniram-se para um tour que pode muito bem passar no nosso bom país.

E o mesmo pode acontecer com Rage Against The Machine. Os meninos anti-sistémicos de Los Angeles deixaram-se de brincadeiras com os Audioslave para voltarem à boa força das letras agressivas e intervencionistas que tanto marcaram as gerações dos anos 90. Zach de la Rocha que lá achava que R.A.T.M havia morrido... bem, acho que todos precisamos de sobreviver; não será por ter voltado ao bom que algo há-de ter mudado.
Verdade se diga, desde 2001 que nada se ouve de de la Rocha, fora uma ou outra música/trabalho com alguns DJ's e alguns cantores de hip hop. Assim se dissipam os rumores da suposta prisão do "revolucionário". Mas falava-se de projectos a solo dele, algo mais empreendedor... quem sabe?

domingo, abril 08, 2007

Gentle Giant (e há mais para vir)

Já referi estes senhores em artigos anteriores. E tal como prometi que faria, vou mostrar-vos algumas peças de génio dos senhores Senhores do Prog-Rock/Art-Rock. Deliciem-se (que para menos não dá)...






sábado, março 31, 2007

(Re)Surgimento

Surgiram os Klaxons... tão bem me disseram deles, que era algo muito bom. Definitivamente, não me parece nada de novo, nem me surpreendeu. Aliás, com tanta crítica positiva acabei por ficar desiludido com o que ouvi. Como banda não me dizem nada, com uma onda já explorada... Talvez isso mude com um concerto.

Ressurgiram os Black Rebel Motorcycle Club. E um grande regresso que é. Trazem o seu rock com a força toda. Baby 81 está quase perfeito, muito equilibrado e cheio de recordações e feelings antigos - há mesmo uma música que me recorda Doors, parcialmente. Não fogem ao seu estilo característico, mas atacam com uma qualidade impressionante. Confesso que os álbuns anteriores, ainda que muito bons, não me entraram tão bem quanto este. Talvez isto signifique alguma coisa, alguma melhoria da sua parte, algum investimento, ou é simplesmente reflexo de uma estupidez momentânea (mas prefiro acreditar na primeira).

quinta-feira, março 29, 2007

Weekend In The City

Sinceramente, admito que me deixei ir na conversa de muita coisa que li àcerca de Weekend In The City dos Bloc Party. Cheguei mesmo a ler que o álbum era a "grande desilusão" e quase que acreditei nisso. Com tanta negatividade em torno do último trabalho dos britânicos, admito que realmente me custou a entrar no novo registo da banda.

Felizmente, após muita formatação e alguma espera - para poder estar no "mood" para a coisa - consegui ouvir o álbum decentemente e com ouvidos de quem realmente ouve e não de quem já pensa ter ouvido.
Sinceramente, parece-me que a ideia de "desilusão" é bastante parva. Obviamente que quem conheceu Bloc Party pelo grande grande Silent Alarm estranhou imensamente esta nova produção, que mudou em muita coisa. Não é tão agressivo, nem tão rock. Pode-se mesmo dizer que caiu na onda de "Two More Years", mas sinceramente, que outra coisa se podia esperar? "Two More Years" foi lançado como single ainda o Silent Alarm não tinha sido bem interiorizado; era de prever uma mudança. Mas a verdade é que a mudança não altera a identidade de Bloc Party. O álbum está simplesmente diferente. Podemos compará-lo ao seu predecessor apenas na medida em que são trabalhos de Bloc Party, mas também temos de os perceber e de os colocar no seu respectivo lugar, em termos de enquadramento musical.

Não me vou expressar muito mais, por enquanto, pois tenho sinceras dúvidas quando ao resultado de Weekend In The City ao vivo, assim como tinha em relação a Silent Alarm. Sei que Bloc Party tem dos melhores concertos que já vi e, por isso, merecem a dúvida nesta questão - se bem que tenho bastantes espectativas quanto a isso.

terça-feira, março 27, 2007

Arcade Fire com Neon Bible no SBSR

Parece-me imperativo ver Arcade Fire no SBSR deste ano. Foi um falha minha, não os ter visto há dois anos em Paredes de Coura, pois sabe-se que é dos melhores concertos que a América do Norte já nos trouxe. Em adição a este facto, os canadianos apresentam um novo grande álbum, Neon Bible, fiel aos próprios Arcade Fire, negro e extremamente alegre, fazendo o contraste de estados de espírito presente em Funeral. Mas desta vez, traz uma lufada de ar fresco, uma ambiência nova: as gravações decorreram numa igreja canadiana. Parecendo que não, a ambiência apresenta-se com um renovada face, talvez em virtude de se saber desta situação, mas é uma verdade; Agora, o lado negro dos meninos de Montreal não parece ser a morte de 6 parentes, mas a própria religião que assombra a sociedade Ocidental.

A nova ambiência pode parecer estranha aos que se familiarizaram com o álbum de 2004, mas cedo percebem que os Arcade Fire ainda lá estão, e que foi uma mudança ponderada e analisada, uma boa mudança, para algo de novo sem que seja lhes mude o nome ou lhes retire as razões porque merecem respeito. Aliás, merecem ainda mais respeito com tal mudança, que só demonstra alguma ambição da parte deles.

Para melhorar a figura de Neon Bible, aquela que desde sempre eu considerei ser a melhor música da banda está presente: No Cars Go. A música não só é Arcade Fire, como não podia estar melhor enquadrada. Fico feliz por terem esperado tanto tempo para a enquandrarem num trabalho do género - visto que a música já data do Arcade Fire EP. Fora isso, nenhuma música merece destaque, ao contrário do que aconteceu com Funeral, pois é um trabalho extremamente equilibrado e de qualidade alta e constante. Acho que grande parte delas davam, mesmo, bons singles.

Eu dar-lhes-ia os parabéns por Neon Bible e por todo o trabalho apresentado até agora, se imaginasse que eles iriam ler isto ou se soubesse que eles percebem português...

domingo, março 11, 2007

Parece que não...

Esteve confirmada, durante a alguns dias, a presença de Rammstein em Paredes de Coura... Por momentos ponderei a procura de outro festival de verão. Parece que se arrependeram.

Infelizmente, com eles, arrependeram-se os The Hives também. Talvez este seja um mal reversivel, visto que os suecos são bastante afamados pelos concertos divertidos e enérgicos. Seria interessante.

sábado, março 10, 2007

Bolas... (bom demais)

Terei de morrer de fome? Cult Of Luna, Robert Fripp, Joanna Newsom, Pelican, Arcade Fire, Interpol... e hão-de continuar a vir sem que eu tenha a possibilidade de não ir. Raios...

sexta-feira, março 09, 2007

facto...

Lembrei-me agora... a ver se é geral. As colectaneas são para pessoas com menos de 12 e mais de 30 anos, já que são os seus maiores consumidores. Frustante para um músico, não?

sábado, fevereiro 24, 2007

"The Mind Weeps for evolution"...

Na noite passada, os Mindweep actuaram algures na Curia. Devo, desde já, dar-lhe os parabéns. Apesar de terem tão poucos concertos como projecto e banda, notam-se bem os calos já adquiridos (com muitos ensaios, certamente). O concerto foi muito bom - tendo em conta as condições precárias em que actuaram.

Aquilo que musicalmente, no Myspace, nos possa parecer algo menos original é totalmente refutado ao vivo. Os meninos de Coimbra mostram ter umas raízes muito mais vastas no Rock Alternativo. O concerto apresentou-os como uma banda versátil e de influências variadíssimas, nada presos a uma só referência e bastante experimentalistas, evidenciando o seu lado Post. Concluo, portanto, que há que ouvir muito melhor o que ainda só ouvi levemente (e aconselho a quem tem sede de novidade em português também o faça).

O espaço não era bom para um concerto, nem a acústica da sala ajudava. Mas nem por isso o público presente, que já conhecia a banda, deixou de mostrar o seu apoio, que era bem merecido. Apesar destas vicissitudes, a banda foi perfeita e perfeccionista no que tocou. As músicas reconheciam-se com a facilidade que o som permitia (e melhor do que eu esperava, já que o som era no mínimo horrível...) e notou-se o esforço para reparar o mal do som.
O instrumental estava fabuloso para uma banda de apenas uma guitarra, um baixo e uma bateria; nunca o experimentalismo foi posto de parte e a exploração das músicas era nítida por parte do guitarrista - e assim se revela a importância de um baixo.

A realçar, o dueto vocalista/público de uma cover de Queen (cujo o nome não me recordo - sim, talvez seja grave), em que o vocalista conseguiu mostrar o potencial da sua voz, apesar de ter sido abafado pelo público imensas vezes.

Mais uma vez, os meus parabéns aos Mindweep. Espero vê-los novamente num local melhor, para poder dar uma opinião mais fundamentada sobre a banda (e com fotos) - que para ouvidos mais treinados ou calejados se mostrou esclarecedora nesta pequena amostra.


PS: Peço imensa desculpa pela insistência na má ou péssima qualidade do som e da acústica da sala. Mas só quem lá estava sabe e percebe o quão má era... indiscritível, mesmo.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Sempre Nine Inch Nails!

Os NIN estão por detrás da melhor campanha de marketing da história da humanidade. Não digo isto por gostar da banda, a realidade é que só passei a admirar o génio de Trent Reznor, na sua totalidade, depois de assistir a tudo o que se passou.
A Realidade é que a história em si é extremamente complexa e eu não conseguiria explicá-la toda - iriam faltar pormenores e pormenores, todos eles importantes. Em vez disso vou-vos deixar os sites para que consigam perceber o que se passa.

Deixo-vos um aliciante, também: Foi encontrada uma pen, numa casa de banho do Coliseu, com uma música inédita do último álbum de Nine Inch Nails. As T-shirts da actual tour de NIN têm mensagens secretas, como "I am truing to believe" e uns números de telefone...

Comprovem:
http://iamtryingtobelieve.com/
http://www.anotherversionofthetruth.com/

http://oddculture.com/2007/02/14/leaked-new-nine-inch-nails-viral-marketing/


http://www.echoingthesound.org/phpbbx/viewtopic.php?t=20265

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Bow down before the one you serve!


Após anos e anos a passar ao lado do nosso país, os Nine Inch Nails finalmente tomaram a decisão acertada de vir tocar uns acordes em Portugal, e assim, apresentaram-se em Lisboa nos passados dias 10, 11 e 12 de Fevereiro no Coliseu dos Recreios para tocar os três primeiros concertos da tour mundial de 2007. Trent Reznor apresentava-se assim pela primeira vez no nosso país, para o deleite dos fãs que finalmente punham fim a um jejum que lhes parecia eterno. Sábado, dia 10, as duas escadarias que davam entrada para o recinto do Coliseu mostravam o início das filas cheias de gente vestida de negro, pronta para a estreia absoluta dos NIN – não sobrara um único bilhete, era lotação esgotada.

The PoPo

Para os primeiros concertos do tour, Reznor escolheu uma banda de Filadélfia para o acompanhar: os The PoPo. A curiosidade dos espectadores variava consideravelmente face a estes americanos. Uns queriam ver os The PoPo, já que a informação disponível sobre a banda era escassa – os curiosos, portanto. No extremo oposto encontravam-se os fãs mais acérrimos de NIN, que desesperavam só de pensar que ainda iam ter de aturar uma banda desconhecida antes dos senhores do rock industrial pisarem o palco. Mal sabiam estes o prazer que estava a ser adiado…

Apesar da sua etnia duvidosa, aparentavam ser muçulmanos, e um dos vocalistas usava mesmo uma túnica. Sim, um dos vocalistas, já que a banda se diferenciou de bandas “tradicionais”, mostrando a sua polivalência e talento: era constituída por um vocalista/baterista/guitarrista, um vocalista/guitarrista/teclista, um baixista/baterista e um teclista/sintetizador.

Apesar do público um pouco desinteressado, os The PoPo conseguiram captar a atenção do Coliseu, comunicando de forma pragmática e simples com o público, obtendo a bênção de muitos espectadores através de múltiplos agradecimentos e elogios à grande banda que iria tocar a seguir. Apenas com um álbum recentemente editado, pouco divulgado e pouco disponível, deram-se a conhecer com o seu estilo alternativo e indie, sendo os pontos mais altos do concerto Apocalypse Blaze, London Falling e Funtimes On The Frontline. Não creio que venham a ser uma banda com grande projecção mundial, mas decerto que têm presença em palco e não será de todo desagradável voltar a vê-los por terras lusas.

Nine Inch Nails

Após a despedida dos The PoPo, a ânsia aumentava no Coliseu, e a ocasião não era para menos. Seguiram-se preparações de luzes e testes de som (guitarras, bateria, etc.) e enquanto alguns membros da banda passeavam pelo palco, o público perscrutava a escuridão à procura de Trent Reznor. O ponteiro do relógio marcava agora 22 horas e todos contavam com a pontualidade dos NIN. O ressoar dos tambores de Pilgrimage anunciou o início daquela que viria a ser uma noite memorável. Surgindo de rompante da escuridão, Trent Reznor tomou o microfone e interrompeu a intro para dar início a Mr. Self Destruct, que pôs a plateia em alvoroço imediato: foi uma questão de segundos até que se formassem vários mosh pits e o Coliseu albergasse uma profusão de braços e corpos imparáveis ao som desta abertura verdadeiramente explosiva.

Três músicas depois, deu-se o susto que acabou por se transformar num dos melhores momentos da noite. Com as luzes desligadas, houve uma pausa mais prolongada entre músicas, o que não tinha acontecido até aí. O vocalista rapidamente explicou “The usual story… fire alarm turns off the fucking power, whatever”, mas rapidamente apagou a preocupação momentânea dos inúmeros rostos que nele estavam fixos: “We don’t feel like fuckin’ around, let’s turn the house lights on and just keep playin’, fuck it! Just pretend we've got kick ass lights”, deixando o Coliseu em êxtase. Os papéis inverteram-se: a banda imergiu na escuridão e a plateia iluminou-se. March Of The Pigs começou, uma alucinante bomba que vinha da escuridão para a luz, onde se deu uma libertação de energia tremenda após o grito de Reznor “All you pigs out there, march!”.

O concerto decorreu todo ele a um ritmo estonteante, intercalando da melhor forma a agressividade com a melodia. Pode-se até dizer que foi em jeito de best of, intenso, que os NIN se estrearam em solo português, devido ao desfile de singles que foi feito ao longo do concerto (ver setlist), o que foi um verdadeiro brinde para fãs que nunca tinham tido oportunidade de ver a banda ao vivo no nosso país. Reznor resolveu também presentear os fãs portugueses com uma música que inédita em concertos (Last) e uma pertencente à banda sonora do filme Natural Born Killers (Burn).

Pretty Hate Machine, Broken, The Downward Spiral, The Fragile e With Teeth – todos eles foram incluídos no concerto de sábado. De salientar foram Something I Can Never Have, revelando a perfeição da voz de Trent Reznor ao vivo, Closer, com Reznor junto à plateia, Wish, causa de alta turbulência na plateia, The Hand That Feeds, de With Teeth, Hurt, cantada em ovação por todas as almas presentes no coliseu, e Head Like A Hole, o primeiro êxito da banda, levando-nos de volta a 1989 e finalizando um dos melhores concertos do ano.

Quanto a todo o aparato cénico não houve nada a apontar, apenas elogios a fazer: os holofotes fixos em Reznor e nos restantes membros da banda, os constantes flashes aquando das músicas mais violentas e toda a iluminação do background foram adereços muito bem utilizados. Rebentando com as guitarras, os NIN deixaram o palco, mas os fãs não desistiram, batendo o pé como se não houvesse amanhã… mas o encore não veio, com muita pena minha e do André. Após quase 20 anos ignorando os portugueses, a estreia dos NIN em Portugal não poderia ter sido melhor. Os fãs agradeceram e muitos foram aqueles que saíram do Coliseu com vontade de voltar no dia seguinte para mais uma dose destes ícones do rock industrial.


Setlist:

0. Pilgrimage (intro)
1. Mr. Self Destruct
2. Last
3. Terrible Lie
4. March of Pigs
5. Something I Can Never Have
6. The Line Begins To Blur
7. Closer
8. Burn
9. Wish
10. Help Me I Am In Hell
11. Eraser
12. La Mer/Into the Void
13. No, You Don't
14. Only
15. You Know What You Are?
16. Hurt
17. The Hand That Feeds
18. Head Like A Hole

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Nine Inch Nails - 10/02/2007

O primeiro dos primeiros concertos de NIN em território português deu-se no passado sábado. Tanto eu como o Eduardo estivemos presentes, mas falerei só por mim (como deve ser, eheh).


Bem, como começa a ser hábito, eu perdi, novamente, a banda de suporte. Desta vez, diga-se, não foi por causa da estupidez da equipa de segurança, mas não interessa.


O início do concerto foi simplesmente bombástico. Para quem, como eu, não criou expectativas para o evento, realizou-se ali o trabalho imaginário de uma semana (no mínimo) de estabelecer quão bom seria o concerto. Mr. Selfdestruct ditou como ia ser a próxima hora e meia: frenética. Músicas como Hand That Feeds, Only, Do You Know What You Are?, Head Like A Hole, Terrible Lie, entre uma pequena imensidade de outras, só comprovaram tal facto.


Muito cedo, houve alguns problemas com as luzes de palco. Os meus parabéns para quem conseguiu avariar o engenho, porque só deu o enfâse certo à música que se seguiu a esta vicissitude, March Of The Pigs - que Trent dedicou, como sempre, ao público. Mal Trent Reznor disse "We don’t feel like fuckin’ around, let’s turn the house lights on and just keep playin’, fuck it!" que as luzes do Coliseu se acenderam (cortando a pouca visibilidade que se tinha para o palco), dando um feeling perfeito aquele curto momento. Devo admitir que me questionei sobre o quão propositada pode ter sido esta situação.


Aquando do momento em que o senhor Trent se aproxima do piano e começa a tocar a famosíssima Hurt, qual não foi o meu espanto quando me apercebi que toda a gente sabia a letra. Um dos momentos do concerto, sem qualquer sombra de dúvida. Acho que nem o Johny Cash sabia que tinha uma cover de NIN.


Nine Inch Nails trouxeram a este pequeno país uma setlist a que eu me dou o luxo de chamar best of (e que o Eduardo deve especificar). Os seus maiores êxitos todos num concerto é motivo para grande honra, principalmente quando se espera uma incidência especial nas músicas de With Teeth, o último trabalho da banda. Aliás, é como disse acima, nem sabia bem o que esperar.


A realçar, como não podia deixar de ser, o Coliseu dos Recreios, a melhor sala de espéctaculos em que já estive, que ajudou imenso ao concerto. Não só a sala, como as luzes (mesmo quando avariadas)... tudo foi perfeito e dotado de uma excelente produção. O som da banda estava fenomenal, apesar da imensidade de pormenores que um álbum dos americanos pode conter, ao vivo não se sente a diferença, muito pelo contrário, torna-se muito mais envolvente (para minha grande surpresa).

NIN proporcionaram um dos que serão, com toda a certeza, os melhores concertos do ano. Mas não deixei de sentir que faltou algo de importante para tal concerto, não só por ser o primeiro, mas por todo o feeling e toda a energia que teve: um Encore. Trent Reznor e companhia deixaram o palco sem qualquer tipo de intenção de voltar, apesar de nenhum membro do público ter arrastado o pé durante 5 minutos, no mínimo. Ficou-nos a todos um vazio e a vontade de ir no dia seguinte outra vez.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Linda Martini @ fnac Coimbra (footage)

Para complementar o post de Linda Martini, ficam aqui algumas fotos.

(fotos tiradas por Eduardo Negrão e Luís Alvim)

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Linda Martini @ Fnac (3/02/07)

Não há muito a dizer, sobre um pequeno concerto, num espaço pequeno, com poucas condições... Foi um showcase simplesmente bom, bom demais, até, para um simples Showcase. Não vou abusar na adjectivação, guardo-me para um melhor ocasião, algo ao nível dos meninos de Queluz.
Infelizmente, ainda sinto que os meninos de Coimbra ainda não são mais que meninos: passaram o concerto todo estáticos, nem se mexiam. Felizmente que começou um mosh pit durante a Amor Combate para animar as coisas. E que brilhante ideia, para ajudar ao feeling, a do sing-along extremista - passarem o micro ao público ajudou imenso aquele despertar. Numa linguagem pseudo-erudita, gosto de descrever a última música, a Amor Combate, como uma orgia de fúrias.

Os Linda Martini tocaram "Este Mar", "A Severa (ver de perto)", "Cronófago", "Dá-me A Tua Melhor Faca" e "Amor Combate", sendo que esta última foi no seu encore, nada previsível.

A verdade é que sempre que vejo um concerto deles parece-me que estão cada vez com mais feeling. Estou em pulgas para um concerto a sério por estes lados, ou então terei de me deslocar até à capital para assistir a um (não que me chateie muito).
Tirámos (todos os membros do blog estiveram presentes, como não podia deixar de ser) mesmo algumas fotos e fizemos alguns videos. Algo que há-de ser mostrado. Aguardem...

domingo, fevereiro 04, 2007

Afinal...

...não são os TV On The Radio que vêm abrir para NIN. The PoPo vão acompanhar Trent Reznor na sua tour europeia. Não é uma desilusão, porque ainda não conheço a banda, mas é definitivamente um nó com que fico no estomago. Estava eu todo curioso para ver como seria o concerto dos TV, mas afinal...
Bem, não é qualquer um que abre para Nine Inch Nails, isso é uma certeza. Vamos ver como corre.


Nota: post(s) de Linda Martini na Fnac a ser(em) trabalhado(s).

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Grande Coimbra

O mês de abril (e tão longe anda ele) promete... bem, indiscritivel. Cult Of Luna e Robert Fripp na mesma semana é uma bomba, deixem-me que vos diga. Robert Fripp, que, para quem não sabe, não só era o compositor principal dos King Crimson, tocou imensas vezes com Brian Eno, Peter Gabriel, Peter Hammil e bastantes outros génios da música do século XX. Não, ele não se fez convidado, "genializou" com eles, que não lhes fica nada abaixo, diga-se, inventor de Frippertronics e outros sintetizadores bizarros que são mais usados do que se imagina e guitarrista excelente, tendo ele sido professor/mentor de uma boa percentagem dos bons e excelentes guitarristas do actual século (que são menos do que imaginamos, visto que no estúdio todos são bons). Este senhor vai-se apresentar no bom e belo TAGV com 12 dos seus alunos para deliciar quem tiver a brilhante ousadia de comprar os bilhetes - confesso que faço tenções de ser um desses sortudos - no dia 24 de Abril.
Sobre Cult Of Luna pouco há a dizer... Vanguarda do Post-Doom, um estilo ainda novo e em exploração, a simplicidade com que eles tocam mostra a sua genialidade. Melodiosamente harmoniosos e com um peso que parece impossível de compreender em tal situação. Como bons nórdicos que são, estes suecos são admirados pelos excelentes concertos, e não só pela boa música. Outro concerto que não tenciono perder (por nada, mesmo). Este vai-se realizar em Coimbra, no Cine-Teatro Avenida, com Men Eater a tocar na primeira parte (cujo o lançamento do cd vai dar um próximo artigo, pois só ouvi coisas boas daí).