sábado, março 29, 2008

Led Zeppelin em risco de voltar ao activo?

Falo em risco pois a média de idades em questão é altíssima. Claro que isto é produto mediático, pois o que o vocalista, Robert Plant, disse foi que gostaria de voltar a gravar e a tocar, «porque há definitivamente assuntos inacabados». Infelizmente a banda tornou-se incompleta com a morte do baterista, John Bonham, acontecimento que deixou os referidos assuntos pendentes; por questão de respeito, o trabalho do projecto ficou suspenso.

Claro que depois daquele regresso para um único concerto a especulação é uma forma de manter o mito em torno da banda de Page vivo. E é de pura especulação que se trata, já que os membros vivos da ex-superbanda não afirmam nada em concreto, limitando-se a expressar vontades. Será que Led Zeppelin se reduziu a isto: matéria de manchete para os meios de comunicação?

Desenganem-me se houver necessidade, mas o Jimmy Page não teve necessidade de alimentar estas coisas.

Até porque, para mim, Led Zeppelin era ele e um rapaz que cantava muito bem, mas que se podia dispensar; ora veja-se:
White Summer

sexta-feira, março 28, 2008

Enjoyed: A Tribute to Björk's Post

Não acho que haja um álbum que marque a artista fenomenal que é a Björk, mas é indiscutível que há um que a tornou 'consensual' (quer nos ódios, quer nos amores): Post - e não me esqueço de uma grande "Music Behaviour" ou de uma mediática "Big Time Sensuality", do álbum Debut (1993), mas isso marca uma fase enquanto que Post (1995) marca quase uma época.

Do lado dos amores, no que toca a Post, está um pequeno grupo de bandas em crescimento no mundo da música que foram desafiadas pela Stereogum a re-interpretarem o álbum da islandesa. O primeiro resultado divulgado é bastante positivo, já que os Dirty Projectors fizeram um óptimo trabalho com a grandiosa "Hyperballad".
O álbum será disponibilizado para download na próxima segunda-feira; alguma atenção seria engraçada. Deixo-vos a 'tracklist' de Enjoyed: A Tribute to Björk's Post:

01. Liars - "Army Of Me"
02. Dirty Projectors - "Hyper Ballad"
03. High Places - "The Modern Things"
04. Bell - "It’s Oh So Quiet"
05. Pattern Is Movement - "Enjoy"
06. Evangelicals - "You’ve Been Flirting Again"
07. Xiu Xiu - "Isobel"
08. Final Fantasy & Ed Droste - "Possibly Maybe"
09. White Hinterland - "I Miss You"
10. El Guincho - "Cover Me"
11. Atlas Sound - "Headphones"

Modificação importante: onde está "Music Behaviour" devia ler-se "Human Behaviour". Devia, porque não se lê. Peço desculpa pela gralha.

quarta-feira, março 26, 2008

Próxima Vilar de Mouros só em 2009

As entidades responsáveis pela organização do festival garantem que este não irá acontecer este ano, adiando-o para o próximo ano. A periodicidade do evento também é algo que não está decidido; a presidente da Câmara de Caminha (onde fica a freguesia de Vilar de Mouros) defende que o festival não tem de ser, obrigatoriamente, anual.

As antiguidades do mundo da música mediática serão, entretanto, desviadas para Paredes de Coura, festival também do Norte do país que já confirmou o nome dos britânicos Sex Pistols.

A rolote perdeu o andamento?

Mas os Guys from the Caravan ainda não pararam: acabam de propor um passatempo, uma espécie de 'teaser' para a o concerto de lançamento do álbum de estreia, a decorrer no dia 10 de Abril no Santiago Alquimista.

Vejamos o que nos dizem os rapazes:
«O mundo da música está pejado de bandas cujos títulos identificativos – vulgo, nomes, mas nós aqui somos canalha muito letrada – que pouco ou nada têm a ver com a real essência do conjunto musical. Isto pode chocar muito boa gente, mas a verdade é que, e só para deixar um paradigmático exemplo, apenas um dos membros dos Scorpions é realmente escorpião (e nem sequer é o que canta). Os Guys from the Caravan não alinham nesses diapasões de engano e fachada perante o grande público, de maneira que, fazendo jus ao nome, são literalmente uns gajos que possuem uma caravana. Ou possuíam, até há bem pouco tempo, uma vez que o valorizado veículo foi deduzido de suas posses por meio de roubo, embora há quem diga que se tratou dum ajuste de contas relacionado com apostas em zonas limítrofes do nosso país e envolvendo galos aparentemente zangados uns com os outros. O nosso desafio, embora o Governo Civil nos obrigue a chamar-lhe passatempo, consiste então no seguinte: enviem-nos foto daquela que vos pareça ser a nossa desaparecida e mui prezada caravana. A foto que mais se assemelhe com a nossa desaparecida e mui prezada caravana. A foto que mais se assemelhe com a nossa – e, como pista, podemos adiantar que a caravana dos The Guys é amplamente original e engraçada -, será premiada com um conjunto de três serigrafias e um convite duplo para o concerto de apresentação das músicas do primeiro Álbum da banda no Santiago Alquimista, dia 10 de Abril. A juntar a toda esta montra de prémios, revelaremos ainda o nome do único elemento dos Scorpions que é realmente escorpião. Mas isto só ao ouvido.»

Como o passatempo é desenvolvido juntamente com o Disco Digital, foi de lá que retirei a informação.

terça-feira, março 25, 2008

Gonzalo Rubalcaba em visita a Portugal

Jazzista, pianista pelos genes (já o seu pai, Ruben Rubalcaba, era um dos maiores, senão o maior pianista da música cubana), Gonzalo Rubalcaba vai actuar em Espinho e no Seixal, nos dias 7 e 8 de Abril respectivamente. Não tenho muito mais informações para dar, mas hei-de as arranjar.

Fartos de Arctic Monkeys?

Fica aqui um cheirinho dos The Last Shadow Puppets, o outro projecto de Alex Turner (Arctic Monkeys) com Miles Kane (The Rascals). The Age Of The Understatement é o nome da faixa, retirada do álbum como mesmo nome, a sair apenas em Abril.



Informação gentilmente retirada do Sound + Vision e do Radar

segunda-feira, março 24, 2008

The Gossip fazem nova contratação

Para actuar ao vivo, o conjunto da mediática Beth Ditto acrescentou o senhor Chris Sutton, baixista dos Narcotic Soundsystem, ao número que compunha The Gossip. Agora são quatro, mas só ao vivo. Vamos ver se o Alive!08 aguenta com mais uma singular dose de energia por parte dos já explosivos americanos.

The Bad Plus @ The Blue Note, NYC

Esta Páscoa fui até Nova Iorque com os meus pais. Enquanto lá estive, e como é obrigatório naquela cidade, fui ver um espectáculo de Jazz. Assim, dirigi-me ao The Blue Note, um dos, senão o melhor, clubes de Jazz de Nova Iorque e, consequentemente, dos Estados Unidos (tinha nas paredes escrito "World's finest Jazz Club & Restaurant", portanto vou confiar).

Enquanto esperava sentado pela banda, folheei o programa de Março, para ver se conhecia alguma banda ou artista e para saber o que ia ver naquela noite. Qual não é o meu espanto quando vejo o nome The Bad Plus. Quem me deu a conhecer estes senhores foi o meu colega stage diver André há cerca de um ano. Os The Bad Plus são um trio de Jazz/Experimental constituído pelos músicos Ethan Iverson (piano), Reid Anderson (baixo) e David King (bateria). Conhecia muito pouco da banda (e ainda conheço), antes do espectáculo, mas isso não me impediu de desfrutar ao máximo do concerto. Aliás, foi uma óptima surpresa.

O concerto começou com um solo do baterista. Começando a um ritmo lento, usando baquetas e as mãos, parecia uma criança a bater nos diferentes componentes da bateria sem qualquer sentido de ritmo ou coordenação, como quem estava a usar o instrumento pela primeira vez na vida e experimentava todo o tipo de sons que dele saíam. No entanto, muito lentamente, a bateria foi progredindo, ganhando ritmo, ganhando alma, sendo notável o gozo que o baterista estava a ter ao tocar sozinho impondo o seu ritmo e improvisando ao máximo. Foi após esta evolução lenta e cativante da bateria que o piano e o baixo entraram de rompante, quando o ritmo da bateria já se encontrava estável. Esta primeira música foi bastante longa e foi claramente protagonizada pelo baterista, quer na intro quer durante o resto da música. A partir daqui o concerto fluiu de forma espantosa.

O porta-voz da banda era o pianista, que a cada 3 ou 4 músicas fazia uma pausa para explicar a história por detrás das faixas que tinham tocado anteriormente ou que iam tocar de seguida. No entanto, ao longo do concerto não foi só o baterista que teve direito ao seu momento. Ambos o pianista e o baixista se fizeram notar em largos minutos em que o palco foi apenas seu. O baterista apenas se destacou mais porque foi o mais espalhafatoso, no bom sentido claro (dos três instrumentos, a bateria é o mais espalhafatoso). Houve também momentos em jeito de dueto - Bateria+Baixo e Piano+Baixo - sendo estes bastante diversificados: ora muito lentos intercalados com largos períodos de silêncio (e silêncio mesmo, fora uma ou duas vezes em que um americano estúpido berrou "Wooohooo!"), ora tocados a um ritmo bastante dançável. Destacaram-se os temas Big Eater, Smells Like Teen Spirit (cover dos Nirvana, das poucas que eu conhecia), Life On Mars (cover de David Bowie), 1972 Bronze Medalist e Anthem For The Earnest (como é que eu sei os nomes das músicas que eles tocaram se na altura não os conhecia? Já aqui tenho a obra completa da banda e pesquisei quais as músicas que tinha ouvido). Foi um excelente concerto, em que o que me cativou e impressionou mais foi a vertente progressiva de Jazz. Todas as músicas cresceram, umas mais rápido que outras, até um pico, ou vários, lentamente desvanecendo de seguida mas sempre doseadas com experimentalismo q.b..
A banda criada em 2000, tem 6 álbuns editados e está no bom caminho para continuar a produzir música de alta qualidade. Aconselho a fãs de Jazz e não só. Aconselho também o The Blue Note a quem visite Nova Iorque. Para os interessados, deixo-vos:

Uma música: boomp3.com
Myspace da banda
Site oficial da banda
Um vídeo:

sábado, março 22, 2008

Nouvelle Vague no Alive!08

Os franceses deslocam-se a Portugal para actuar no Passeio Marítimo de Algés no dia 11 de Julho, juntando-se assim a Bob Dylan. Esta informação não foi oficialmente confirmada, mas já se encontra no Myspace dos Nouvelle Vague (procurem no 'Alice Festival').

Deixo-vos um pequeno 'teaser':
«Love Will Tear Us Apart»


sexta-feira, março 21, 2008

Gentle Giant



Quanto mais os ouço, mais convencido fico de que foram a melhor banda de progressivo de sempre (não fossem essas classificações exageradas e pouco fiáveis).

Se iam ver Liars, já não vão

É essa a triste verdade. Os americanos cancelaram não só os concertos em Portugal, datados para Maio, como outros tantos pela Europa fora para aceitarem o convite de fazer as primeiras partes de uma banda mais mediática.

A banda mediática, essa não foi divulgada ainda. Mas eu cá gostava que fosse uma banda mesmo boa, para que o cancelamento dos concertos de Liars não seja uma momento triste.

Silver Mt. Zion

Fez ontem uma semana que o mais recente trabalho dos canadianos Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band foi editado. Acho que não há uma altura mais oportuna para fazer uma pequena recuperação de todo o trabalho associado ao nome Silver Mt. Zion.

O projecto surgiu espontaneamente em meados de 1999, sem qualquer pretensão. O objectivo primeiro seria saciar a sede do guitarrista de Godspeed You! Black Emperor (GY!BE) Efrim Menuck de aprender a comunicar musicalmente, de aprender teoria musical.
Cedo, o objectivo primeiro foi colocado de parte - que se faça música com o coração e não com a cabeça - mas um concerto surgiu, marcado com o nome A Silver Mt. Zion, e o auxílio da violinista Sophie Trudeau e o contra-baixista Thierry Amar, ambos igualmente membros de GY!BE. Durante uma tour de Godspeed, um ente muito querido de Efrim adoeceu e a morte era inevitável; a sua vontade de lhe dedicar um álbum tornou-se uma necessidade e, com os trabalhos do guitarrista, juntaram-se as três pessoas responsáveis pelo único concerto: surgiu o triste e melancólico He Has Left Us Alone but Shafts of Light Sometimes Grace the Corner of Our Rooms… Um álbum maioritariamente instrumental, mas com duas melodias que contêm vozes: um passo inovador no trabalho destas pessoas. Uma tendência que tem vindo a alastrar, a contagiar os restantes álbuns de uma forma cada vez mais grave, e cada vez melhor.


O nome do projecto foi sofrendo uma evolução que acompanhou igualmente o crescimento da banda - às iniciais três, juntaram-se quatro simpáticas almas. A Silver Mt. Zion começou a fazer sentido enquanto The Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band, mais enquanto Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band with Choir e finalmente Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band. Se os álbuns foram assim recordados, o único EP, The "Pretty Little Lightning Paw" E.P., ficou marcado com o nome Thee Silver Mountain Reveries. Se o primiero era um álbum simples, como o nome, os trabalhos que se seguiram foram reflexo daquilo em que a banda se tornava, com mais pormenores, mais trabalhados, mais sérios. Se Silver Mt. Zion começou como um projecto paralelo, cedo ocupou o papel principal na vida destes músicos.

The Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band assinou o álbum "Born into Trouble as the Sparks Fly Upward", que era mais cantado, mais revoltado e desesperado: no fim do álbum, depois da música que insulta toda um industria de músicos hipócritas e cobardes, ouvimos crianças a questionarem-se, durante uma brincadeira, sobre como seria o mundo depois de os amigos responderem aos apelos da banda. É um álbum de fé.
"This Is Our Punk-Rock," Thee Rusted Satellites Gather + Sing acrescentou um coro ao projecto e intensificou as ambiências da banda com tendências ainda mais neoclássicas. Soa a retrospectiva, principalmente quando ouvimos "Goodbye Desolate Railyard", que parece falar do famoso hotel2tango, situado por debaixo de um caminho de ferro; no fim ouvimos cânticos: «everybody gets a little lost sometimes».
Finalmente chegam os problemas que assombram a banda, em Horses in the Sky. Críticas às guerras, canta-se a esperança e pede-se coragem a quem quiser ouvir. Aqui, a banda apercebe-se da importância das vozes, das mensagens, a força com que têm de as proferir. Cantam todos, como quem pretende universalizar o pensamento sobre os problemas de um mundo inteiro.
O último trabalho da banda insere-se mais na linha dos primeiros trabalhos, que cantam uma revolta. 13 Blues For Thirteen Moons é composto por músicas que eles já tocavam ao vivo. Decidiram juntá-las, num álbum que fizesse sentido; por isso tardaram. Mais do que a necessidade de mudar o mundo, este álbum mostra a urgência de mudar as mentalidades - e assim faz sentido que as músicas não estivessem já integradas em trabalhos anteriores.


Ideologicamente, este projecto acabou por ocupar o lugar que os Godspeed não conseguiram preencher: o de transmitir ideias que as pessoas percebessem. Enquanto o antigo projecto era feito a partir do subversivo, com mensagens que exigiam ser descodificadas e desmontadas - assim como muitos dos males do nosso mundo, e isso era parte do interesse da banda, ser ela própria um mal -, este segue uma ideia mais Punk de "se tens algo a dizer, di-lo e bem alto". Mas não é uma banda de conteúdo tão político quanto GY!BE, e eles próprios gostam de diferenciar isso: por isso é que Silver Mt. Zion não é um projecto tão abstracto, ainda que as suas mensagens sejam ricas em metáforas pouco fáceis - as suas ideias também não são de acessível compreensão, sendo muito objecto de preconceito. É claro que essa dificuldade de compreensão se reflicta no facto de os canadianos não se considerarem uma banda de intervenção, mas antes uma banda com opiniões; é hábito deles dizer que se limitam a escrever nas suas letras aquilo que, entre amigos, costumam conversar.

É engraçado perceber esta necessidade de comunicar que os Silver Mt. Zion sentem e que se nota tão bem nos seus trabalhos. Inicialmente, as suas mensagens estavas escritas nos títulos que davam às coisas: frases grandes e algo complexas que completavam a ideia da música instrumental; já as músicas cantadas falavam por si. E agora as músicas, sendo todas cantadas, falam todas por si; as letras em Silver Mt. Zion adquiriram uma importância imensa na comunicação que eles pretendem estabelecer. Musicalmente, isso nota-se muito, pois a banda que inicialmente era instrumental com algumas raridades cantadas tornou-se numa banda de música cantada e de letras bem fortes e sentidas - agora, não é só o Efrim que canta, mas, sempre que é necessário, os restantes seis membros também o fazem.

Instrumentalmente, a banda tem traçado um caminho muito peculiar. O seu topo é, sem qualquer sombra de dúvida, o último álbum, que marca um pico, mas não um culminar. É uma banda de identidade muito própria e vincada, mas que não parece que tenha parado de crescer. A sua sonoridade é tão rica em termos de influências que é impossível de definir em que quadro musical se inserem, senão o que eles mesmos desenharam: um quadro de bandas como Fly Pan Am, GY!BE, Hangedup, etc., que marcaram a música de Montreal com as suas formas musicais muito vincadas e próprias.

Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band é das melhores bandas actuais (em todos os sentidos possíveis de extrair desse 'melhores') e não me parece que seja um projecto condenado aos grandes trabalhos de antes. A sua evolução é tão notória e a humildade com que trabalham é imensa; algo me diz que só descansam quando não se conseguirem revolucionar a si mesmos, como têm feito até agora.

terça-feira, março 18, 2008

The Gossip no Oeiras Alive 08

A banda norte-americana liderada pela irreverente e explosiva Beth Ditto, que vai pisar o palco do Alive no dia 12 de Junho, promete não passar ao lado do público português e demonstrar que tem a capacidade de criar o caos, tal como as bandas de primeira "linha" do festival.

domingo, março 16, 2008

Ghosts I - IV


Ghosts I-IV é, até agora, o meu trabalho preferido do projecto Nine Inch Nails(NIN). Por uma simples razão: é um álbum completo e equilibrado, em que a experiência é colocada humildemente num patamar muito difícil de atingir. E não falhou; a experiência não se tornou uma simples ‘masturbação’ de Trent Reznor, é algo acessível a todos. De tal forma que o Ghosts, um álbum que Reznor diz ser o resultado da utilização do “som enquanto meio para descrever perspectivas visuais”, é agora um desafio para a inspiração dos fãs: o mentor do projecto NIN anunciou, na passada quinta-feira, o «Ghosts Film Festival». Este festival organizado em parceria com o Youtube abre um concurso para todos os fãs, para o qual tentarão interpretar as composições do último trabalho dos NIN e, a partir daí, fazerem pequenos filmes – os melhores farão parte do dito festival. Quem melhor que o próprio Trent Reznor para vos explicar isto (ele agora usa o site oficial da banda como um autêntico blogue; podemos dizer que esta proximidade entre uma banda e os fãs não é, de todo normal, mas é, sem dúvida, benéfica para todos)? Ou o próprio canal do Youtube criado para efeito deste festival?

Esta iniciativa da banda pode parecer, à primeira vista, como uma mera estratégia de marketing. Eu tenho algo a dizer sobre isso: porque não, se agora falamos de um projecto totalmente independente (posso não concordar com esta afirmação, atenção); principalmente, Ghosts é um trabalho propício a bons resultados, nesse sentido.
Reznor disse-se – e com toda a razão – orgulhoso do produto final das intensas gravações durante o Outono passado, de que resultaram o mais recente trabalho da banda, pois o objectivo inicialmente proposto fora atingido. E é verdade: Ghosts é um álbum de texturas e cores, além da pura sensação (que inundou os trabalhos anteriores dos Nine Inch Nails). É um álbum serve perfeitamente de banda sonora para um quotidiano citadino, ou para uma deriva intensa. É a sonoridade que gostaríamos de ouvir como história. Em Ghosts temos 36 história diferentes.
Há algo que faz do projecto de Reznor o topo do Industrial. Não são só as múltiplas influências e a produção exaustiva, até à perfeição, de cada trabalho. É também o facto de cada instrumento nas músicas de NIN funcionarem bem independentemente dos restantes, como se de máquinas numa fábrica se tratassem: todos os sons em Nine Inch Nails soam bem, e não é só na música que isso se verifica – fora dela também. Este pequeno pormenor, que faz as músicas do projecto parecerem algo do outro mundo, é o que mais eleva a experiência visual de Ghosts: cada instrumento representa que uma cor, uma textura, uma imagem, no meio de outros tantos. A prova: o álbum faz muito mais sentido quando deixamos uma imagem atravessar-nos a mente.

Musicalmente, o álbum é comedido e sóbrio de uma forma inebriante. Não se trata de um paradoxo, diga-se. Cada instrumento, cada som é escolhido de forma minuciosa, como é natural em Reznor, sem que nunca caia no exagero – eis a parte sóbria –, mas é de uma intensidade que, quando bem escutada, não deixa ninguém indiferente – entendem-me? Quando soa um piano, soa devagar se assim tiver de ser, não se notando um abuso da alternância de mãos: uma só serve. Quando soa uma guitarra, pode soar na mesma nota até exaustão: há algo a complementar. Quando soa um sintetizador, pode ser com o efeito mais ridículo: faz um sentido na imagem que nós vamos imaginar.

Assim que sei que o mentor dos Nine Inch Nails está a preparar algo penso “surpreende-me”. Sei que é certo que tal aconteça, tal como aconteceu com Ghosts I-IV. Nine Inch Nails não pára a sua evolução. Venha a continuação de Year Zero.

Maldoror - o teaser

boomp3.com

"Está Dito."

Que isto vos entusiasme a ir assistir à peça.

sábado, março 15, 2008

Maldoror por Mão Morta

Numa precipitada decisão, acabei por ir assistir ao espectáculo dos Mão Morta em que a obra de Isidore Ducasse, «Os Cantos de Maldoror», é interpretada. Isto na quinta-feira, quando eles assentaram o espectáculo em Leiria. E valeu a pena:


Falamos de uma produção ponderada até ao menor detalhe; nada falha naquele concerto/naquela peça. Todo o cenário está montado segundo uma lógica, e é de uma densidade informativa (à semelhança do livro) que é humanamente impossível captar todos os pormenores de algo desta dimensão. Não é, claro, da dimensão de um grande espectáculo, digno de aparecer na televisão, dos que têm verbas quase ilimitadas. Mas também não houve necessidade.
Ficou uma encenação perfeita (até porque falamos de um livro que, e vou-me repetir, por ser de uma densidade incrível e com situações imensamente imaginadas, quase impossíveis de transpor para a realidade, por si só é um problema para o trabalho de o transformar numa peça de teatro, ou em algo semelhante). Algo perturbadora - como Isidore Ducasse desejaria, certamente -, não só pelas letras, mas também pelos vídeos e pelas caracterizações de toda a banda, que estavam expressivas e horrendas, apesar de isso só se notar devidamente a seu tempo: Maldoror funciona bem, tal como um relógio. Os vídeos eram de uma simplicidade quase ingénua, partilhando um aspecto mais infantil da obra com o público; aspecto que só era interrompido quando Adolfo Luxúria Canibal se apoderava da imagem através de uma câmera, que usava para realçar os mais grotescos pormenores da peça.

Liricamente, os excertos do texto (que, por serem tão poucos, provam a dimensão d'«Os Cantos de Maldoror», a todos os níveis) foram escolhidos de forma brilhante e provocadora, atingindo alguns pontos sensíveis da realidade portuguesa: há partes que são agressões aos tabus montados pelos meios de comunicação social nos últimos anos, como a pedofilia, e outras que colocam em causa, subtilmente, alguns sentimentos patrióticos (mas esta posição já se trata de uma visão minha do espectáculo). Fica claro: os Mão Morta nada devem a ninguém, dizem o que há a dizer. Se a obra já é chocante, eles escolheram os pontos que podem chocar ainda mais.

Musicalmente, é Mão Morta. E Mão Morta é um mundo, está provado: reinventam-se, crescem, evoluem - não têm um estilo musical, são um estilo musical. Todas as músicas constroem um bom cenário para o que está a ser declamado; quem conhece o trabalho da banda, sabe que, ao contrário do que é 'natural', os Mão Morta fazem música a partir das letras. Maldoror traz uma satisfação incrível, pois temos quase a sensação que os anteriores trabalhos dos bracarenses foram uma preparação para algo desta envergadura. Não será assim, mas ajudou certamente. Maldoror é um trabalho conceptual memorável e, até agora, inigualável (espero, cheio de dúvidas, que alguém ultrapasse uma obra tão genial quanto esta).

Quem ainda não ponderou ir assistir ao espectáculo, devia fazê-lo. Os Mão Morta estão melhores do que aquilo que alguma vez eu conseguiria imaginar ser possível, provando que são, realmente, a banda mais inovadora da cena actual portuguesa. Provaram que não há limites para a criação de arte ao escolher interpretar uma das obras mais singulares na literatura - e não se ficaram pela música, foram ao teatro, à vídeo-arte, etc. O mal de Maldoror está vivo e a assombrar os teatros de Portugal através dos seres mais humanos: tudo faz sentido.

Por enquanto, não faço 'spoils'. Mas, daqui a uns tempos, hei-de colocar uma ou outra música do álbum 'online'. Fiquem à espera.

sexta-feira, março 14, 2008

Falando de inovar

Os Muse Podem deixar de editar álbuns

A parte inovadora é que estão a ponderar editar o seu trabalho através de singles, lançado novas composições de forma mais regular e periódica. No fim podem juntar tudo numa compilação. Ainda não é nada de certo, mas é uma boa forma de chegar aos fãs mais 'enérgicos', que vêem assim uma forma de acompanhar regularmente o trabalho dos britânicos.

quinta-feira, março 13, 2008

Festival Marés Vivas

Este é um festival recente - este ano é a sua segunda edição - e a sua premissa é fácil: orçamento de 1 milhão de euros para dar música na Praia do Areinho durante 3 dias. Este ano o evento vai decorrer entre os dias 17 e 19 de Julho, na já citada praia em Vila Nova de Gaia.
Só são conhecidos apenas 2 nomes para o cartaz, mas são 2 nomes de peso: The Prodigy e Peter Murphy. Ainda com mais peso, tenho para mim, é o preço. 20 euros pelo passe de 3 dias.

Ah, e é verdade...

...os The Rakes já estão confirmadíssimos. A banda britânica junta-se mais uma série de nomes da terra de Sua Majestade, e vai actuar no dia 1, dividindo o palco com os Primal Scream. O preço dos bilhetes é mais do que conhecido. 40, 1 dia, 70, 4 dias.

MySpace dos The Rakes

Caribou em Paredes de Coura

Uma notícia que vai resultar no delírio para os lados do nAnha. O canadiano Caribou, que ainda ontem actuou em Lisboa, vai voltar ao nosso país, mais para os lados da paisagem selvagem de Paredes de Coura. Na notícia que li, cortesia (e culpa caso dê para o torto) da Blitz, a actuação ainda não tem dia marcado, e no site oficial de Paredes de Coura ainda não há nenhuma informação. Mas vamos acreditar que sim, que vamos ter Caribou de novo por cá, e no Tabuão.

MySpace de Caribou

Os Covers de Owen Pallett

Owen Pallett, senhor que encabeça o projecto Final Fantasy, não é só um violinista original, um bom compositor e um viciado em RPGs para as mais variadas plataformas de videojogos. Owen Pallett é um senhor de ouvido interessante. Vejamos as seguintes músicas:

"This Modern Love" - Bloc Party (ainda que acústico)


"Fantasy" - Maryah Carey


"Peach, Plum, Pear" - Joanna Newsom (numa bonita versão ao vivo)



Agora que as viram, vejamos o que é que o senhor Owen Pallett fez com elas:






Bom rapaz.

quarta-feira, março 12, 2008

Rest de Gregor Samsa já circula

Relembro o alinhamento do álbum (a sair no próximo mês) e as pessoas que participaram na sua arquitectura instrumental:

1. The Adolescent
2. Ain Leuh
3. Abutting, Dismantling
4. Company
5. Jeroen Van Aken
6. Rendered Yards
7. Pseudonyms
8. First Mile, Last Mile
9. Du Meine Leise

Instrumentation:
Nikki King - Voice, Piano, Rhodes, Vibraphone
Billy Bennett - Drums, Percussion, Guitar, Bass, Vibraphone, Piano, Synth
Champ Bennett - Piano, Voice, Guitar, Drums, Bass, Vibraphone, Mellotron, Celesta,
Synth, Rhodes, String Arrangements
Jeremiah Klinger - Baritone Guitar, Guitar, Clarinet, Piano
Cory Bise - Bass, Baritone
Mia Matsumiya - Violin
Toby Driver - Clarinet, Guitar, Bass, String Arrangements
Andrew Miller - Cello
Alex Aldi - Synth
Alan Weatherhead - Guitar
Rick Alverson - Voice, Titles
Debra Wassum - Voice

Repararam que o Toby Driver e a Mia Matsumiya de Kayo Dot estão metidos nisto?

James na Queima de Coimbra

Os James, que vão actuar no SBSR do Porto no dia 4 de Julho, actuam também no dia 10 de Maio na Queima das Fitas de Coimbra.

terça-feira, março 11, 2008

ZZ Top e Leonard Cohen, com Lou Reed à mistura e um pouco de Jamiroquai

É o que nos espera para o início de Verão. Infelizmente, só Lou Reed e Leonard Cohen é que actuam no mesmo dia - e, miséria das misérias, em dias diferentes. Alguns de nós poderão viver com isso (espera-se). Estes dois senhores iriam actuar no dia 19 de Julho em Lisboa, Lou Reed no Campo Pequeno e o Leonard Cohen ainda não se sabe bem (estes meios de comunicação social...). Mas quem estiver mesmo interessado, pode deixar o concerto do ex-Velvet Underground para o dia seguinte, pois este também irá actuar em Loulé.

Com mais sorte estão os festivaleiros do Norte: a edição do Porto do SBSR conta com a presença de ZZ Top no dia 4 de Julho (o mesmo dia em que estão confirmados nomes como James e David Fonseca) e Jamiroquai no dia 5. A promotora deste festival espera anunciar mais dois nomes internacionais durante os próximos dias.

segunda-feira, março 10, 2008

Primal Scream em Paredes de Coura

Já é conhecido o primeiro nome para o dia 1 de Agosto. São os Primal Scream e vão baralhar os cérebros do pessoal presente no Tabuão. A banda poderá apresentar alguns temas que vão estar presentes no próximo álbum, a editar ainda este ano.
Os bilhetes, já sabem, custam 40 euros para um dia, e 70 para os 4 dias do festival. Até dia 3 de Abril o passe de 4 dias fica-se nos 60 euros.

Site dos Primal Scream
MySpace dos Primal Scream