terça-feira, outubro 30, 2007

Insistindo

...no último post. O seu objectivo era, unicamente, partilhar algumas músicas que nos são de certa forma distantes. Não pretendia, pois, dissertar sobre a qualidade das canções lá contidas (até porque os Ok Go nos são próximos e surgiram pela curiosidade da coreografia do clip). A realidade é que o o primeiro vídeo era péssimo: novela mexicana do Equador cantada, e mal. O segundo não pretendia ser, sequer, uma regra: há música muito boa no Brasil, nem há necessidade de enumerar para provar esta afirmação.
Quanto à música pop indiana, temos de concordar que ainda não chegou ao estado crítico da nossa música popular: não é uma batida simples e quadrada com uma miúda "boa" a abanar-se (porque se trata, acima de tudo, de uma questão de imagem e não de arte) e a cantar com a voz completamente modelada, que muitas vezes nem corresponde à realidade. Essas duas músicas têm energia, melodia e uma coreografia no mínimo brutal. A realidade é que o choque cultural nos leva, a todos(!!), a considerarmos ridículo algo que é bom na Índia - e que é surpreendentemente melhor que metade do que a MTV nos dá a conhecer.

A música, como todos os traços culturais, é uma forma de identificação: algo que seja distante da nossa cultura, passa a ser pior, pois avaliamos tudo pelo nosso padrão de "bom e mau". Mas esta é uma discussão das ciências sociais. Aqui só quero levantar a questão: em que medida é que a música ocidental pode ser um padrão para alguma coisa? Para nós, talvez, já que é a única coisa a que temos acesso...

Foi o meu contributo político-social-diplomata e um pouco económico. Acho que esta é a prova de que a música é um meio de comunicação, que nos leva a reflectir sobre a nossa condição.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Diversidade Musical

Acho que este blogue assumiu um rumo muito centrado: estamos demasiado preocupados com a nossa música e nem temos consciência do que se faz fora desta (nem conhecemos bem a nossa realidade, quanto mais as que nos são "estranhas").
Deixo-vos alguns exemplos de música que nos está algo distante:

Música de intervenção do Equador: Delfín - Torres Gemelas


Noise brasileiro: Marli - Bertulina


Pop indiano com grandes grandes coreografias (deixa o Timberlake a um canto) e melodias melhores que as da Beyoncé; depois das anteriores vai saber a morango: autor desconhecido - Rivaldo sai desse lago


Mais Pop indiano, talvez pelos mesmos artistas, já que me parecem bastante parecidos:


Já que se fala em coreografia... vá: Ok Go - Here It Goes Again

quinta-feira, outubro 25, 2007

Rádio vs Música

Ontem assisti a uma conferência sobre a Auto-Regulação nos órgãos de comunicação social, no Centro Cultural de Belém. Gente ilustre, tão ilustre que vinha um do estrangeiro. Os outros eram de Lisboa, que não há dinheiro para tudo. Foi uma discussão interessante sobre o papel dos Media e da forma que este é desempenhado, que quase podemos remeter para uma discussão da actual ditadura que vivemos e que eles suportam. Mas, dos pontos abordados em relação à famosa Auto-Regulação (um tema que já há 10 anos que corre a comunicação social portuguesa sem que nada se altere realmente), um dos que me chamou a atenção foi, naturalmente, em relação à lei da música portuguesa na rádio.

José Fragoso, director da TSF, abordou este assunto em relação ao tema da conferência de uma forma extremamente interessante. Assim referiu que "os mecanismos de Auto-Regulação têm de ser impostos às empresas de comunicação social por entidades exteriores", pelo que só aquando da aprovação desta lei é que a música portuguesa assumiu algum protagonismo, ainda que pouco, nas rádios.
Esta questão leva-me a erguer outros problemas: não terá a mudança e a adaptação que a música portuguesa está a sofrer em relação aos novos estilos musicais alguma coisa a ver com esta "repulsa" das rádios? em que medida a qualidade afecta estas escolhas das rádios? não será este um problema originado pelo assumir do papel de divulgadora pela parte da Internet?

Quanto ao primeiro ponto, parece-me clara a possível resposta. O aparecimento cada vez mais constante de bandas destes novos estilos, mais experimentais, acaba por resultar neste afastamento da rádio da música portuguesa. Vejamos que não só as músicas se estão a tornar mais longas, o que dificulta uma ingressão no sistema da estereofonia, como cada vez mais experimentais, que não facilita a audição a qualquer pessoa menos preparada. Há, claro, exemplos mais fáceis de absorver e que fogem a esta regra, mesmo dentro do experimentalismo, como é o caso mais óbvio dos The Guys From The Caravan.
A qualidade é algo relativo, claro. Trata-se tudo quanto à facilidade de audição, na realidade. A simplificação da música, a partir dos anos 80, tem conduzido a um dificuldade generalizada em se absorver música mais complexa por uma grande maioria, parece-me. Vejamos os anos 90, bastante próximos de nós: os tops de vendas estavam recheados de Rage Against The Machine, Blur e Nirvana. Actualmente, esses lugares pertencem ao Kanye West e ao 50 Cent, que fazem música com samplers e batidas. Este parece-me ser um sinal dos tempos. Vou trazer um bocado ainda maior de opinião para este texto, contando uma situação que ocorreu aquando da minha fase mais "Linda Martini": fui com umas amigas que estavam claramente equivocadas em relação ao que as esperava num concerto destes meninos de Queluz. No final, elas saíram de lá desesperadas a queixar-se da barulheira que foi o concerto, de música muito pesada. Repare-se: estou a falar de Linda Martini, banda que qualquer lamechas ouve e coloca as letras reduzidas no nick do messenger (com todo o respeito pela banda e pelos lamechas). E mais exemplos se poderiam tecer aqui, a fim de sustentar esta opinião.
A terceira questão que me surgiu parece-me bastante mais pertinente que as restantes simplesmente por uma situação: também envolve outra situação referida na conferência: a entidade abstracta mais conhecida por "Mercado". Ora, o Mercado foi mencionado após uma participação muito crítica e pertinente de um membro da audiência, que referiu que desde há 10 anos que o discurso nos media portugueses é o mesmo e que de Auto-Regulação só se ouve falar, mantendo-se esta uma solução utópica para toda a gente. Após ter sido interrompido uma boa quantidade de vezes, este senhor obteve como resposta "o Mercado auto-regula-se", mudando-se assim a génese de todo um discurso que fala da Regulação pelas próprias empresas competentes. Nesta questão, o mercado exige algo às rádios: tudo menos a novidade. Esta novidade implica a necessidade de reformulação da música, numa época em que se acredita no fim da história, partindo do princípio de que tudo está inventado, mesmo nas artes. O público acaba por não estar receptivo a uma coisa que não se apresenta como hipótese nos mecanismos das massas: uma alternativa. Isto é uma consequência da dita globalização, em que tudo se torna um mero produto comercial, mesma a arte acaba mercantilizada. A solução a esta questão, problema na minha opinião, tem sido a Internet, que apresenta a divulgação de forma gratuita, assim como a rádio o fazia há uns 20 anos atrás. O problema da música nacional é um claro fruto da desmobilização das estações de rádio dos papéis de divulgadoras.

Hoje a divulgação é feita a par com a publicidade, pois tudo envolve dinheiro; a Internet cresce enquanto alternativa.

Acho que me enganei ligeiramente...

Talvez o novo álbum dos The Mars Volta não seja tão Punk como eu poderia sonhar. Atingiram a maturidade, apesar de serem menos originais (basta ouvir King Crimson ou Yes para confimar) conseguem experimentar dentro das bases que construíram. E isso não é mau, já que qualitativamente a música não perde.

Mas estou aqui a escrever para quê e para quem?
Ouçam vocês mesmos:

Wax Simulacra

terça-feira, outubro 23, 2007

The Bedlam In Goliath

The Mars Volta revelaram o alinhamento do novo álbum, que deverá andar nas lojas por volta do dia 29 de Janeiro (será uma prenda de natal dos piratas, portanto), a um preço naturalmente exorbitante.
Mas não é para discutir preços que falo disto. É mesmo porque se trata de Mars Volta, a maior referência do Rock-Progressivo actual. The Bedlam In Goliath é constituído por 12 músicas, o que me leva a crer que houve uma qualquer mudança no rumo que a banda estava a assumir: alongam-se as músicas e diminui-se a originalidade, ainda que qualitativamente seja do melhor que por aí corre. É natural que a saída de John Theodore (que agora está com Zack de la Rocha) tenha ajudado a esta mudança, já que a bateria tinha um papel fulcral nos predecessores deste novo registo; não ponho de parte a importância da bateria, que será sempre importante num projecto com claras influências da música da América do Sul, mas será uma interpretação certamente diferente.
Com isto tudo, fico à espera de um álbum mais maduro, talvez um regresso aos registos com uma sonoridade um pouco tocada pelo Punk (como é o De-Loused in the Comatorium), que não permite alongar demasiado as músicas, mas que não lhes retira o espírito mais psicadélico e imprevisível. Acima de tudo, espero que este alinhamento me surpreenda positivamente, ou que no mínimo não me deixe mal:

Aberinkula
Metatron
Ilyena
Wax Simulacra
Goliath
Tourniquet Man
Cavalettas
Agadez
Askepios
Ouroboros
Soothsayer
Conjugal Burns


Deixo-vos aquela que me parece ser a música mais completa de Ampuntecture:

Tetragrammaton (part 1) @ Henry Rollins Show


Tetragrammaton (part 2) @ Henry Rollins Show

sexta-feira, outubro 19, 2007

Editors criticam Radiohead

O baixista de Editors, Russell Leech, considera que os Radiohead deviam ter deixado os fãs ouvir o mais recente In Rainbows antes destes decidirem quanto deviam pagar. -> G E N I A L

E acho que ele tem razão... Não é preciso fundamentar muito para que o ponto de vista se torne óbvio.

quarta-feira, outubro 17, 2007

A Superbanda

Membros dos Interpol, dos Deerhunter e dos Liars juntam-se num supergrupo chamado Reefer Duberland. Paul Banks e Sam Fogarino, dos Interpol, juntaram-se a Bradford Cox, dos Deerhunter, e a todos os músicos dos Liars, após a actuação, numa sala em Chicago, dos nova iorquinos que têm concerto marcado para Novembro, no Coliseu de Lisboa.

A sua sonoridade é a mistura dos sons de cada um dos projectos, pelo que, no único concerto em que estiveram juntos, soou ao experimentalismo de uma banda de Jam. E foi, acima de tudo, uma Jam Session de ecos e riffs repetidos sob a voz carregada de efeitos de Bradford Cox, durante a qual Reefer Duberland se perderam e foram perdendo o público (que foi abandonando a sala à medida que esta actuação surpresa avançava).

Não se sabe para quando será o regresso desta superbanda experimental, os Reefer Duberland, já que todos os projectos principais dos seus membros se encontram em digressão. Mas vamos estando atentos a qualquer coisinha...


Fonte: Pitchfork

terça-feira, outubro 16, 2007

Mais Peter Gabriel

Para quem desconhece Peter Gabriel de todo, também desconhece o seu trabalho de divulgação da World Music e dos problemas que assolam os países subdesenvolvidos. Desde cedo na sua carreira que Gabriel lançou uma iniciativa que ele mesmo subsidia onde procura provar que existem problemas, para que ninguém ande a combater fantasmas. Ao contrário de hipócritas como Bono e Geldof, que se combatem problemas que são simplesmente falados e nem sequer que são a génese da questão, ou seja, fazem publicidade a si mesmos, Peter Gabriel criou a Witness, um programa em que distribui câmaras de filmar e fotografar, para que se mostre às pessoas aqui, deste lado do globo onde a fome apenas é um problema de uma parte grande da população e não da totalidade da mesma, que existem pessoas que precisam de ajuda. Esta sim!, é uma medida de sensibilização que pode trazer frutos, ao contrário de discursos enfadonhos. Como diria o bom cliché: "uma imagem vale mais que mil palavras". E Porque não?

Bom, desta vez, não é pela Witness que Gabriel intervém, mas através de um concerto em que vai partilhar o cargo de cabeça-de-cartaz com Annie Lennox marcado para o dia mundial contra a SIDA (dia 1 de Dezembro) pela organização 46664, da qual ambos foram fundadores. Parece-me óbvio que a questão a ser abordada neste dia, em Joanesburgo, é mesmo o problema do vírus que assombra os cinco continentes de uma forma tenebrosa.
Também confirmados estão Corinne Bailey Rae e Goo Goo Dolls.

O que é que eu ando a dizer?!

Já desde há muito tempo, ainda que de forma muito leve e em poucas palavras, que costumo mostrar o meu desprezo pelos She Wants Revenge, principalmente por estes se mostrarem uma má imitação, sem qualquer novidade, daquilo que foram os Joy Division.

Ora, para sustentar a minha posição, passo a citar:

"E ao segundo álbum, um novo fracasso. Tal como grande parte das bandas que faz da década de 80 a sua fonte de inspiração, os She Wants Revenge falham.


Os She Wants Revenge são um caso paradigmático do perigo que representa o empolamento de certas bandas, incapazes de aguentar o andamento num segundo passo. Depois de uma estreia promissora, ainda que sem acrescentar nada de particularmente próprio, «This Is Forever» é um triste regresso.

Se antes, os She Wants Revenge não mostravam sinais de personalidade, ainda que as canções fossem bons pastiches de Bauhaus, Joy Division ou Cure, desta vez nem isso. «This Is Forever» acaba por ser uma imitação do primeiro álbum, ou seja uma repetição de uma repetição.

O single «Written In Blood» já anunciava um passo estático no mesmo sítio, o que o disco apenas confirma por cima sem a mesma força criativa. Esqueça-se um «Tear Us Apart», ou um «I Don’t Wanna Fall In Love» porque o que aqui há são meros retratos de proporções reduzidas.

Os She Wants Revenge repetem exemplos já conhecidos de Kaiser Chiefs, Bloc Party e The Bravery no que é conseguir baixar a fasquia até limites não imaginados antes. Ainda assim, é apenas o resultado de uma febre que teve os seus dias mas que, neste momento, se está a virar para outras paragens.

She Wants Revenge
«This Is Forever»
Geffen/Universal"

David Pinheiro, in Diário Digital

domingo, outubro 14, 2007

Led Zeppelin é banda de um só concerto

Eis a razão pela qual o regresso de Led Zeppelin se encontra reduzido a um único concerto:
Robert Plant e Alison Krauss lançam, no final deste mês, um álbum intitulado Raising Sand. Este é um álbum de interpretações, e não de originais, por parte de um grupo, como ambos gostam de se intitular. Plant defende que "não é um projecto de um dueto", pelo que, certamente, irá ocupar muito do tempo do vocalista da banda de Jimmy Page.

Acho que esta escolha mostra sensatez por parte de Robert Plant, já que é sabido que a sua voz não é a mesma de há 35 anos, assim como a capacidade de se expressar pela guitarra de Page. Um regresso de Led Zeppelin com uma digressão seria uma forma de banalizar o concerto de Novembro e de quase "estragar" uma existência memorável, nos anos 70.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Sueco invalido graças a Heavy Metal

Um sueco foi considerado incapaz de desempenhar o seu trabalho sem audições intensivas de Heavy Metal. Roger Tullgren assistiu a mais de 300 concertos de Metal em menos de um ano, o que lhe custou o emprego (foi despedido por faltar demasiado) e lhe valeu uma pensão de €400 por ano, assinada por um juiz.
Há 10 anos que o estatuto de invalidez psicológica era procurado pelo sueco, tendo sido diagnosticada a doença agora, por três psicólogos.

Roger Tullgren diz que «da próxima vez que comparecer a uma entrevista pode-se vestir normalmente, já que o documento dos médicos o justificam».

Entrevista ao realizador do filme "Control"


«"Control", a biografia de Ian Curtis, chega às salas de cinema no dia 15 de Novembro. O realizador, Anton Corbijn - um dos mais conceituados fotógrafos do universo da música, parceiro dos Depeche Mode - falou com a "Blitz" sobre os Joy Division e os amores imperfeitos do líder carismático.


Algumas das canções de Control foram cantadas e tocadas pelos actores que interpretam os papéis dos Joy Division. Foi sempre essa a ideia?

Imploraram-me para cantar ao vivo no filme, mas ao princípio disse-lhes que não podia ser. Tomei essa decisão numa fase mais avançada da produção, quando percebi que eles já tinham dominado por completo a música.


Claro que já sabiam tocar…

O Harry (Treadaway, que interpreta Stephen Morris) tocava um bocadinho de bateria, o James (Anthony Pearson, que revive Bernard Sumner) aprendeu a tocar guitarra em cinco semanas. O Joe (Anderson, Peter Hook em "Control") já tinha tocado, mas nunca baixo.


Tendo conhecido Ian Curtis, na sua opinião, porque razão é que ele se suicidou?

É sempre especulação… Penso que se estamos divididos entre duas mulheres, não parece ser uma situação fácil de viver. Talvez o que o tenha levado a cometer aquele acto tenham sido as drogas que tinha de tomar para controlar a epilepsia. Nos anos 70, tinham efeitos secundários terríveis, que incluíam depressão - em especial quando eram misturadas com álcool, o que ele fazia.


Como é que ele era, na realidade?

Tinha muitos momentos baixos e talvez num desses momentos tenha achado que a sua situação era demasiado pesada para aguentar. Talvez o Ian tivesse um ligeiro fascínio por pessoas que morrem cedo e deixam obra para trás.


Não foi também um pouco ingénuo ao casar tão novo, com Debbie Curtis?

Sim, mas é uma coisa muito inglesa… Comprar uma casa com empréstimo, ter filhos e beber chá. Mas depois conheceu aquela belga, Annik Honere, que representa melhor os interesses na vida.


Houve algum controlo por parte dos New Order em relação ao filme? Correu o rumor de que eles o acharam demasiado coercivo nas filmagens.

Nenhum deles assistiu às filmagens. A minha relação com eles é incrivelmente boa: o Hookie (Peter Hook) dá-me um beijo quando me vê. Há muito tempo que não fala com ele, mas é óbvio que fui a casa deles com o guião e falámos muito sobre o filme.»



Excerto da entrevista contida na revista 'Blitz'

embora retirada do gratuito 'Metro'

sexta-feira, outubro 05, 2007

Michel Gondry com Björk

Lembram-se disto?

Human Behavior direct by Michel gondry


Pois, esta dupla vai trabalhar novamente em "Declare Independence", do mais recente Volta. Michel Gondry tem trabalhos memoráveis com a islandesa; há que estar (imensamente) atento aos resultados.

Closer - Nine Inch Nails

Apesar de ser uma realidade um tanto distante distante (infelizmente), já, esta música aproxima quem a ouve de algo deveras divino. Uma amostra do génio de Trent Reznor, em Nine Inch Nails, para que não fiquem só as saudades do Coliseu, em Fevereiro.

Closer


Esta música é "just like you imagined", não?

quarta-feira, outubro 03, 2007

TOMA LÁ, MADDIE!!

Falou-se muito sobre o facto do caso Maddie ser prejudicial para Portugal. Aliás, é o famoso caso Maddie, porque é alguém estrangeiro e uma situação que mexe com um factor económico chamado turismo. O que não torna as coisas menos ridículas, claro.
Mas quem se sentia pessimista... não se sinta mais; abandone essa característica tão enfadonha que lembra a tristeza do belo fado: Portugal anda no mó de cima.

Dave Mathews decidiu editar em formato DVD o concerto deste ano, no Pavilhão Atlântico. Esta foi a primeira vez que a Dave Mathews Band tocou em Portugal e é, também, a primeira vez que o americano edita um concerto fora de território Norte-Americano.

Vejo-me obrigado a enfatizar: TOMA LÁ, MADDIE MCANN, THE GUARDIAN, PSP e essas coisas todas!!

terça-feira, outubro 02, 2007

Baterista abandona Placebo

Steve Hewitt, baterista dos Placebo, abandonou a banda que já acompanhava desde 1996 e com a qual gravou quatro registos discográficos. O ocorrido encontra-se explicado no site do grupo britânico pelo próprio vocalista, Brian Molko, que expõe as dificuldades de manter um projecto, já que esse se assemelha imenso a uma relação, na qual surgem, naturalmente, alguns desentendimentos.


No entanto, tudo se encontra esclarecido: a decisão de Hewitt foi discutida de forma amigável e não se guardam remorsos, diz Molko; Stefan Olsdal e o vocalista, que mantêm os Placebo no activo, já se encontram à procura de um novo baterista, a fim de trabalharem o sexto álbum de originais.

Novo de Radiohead!!!!

Os Radiohead anteciparam tudo o que deveria acontecer... O Novo álbum, In Rainbows, será lançado já na próxima semana, sendo disponibilizado via online. Aqui, os britânicos possibilitam o comprador a escolher o preço que pode/quer dar pelo novo trabalho da banda.

sábado, setembro 29, 2007

Volta

O mais recente registo discográfico da diva da música alternativa, Björk, começou um fosso na crítica: estará este Volta ao nível do tão aclamado Post (ou seja, será a fórmula a mesma?)?; será este mais um trabalho da artista? A minha visão é diferente da crítica, portanto, já que gosto de olhar Volta como mais um grande trabalho de uma grande artista e que está realmente ao nível de Post, mas resultado de uma fórmula diferente.
A verdade é que quando se fala de uma artista como a diva islandesa, não se pode partir do princípio que repetir fórmulas é algo que se pondera; muito pelo contrário, à semelhança de alguns poucos génios da música contemporânea, as composições de Björk é resultado de contactos com outras realidades sonoras e da exploração dessas mesmas realidades, pelo que é, e sempre será, um produto de uma evolução constante, por acumulação de conhecimentos e culturas distintas. Há uns anos atrás a islandesa esteve durante largas semanas no Brasil, a fim de conhecer a música quente desse país. E, é claro, essa aplicação das diferentes realidades é observável na necessidade experimental que artistas assim sentem. Assuma-se Medulla como exemplo: este álbum não contém uma única música com instrumentos, isto é, todo o som que se ouve, por muito estranho que soe, é sempre uma vocalização.

Desta vez, o percurso musical de Björk trouxe-nos uma vertente mais electrónica, quase industrial, complementada por alguns instrumentos de sopro, ou seja, as sonoridades são todas conseguidas através de sintetizadores e metais, com o acrescento numa ou outra música de uma bateria e outras percursões. Quando ignorada esta nova realidade musical, o oriente da China invade-nos de forma ambiental, declarando qual o ritmo cardíaco com as suas batidas fortes, mas baixas, enquanto que instrumentos cujo nome eu não conheço, mas que são característicos do extremo-oriente, nos absorvem (destaco "I See Who You Are", neste género).
Estes sopros têm um papel muito característico em Volta, já que não fazem uma melodia, propriamente dita, mas sim um ritmo, à semelhança do uso que se dá a alguns violinos ou violoncelos, por exemplo. É claro que esse papel, dentro do próprio álbum, é subvertido: Volta não podia ser mais completo e cheio do que efectivamente é. As vocalizações não têm de ser destacadas pois são de Björk, cujas interpretações são distintas de tudo o resto e únicas.
Volta tem melodias mais ambientais, mais dançáveis, ou de pura raiva, o que me leva a caracterizá-lo como um trabalho de extremos; mas extremos que se equilibram muito bem no alinhamento de um excelente trabalho. Tanto se ouve uma canção de olhos fechados, como "The Dull Flame of Desire", como somos assaltados por uma vontade de saltar e partir tudo em nosso redor ao escutar "Declare Independence", ou por uma vontade de dançar ao som do primeiro single "Earth Intruders" ou da ritmica "Innocence".



Acho que é um erro dizer que um álbum de Björk é mau por ser diferente dos anteriores. Há a necessidade de conhecer os trabalhos dela para saber de qual se há-de gostar, ou para se perceber a evolução da artista. Volta é um bom exemplo do percurso musical da islandesa: imparável.


Deixo, também, algumas actuações de promoção de Volta:
Declare Independence
@ Jools Holland (dia 8 de Junho de 2007)



Wanderlust
@ Conan O'brien (dia 27 de Setembro de 2007)

quinta-feira, setembro 27, 2007

Ah, a divisão do prazer!

Sinto-me um nazi, em plena Segunda Grande Guerra, a atingir o climax...
Certo, foi uma má piada acerca do nome de Joy Division. Mas depois de adquirir os dois álbuns de originais por uns míseros €13,90... Sinto-me feliz, leve e bem!



Curiosidade e complemento: As "Joy Division" eram os grupos de mulheres judias escolhidas pelos soldados alemães para saciar os seus desejos sexuais.

Eu chamava a polícia...

Que me dizem do relvado VIP, no concerto dos Police? Não sabiam? Realmente, não interessa dizer que quem pagou mais podia ver o concerto de forma natural e regular, enquanto os menos ricos o viam a 60 metros do palco, já que haviam grades a fazer essa separação socio-económica. Eu diria vergonhoso... se a Democracia descobrisse, estava tudo entalado.
Acrescenta-se, também, que os acessos, de tão horríveis, levaram a que muita gente com bilhete comprado ainda estivesse no trânsito quando o concerto estava a terminar.

E foi este o meu comentário sobre o concerto mediático do ano... Já que não fui, fico-me a rir do ridículo espectáculo que montaram, que me parece mesmo uma piada. Fico como um rei a ouvir os bons velhos tempos deles, ao invés de pagar para ver mal (ou simplesmente não ver) velhos que já não sabem como ser bons - vá, o Sting ainda anda com genica...


Eu até admito que gostava de ter visto este concerto, mais por não os ter visto há 27 anos (pois ainda não era nascido)... Mas depois disto tudo até me sinto feliz por não ter ido. Eheh...

Os Fiction Plane parecem uma imitação tão copiada de Police que até ficam "quase-esquecidos"...

segunda-feira, setembro 24, 2007

Maldoror

Os Mão Morta têm previsto o lançamento do álbum que resulta da interpretação dos «Cantos de Maldoror», de Isidore Ducasse, para o já próximo Outono. Por enquanto, não certezas sobre a edição de um DVD do espectáculo juntamento com o CD Maldoror.
Certos são os concertos em Coimbra e em Lisboa, em 2008, onde o espectáculo sobre os Cantos deverá ser apresentado.

domingo, setembro 23, 2007

Pérola

Björk numa actuação na capela de Riverside, em Nova Iorque:

Unravel

Os Guys pararam a rolote aqui perto

Bem, como tenho escrito pouco achei que havia de compensar a minha desfeita através de um concerto. Como The Guys From The Caravan pararam relativamente perto, na praia da Tocha (perto de Cantanhede, terra perdida e coroada com uma actuação do monstro da poluição sonora, mais conhecido por Nelly Furtado). O bar Piolho já tem uma grande história, e curiosamente essa história já contabiliza algumas actuações de projectos passados dos membros dos Guys - confidenciaram-me eles - pelo que este pequeno concerto era de grande valor para eles.

Como costume, o concerto começou com a "Breaking Point". Para quem ainda não viu um concerto, pode parecer um início algo triste; ora que grande suposição, mas completamente desfasada da realidade: a versão ao vivo contém o inovador sistema Rocklor a que os Guys nos habituaram! É, portanto, um alegre início para um concerto que não nos deixa ficar mal, nem mal-dispostos. Sorrisos nas pessoas que entravam e nas que saíam: The Guys From The Caravan estão cada vez mais à-vontade em palco e cada vez mais contagiantes.

O alinhamento, apesar de parecido com os anteriores, apresentava algumas alterações e ainda duas aparições novas, provavelmente graças ao álbum que deve estar para aparecer (que os Guys saíram do estúdio há umas semanas, onde estiveram em clausura durante duas semanas, acompanhados pelo Flak, dos Micro Audio Waves e dos Rádio Macau). Uma das quais ficou-me marcada na cabeça: "Suicide". O refrão, de uma ironia que me lembra Morphine (hei-de falar neles aqui), canta «You love, you comite suicide!» com uma alegria descomunal, banhado com vozes à moda do grande teatro de Broadway, em Nova Iorque (aquele dos musicais). Fiquei realmente curioso para ouvir a versão gravada dessa música.

A cada concerto que passa e a que assisto, convenço-me que The Guys From The Caravan são uma banda de quase-massas, isto é, agradam a toda a gente, mas não são rapazes de aparecer nos morangos. Espero que o álbum não acabe numa editora major, que seria uma pena eles perderem a autonomia que lhes dá onda para fazerem o seu alegre e bem produzido Rocklor.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Zack De La Rocha está de volta!

Em sete anos, o letrista-cantor limitou-se a pequenas aparições e a um mais mediático regresso de Rage Against The Machine (RATM), não se sabendo mais que não boatos sobre um trabalho por editar. Desde o fim dos RATM que se fala de um projecto a solo do activista americano.
E, finalmente, esse trabalho chegou e traz-nos a participação do antigo baterista de The Mars Volta, John Theodore - por muitos considerado o melhor baterista da actualidade e eu quase que subscrevo tal consideração, não fosse "o melhor" um campo subjectivo de escolha.
O álbum ainda não tem um título, mas o autor já pensa na melhor forma de distribuí-lo (o que representa mais um golpe para a indústria de ladrões discográficos que enchem as lojas com CDs estupidamente caros). Esta "melhor forma" deve ser ponderada em conformidade com tudo aquilo que Zack De La Rocha, enquanto activista, defendia e defende, pelo que a Internet deve ser um meio a ter em atenção, não só para notícias, mas também para ter acesso ao álbum.

O activista De La Rocha esteve directamente envolvido no fim de Rage Against The Machine, uma banda que marcou pelo seu percurso de intervenção, não só através de concertos, mas de debates e encontros (onde se juntaram o Dalai Lhama e Noam Chomsky, por exemplo) para discutir os verdadeiros problemas e os verdadeiros "maus da fita" da actualidade. Claro que a música sempre foi um grande meio de levar a mensagem que defendiam, uma mensagem de liberdade e revolta por um mundo melhor, e como prova disso ficaram os concertos benefit dos quais a banda não lucrou um cêntimo e doou tudo a instituições para libertar presos políticos que defendiam causas maiores (os dois grandes presos políticos que RATM lutava por libertar eram Leonard Peltier e Mumia Abu-Jammal).
Facto é que o crescimento de Rage Against The Machine enquanto banda levou a que os seus horizontes deixassem de ter um carácter minimamente revolucionário. Como o próprio Zack De La Rocha disse, "os interesses pessoais de cada um de nós estão a minar o trabalho e o legado que deixámos motivados pelos nossos ideais". A verdade é que a importância comercial da banda assumiu uma importância indevida e, realmente, "não faz sentido continuar com o projecto e desfazer todo esse importante trabalho de que muito me orgulho", afirmou o activista na conferência em que anunciou o fim de RATM e os dois (supostos) últimos concertos - que viriam a ser gravados e editados em álbum.

Do percurso de Zack De La Rocha não se pode esperar menos do que um álbum de grande conteúdo. Musicalmente pouco se espera e muito se especula. Sabe-se, no entanto, que o compositor-letrista não se limita a cantar, mas assume a posição de teclista; fontes próximas do autor afirmam que o trabalho ronda as sonoridades de Led Zeppelin misturadas com o Hip-Hop mais underground e de sons menos indústriais.

Há que ter em conta esta estreia imensamente aguardada do antigo vocalista de Rage Against The Machine, em que se diz estar o produto de muito e árduo trabalho.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Trent "Shop Lifter" Reznor

Trent Reznor acusou (e com toda a razão) a indústria discográfica de praticar preços ridiculamente elevados, durante um concerto em Sydney. O mentor do projecto Nine Inch Nails afirmou que apesar de falar nesta questão constantemente, é em vão que o faz: "alguém viu os preços baixarem?", remata perante o público.
Partindo do princípio que a indústria roubava toda a gente, Trent Reznor incitou os fãs a responderem da mesma moeda e 'roubarem' os álbuns de Nine Inch Nails.
E há o bom ditado popular, "ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão", que concorda com ele. Acho que quando até o cristianismo, uma religião que por norma levanta obstáculos a coisas desnecessárias, apoia esta iniciativa... não há como não dar razão ao compositor.

E Reznor não foi o primeiro a indagar sobre este assunto: System Of A Down lançaram em 2002 o controverso Steal This Album!. Acho que há pouco a dizer senão...

Roubem!