domingo, abril 29, 2007

Mais sacrifícios do culto

Para os interessados, visitem o Amplificasom, um blog sobre música muito bom e que merece uma boa cadeia de elogios que eu vou saltar agora. Estão lá fotos e clips do concerto de Cult of Luna, em Coimbra, no dia 21. Acreditem que vale a pena. Muito a pena.



Já agora, vejam este outro que encontrei, do mesmo concerto, claro, mas que não consta entre os do Amplificasom.

Cult Of Luna - Waiting For You (s/ bateria)

Arte, para além de música

Neurosis é uma banda de genios que nunca há-de ser entendida. Mais que música, eles fazem arte, criam ambientes e proporcionam estados de espirito. Há mesmo n lendas sobre estudos de psicologia relacionados com a composição dos álbuns e situações parecidas, que roçam, talvez, o absurdo; todavia, assim que começamos a conhecer a banda começamos mesmo a ponderar a possiblidade desses factos.
Odiados ou amados, Neurosis é um grupo de pessoas que nunca pode ser colocado no mesmo patamar de todos os seus seguidores (Tool, Cult of Luna, Isis, Mastodon, etc.), pois, contrariamente a estes, nunca se tornaram profissionais. Sempre fizeram a música como quiseram e nunca sofreram uma "evolução" no sentido de serem uma banda grande e mainstream, mantendo-se num circuito mais underground. Claro que a banda é apreciada e respeitada mundialmente, à sua maneira, e com esse crescimento de fãs e de pessoas que os acompanham, acabaram por conseguir fundar a Neurot Records, editora importantíssima no movimento de novas bandas com novas sonoridades em surgimento.
Pessoalmente, acho-os geniais e admiro o pouco das suas vastas criações que conheço. Claro que não me quero ficar por esse pouco e pretendo conhecer melhor. Muito melhor.

Deixo-vos uma pequena demosntração da sua arte, que transcende a música, chegando a campos de imagem e de envolvência muito superiores e diferentes do nosso normal:


Neurosis - A Sun That Never Sets

domingo, abril 22, 2007

O culto da lua em Coimbra

Os suecos oriundos da cidade de Umëa, Cult Of Luna, apresentaram-se ontem em Coimbra e vão ainda tocar em Corroios, hoje. Para meu grande prazer, estive presente no grande concerto no Convento de S. Francisco, em Coimbra. Devo desde já dizer que para a banda em questão, o espaço foi mais que perfeito. Se o concerto já se avizinhava intenso, o ambiente envolveu ainda mais, graças ao local.

Cult of Luna


Men Eater foi a banda escolhida para abrir os concertos dos suecos em Portugal.
Estes, sempre com o objectivo de promover o recém editado álbum de estreia, Hellstone, apresentaram um concerto muito forte e sentido, excelente a todos os níveis. Confesso que o álbum, apesar de me parecer muito bom, não me tinha entrado muito bem; ao questão é que ao vivo a coisa muda de figura completamente. O quarteto tem um feeling fenomenal e uma presença incrivel, muito envolvente. A sua pequena apresentação durou o suficiente para se perceber que o álbum tem muito que se lhe diga e que merece ser ouvido; e acima de tudo, eles merecem ser ouvidos, com concertos assim... Estou ansioso para os voltar a ver, numa apresentação deles e com mais tempo.

Men Eater


Deu-se a pausa em que montam o palco para a banda da noite... Apagam-se as luzes e começa um piano, ainda o palco estava vazio. Eram as notas de "Marching to the Heartbeats", intro de Somewhere Along The Highway. A melodia manteve-se o tempo suficiente para tornar a impaciência incomportável; o público no burburinho à espera do momento da noite. Então, finalmente, entraram 4 membros de Cult Of Luna. Brevemente aplaudidos, começou a soar "Waiting For You", num estranho alinhamento da banda - 3 guitarras e um sintetizador. No crescendo da música, entram o baterista e Johannes, a «estrela» da banda, acrescentanto muito pouco, inicialmente. Não houve bateria nesta introdução, pois o baterista apenas tocou pandeireta; já Johannes entrou com o power que a música tem no cd. Ainda que não com o balanço que a música tem no cd, a introdução foi imensamente forte, a preparação perfeita para o que estava para vir: pesada, mas a poupar energia para o que esperava o reduzido público (cerca de 150-200 pessoas).

Johannes Persson, de Cult of Luna


Pode-se então dizer que o concerto começou, propriamente, com "Finland". Cheio de melodia e de peso. Segui-se hora e meia de pura presença, verdadeiro peso e uma envolvência surreal. O espaço, propício a ecos, ajudou imenso em termos acústicos.
Os meninos de Umëa não se mostraram reservados, todos extremamente enérgicos e cheios de feeling (via-se que gostavam do que faziam), mostravam ao público como se toca post-doom e como se curte o post-doom.

Um concerto sempre introspectivo, com a ajuda das luzes, formando um ambiente de solidão imenso


Pesado é a palavra que melhor descreve o concerto, mas foi um peso tão tolerável e tão sui generis que é impossível dizer que foi realmente pesado... é uma contradição, bem sei. Mas é verdade. Aliás, a verdade é que o concerto foi indiscritível. Mais uma vez... a envolvência.

A setlist foi equalitariamente dividida entre os dois últimos álbuns da banda


A banda apresentou-se sem vocalista (contrariamente ao que aconteceu na Casa da Música, no Porto), mas com os restantes 6 elementos. O alinhamento foi perfeito, cativante e bem explorado, sendo ele próprio um crescendo - em que o concerto começa menos pesado e acaba com uma intensidade brutal.

Um dos concertos do ano, certamente, Cult of Luna, com a sua
presença muito enérgica e pouco comunicativa, criam ambientes
muito característicos e possibilitam ao público as experiências
mais singulares e únicas.



Setlist:

0.1 Marching to the Heartbeats (piano)
0.2 Waiting For You (s/ bateria)
1 Finland
2 Adrift
3 Dim
4 Echoes
5 Crossing Over
6 Dark City, Dead Man

segunda-feira, abril 16, 2007

Rumores...

Houve rumores a circular pelos meios da música... e parece que não eram mais que isso. Falava-se da vinda de Police, esses grandes senhores do New Wave, ao Estádio Municipal de Coimbra. Infelizmente os rumores que circulavam foram meras confusões com o concerto de George Michael no mesmo recinto... Mas a esperança não se perde, ah isso não! Afinal, os Police reuniram-se para um tour que pode muito bem passar no nosso bom país.

E o mesmo pode acontecer com Rage Against The Machine. Os meninos anti-sistémicos de Los Angeles deixaram-se de brincadeiras com os Audioslave para voltarem à boa força das letras agressivas e intervencionistas que tanto marcaram as gerações dos anos 90. Zach de la Rocha que lá achava que R.A.T.M havia morrido... bem, acho que todos precisamos de sobreviver; não será por ter voltado ao bom que algo há-de ter mudado.
Verdade se diga, desde 2001 que nada se ouve de de la Rocha, fora uma ou outra música/trabalho com alguns DJ's e alguns cantores de hip hop. Assim se dissipam os rumores da suposta prisão do "revolucionário". Mas falava-se de projectos a solo dele, algo mais empreendedor... quem sabe?

domingo, abril 08, 2007

Gentle Giant (e há mais para vir)

Já referi estes senhores em artigos anteriores. E tal como prometi que faria, vou mostrar-vos algumas peças de génio dos senhores Senhores do Prog-Rock/Art-Rock. Deliciem-se (que para menos não dá)...






sábado, março 31, 2007

(Re)Surgimento

Surgiram os Klaxons... tão bem me disseram deles, que era algo muito bom. Definitivamente, não me parece nada de novo, nem me surpreendeu. Aliás, com tanta crítica positiva acabei por ficar desiludido com o que ouvi. Como banda não me dizem nada, com uma onda já explorada... Talvez isso mude com um concerto.

Ressurgiram os Black Rebel Motorcycle Club. E um grande regresso que é. Trazem o seu rock com a força toda. Baby 81 está quase perfeito, muito equilibrado e cheio de recordações e feelings antigos - há mesmo uma música que me recorda Doors, parcialmente. Não fogem ao seu estilo característico, mas atacam com uma qualidade impressionante. Confesso que os álbuns anteriores, ainda que muito bons, não me entraram tão bem quanto este. Talvez isto signifique alguma coisa, alguma melhoria da sua parte, algum investimento, ou é simplesmente reflexo de uma estupidez momentânea (mas prefiro acreditar na primeira).

quinta-feira, março 29, 2007

Weekend In The City

Sinceramente, admito que me deixei ir na conversa de muita coisa que li àcerca de Weekend In The City dos Bloc Party. Cheguei mesmo a ler que o álbum era a "grande desilusão" e quase que acreditei nisso. Com tanta negatividade em torno do último trabalho dos britânicos, admito que realmente me custou a entrar no novo registo da banda.

Felizmente, após muita formatação e alguma espera - para poder estar no "mood" para a coisa - consegui ouvir o álbum decentemente e com ouvidos de quem realmente ouve e não de quem já pensa ter ouvido.
Sinceramente, parece-me que a ideia de "desilusão" é bastante parva. Obviamente que quem conheceu Bloc Party pelo grande grande Silent Alarm estranhou imensamente esta nova produção, que mudou em muita coisa. Não é tão agressivo, nem tão rock. Pode-se mesmo dizer que caiu na onda de "Two More Years", mas sinceramente, que outra coisa se podia esperar? "Two More Years" foi lançado como single ainda o Silent Alarm não tinha sido bem interiorizado; era de prever uma mudança. Mas a verdade é que a mudança não altera a identidade de Bloc Party. O álbum está simplesmente diferente. Podemos compará-lo ao seu predecessor apenas na medida em que são trabalhos de Bloc Party, mas também temos de os perceber e de os colocar no seu respectivo lugar, em termos de enquadramento musical.

Não me vou expressar muito mais, por enquanto, pois tenho sinceras dúvidas quando ao resultado de Weekend In The City ao vivo, assim como tinha em relação a Silent Alarm. Sei que Bloc Party tem dos melhores concertos que já vi e, por isso, merecem a dúvida nesta questão - se bem que tenho bastantes espectativas quanto a isso.

terça-feira, março 27, 2007

Arcade Fire com Neon Bible no SBSR

Parece-me imperativo ver Arcade Fire no SBSR deste ano. Foi um falha minha, não os ter visto há dois anos em Paredes de Coura, pois sabe-se que é dos melhores concertos que a América do Norte já nos trouxe. Em adição a este facto, os canadianos apresentam um novo grande álbum, Neon Bible, fiel aos próprios Arcade Fire, negro e extremamente alegre, fazendo o contraste de estados de espírito presente em Funeral. Mas desta vez, traz uma lufada de ar fresco, uma ambiência nova: as gravações decorreram numa igreja canadiana. Parecendo que não, a ambiência apresenta-se com um renovada face, talvez em virtude de se saber desta situação, mas é uma verdade; Agora, o lado negro dos meninos de Montreal não parece ser a morte de 6 parentes, mas a própria religião que assombra a sociedade Ocidental.

A nova ambiência pode parecer estranha aos que se familiarizaram com o álbum de 2004, mas cedo percebem que os Arcade Fire ainda lá estão, e que foi uma mudança ponderada e analisada, uma boa mudança, para algo de novo sem que seja lhes mude o nome ou lhes retire as razões porque merecem respeito. Aliás, merecem ainda mais respeito com tal mudança, que só demonstra alguma ambição da parte deles.

Para melhorar a figura de Neon Bible, aquela que desde sempre eu considerei ser a melhor música da banda está presente: No Cars Go. A música não só é Arcade Fire, como não podia estar melhor enquadrada. Fico feliz por terem esperado tanto tempo para a enquandrarem num trabalho do género - visto que a música já data do Arcade Fire EP. Fora isso, nenhuma música merece destaque, ao contrário do que aconteceu com Funeral, pois é um trabalho extremamente equilibrado e de qualidade alta e constante. Acho que grande parte delas davam, mesmo, bons singles.

Eu dar-lhes-ia os parabéns por Neon Bible e por todo o trabalho apresentado até agora, se imaginasse que eles iriam ler isto ou se soubesse que eles percebem português...

domingo, março 11, 2007

Parece que não...

Esteve confirmada, durante a alguns dias, a presença de Rammstein em Paredes de Coura... Por momentos ponderei a procura de outro festival de verão. Parece que se arrependeram.

Infelizmente, com eles, arrependeram-se os The Hives também. Talvez este seja um mal reversivel, visto que os suecos são bastante afamados pelos concertos divertidos e enérgicos. Seria interessante.

sábado, março 10, 2007

Bolas... (bom demais)

Terei de morrer de fome? Cult Of Luna, Robert Fripp, Joanna Newsom, Pelican, Arcade Fire, Interpol... e hão-de continuar a vir sem que eu tenha a possibilidade de não ir. Raios...

sexta-feira, março 09, 2007

facto...

Lembrei-me agora... a ver se é geral. As colectaneas são para pessoas com menos de 12 e mais de 30 anos, já que são os seus maiores consumidores. Frustante para um músico, não?

sábado, fevereiro 24, 2007

"The Mind Weeps for evolution"...

Na noite passada, os Mindweep actuaram algures na Curia. Devo, desde já, dar-lhe os parabéns. Apesar de terem tão poucos concertos como projecto e banda, notam-se bem os calos já adquiridos (com muitos ensaios, certamente). O concerto foi muito bom - tendo em conta as condições precárias em que actuaram.

Aquilo que musicalmente, no Myspace, nos possa parecer algo menos original é totalmente refutado ao vivo. Os meninos de Coimbra mostram ter umas raízes muito mais vastas no Rock Alternativo. O concerto apresentou-os como uma banda versátil e de influências variadíssimas, nada presos a uma só referência e bastante experimentalistas, evidenciando o seu lado Post. Concluo, portanto, que há que ouvir muito melhor o que ainda só ouvi levemente (e aconselho a quem tem sede de novidade em português também o faça).

O espaço não era bom para um concerto, nem a acústica da sala ajudava. Mas nem por isso o público presente, que já conhecia a banda, deixou de mostrar o seu apoio, que era bem merecido. Apesar destas vicissitudes, a banda foi perfeita e perfeccionista no que tocou. As músicas reconheciam-se com a facilidade que o som permitia (e melhor do que eu esperava, já que o som era no mínimo horrível...) e notou-se o esforço para reparar o mal do som.
O instrumental estava fabuloso para uma banda de apenas uma guitarra, um baixo e uma bateria; nunca o experimentalismo foi posto de parte e a exploração das músicas era nítida por parte do guitarrista - e assim se revela a importância de um baixo.

A realçar, o dueto vocalista/público de uma cover de Queen (cujo o nome não me recordo - sim, talvez seja grave), em que o vocalista conseguiu mostrar o potencial da sua voz, apesar de ter sido abafado pelo público imensas vezes.

Mais uma vez, os meus parabéns aos Mindweep. Espero vê-los novamente num local melhor, para poder dar uma opinião mais fundamentada sobre a banda (e com fotos) - que para ouvidos mais treinados ou calejados se mostrou esclarecedora nesta pequena amostra.


PS: Peço imensa desculpa pela insistência na má ou péssima qualidade do som e da acústica da sala. Mas só quem lá estava sabe e percebe o quão má era... indiscritível, mesmo.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Sempre Nine Inch Nails!

Os NIN estão por detrás da melhor campanha de marketing da história da humanidade. Não digo isto por gostar da banda, a realidade é que só passei a admirar o génio de Trent Reznor, na sua totalidade, depois de assistir a tudo o que se passou.
A Realidade é que a história em si é extremamente complexa e eu não conseguiria explicá-la toda - iriam faltar pormenores e pormenores, todos eles importantes. Em vez disso vou-vos deixar os sites para que consigam perceber o que se passa.

Deixo-vos um aliciante, também: Foi encontrada uma pen, numa casa de banho do Coliseu, com uma música inédita do último álbum de Nine Inch Nails. As T-shirts da actual tour de NIN têm mensagens secretas, como "I am truing to believe" e uns números de telefone...

Comprovem:
http://iamtryingtobelieve.com/
http://www.anotherversionofthetruth.com/

http://oddculture.com/2007/02/14/leaked-new-nine-inch-nails-viral-marketing/


http://www.echoingthesound.org/phpbbx/viewtopic.php?t=20265

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Bow down before the one you serve!


Após anos e anos a passar ao lado do nosso país, os Nine Inch Nails finalmente tomaram a decisão acertada de vir tocar uns acordes em Portugal, e assim, apresentaram-se em Lisboa nos passados dias 10, 11 e 12 de Fevereiro no Coliseu dos Recreios para tocar os três primeiros concertos da tour mundial de 2007. Trent Reznor apresentava-se assim pela primeira vez no nosso país, para o deleite dos fãs que finalmente punham fim a um jejum que lhes parecia eterno. Sábado, dia 10, as duas escadarias que davam entrada para o recinto do Coliseu mostravam o início das filas cheias de gente vestida de negro, pronta para a estreia absoluta dos NIN – não sobrara um único bilhete, era lotação esgotada.

The PoPo

Para os primeiros concertos do tour, Reznor escolheu uma banda de Filadélfia para o acompanhar: os The PoPo. A curiosidade dos espectadores variava consideravelmente face a estes americanos. Uns queriam ver os The PoPo, já que a informação disponível sobre a banda era escassa – os curiosos, portanto. No extremo oposto encontravam-se os fãs mais acérrimos de NIN, que desesperavam só de pensar que ainda iam ter de aturar uma banda desconhecida antes dos senhores do rock industrial pisarem o palco. Mal sabiam estes o prazer que estava a ser adiado…

Apesar da sua etnia duvidosa, aparentavam ser muçulmanos, e um dos vocalistas usava mesmo uma túnica. Sim, um dos vocalistas, já que a banda se diferenciou de bandas “tradicionais”, mostrando a sua polivalência e talento: era constituída por um vocalista/baterista/guitarrista, um vocalista/guitarrista/teclista, um baixista/baterista e um teclista/sintetizador.

Apesar do público um pouco desinteressado, os The PoPo conseguiram captar a atenção do Coliseu, comunicando de forma pragmática e simples com o público, obtendo a bênção de muitos espectadores através de múltiplos agradecimentos e elogios à grande banda que iria tocar a seguir. Apenas com um álbum recentemente editado, pouco divulgado e pouco disponível, deram-se a conhecer com o seu estilo alternativo e indie, sendo os pontos mais altos do concerto Apocalypse Blaze, London Falling e Funtimes On The Frontline. Não creio que venham a ser uma banda com grande projecção mundial, mas decerto que têm presença em palco e não será de todo desagradável voltar a vê-los por terras lusas.

Nine Inch Nails

Após a despedida dos The PoPo, a ânsia aumentava no Coliseu, e a ocasião não era para menos. Seguiram-se preparações de luzes e testes de som (guitarras, bateria, etc.) e enquanto alguns membros da banda passeavam pelo palco, o público perscrutava a escuridão à procura de Trent Reznor. O ponteiro do relógio marcava agora 22 horas e todos contavam com a pontualidade dos NIN. O ressoar dos tambores de Pilgrimage anunciou o início daquela que viria a ser uma noite memorável. Surgindo de rompante da escuridão, Trent Reznor tomou o microfone e interrompeu a intro para dar início a Mr. Self Destruct, que pôs a plateia em alvoroço imediato: foi uma questão de segundos até que se formassem vários mosh pits e o Coliseu albergasse uma profusão de braços e corpos imparáveis ao som desta abertura verdadeiramente explosiva.

Três músicas depois, deu-se o susto que acabou por se transformar num dos melhores momentos da noite. Com as luzes desligadas, houve uma pausa mais prolongada entre músicas, o que não tinha acontecido até aí. O vocalista rapidamente explicou “The usual story… fire alarm turns off the fucking power, whatever”, mas rapidamente apagou a preocupação momentânea dos inúmeros rostos que nele estavam fixos: “We don’t feel like fuckin’ around, let’s turn the house lights on and just keep playin’, fuck it! Just pretend we've got kick ass lights”, deixando o Coliseu em êxtase. Os papéis inverteram-se: a banda imergiu na escuridão e a plateia iluminou-se. March Of The Pigs começou, uma alucinante bomba que vinha da escuridão para a luz, onde se deu uma libertação de energia tremenda após o grito de Reznor “All you pigs out there, march!”.

O concerto decorreu todo ele a um ritmo estonteante, intercalando da melhor forma a agressividade com a melodia. Pode-se até dizer que foi em jeito de best of, intenso, que os NIN se estrearam em solo português, devido ao desfile de singles que foi feito ao longo do concerto (ver setlist), o que foi um verdadeiro brinde para fãs que nunca tinham tido oportunidade de ver a banda ao vivo no nosso país. Reznor resolveu também presentear os fãs portugueses com uma música que inédita em concertos (Last) e uma pertencente à banda sonora do filme Natural Born Killers (Burn).

Pretty Hate Machine, Broken, The Downward Spiral, The Fragile e With Teeth – todos eles foram incluídos no concerto de sábado. De salientar foram Something I Can Never Have, revelando a perfeição da voz de Trent Reznor ao vivo, Closer, com Reznor junto à plateia, Wish, causa de alta turbulência na plateia, The Hand That Feeds, de With Teeth, Hurt, cantada em ovação por todas as almas presentes no coliseu, e Head Like A Hole, o primeiro êxito da banda, levando-nos de volta a 1989 e finalizando um dos melhores concertos do ano.

Quanto a todo o aparato cénico não houve nada a apontar, apenas elogios a fazer: os holofotes fixos em Reznor e nos restantes membros da banda, os constantes flashes aquando das músicas mais violentas e toda a iluminação do background foram adereços muito bem utilizados. Rebentando com as guitarras, os NIN deixaram o palco, mas os fãs não desistiram, batendo o pé como se não houvesse amanhã… mas o encore não veio, com muita pena minha e do André. Após quase 20 anos ignorando os portugueses, a estreia dos NIN em Portugal não poderia ter sido melhor. Os fãs agradeceram e muitos foram aqueles que saíram do Coliseu com vontade de voltar no dia seguinte para mais uma dose destes ícones do rock industrial.


Setlist:

0. Pilgrimage (intro)
1. Mr. Self Destruct
2. Last
3. Terrible Lie
4. March of Pigs
5. Something I Can Never Have
6. The Line Begins To Blur
7. Closer
8. Burn
9. Wish
10. Help Me I Am In Hell
11. Eraser
12. La Mer/Into the Void
13. No, You Don't
14. Only
15. You Know What You Are?
16. Hurt
17. The Hand That Feeds
18. Head Like A Hole

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Nine Inch Nails - 10/02/2007

O primeiro dos primeiros concertos de NIN em território português deu-se no passado sábado. Tanto eu como o Eduardo estivemos presentes, mas falerei só por mim (como deve ser, eheh).


Bem, como começa a ser hábito, eu perdi, novamente, a banda de suporte. Desta vez, diga-se, não foi por causa da estupidez da equipa de segurança, mas não interessa.


O início do concerto foi simplesmente bombástico. Para quem, como eu, não criou expectativas para o evento, realizou-se ali o trabalho imaginário de uma semana (no mínimo) de estabelecer quão bom seria o concerto. Mr. Selfdestruct ditou como ia ser a próxima hora e meia: frenética. Músicas como Hand That Feeds, Only, Do You Know What You Are?, Head Like A Hole, Terrible Lie, entre uma pequena imensidade de outras, só comprovaram tal facto.


Muito cedo, houve alguns problemas com as luzes de palco. Os meus parabéns para quem conseguiu avariar o engenho, porque só deu o enfâse certo à música que se seguiu a esta vicissitude, March Of The Pigs - que Trent dedicou, como sempre, ao público. Mal Trent Reznor disse "We don’t feel like fuckin’ around, let’s turn the house lights on and just keep playin’, fuck it!" que as luzes do Coliseu se acenderam (cortando a pouca visibilidade que se tinha para o palco), dando um feeling perfeito aquele curto momento. Devo admitir que me questionei sobre o quão propositada pode ter sido esta situação.


Aquando do momento em que o senhor Trent se aproxima do piano e começa a tocar a famosíssima Hurt, qual não foi o meu espanto quando me apercebi que toda a gente sabia a letra. Um dos momentos do concerto, sem qualquer sombra de dúvida. Acho que nem o Johny Cash sabia que tinha uma cover de NIN.


Nine Inch Nails trouxeram a este pequeno país uma setlist a que eu me dou o luxo de chamar best of (e que o Eduardo deve especificar). Os seus maiores êxitos todos num concerto é motivo para grande honra, principalmente quando se espera uma incidência especial nas músicas de With Teeth, o último trabalho da banda. Aliás, é como disse acima, nem sabia bem o que esperar.


A realçar, como não podia deixar de ser, o Coliseu dos Recreios, a melhor sala de espéctaculos em que já estive, que ajudou imenso ao concerto. Não só a sala, como as luzes (mesmo quando avariadas)... tudo foi perfeito e dotado de uma excelente produção. O som da banda estava fenomenal, apesar da imensidade de pormenores que um álbum dos americanos pode conter, ao vivo não se sente a diferença, muito pelo contrário, torna-se muito mais envolvente (para minha grande surpresa).

NIN proporcionaram um dos que serão, com toda a certeza, os melhores concertos do ano. Mas não deixei de sentir que faltou algo de importante para tal concerto, não só por ser o primeiro, mas por todo o feeling e toda a energia que teve: um Encore. Trent Reznor e companhia deixaram o palco sem qualquer tipo de intenção de voltar, apesar de nenhum membro do público ter arrastado o pé durante 5 minutos, no mínimo. Ficou-nos a todos um vazio e a vontade de ir no dia seguinte outra vez.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Linda Martini @ fnac Coimbra (footage)

Para complementar o post de Linda Martini, ficam aqui algumas fotos.

(fotos tiradas por Eduardo Negrão e Luís Alvim)

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Linda Martini @ Fnac (3/02/07)

Não há muito a dizer, sobre um pequeno concerto, num espaço pequeno, com poucas condições... Foi um showcase simplesmente bom, bom demais, até, para um simples Showcase. Não vou abusar na adjectivação, guardo-me para um melhor ocasião, algo ao nível dos meninos de Queluz.
Infelizmente, ainda sinto que os meninos de Coimbra ainda não são mais que meninos: passaram o concerto todo estáticos, nem se mexiam. Felizmente que começou um mosh pit durante a Amor Combate para animar as coisas. E que brilhante ideia, para ajudar ao feeling, a do sing-along extremista - passarem o micro ao público ajudou imenso aquele despertar. Numa linguagem pseudo-erudita, gosto de descrever a última música, a Amor Combate, como uma orgia de fúrias.

Os Linda Martini tocaram "Este Mar", "A Severa (ver de perto)", "Cronófago", "Dá-me A Tua Melhor Faca" e "Amor Combate", sendo que esta última foi no seu encore, nada previsível.

A verdade é que sempre que vejo um concerto deles parece-me que estão cada vez com mais feeling. Estou em pulgas para um concerto a sério por estes lados, ou então terei de me deslocar até à capital para assistir a um (não que me chateie muito).
Tirámos (todos os membros do blog estiveram presentes, como não podia deixar de ser) mesmo algumas fotos e fizemos alguns videos. Algo que há-de ser mostrado. Aguardem...

domingo, fevereiro 04, 2007

Afinal...

...não são os TV On The Radio que vêm abrir para NIN. The PoPo vão acompanhar Trent Reznor na sua tour europeia. Não é uma desilusão, porque ainda não conheço a banda, mas é definitivamente um nó com que fico no estomago. Estava eu todo curioso para ver como seria o concerto dos TV, mas afinal...
Bem, não é qualquer um que abre para Nine Inch Nails, isso é uma certeza. Vamos ver como corre.


Nota: post(s) de Linda Martini na Fnac a ser(em) trabalhado(s).

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Grande Coimbra

O mês de abril (e tão longe anda ele) promete... bem, indiscritivel. Cult Of Luna e Robert Fripp na mesma semana é uma bomba, deixem-me que vos diga. Robert Fripp, que, para quem não sabe, não só era o compositor principal dos King Crimson, tocou imensas vezes com Brian Eno, Peter Gabriel, Peter Hammil e bastantes outros génios da música do século XX. Não, ele não se fez convidado, "genializou" com eles, que não lhes fica nada abaixo, diga-se, inventor de Frippertronics e outros sintetizadores bizarros que são mais usados do que se imagina e guitarrista excelente, tendo ele sido professor/mentor de uma boa percentagem dos bons e excelentes guitarristas do actual século (que são menos do que imaginamos, visto que no estúdio todos são bons). Este senhor vai-se apresentar no bom e belo TAGV com 12 dos seus alunos para deliciar quem tiver a brilhante ousadia de comprar os bilhetes - confesso que faço tenções de ser um desses sortudos - no dia 24 de Abril.
Sobre Cult Of Luna pouco há a dizer... Vanguarda do Post-Doom, um estilo ainda novo e em exploração, a simplicidade com que eles tocam mostra a sua genialidade. Melodiosamente harmoniosos e com um peso que parece impossível de compreender em tal situação. Como bons nórdicos que são, estes suecos são admirados pelos excelentes concertos, e não só pela boa música. Outro concerto que não tenciono perder (por nada, mesmo). Este vai-se realizar em Coimbra, no Cine-Teatro Avenida, com Men Eater a tocar na primeira parte (cujo o lançamento do cd vai dar um próximo artigo, pois só ouvi coisas boas daí).

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Apesar da ausência...

...eu tenho-me dedicado imensamente à música - é bastante complicado não o fazer, mas não interessa. A verdade é que o tempo é menos do que parece. Os álbuns são todos mais curtos do que parecem e eu ando sem tempo para debitar opiniões.

Mas fora essas situações que não controlo, há já uns dias que decidi ouvir mellhor Reel #1, dos Catpeople, que marcaram presença em Paredes. A verdade é que o álbum está realmente muito bom - longe de original, claro, já cá estão os Interpol há alguns anos a mostrar como se faz - e extremamente equilibrado. Claro que, como é de esperar, há músicas que estão menos conseguidas, mas que não estragam em nada a qualidade das outras. Gosto mesmo de ver essas músicas especificas como aperitivo para a que se segue.

Acho que não perdiam nada em fazer o belo do download do Reel (para consumo próprio, que eu não quero incentivar ninguém a transgredir qualquer lei!), ou, caso não queiram ter muito trabalho, dêem um saltinho no Myspace.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

os próximos:

Este mês de Janeiro pode ter parecido vazio de concertos, mas a verdade é que foi o embalar para um mês de Fevereiro em grande! Trent Reznor e os seus Nine Inch Nails vêm pela primeira vez a Portugal e eu já tenho o meu bilhete! A tour tem marcados 3 concertos por estes lados, todos no Coliseu de Lisboa (10, 11 e 12 salvo o erro), é o que eu chamo uma grande estreia. Confesso que me sinto muito entusiasmado, não só pelo evento, mas também pela banda de abertura que possa vir. A tour americana de NIN foi apoiada pelos TV On The Radio, uma das bandas mais originais do momento e com um som mais característico (se bem que as influências de NIN estão bastante presentes). A hipótese deles acompanharam Trent não fica de parte, o que me deixa muito mais satisfeito por já ter uma garantia em casa de que não vou faltar. Espero ter muito que dizer, ou que fique sem palavras para descrever o concerto.

Mas o mês de Fevereiro não é só Nine Inch Nails, felizmente. Para o pessoal de Coimbra, Linda Martini tem confirmado no MySpace um concerto na Fnac, no dia 3 às 17h. Outra obrigação. Um concerto na Fnac é sempre imensamente limitado, mas não deixam de ser os Linda Martini!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Adeus 2006...

Começou um ano novo, a nostalgia de um ano que passou faz-nos pensar no bom e no mau que se viveu e, neste caso, ouviu. Eu não gosto muito deste tipo de discurso, mas como é inevitável em todo o lado, eu não vou fugir à "regra" e cedo.


A banda portuguesa com melhor trabalho, gosto de acreditar que foram os Linda Martini. Olhos de Mongól está digno de respeito, no mínimo. Um álbum muito bem trabalhado, composto e interpretado. Estão realmente de parabéns. Mas os Moonspell não lhes ficaram nada atrás. Memorial está muito bem conseguido, talvez mais primitivo (na escala da evolução da banda), mas nota-se toda a maturidade que adquiriram ao longo dos anos.


"Internacionalmente" (um conceito que me desagrada muito, é tudo música), tenho imenso a destacar e não consigo, sequer, declarar um melhor que o outro, pois, no fundo, movem-se todos num meio complexo, a música, que compreende muitos outros meios...

Primeiramente, The Mars Volta com Amputechture. O regresso dos actuais senhores do progressivo mostra muito. Especulando, posso dizer que já deram tudo no primeiro e segundo álbuns, tendo em conta que o primeiro é algo novo no Prog-Rock e o segundo já mostra algo de familiar, este último já reflecte Robert Fripp, King Crimson e Yes muito claramente. Mas a originalidade não tem afectado em nada a genialidade da sua sonoridade, que tem vindo a evoluir de forma muito vistosa: está muito mais explorada, muito mais complexa, sempre muito cativante... A realidade é que Amputechture só demonstrou que a banda ainda tem muito para a dar. Apesar de ser um álbum que custa a entrar e a ser declarado como obra-prima, assim que entramos no esquema, percebemos que muito está para vir. As reacções ao mais recente trabalho dos TMV tem sido de estranheza, o que me leva a crer que o próximo album vai exceder expectativas. Mas quero deixar claro que The Mars Volta é um projecto que nunca pára de me surpreender, quanto mais ouço mais impressionado fico. (tenho é imensa pena que John Theodore, esse grande baterista, tenha saído da banda... fico na esperança que encontrem um tão bom ou que se aguente à bronca com o trabalho que John deixou, ou que ele acabe por voltar.) Espero poder confirmar isto em concerto...

Já que ainda estamos no progressivo, abordo já Mastodon, que voltaram à carga com Blood Mountain. Outro álbum excelente. Técnicamente, os americanos são brutais, mas mantêm uma postura que não fatiga, e dentro de tanta excelência musical, Blood Mountain mostra-se muito fácil de ouvir (para quem estômago para o Metal) e, também, se apresenta como um dos grandes trabalhos do ano. Algo que não pude confirmar da melhor forma em concerto...

Quem fala de Metal, acaba por fugir para o Post-Doom, e aí, os suecos Cult Of Luna apresentam-se muito bem com Somewhere Along The HighWay. A característca que CoL têm apresentado como natural no seu trabalho é o decréscimo da presença do vocalista em cada álbum - que chegou mesmo, por problemas pessoais, a não acompanhar a banda durante uma tour. O vocalista desempenha, ainda assim, um papel importantíssimo no trabalho, o que demonstra uma excelência de composição dentro da simplicidade, da harmonia, da depressão e do peso, que não se reflectem só nas músicas no seu todo, mas no trabalho individual de cada membro, extremamente bem aproveitado por cada um. Ainda assim, destaco Johannes Pearson, o guitarrista/compositor, pelo que, óbviamente, realizou, e os trabalhos de bateria, mesmo não sendo os mais complexos, proporcionam a ambiência perfeita na música, e isso é, indubitávelmente, o mais importante. Aguardo um regresso a Portugal...

Dentro do género, Callisto apresentaram Noir, um trabalho "oscilantemente" bem concretizado. Está, supostamente, menos pesado, mas não tarda que me apercebi que é uma conclusão errada. O peso mantém-se, mas na melodia própriamente dita, antes de antigir o peso musical. Desde as vocalizações, às próprias melodias, passando pelo ritmo característico ao post-doom, a banda conseguiu fazer algo com personalidade, o que é muito bom. O post-doom, é, também, um estilo género muito jovem e, por isso, ainda muito está por descobrir e conseguir, a prova disse é este álbum.

Continuando com o Post, Gregor Samsa foi uma das descobertas que mais prazer me proporcionou. É a primeira vez que falo da banda, portanto não me vou alongar. O seu Debut, 55:12, está excelente, post-rock com influências claras de Sigur Rós e de Mogwai, mas que consegue fugir ao estilo e quebrar um pouco a monotonia com a introdução de uma voz feminina como uma constante, algo que ajuda imenso às ambiências e que lhe dá um quelque chose de novidade, ou de algo que eu não consigo tão bem descrever.

Isis e Red Sparowes... não ouvi muito os últimos álbuns, portanto vou abster a minha opinião. Talvez mais tarde a dê.

O regresso de Placebo! Esse foi um regresso muito bem conseguido. Sinceramente nem me surpreendeu ou deixou de o fazer. Um híbrido emocional, como gosto de lhe chamar. A qualidade de Meds era uma situação da qual não esperava menos. Mas, mais uma vez, o trio britânico quebrou com a linha que delineou no trabalho anterior (Sleeping With Ghosts), mas sem nunca quebrar ou deixar aquilo que os identifica como OS Placebo, como têm feito até aqui. Grande CD, o Meds. O concerto foi brutal, cheio de feeling. Há muita gente que tem a aprender com estes meninos...

Quanto ao regresso de Muse... este tem sido envolvido por muita controvérsia. Não tenho muito a dizer. É um trabalho de qualidade, mas que quebra com o que têm feito até então, mais comercial. O mais correcto é nem comparar com os anteriores, porque este, como já disse, é diferente. Não é, portanto, uma ruptura ou uma quebra. É Blackholes and Revelations.



Já falei do que mais me marcou, ou talvez do que vi que mais marcou. Não insisto mais no ano que passou. A época de concertos deve estar a recomeçar!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

"I got a bone to pick and a few to brake"

Um impulso de jazz levou-me a relembrar o que não quero esquecer: Refused. Esta banda continuou e expandiu o trabalho começado por The Nation Of Ulysses (TNOU), explorando muito mais as possibilidades do punk que os americanos.

The Shape of Punk to Come dos Refused deixou muita gente imensamente impressionada com o trabalho deles e com as próprias possiblidades que o punk/hardcore tinha e que ninguém havia experimentado até então (fora os TNOU). Esta obra-prima dos meninos suecos mistura o hardcore com o jazz, com o electrónico, com o hard-rock e talvez com um cheirinho de metal - nada de muito pesado na realidade, ou que quem tenha ouvido sensível considere impossível de ouvir; muito pelo contrário, não deixaria de ficar impressionado. Dentro da poluição que é o punk-hardcore, os meninos suecos fizeram no seu estilo musical, nas letras e na sonoridade, uma limpeza e uma clarificação. A imundidade mantém-se, mas com uma complexidade e uma pureza de embelezar tudo.

Imensas bandas conhecidas chegaram mesmo a tentar covers dos singles do album, principalmente de "New Noise", uma crítica à actualidade musical muito ao estilo original do punk. Pessoalmente acho que nunca esses covers atingiram a excelência dos originais, talvez pela interpretação dos vocalistas que acabam por perder aquela fúria pura de Dennis Lyxzen.

No entanto, as outras obras da banda, mesmo sendo muito interessantes dentro do punk, não me chamaram tanto a atenção e excluo a hipótese de serem tão geniais quanto The Shape of Punk to Come.
Uma obra que nunca vou esquecer, sem dúvida...

sábado, dezembro 09, 2006

de dentro do baú... o Prog-Rock

Desde há uns meses que me tenho apercebido que o novo não é uma simples criação, por muito original que se torne. Toda a música nova – no verdadeiro sentido do termo, ou seja, música original, ainda estranha aos ouvidos por ser uma sonoridade desconhecida – resulta de uma qualquer evolução.

Considero importante poder compreender este processo evolutivo para conseguir entender melhor a música, o estilo, a sonoridade em questão.
Pessoalmente, considero o Prog-Rock uma das sonoridades mais complexas da música contemporânea, parecendo, por vezes quase incoerente ou mesmo dissonante. A realidade é que funciona tudo de uma forma incrivelmente harmoniosa e é isso que delineia o fosso entre música excessivamente técnica e rock progressivo.

De tudo o que retirei do “baú” onde tinha as coisinhas velhas, conclui que os primórdios do rock progressivo, os primeiros passos neste estilo, começaram com os próprios Beatles, conhecidos como os pais do rock (algo que não vou discutir agora; talvez num artigo posterior venha a abordar essa situação, pois admito que é uma forma muito pessoal de ver as coisas), no White Álbum, um disco incrivelmente experimentalista. A forma como tentam enquadrar os instrumentos, quebrando as repetições e as construções básicas das músicas, revolucionam toda a visão que se pode ter do rock, ou mesmo da música (uma banda vanguardista e por isso ficou conhecida, pelas suas rupturas). O álbum ficou conhecido pelo caos introspectivo em que se apresenta. É uma obra em que a banda explora o melhor de cada membro, tanto como músico, assim como de compositor. É uma verdadeira reflexão sobre o seu rock e sobre aquilo que conseguiam fazer. Ficou aberta a porta de muitas das inúmeras possibilidades do rock, que até então não haviam sido procuradas.
Claro que não posso esquecer os pais do psicadélico, do rock musicalmente “estranho”, Pink Floyd, outra das bandas que proporcionou o Progressivo, mas que, uma vez mais e como muitas outras bandas, foi influenciada pelos próprios Beatles.

Surgem, então, as grandes bandas do Prog-Rock ou do Art-Rock, sinónimos que se viriam a fundir, em termos de conceito, com a “morte” do próprio estilo, assim que o Punk aparece e arrebata todo o público. Genesis, nos finais dos anos 60, assim como Van Der Graaf Generator, Yes, King Crimson, Jethro Tull, Soft Machine, Camel, entre muitos outros, começam a explorar o rock progressivo; músicos de clássica a procurarem os seus caminhos pelo rock, sempre com o psicadélico em mente, compõem as obras musicais mais geniais do século XX – das quais gosto de realçar The Lamb Lies Down On Broadway dos Génesis, um álbum conceptual baseado numa história escrita pelo vocalista da banda, Peter Gabriel.
Os anos 70, apogeu musical dos Rock Progressivo, foram também o apogeu das bandas que surgiram nos anos 60 e que procuravam mais que um rock simplista. Guitarristas como Robert Fripp e teclistas, senhores do Moog, como Tony Banks ou Peter Hamil, músicos por excelência, assumem toda uma perfeição técnica num estilo incontornável e sempre instável, do qual não se conseguia prever nada, mas que não parava de surpreender pela sua complexidade e genialidade.
E precisamente nos anos 70 surge a banda que viria a ser o máximo do Prog-Rock: Gentle Giant (dos quais virei a falar mais tarde, num artigo só para eles, que não merecem menos). A banda que realmente experimentou tudo o que havia a experimentar, aplicando todos os conhecimentos e mesmo os instrumentos que traziam da sua aprendizagem clássica. Nunca ninguém atingiu tamanha incoerência em música tão harmoniosa.

O Progressivo aparece, então, com a investida dos músicos clássicos, de violinistas, de pianistas, no mundo novo que era o Rock. Quebrando a simplicidade e toda a forma de composição a que o estilo tinha habituado o público, o movimento progressivo tanto cresceu como não tardou a acabar. Aplicando os seus conhecimentos da música clássica, os novos músicos de rock tornaram o rock imprevisível e uma onda novamente nova (passo a redundância), cheia de crescendos e de mudanças súbitas de melodia nada regulares ou compreensíveis até então.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

The Rogers Sisters

Numa das minhas procuras normais de algo novo para ouvir, deparei-me com The Rogers Sisters, um trio nova-iorquino composto pelas irmãs Rogers - Jennifer na guitarra e Laura na bateria - e pelo baixista Miyuki Furtado.

A banda é inconstante no seu estilo, mas constante na qualidade da música. Há quando não sei se estou a ouvir B52s ou The Kills - nesta última situação de uma forma mais consistente e menos repetitiva. As vocalizações, feitas por toda a banda, dão uma sonoridade muito revival à música, relembrando os belos anos 80.

Com dois trabalhos já no mercado ( Purely Evil em 2002 e Three Fingers em 2004), voltam à carga com The Invisible Deck, editado em março. O single "Never Learn to Cry" é um exemplo muito bom de tudo o que a banda é, sendo os álbuns todos muito equilibrados.

Como é uma descoberta recente, não vou falar demais, não vá dizer nada que seja menos correcto, mas aconselho a que ouçam. Deixo-vos o Myspace para explorarem como bem vos apetecer.