quinta-feira, julho 19, 2007

Masive Attack de regresso

Os senhores do Trip Hop de Bristol regressam a Portugal, com dois concertos marcados nos coliseus de Lisboa e do Porto, 17 e 18 de Setembro, respectivamente. Apesar de não terem nenhum álbum novo para apresentar, trazem o relativamente novo single "False Flags". Aguarda-se outro grande concerto de um grupo com um historial e com uma importância desmedida para a música internacional, e que ainda consegue dar que falar em todos os seus produtos.

A primeira parte de cada concerto vai ser assegurado pelo projecto de Mike Patton, Peeping Tom.


Para já, fiquem com o clip do acima referido single, dos Massive Attack, que revela tão bem a consciência política e, principalmente, humanitária dos Britânicos.

False Flags

quarta-feira, julho 18, 2007

Arctic Monkeys @ Coliseu

O Negrão vai marcar presença no Concerto dos meninos bonitos de Sheffield, hoje. Talvez ele deixe o seu belo comentário neste espaço.
Os X-Wife fazem as honras, por volta das 21h, apesar das portas estarem abertas a partir das 20h. Está previsto que a apresentação do mais recente álbum dos Arctic Monkeys, Favourite Worst Nightmare, comece por volta das 22h10.

terça-feira, julho 17, 2007

Prince e o «Marketing Directo»

Publiquei, há umas semanas, um texto em que abordava estas situações em que os autores procuram lucrar com Internet e os novos meios de divulgação. Prince não recorreu a nenhum dos novos meios, mas subverteu todo o conceito de lucro da indústria musical, utilizando um dos mais clássicos: o jornal.
O compositor americano distribui gratuitamente o novo álbum, Planet Earth, com o jornal britânico Mail on Sunday. Esta acção é o que Prince intitula de «marketing directo» e rendeu-lhe cerca de 369 mil euros.
Com este marketing tão polémico, Prince já garantiu lotação esgotada para os 21 concertos marcados em Londres, onde também irá distribuir o seu mais recente trabalho.
E fica a curiosidade em relação ao que a SPA poderá dizer a esta "mutilação" dos direitos de autor.
Enveredámos por caminhos dos quais já não podemos sair. A necessidade de aceitarmos a nova realidade da música mostra-se imperativa.

Informação retirada do Jornal Digital.

Mirrored


Battles estrearam-se nos trabalhos mais longos em Maio do presente ano. Com dois EPs editados, que geraram bastante controvérsia e fizeram «barulho» na cena musical, esta estreia era já bastante aguardada. Mirrored trás consigo o single "Atlas", extremamente irritante e dinâmico, mas que cedo nos consome até ficarmos viciados nas vozes estranhas e no seu balanço saltitante.
Este álbum é uma excelente apresentação da banda, com músicas que surpreendem quem contacta primeiramente com o single, visto que subvertem completamente a imagem que este cria, tornando-se, assim, num misto de agradável surpresa com muito ligeira desilusão (visto que as coisas mais estranhas se tornam audíveis, após a experiência "Atlas"). Torna-se quase uma experiência alucinante, por todas as sonoridades que transporta. Sem dúvida, um álbum que se deve ouvir.

Fiquem com o tão falado single.

Atlas


Fala-se numa visita ao festival de Paredes de Coura: Battles vão estar em tour europeia nessa altura e têm espaço, no seu calendário, no dia 13 do mês de Agosto (segundo o site da editora).
Esperemos que sim.

domingo, julho 15, 2007

Adorno

Juntaram-se do que restou de bandas como Satyagraha e Mary Rilley com alguns membros dos ainda activos Lobster e Suchi Rukara para, com uns pedais de delay e alguma vontade de fazer música ao bom género punk-DIY, há mais ou menos um ano. Agora, já com alguns concertos no reportório, partiram em tour para surpreender o público europeu. Verdade seja dita, até em Portugal houve surpresa quando se verificou que estes 4 rapazes, com influências claras de bandas como The Mars Volta e Envy, se juntaram a 108, Ritual, Converge, entre outras grandes referências, no maior festival de Hardcore do nosso continente, o Fluff Fest, dentro de 5 dias.

E não se espera menos que uma boa representação. Acho que os Adorno merecem ser acompanhados, visto que se estão a afirmar tão bem no resto da Europa.

Quem sabe se, após a tour europeia, eles não dão um saltinho em Coimbra?
Aguarda-se, obviamente...

sábado, julho 14, 2007

Regresso de Interpol


Our Love To Admire determina o regresso de Interpol aos mercados. Apesar de fecharem contrato com uma editora major, isso não afectou, em nada, o produto final. O álbum está, como não podia deixar de ser, mais Interpol. As suas músicas continuam a dar-lhes o título de "actuais Joy Division" sem qualquer dúvida.
Obviamente que, como tão bem se compreende, Turn On The Bright Lights, por ser o álbum de estreia, marcou com a novidade e há-de ser sempre o melhor álbum dos nova iorquinos; mas isso não torna os restantes maus, simplesmente atribui ao grupo o carácter de manter o trabalho constante e ao mesmo nível, o que é extremamente importante.
Este último álbum justifica a espera de 3 anos por algo novo por parte dos Interpol e descansa qualquer fã, que não pode ficar desiludido. Our Love To Admire está mais Interpol do que nunca.

terça-feira, julho 10, 2007

Anexos referentes ao SBSR

Em anexo, distribuo uma pequena secção de prémios ridículos de que me vou lembrando. Estes serão uma forma de relembrar momentos caricatos do festival, portanto o post está sujeito a actualizações. É uma experiência, concluíndo.


E continuando:

O Melhor Agradecimento - por Scissor Sisters: "Obri motherfucking gado". Quase me fez lembrar o Corey Taylor.

O Melhor Tédio (para não dizer o maior) - por Joe Satriani: não há surpresas, aqui.

O Melhor Concerto: Metallica (seguido de Interpol).

A Melhor Queda - por Interpol: Daniel Kessler, guitarrista, caiu numa das primeiras músicas do concerto, o que não o impediu de continuar a tocar.

A Melhor Partilha de Carinho - por Mäximo Park: há quem diga que o teclas da banda invadiu o palco para dançar desalmadamente, durante o concerto de LCD Soundsystem.

A Melhor Insistência - por The Jesus and Mary Chain: recomeçaram uma música que lhes correu mal.

O Melhor Início de Concerto - por Arcade Fire: com aquele clip tenebroso.

A Melhor "Comunicação Abundante" - por James Hetfield (Metallica): «Hoo-Rah!»; «Are you with Metallica?!»

A Melhor Ironia - por James Murphy (LCD Soundsystem): agradeceu ao seu técnico de som, Steve, porque se ouviu, em palco, um som menos desejado.

O Melhor Choque - por Scissor Sisters: a vocalista fez (ou não), ao vocalista, um miminho ilicito com a sua cavidade bocal; pelo menos o traseiro do senhor andou ao léu.

O Melhor Floop (para não dizer o maior) - por The Gift: e ainda argumentaram que tocaram cedo demais...

SBSR - dia 5 de Julho

Excluindo o primeiro acto, este dia foi o que arrastou um maior número de pessoas para o recinto do Parque Tejo. Um dia compreendido entre grandes estreias, como foram as de The Gossip, TV On The Radio e Interpol, e grandes actuações, como são sempre as de Scissor Sisters, não podia ter um público mais diversificado e vasto do que o que marcou presença nesta Quinta-Feira. Infelizmente, devido a um atraso, não cheguei a tempo dos concertos de Anselmo Ralph - cuja existência me era desconhecida -, nem de Micro Audio Waves - cujos concertos foram bastante elogiados, mas eu estou incapaz de confirmar. Também perdi o concerto de Underworld, rendido à exaustão.
Posso afirmar que este foi o dia mais equilibrado do festival (pelo que vi), para não dizer o melhor.

Portanto, o meu dia no Super Rock começou com uma excelente actuação de The Gossip. Ficaram para trás os tempos em que fazia sentido acreditar que um baixo é imprescindível. Não só o instrumental deste trio americano é muito rico, como a voz de Beth Ditto é um incrível registo de Gospel bem cantado. No que toca à performance, Beth Ditto arrebatou o público, mostrando comunicativa, sempre chocante, mas, acima de tudo, muito amável. Quem assistiu, rendeu-se ao encanto da banda - e que encanto: forte e dinâmico, por parte de todos os membros do grupo. Apesar de cansados (com apenas duas horas de sono, explicou a vocalista), desfizeram-se em desculpas sem qualquer razão, que mal aparentavam esse estado. Foi uma grande estreia, que deixou, nem mais nem menos, que um pedido de regresso para se apresentar o novo álbum - que não tarda em sair.

Seguiram-se os TV On The Radio, a banda mais aguardada pelo comunidade artística. Ouvir o álbum, em casa, provou-se ser uma experiência completamente diferente do que a despoletada pelo concerto. As músicas são muito mais fortes, intensas e dançáveis; na realidade, as músicas ficam muito mais Industriais, sem nunca perderem a originalidade que caracteriza a sonoridade de TVOTR. Também a performance desta banda é digna de destaque, que não parou um minuto no palco e mantinha uma comunicação activa com o público durante as músicas (espicaçando, gesticulando...). O concerto teve o desfecho perfeito, que levou a audiência ao rubro: tocaram "Staring at the Sun", o single mais conhecido da banda, ainda do álbum de estreia, Desperate Youth, Blood Thirsty Babes. Este concerto teve um único problema, que foi o facto de ter decorrido ainda de dia, quando ainda estava gente a chegar e não acompanhou o acontecimento desde o início e quando as luzes ainda não resultam da melhor forma. Teria sido um impacto ainda maior; mas não é isso que impede este concerto de atingir as melhores actuações do festival.

Seguiram-se os Scissor Sisters. Não há preconceito que deite por terra tal concerto. Nem mesmo o pretexto de não se gostar da música. Os nova iorquinos não deixaram desculpas para não se dançar, cantar ou rir: foi o concerto mais divertido do festival, era impossível negá-lo ou tentar evitar esse facto. Desde a comunicação abundante e contínua, à própria presença de toda a banda, mas principalmente dos vocalistas, passando pela própria música, tudo correu bem e tudo soou bem e opurtuno no concerto de Scissor Sisters. Nem mesmo as situações mais polémicas se pareceram desenquadradas; pelo contrário, vieram mesmo a propósito de uma boa gargalhada, ajudando ainda mais ao espectáculo. Com o público tão rendido como estava, a banda usou e abusou de todo o tipo de situações para melhorar ainda mais a sua performance. Ficou justificada a presença de tantos fãs da banda no recinto. E bem justificada.

A outra grande estreia, provavelmente a mais aguardada por todo a audiência, era dos outros nova iorquinos, Interpol. Com o novo Our Love To Admire à porta, era de esperar uma setlist com bastantes músicas novas, mas essa situação não foi verificada, graças, muito provavelmente, à confirmação de outro concerto, no Coliseu de Lisboa, no dia 7 de Novembro. Começaram, efectivamente, com "Pioneer to The Fall", a primeira música do mais recente trabalho, mas brindaram os fãs com "Obstacle 1", imediatamente de seguida. E assim se ditou o grande início do grande concerto da noite. O público conhecia muito bem as músicas, as quais dançava e cantava, independemente de ser, ou não, um single; mesmo as músicas novas não pareceram novidade para o mar de gente que não arrastou o pé para assistir à estreia dos Interpol em território português. Apesar de todo aquele aparato, a actuação da banda foi muito sóbria, ao mesmo tempo que dinâmica. O vocalista pouco falou, correspondendo perfeitamente às expectativas e às ambiências mais negras da sonoridade do quarteto, mas a forma como se movimentavam em palco, e a presença que ostentavam, transmitia gosto, algo que ninguém se cansou de retribuir. Depois de uma pequena espera, o encore (inevitável) começou com "NYC" e seguiu-se "Stella Was a Diver and She Was Always Down", que deu o concerto por terminado. Muitos dos presentes desistiram de continuar no recinto, depois de terem assistido à intervenção dos Interpol.

Tempo de Guerra - os terroristas andam aí

Afirma o Ministro da Segurança britânico que a medida que nos manterá seguros dos terroristas, cujo combate está previsto que durará cerca de 15 anos, é a aplicação dos "Quatro P", que consiste em «preparar, proteger, prevenir e perseguir».

E a INAC (Instituto Nacional de Aviação Civil) antecipou-se largamente na aplicação desta medida proibindo todo o tipo de objectos que representem uma ameaça – ou não – à segurança dos voos/passageiros. A lista encontra-se no site do Instituto há bastante tempo, para que não restem dúvidas.
Acho que foi uma loucura o tempo que estes objectos demoraram a ser proibidos, apesar da referida antecipação:
componentes de armas de fogo (excluindo miras telescópicas e óculos), armas de zagalotes, bestas, armas de caça submarina, machados, flechas e dardos, arpões e setas, patins de gelo, pagaias de caiaque e canoa, skates, canas de pesca, entre muitos outros.
Realmente, não percebo como é que ainda se deixou entrar canas de pesca e pagaias descaradamente num avião… sem contar, claro, com a quantidade de terroristas estúpidos que não levaram arpões e bestas nos bolsos para os seus atentados.

São tempos inseguros e ninguém melhor que os Kalashnikov, que já passaram por tantas guerras e ainda causam cerca de 2000 vítimas mortais por concerto, para comprovar isso.


Peace is Dead


Se restam dúvidas acerca do historial da banda, passem, por favor, no seu Myspace.


Informação retirada do Sismógrafo.

SBSR - dia 4 de Julho

O dia menos cheio e, provavelmente, o menos conseguido a nível de actuações. Há pouco a destacar deste dia, salvo uma ou outra banda. Para ajudar à coisa, The Rapture cancelaram a sua actuação, adiando-se, assim, o início dos concertos relativamente uma hora.


Os Mundo Cão mostraram ter músicas com pujança e força, mas pecam pelas actuações demasiados estáticas da grande maioria da banda. A música pede muito mais dinâmica em palco, algo que é inexistente, neste caso. O concerto teve esta enorme condicionante, que boicota o espectáculo a qualquer espectador. No entanto, não deixou de ser positivo.

Depois de um concerto muito parado, a actuação dos Linda Martini foi uma lufada de ar fresco. Os mensageiros dos Black Sheep Studios em território nacional mostraram a escola Punk/Hardcore com uma performance extremamente enérgica. Ajudados pelo anterior concerto, ainda vivo nas nossas memórias, deu mesmo a sensação de que o concerto atingiu o nível de estupendo. Mas recordo o concerto da Queima das Fitas como superior. No entanto as músicas, dentro do que têm tocado sempre, soavam bem, claras e relativamente iguais ao álbum, o que mostra a capacidade de manter um nível de performance relativamente equilibrado.

Clap Your Hands Say Yeah foi um concerto relativo. Relativo pois, o nível da actuação está sujeito ao quanto se gosta da banda. O vocalista não tem uma voz fácil, mas exagera ao vivo. Esse é o principal aspecto negativo, aliado a umas presenças menos dinâmicas e a um Indie-Rock menos dançável, deixando, desta forma, a apreciação do concerto ao subjectivo de cada um. Pessoalmente, achei-o razoável: as músicas resultam bem ao vivo e não perdem muito em relação ao álbum.

Mäximo Park foi o Rock necessário para reavivar o festival. Uma actuação muito mais mexida, com os membros da banda a preencherem todo o palco, a correrem, a saltarem, à boa moda do Rock. E o público dançava, respondia aos apelos do vocalista e do teclista (que se destacaram dos restantes membros da banda) e cantava as músicas mais conhecidas. Pena é, realmente, os Maximo Park não terem músicas melhores, em relação à actuação que nos proporcionaram - heis a minha opinião - o que não os levou aos melhores concertos do festival, mas ficaram perto.

The Jesus and Mary Chain eram um regresso aguardado. Não se esperava, no entanto, um grande concerto. Falavam os próprios fãs que "não são bichos de palco". E confirmou-se. A actuação foi pouco expansiva e pouco comunicativa, mas as músicas soavam extremamente bem, recordando a todos os presentes porquê que Pixies assumiram estes senhores como principal influência. Não deixou, infelizmente de ser um concerto bastante monótono, ainda que não me tivesse chateado, graças à boa sonoridade (novamente). Destaco, somente, um pormenor caricato: enganaram-se no inínico de uma música, mas, sem qualquer problema, pediram desculpas e recomeçaram como se nada fosse. Muitos anos, portanto...

LCD Soundsystem arrastou, a par de Jesus and Mary Chain, muita gente, dentro do público relativamente reduzido (pelo menos em relação aos restantes dias), para o festival. A sua actuação, inicialmente, parecia repetitiva, mas não tardou até que o público fosse tomado por "North American Skum" e o recinto do festival virasse discoteca com música a sério. Dançava-se muito, no SBSR, mesmo apesar da actuação menos dinâmica de Murphy, cuja música fez tudo. Foi o melhor de todo o dia, sem qualquer tipo de dúvida. Mas decidiram expulsar o público com uma espécie de balada, que quebrou o momento atingido de uma forma abrupta, inoportunamente. O concerto pedia um final mais feliz.

segunda-feira, julho 09, 2007

Início violento de Arcade Fire

Cristãos, não vejam demais...
Outras religiões, tentem traçar paralelos, mas não vejam demais...
Ateus, "glória a deus" por não se sujeitarem a isto.


SBSR - dia 3 de Julho

Um dos dias mais prometedores do festival, com bandas extremamente aguardadas pelo público fã de Rock, acabou por ser uma pequena desilusão geral.


Y?, a banda que ganhou o concurso Reload, não se mostrou nada original: uma imitação de Guano Apes, ligeiramente mais Nu-Metal. Pouco há a dizer para além de que tinham uma presença limitada à vocalista.

Seguiram-se os conterraneos Bunnyranch, que não estavam para brincadeiras. Deram um concerto estupidamente enérgico, para uma hora ainda tão matinal (fuso horário festivaleiro - os campistas ainda estavam a chegar) como são as 5h30 da tarde. O vocalista - igualmente baterista - acompanhou sempre os seus pequenos e frenéticos diálogos com o público com ritmo, enquanto tocava o inicio de cada música que se seguia. E o público aderiu. Dançava-se no Super Rock.

The Gift mostrou-se, inevitavelmente, como a hora perfeita para um refeição decente. Um autêntico banquete, diga-se. Soube-se, mais tarde, que ficaram chateados com a falta de público, que não apareceu por ser cedo demais (é óbvio que qualquer fã pagaria 40€ para ver uma banda que pode ver por 5€ noutro sítio qualquer... óbvio!).

Os britânicos Klaxons subiram, finalmente ao palco. Um concerto muitíssimo aguardado, um conceito que, apesar de não apresentar nada de novo, tende para um saborzinho de originalidade. Infelizmente, o concerto não correspondeu às expectativas; foi uma actuação morta à qual os problemas com a bateria não ajudaram em nada. Mais tarde, o público assumiu o concerto como seu e a febre alastrou, melhorando, consideravelmente, a performance dos londrinos.

E, para quem não esperava, The Magic Numbers vieram encantar o público com um Indie-Rock ligeiro e com toques de Folk americano. Enérgico e consistente, numa complexidade instrumental que encanta pela simplicidade com se tecem as suas músicas, a banda dançava, cantava e aproveitava o momento. Uma boa partilha, uma boa surpresa e um bom concerto.

Bloc Party foi outra desilusão, na minha humilde opinião. Para quem assistiu aos anteriores concertos da banda, este foi simplesmente mais um. Nada de novo (como seria de esperar claro), e pouco enérgico. Kele manteve-se muito comunicativo e simpático, o que deixou o público jovem à vontade. Apesar de tudo, nas primeiras filas, dançava-se e saltava-se como se não houvesse amanhã. A audiência fez, mais uma vez, o concerto.

E, finalmente, subiram ao palco os mais aguardados de todo o dia e, a par de Interpol, de todo o festival: Arcade Fire marcaram o seu regresso aos palcos portugueses com Neon Bible na bagagem. Com um palco muito bem montado, extremamente alusivo ao título do mais recente trabalho da banda, e umas ambiências sempre muito negras, o início do concerto é determinado com um pequeno clip (procurem «pastorinha» no Youtube - o clip há de ser colocado, posteriormente, neste espaço). Chocado, o público mal deu pela entrada dos numerosos membros da banda, que iniciou o concerto com "Black Mirror", precisamente a primeira música do último álbum. Seguiu-se "No Cars Go" e um grande concerto, repleto de críticas agressivas ao poder de alienação da religião, durante o qual tocaram "Keep The Car Running", "Intervension", "(Antichrist Tv Blues)", "Power Out", "Rebellion", e fecharam com a inevitável "Wake Up" (salvo o erro).. Infelizmente, o concerto foi demasiado curto e insatisfatório, ainda que brutal (no mínimo), e por isso não é passível de ser considerado O concerto, mesmo tendo sido o melhor deste primeiro dia do segundo acto.
Metallica @ SBSR Acto I

Os Metallica apresentaram-se no dia 28 de Junho pela 4ª vez em Portugal. Estavam “cansados do estúdio” e resolveram fazer uma tour antes do lançamento do próximo álbum em 2008. Desta vez, o palco que teve o privilégio de ser pisado por estes gigantes do metal foi o festival Super Bock Super Bock.
No dia 28, às 4 da tarde, já era notória a elevada afluência ao recinto do festival: uma gigantesca concentração (cerca de 45 mil) de metaleiros estava presente no Parque Tejo para mais um concerto do grupo de James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Rob Trujillo. O ambiente era negro, o que não espantou ninguém, e (quase) toda a gente ali presente queria ver estes senhores. De facto, sendo os Metallica a banda de maior calibre daquele dia, as outras bandas foram reduzidas à insignificância, não pela fraca qualidade da sua música (embora algumas se encaixem aqui), mas sim por abrirem para Metallica.

Mastodon foi a que mais se destacou de entre todas, proporcionando um espectáculo coerente e de grande qualidade, satisfazendo os fãs da banda presentes no momento (ver post sobre Mastodon). Quanto aos Stone Sour, não trouxeram nada de novo: rock pesado sem grande talento, incentivos a mosh pits por parte de Corey Taylor (vocalista) e rock do mais enfadonho que pode haver (ou pelo menos foi o que pensei até à altura). No que toca a Joe Satriani, este senhor impressionou-me: conseguiu ser ainda pior que Stone Sour e expulsar-me da audiência com as projecções de tédio que a sua guitarra emitia. Para que não haja dúvidas, Joe Satriani pode muito bem ser dos melhores guitarristas que existem actualmente, mas ainda existe aquele fosso gigante (ainda que não pareça) entre tocar guitarra de forma exímia e fazer música de qualidade e cativante. Enfim, deu para ir jantar antes dO espectáculo da noite.

Após o fim de Joe Satriani decorreram 45 minutos desesperantes e apertados enquanto o palco de Metallica acabava de ser montado. Uma vez terminados todos os preparativos, ligaram-se os 2 ecrãs laterais do palco e viu-se Tuco (Eli Wallach - actor) na sua corrida desenfreada num cemitério à procura da campa com os 200.000$ em moedas de ouro (cena de O Bom, O Mau e O Vilão). Enquanto a personagem corria, ouviu-se The Ecstasy of Gold, a intro que marcou o início do concerto da noite e, para muitos, o concerto do festival. O concerto tinha começado.
Desligados os ecrãs, James Hetfield & Cia apareceram, para o júbilo dos milhares de fãs, e não perderam tempo com apresentações formais desnecessárias: entraram a rasgar com a brutal Creeping Death, que provocou um turbilhão de corpos e uma imediata subida de temperatura no recinto.

À medida que o concerto foi prosseguindo, a multidão de fãs apercebeu-se do enorme concerto a que estava a ter direito – a banda ia tocando os temas da sua era inicial, os melhores portanto, deixando de lado as faixas menos consensuais que caracterizaram a era 1996-Presente (excepto The Memory Remains, único tema deste período tocada).
Com os seus habituais gritos de guerra – "Hoo-rah!" – James Hetfield voltou a não desiludir na comunicação abundante e eficaz com o público: "Lisboa, Metallica is with you… Are you with Metallica?!"

Intercalando clássicos como For Whom The Bell Tolls e Disposable Heroes com temas mais instrumentais como …And Justice For All e Orion, os reis do metal deram um concerto memorável, cuja setlist dificilmente poderia ter sido melhor (ver em baixo). Desde Kill’em All até Metallica (Black Album), as músicas mais poderosas foram tocadas, deixando de lado Load, ReLoad e St.Anger, para o prazer de muitos fãs.
Destaque para One, precedida de petardos gigantes e foguetes, Enter Sandman, o hino mais conhecido e mais entoado no concerto todo, Master Of Puppets, que deu aso a um mosh pit gigante, e Seek and Destroy, que fechou a noite com o anúncio prévio de Hetfield e um agradecimento aos verdadeiros fãs: “Metallica fans know, that there’s always one more, right? So there’s one more is that ok? One more for the true, in you heart, Metallica fan. You know who you are, thank you very much for supporting Metallica all these years, we love you!”

Ao fim de cerca de 2 horas e meia, os Metallica deixaram bem claro, mais uma vez, que são A banda de heavy metal e conseguiram rebentar com Lisboa como poucas bandas o conseguem fazer. Protagonizaram um dos concertos do ano e, a meu ver, o melhor do festival. Esperemos que 2008 traga uns Metallica melhorados, redimindo-se do menos bom St.Anger.

Setlist:

Ecstasy Of Gold (intro)
Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
Ride The Lightning
Disposable Heroes
The Unforgiven
...And Justice For All
The Memory Remains
The Four Horsemen
Orion
Fade To Black
Master of Puppets
Battery

Sad But True
Nothing Else Matters
One
Enter Sandman

Am I Evil?
Seek and Destroy

domingo, julho 08, 2007

Live Hipocrisia Earth

E uma das pessoas que mais pode surpreender é a grande (pelo menos nesta situação) Ivete Sangalo, que recusou uma grande opurtunidade de promoção sob o argumento de não querer fomentar hipocrisias. Explicou que os principais organizadores do evento são, precisamente, os maiores poluidores e que se recusa a compactuar com esse tipo de situações.
Não é a primeira vez que constato a consciência da senhora Ivete. Apesar da sua música não ser do meu agrado, a artista brasileira não deixa de me surpreender nestas pequenas situações que revelam bastante do seu carácter.

Quanto aos restantes artistas, que participaram no Live Earth... estão a garantir o futuro dos netos dos netos, não é? Dinheiro é o que falta e esquece-se o importante.

Grande Ivete!

terça-feira, julho 03, 2007

E recomeça

Arranca hoje o Acto II. Bunnyrunch, Klaxons, The Magic Numbers, Bloc Party e Arcade Fire são as bandas que estão nos objectivos de observação (e aproveitamento, também!).

Até logo!

sábado, junho 30, 2007

A parvoíce pegada...

Nem chega a ser uma crítica séria, ou mesmo digna de um jornal. É um conjunto de metáforas insultuosas e insinuações presunçosas de alguém que não se deu ao trabalho de, sequer, tentar conhecer as bandas em questão.
É uma amostra do rigor jornalístico em Portugal, sem qualquer dúvida. Fiquem com esta pérola e concluam o que tiverem a concluir, que eu encerro este assunto de forma gélida: acho que nem merece mais do que uma leitura, muito riso e ser imediatamente esquecido.


http://jn.sapo.pt/2007/06/29/cultura/a_tortura_satriani_a_espera_metallic.html

sexta-feira, junho 29, 2007

13º SBSR - Acto 1

Anunciado o início da festa para as 17h, nos bilhetes e em alguns meios de comunicação (apesar de no site do evento estar marcado para as 16h o concerto de Men Eater), foi a desilusão para muita gente que chegou à hora prevista e já estavam os Blood Brothers a tocar. A mim, atrasaram-me os comboios e perdi os Blood Brothers de qualquer modo.
Felizmente, cheguei mesmo a tempo da festa que queria ter - apesar dos Men Eater já terem tocado -: Mastodon.


Consegui, finalmente, assistir a um concerto destes senhores do Metal Progressivo. A oportunidade havia surgido em Novembro, aquando da vinda de Tool a Portugal, mas as entradas tão lentas, graças à procura exaustiva de equipamento de fotografia, reduziram o concerto a umas míseras 3 músicas.


Mas desta vez, os senhores de Atlanta tiveram tempo e fotografias só para eles. Por cerca de 45 minutos, o palco (expressamente montado para os Metallica) pertenceu aos Mastodon, que usaram e abusaram do seu espaço com intensidade, musicalidade e técnica. Ao contrário do que eu esperava, eles não se centraram somente no mais recente Blood Mountain do que nos seus antecessores, Leviathan(2004) e Remission(2002); fizeram um bom apanhado das melhores músicas, brindando o já numeroso público (se compararmos com o que estava em Metallica, era inexistente, na realidade) com um concerto em grande. Mas "The Wolf is Loose", "Crystall Skull" e "Capillarian Crest", do álbum de 2006, conduziram os fãs ao mosh pit e ao stage diving com mais facilidade.


E realça-se o som, que estava fabuloso. E essas coisas notam-se nas primeiras bandas, antes dos cabeças de cartaz (que têm sempre O melhor som), que saem naturalmente prejudicados. Ora, essa situação não se verificou; muito pelo contrário, o som de Mastodon - tão rico e complexo, difícil de ouvir e distinguir - estava perfeitamente perceptível, o que ajudou imenso ao espectáculo.
A banda foi extremamente profissional: falou pouco, tocou muito, mostraram-se enérgicos e perfeccionistas. Com um tempo tão reduzido para tocar, esta atitude é natural e até louvável, visto que economizaram o pouco espaço em que se moviam. Haviam de cá voltar, para um concerto deles, mesmo.




Joe Satriani

Em poucas palavras: foi secante, repetitivo, pouco original e demasiado egocêntrico. Sinceramente, não entendo este tipo de projectos em que se tocam duas notas repetidamente e a estrela de circo mostra que sabe as 400 mil escalas que existem numa guitarra. Resumidamente, posso afirmar com toda a segurança que Joe Satriani é o Pedro Abrunhosa da Guitarra: não sabe cantar, simplesmente falar.




O Negrão falará melhor dos restantes concertos, que decorreram depois de Mastodon (visto que também foi vitimizado, como muitos de nós, pelos horários pouco explícitos), principalmente de Metallica. Digo-vos, desde já, que foi um grande grande concerto. O post sobre eles vai ter a setlist que prova essa situação, visto que fala por si só. Eu ainda estive no meio da multidão durante algum tempo, mas o cansaço e a minha meninisse levaram-me a bater em retirada daquele campo de batalha regado calorosa e acolhedoramente, a típica forma dos concertos dos senhores de tudo o que é Metal.

quarta-feira, junho 27, 2007

A equipa parte amanhã para o SBSR.

Rock on! \oo/

sábado, junho 23, 2007

Yanqui U.X.O.


Este álbum de Godspeed You Black Emperor! foi a melhor aquisiçãoda minha vida, sem qualquer tipo de dúvida. É complicado de arranjar um trabalho destes senhores, pois a sua música é um conceito único - semelhante a Neurosis, portanto; são das poucas bandas que, mais que música, fazem arte - e que, graças a esse facto, não se consegue comercializar facilmente. É uma banda de culto, mas poucos sabem realmente algo deles; conhece-se o seu trabalho, mas não deixa de ser uma surpresa quando se adquire um trabalho deles.

Yanqui U.X.O. é um álbum perfeitamente abstracto (consegue superar F# A#) e ambiental, mas que não nos absorve na sua música: desperta-nos para a atenção para cada pormenor. Ao longo das suas 5 músicas (cinco longas músicas), é-nos traçado um percurso de intensidade, por assim dizer, que culmina na última música, "Motherfucker=Redeemer", numa orquestração forte e batida, mas imensamente melódica. Esta última faixa é o final perfeito, depois de uma hora inteira de música pouco encontrada nos cânones de tudo o que já foi feito.

Godspeed You Black Emperor! estão noutro patamar da música, não só contemporânea. É perfeitamente compreensível que seja menos ouvido que imensas bandas que se lhes assemelham - que não passam de aproximações às sonoridades destes artistas -, visto que estes se mantêm conceptualmente sui generis e inimitáveis.

quarta-feira, junho 20, 2007

Black Rebel Motorcycle Club

Uma das bandas que, infelizmente, ainda não foi confirmada para nenhum festival e que lançou recentemente o seu 4ª álbum: Black Rebel Motorcycle Club. O Rock no seu estado puro, com as claras influêcias dos Blues, é tocado da melhor forma por eles.

Fica uma mostra disso mesmo:

Love Burns


Baby 81 é um dos melhores álbuns de Rock deste ano, sem qualquer dúvida; marca o regresso da banda às músicas fortes e memoráveis.

Weapon Of Choice
Setlist de um concerto de Interpol, neste mês de Junho nos EUA...

Pioneer To The Falls
Obstacle 1
Narc
Say Hello To The Angels
Take You On A Cruise
Mammoth
Slow Hands
Leif Erikson
Heinrich Maneuver
Evil
Not Even Jail
Length Of Love
Stella Was A Diver And She Was Always Down
PDA

Fica, assim, como que uma previsão para o que nos espera no dia 5, no SBSR.
Esperemos que seja mesmo assim.
Informação retirada do FórumSons.

Consmismo e Música - relações e revelações (ou não)

O final do século trouxe uma dificuldade que tem de ser ponderada: que mais há para inventar? Toca-se tudo de todas as maneiras possíveis, e as grandes bandas, dos grandes génios, já tocaram os impossíveis. A música cai inevitavelmente na imitação e recuperação revivalista de bandas anteriores; só as identidades se renovam, os pormenores que lembram e que identificam certos grupos, como a voz, ou a mistura de influências e tendências.

As novas bandas, como The National, Black Rebel Motorcycle Club, Bloc Party, entre outros, recuperam as sonoridades dos grandes anos 60 e dos anos 80, mas não trazem ou fazem nada de realmente novo. Aliás, todas assumem uma influência em comum: Joy Division. O fenómeno Joy Division percebe-se dessa forma: mesmo não sendo uma banda que atingiu um grande reconhecimento enquanto no activo, a importância que teve, por introduzir o Pós-Punk, entende-se realmente na quantidade de bandas que influencia actualmente, sendo muito poucas as que não assumem o toque Joy Division na sua música.

Este novo século apresenta, também, o problema do crescimento das bandas. A música, cada vez mais industrializada, tem-se tornado num simples produto baseado em conceitos de imagem – aliado ao crescimento da MTV na divulgação da música (“vídeo killed the radio star”). Estes conceitos de imagem e os estudos de mercado são um obstáculo para bandas novas, com conceitos novos, à procura de emergir na cena musical actual, pois o público aponta sempre para o que já existe; é sabido que as evoluções, as novidades, surgem de choques ideológicos. Felizmente, a música, como cultura e produto humano da sociedade, encontra respostas, cuja mais expressiva é a Internet.

Este meio de comunicação é visto como o principal meio de roubo de propriedade e violação de direitos de autor da actualidade, e as editoras perdem, imediatamente, dinheiro com o acesso gratuito às músicas que os consumidores têm, através da Web. Mas a realidade é que a Internet é, actualmente, o meio de divulgação mais importante, a nível musical. O surgimento de bandas através da Internet é um fenómeno corrente (Arctic Monkeys, por exemplo) e cada vez mais comum. A prova destes factos é o crescimento da comunidade Myspace e o aparecimento de cada vez mais Netlabels – editoras independentes que trabalham através da Web, usando-a para divulgar as suas bandas. O novo meio de divulgação, apesar de menos lucrativo a curto prazo para as editoras, é uma garantia de actividade para as bandas que ainda não cresceram dentro do meio comercial e mais global da música. E é uma salvaguarda para as próprias editoras, que têm uma possibilidade de investimento mais alargada, e acabam por lucrar a longo prazo. Claro que a Net é muito mais produtiva para editoras mais pequenas, que ainda não têm um demasiado alargado e, em virtude deste facto, não têm tantas limitações e acabam por crescer com as próprias bandas, que são mais facilmente aceites nestas Labels mais pequenas, ao contrário do que acontecerá nas mais Mainstream.

A Internet está a ser vítima dos mesmos preconceitos que a rádio nos anos 20. Também esta representava a possibilidade de se ouvir a música de um artista sem se pagar direitos de autor. Olhar ao lucro imediato demonstra falta de alcance. Cedo, a rádio mostrou-se o meio de divulgação que aumentou as vendas de álbuns e alargou o público presente nos concertos. A Internet caminha no mesmo sentido. Os concertos são mais divulgados na Web, e também mais procurados, pois o conhecimento das músicas estendeu-se a níveis globais, assim como as próprias bandas e as suas músicas. Quanto ao consumo dos trabalhos editados, a Net, apesar da tecnologia, não tem a capacidade, ainda, para manter a qualidade sonora das músicas (o MP3 é um ficheiro de capacidade menor, precisamente para facilitar o acesso ao mesmo), pelo que, em diversas situações, a compra é uma consequência directa iminente; de qualquer modo, as editoras já adoptam políticas que procuram responder a este novo tipo de mercado, como a venda dos CDs nos próprios concertos, tornando a venda muito mais lucrativa, visto que não há intermediários de venda e revenda: é tão positivo para a editora como para o próprio consumidor.

O fenómeno Web também se mostrou o principal ponto de partida para as novas tendências musicais. Estas novas tendências e novos sons vieram reinventar a música na sua globalidade, negando as estruturas fixas e fórmulas de composição restritas, explorando as sonoridades de forma mais ambiental e melódica, procurando situações mais envolventes. É o chamado Post, ou pós qualquer coisa (normalmente Rock ou Doom). São precisamente essas estruturas regulares e monótonas que caracterizam a música Pop actual, em que a fórmula Verso-Refrão-Verso torna a música mais fácil de memorizar e, por isso, de adquirir maiores dimensões comerciais. O Post rejeita esta fórmula, explorando as músicas através de crescendos, mantendo uma base harmónica constante, proporcionando momentos mais introspectivos. As músicas tornam-se, então, muito mais longas que o normal, em busca de um clímax ambiental, sendo este outro grande obstáculo à divulgação do Post nos meios de comunicação mais comuns. A própria rejeição da estrutura Verso-Refrão-Verso torna essa situação extremamente complicada; as músicas de 7 minutos no mínimo só decretam a impossibilidade de divulgação através da TV e da rádio.

Desta forma, o surgimento destas novas tendências não seria possível se não fosse a Internet, comprovando-se assim a sua importância na cena musical de agora. Tanto o Post-Rock como o Post-Doom estão ainda em crescimento e abrangem multidões cada vez maiores, sem nunca se sujeitarem às influências directas dos media e à sua triagem no que toca a divulgação. Neste momento, é mesmo impossível conceber a música sem a Internet, tendo em conta o papel que a Web realiza na música actual. A música chegou a um patamar de globalidade nunca antes atingido ou imaginado, em que é possível tocar de tudo e ouvir de tudo sem ter a barreira procura-oferta a limitar stocks. A urgência não está em impedir o caminho actual da Internet e do MP3, mas sim em arranjar uma forma pragmática de a utilizar em proveito de uma sociedade em mutação e cada vez mais sedosa de informação e novidade, à semelhança do que as pequenas editoras têm feito. Tem sido um grande erro das grandes Labels rejeitar a Internet e o seu conceito; tem sido uma forma de impedir o progresso, na realidade, algo impossível. Os próprios mercados têm de acompanhar as necessidades da sociedade de consumo e saber adaptar-se, e não o contrário.

terça-feira, junho 19, 2007

The Mars Volta em estudio

A banda de Prog-Rock entrou recente em estudio para gravar o seu 4º álbum, The Bedlam in Goliath. Omar Rodriguez-Lopez vai continuar a produzir (quem sabe se John Frusciante não participa novamente nas gravações) e as misturas vão ser feitas por Robert Carranza.

Acho que isto oficializa a ausência dos TMV dos palcos, não americanos, pelo menos.

Mais informação aqui.

sexta-feira, junho 15, 2007

Linda Martini + The Guys From The Caravan (fotos)


The Guys From The Caravan








Linda Martini

Envy

Os japoneses Envy anunciaram uma tour pela Europa, no mês de Novembro, de três belas semanas. A sua distribuidora anda a "recrutar" gente para os contactar e arranjar eventos/espaços/condições para a banda actuar.
Era imensamente interessante contarmos com a presença destes meninos em Portugal.
Pense-se nisso; alguém contacte a Conspiracy Records para esse propósito, que o povo agradece.


"envy will be going on a European tour in November of 2007 for three weeks. Conspiracy Records is handling all of envy's booking. please contact Conspiracy Records in regards to booking envy for shows in Europe."