sexta-feira, junho 15, 2007

De volta aos palcos portugueses...

...estão os Young Gods. Uma das grandes referências do Industrial da década de 90, que grandes momentos protagonizou no Sudoeste, volta à carga. Se há realmente um álbum que se pode considerar uma obra, Only Heaven é, sem qualquer sombra de dúvida, uma delas. Forte, batido e compassado, propaga-se na nossa mente com uma facilidade quase assustadora.

Serão acompanhados pelos Datsuns, no festival "Marés Vivas", em Gaia, no dia 13 de Julho.

quarta-feira, junho 13, 2007

Festivais de Verão

Foi confirmada, nestes últimos dias, a presença dos bracarenses Mão Morta no festival de Paredes de Coura. Segundo consta, será um concerto de retrospectiva, no qual irão tocar músicas dos seus mais que 20 anos de existência. É um dos concertos que mais aguardo - já que a minha presença no festival está quase que garantida -, já que é uma banda que (imaginem a falha!) nunca vi, e que se destaca pela excelência do seu trabalho, abordando temáticas pertinentes, com importantes bases literárias e uma sonoridade versátil.
É a continuação da participação do grupo neste evento, que mesmo na passada edição, na qual não actuaram, Adolfo Luxúria Canibal brindou os festivaleiros que tão bem o conhecem (ou não, que isto de festivais é uma salganhada...) com uma presença diferente das restantes: participou em recitais de poesia promovidos pela Objecto Cardíaco, e na primeira edição especial do jornal de música “UM”, entre outras situações (das quais destaco os saltos na primeira fila do concerto de The Cramps).

Houve mais confirmações, adiantadas pelo site Festivaispt, mas que ainda não foram oficializadas pelo site da organização do evento - espera-se que essas sejam feitas durante a próxima semana.
Parece que Spoon se juntam a Mão Morta, no dia 14, de Architecture In Helsinki e Gogol Bordello. No dia 15, Electrane juntam-se a Sonic Youth, Cansei de Ser Sexy e a Sunshine Underground para dar um ar mais cheiinho ao cartaz.

Um festival que tem um cartaz que me surpreendeu imensamente, é, sem qualquer dúvida, o Sudoeste. Naturalmente, há algumas constantes, em termos de tipos de bandas - algo mais mainstream -, mas não deixam de estar confirmadas bandas de grande qualidade, como são os Editors, os ...And You Will Know Us By The Trail Of Dead e os The National, entre outros. É um cartaz que se está a mostrar consistente e que prova a capacidade que o festival tem para receber os seus habituais milhares de visitantes, com músicas para gregos e para troianos.

Outro cartaz que está incrivelmente bom, é o Super Bock Super Rock. Acho que dispensa comentários, mesmo. Qualquer um que dê uma vista de olhos pelo cartaz e repare em bandas como Interpol, Arcade Fire, Mastodon, Tv On The Radio e Clap Your Hands Say Yeah, percebe o que eu quero dizer. E o resto das bandas não carece de qualidade e está ao nível das supra mencionadas.

Acho que os festivais de este ano estão a ganhar contornos interessantes. Só se pode esperar grandes coisas de grandes bandas; festivais com cartazes assim prometem ser os maiores até à data. Aliás, nunca Portugal teve um ano tão rico musicalmente, pelo menos que eu me lembre.

terça-feira, junho 12, 2007

The (International) Noise Conspiracy - o novo álbum

Depois do concerto no Alive 07, dirigi-me aos backstage para falar com os suecos. Esta é uma situação que pareceria bastante improvável de se tornar possível, mas sabendo o historial da banda, a sua forma de estar e a sua escola Hardcore - e até porque falei com eles no concerto do Sudoeste -, achei que tentar não seria demais. E não foi, efectivamente.

Tenho acompanhado, com relativa regularidade, o site deles, para ver como é que têm corrido as gravações do novo trabalho e outras notícias relacionadas com o mesmo. Como a banda não tem actualizado o site, ultimamente, as notícias em torno do novo álbum são bastante reduzidas; sabe-se, simplesmente, que já começaram a tocar algumas músicas novas ao vivo (como aconteceu no Alive 07) e que começaram a remisturar o trabalho, já gravado, agora. Aliás, não andam a mostrar muita coisa nova, mantendo mesmo a imagem que assumiram aquando do Armed Love.

Como disse, consegui contactar com os The (International) Noise Conspiracy, que se mostraram muito receptivos à presença de "fãs" - como nos apelidaram - junto deles (fui com dois amigos, por isso utilizo o plural, naturalmente). Mantiveram-se sempre humildes e sem problemas em responder às perguntas que colocámos. Falei, obviamente, com todos eles, mas ganhei mais tempo (perda dele não foi certamente, visto que são pessoas interessantes, cultas, com as quais se aprende sempre alguma coisinha) a conversar com Lars, o guitarrista.

Consegui averiguar, durante a visita de 5 minutos aos bastidores, que o novo álbum vai voltar à fúria que distinguiu New Morning, Changing Weather, apesar de manter uma melodia mais natural da maturidade atingida em Armed Love. Lars garantiu-me, também, que após lançarem este novo trabalho, faziam planos de visitar Portugal para um concerto só deles, para que o público que lhes é fiel não tenha os problemas que se apresentam, naturalmente, nos festivais. Também me adiantou que o o novo trabalho, que vai trazer uma nova remessa de merchandise e artwork, está datado para sair em Outubro, se tudo correr conforme o planeado. Só não consegui saber qual o nome do álbum, mas isso não me pareceu muito importante, visto que as temáticas foram perceptíveis durante o concerto - abordam aspectos mais sociais da civilização actual, talvez com uma especial incidência nos EUA, falando de Beverly Hills e do demónio em provocação ao Rock cristão americano - e o forma como são abordadas foram-nos ditas - passo a citar, "the new songs are a lot more angry".
A banda toda demonstrou ter gostado de tocar em Portugal, que lhes proporcionou bons momentos e que tinha público muito receptivo e cativante. Relembraram, precisamente, o concerto de há dois anos com bastante entusiasmo, ou seja, mais uma segurança para o regresso depois de Outubro.

Depois, lá tivemos que ir embora; aproveitámos para ir ver o final de Beastie Boys, e ainda nos cruzámos com Lars e Ludwig (o baterista), que tinham tido a mesma ideia que nós e se misturaram, naturalmente, com o resto da multidão. Se há algo porque T(I)NC se distinguem, é pela coerência das suas ideias e pela forma humilde com que encaram a sua música e a sua faceta de banda relativamente mediatizada.
Fica a vontade para o regresso deles a uma sala de concertos mais aconchegada, que eles bem merecem, e nós, público fiel, também.

segunda-feira, junho 11, 2007

Alive 07 - dia 10

Como vos disse, fui ao último dia do Alive 07. Pode parecer estranho, tendo em conta o tipo de música que eu tenho «reportado» neste espaço, ter escolhido, precisamente, o dia mais Hip Hop, menos Rock, mais seja o que for... Bem, quanto a isso, tenho várias respostas: 1º Existia, efectivamente, um palco secundário com um cartaz muito bom e bastante sedutor; 2º Quem vos diz que eu não gosto de Hip Hop? Esse assunto fica para outros posts, mas não rejeitem essa hipótese.


Com efeito, eu fui para ver uma das melhores bandas de Rock que tive e tenho o prazer de conhecer. The (International) Noise Conspiracy é uma banda com raízes na cena Punk/Hardcore, que constrói a sua música em torno de um ideal revolucionário e que, como pessoas, vivem de acordo - o mais possível, claro - com o que defendem nas suas músicas. Obviamente que, devido à consciência que têm para poder sustentar as sua posições contestatárias, têm letras muito boas e pertinentes. Quanto à sua música, é, como eles descreveram há uns anos, uma mistura entre Blues, Punk e Soul, ou seja, Rock puro com influências claras dos anos 60 e 50, dos primórdios das guitarradas e da música dançável com pulos e corridas. Como banda, tiveram diferentes fases, fáceis de distinguir pela composição de cada álbum, mas que ostentam sempre uma sede de mudança, sempre através da música, mas com mensagens diferentes - desde as armas até ao amor. É um projecto que vale a pena conhecer, não só porque nos enriquece culturalmente e nos dá uma visão diferente das políticas e posições que nos rodeiam e que, muito provavelmente, desconhecemos, mas porque é um prazer ouvir música assim, bem feita, alegre, cantável, dançável, enérgica...
Quanto a concertos... Bem, viu-os na sua estreia em Portugal, há dois anos, no Sudoeste. Foi uma autêntica bomba. Foi mítico. Um concerto inacreditável, sem qualquer dúvida. Gente que deixou o palco principal para perceber o que é que estava a acontecer no pequenino palco secundário, fotógrafos a correr para captar o fenómeno, um encore tão brutal como todo o concerto... E, pelo que sei, concertos assim, deles, são uma constante. Vê-se que gostam do que fazem, essencialmente, e conseguem transmitir e partilhar isso com o público, muito graças à sua humildade, que os torna tão acessíveis.



The Vicious Five


foi o primeiro concerto que apanhei no palco secundário, visto que Nigga Poison me pareceu bastante desinteressante, mas admito que talvez seja um preconceito parvo que tenho, já que nem dei muita atenção à música, mas não importa.
Se, segundo me lembro, afirmei que o concerto na Queima das Fitas de Coimbra foi bom, muito bom; agora vou enfatizar isso: o concerto no Alive 07 foi estupendo. The Vicious Five estavam muito mais enérgicos e sedentos de música que na Queima e protagonizaram momentos de dança, saltos e Rock muito bons. A setlist foi semelhante ao outro concerto que vi, mas aqui resultou bem melhor, como já disse. Quim, o senhor vocalista, voltou a estar à frente de afirmações pertinentes, como foi comparar-se a Matisyahu, que estava a actuar no palco principal nesse mesmo momento, e fazendo uma pequena crítica com uma brincadeira de anti-semitismo.
A banda está cada vez mais à vontade em palco, o que também deixa o público mais confortável com a sua música, ajudando imenso ao espectáculo, e as músicas novas que tocaram resultam muito bem ao vivo. Estão com um concerto muito bom, mesmo.



Wraygunn


Esta banda, ainda que muito interessante, não proporciona os melhores concertos que já vi. Exceptuando durante algumas músicas, são concertos um pouco estáticos e que não puxam muito pelo público, ou pelo menos por mim. Claro que durante a "Drunk or Stone", ou "Keep On Prayin'" a coisa muda de figura, visto que são músicas mais mexidas e mais conhecidas e que levam a um contágio diferente, maior.
Vou remodelar, então, a minha afirmação: o concerto foi bom e interessante, mas não era, definitivamente, no mesmo esquema das restantes bandas que iriam lá actuar, que tinham ambientes mais enérgicos e dançáveis, ao contrário do que Wraygunn me parece ser, criando fundos muito bons.
Destaco, obviamente, a performance de Paulo Furtado, que demonstra os muitos anos que tem de palco de forma clara, ostentando uma posição insolente de rockeiro da velha escola Punk. As duas senhoras que o acompanham não se mexem muito - não são, definitivamente, nenhumas Karen O -, apesar de terem um presença muito curiosa e interessante, mas ainda se destacam do resto da banda, que fica completa submersa pela existência do nome do Paulo, que é a cara do projecto.



The (International) Noise Conspiracy


Foi um grande concerto. Infelizmente, não me parece ter sido o concerto da noite. Muita gente que estava no recinto, estava para ver a estreia dos grandes Beastie Boys, que, pelo pouco que vi, deram um grande grande concerto, ao seu nível, claro. E muita gente não foi ver os T(I)NC, tanto pelo preço dos bilhetes, como pelo próprio dia, o que não facilitou em nada o trabalho destes senhores. Mas nem isso se mostrou ser um verdadeiro problema para os suecos, que se apresentavam pela segunda vez em Portugal. O concerto foi extremamente enérgico e envolvente. A banda estava com uma presença estupidamente contagiante e à primeira música já todos dançavam, na plateia e no palco. Percorreram algumas das suas músicas mais badaladas, desde "Smash It Up", do Survival Sickness, passando pela "Capitalism Stole My Virginity", do New Morning, Changing Weather, mas centraram-se mais no último álbum, Armed Love, do qual tocaram "Let's Make History", "Comunist Moon" e, o single, claro, "Black Mask", entre outros; também tocaram bastantes músicas inéditas, que vão estar inseridas no novo álbum, a ser lançado mais adiante, ainda este ano.


Não tocaram durante muito tempo, mas tocaram tempo suficiente para toda a gente dançar e cantar a revolução durante essa hora de concerto festivaleiro. Fizeram um pequeno encore, de duas músicas, deixando a promessa de um regresso a Portugal, que será muito aguardado.
Claro que os discursos mais políticos não foram postos de parte pelo vocalista, Dennis Lyxzén, mas foram doseados na medida do público, bastante reduzido, que marcou presença no concerto. Falou, como não podia deixar de ser, das eleições que ocorreram há poucos meses na Suécia, mostrando o seu descontentamento para com o governo que ganhou, associando esse descontentamento a "Comunist Moon", inteligentemente; e referiu, ainda, a sua estadia nos EUA e a música cristã feita em doses industriais por esses lados, explicando, assim, o porquê de uma música a falar do diabo.


Destaco, também, o momento em que Dennis abandona o palco para vir passear pelo público, demonstrando a abertura e o pó ao estatuto de estrelas que toda a banda tem - mesmo que esse estatuto não seja aplicável em Portugal, na Suécia são uma banda muito conhecida e o Dennis é mesmo considerado o homem mais sexy do país. Trocou algumas palavras rápidas com o público, enquanto pôde, que rapidamente foi arrebatado para um stage-dive, e outro, e outro... o concerto iria continuar normalmente, como se aqueles passeios fossem a coisa mais natural do mundo.
Foi um concerto incrível, novamente, mas ainda distante do mítico de há dois anos. Mas, com a promessa de um regresso, estou certo de que aquele concerto não foi uma situação sem exemplo.




O resto do festival

Vi partes de Da Weasel, que me pareceu repetitivo (nunca consegui gostar de nenhum concerto deles), assisti ao final do concerto de Beastie Boys, que estava a parecer muito bom e ainda acompanhei um pouco de Buraka Som Sistema, um projecto curioso e interessante - confesso que não gosto e não consigo ouvir (e não, não é um paradoxo) -, que se estava a mostrar um fenómeno, com imensa gente a ver, talvez pelos concertos já terem acabado, mas havia, ainda durante Beastie Boys, bastante gente a aguardar a sua actuação.
O dia pareceu-me um tanto desequilibrado. Bandas como os Beastie Boys e T(I)NC (que tocaram numa hora ingrata, precisamente ao mesmo tempo) serem colocados ao pé de artistas que não têm concertos ao mesmo nível, sequer, como me parece acontecer com Sam The Kid e Da Weasel. Claro que é sempre um bom "aquecimento", e a temática estava bem distribuída no palco principal, não tão bem no palco secundário (talvez até estivesse, tendo em conta que era uma forma de não desmotivar quem comprou os bilhetes para os outros dias, que gosta de música mais Rock), mas não me agradou, que não me senti sequer tentado para ver as bandas que abriram para Beastie Boys. Ainda assim, acho possível e plausível fazer um balanço positivo do dia.

The Guys From The Caravan + Linda Martini

Devido a "compromissos inadiáveis", os Linda Martini tocaram, antes dos Guys, um alinhamento bastante reduzido, tendo de partir para Lisboa logo de seguida, segundo disseram. É, infelizmente, a quarta vês que vêm a Coimbra tocar o mesmo alinhamento, sem sequer se ponderar inserir uma ou outra música do álbum, que ainda não tocaram. Este tipo de situações nem sequer que é benéfica para a banda (que, ironicamente, ficou quase toda para ver o concerto dos The Guys From The Caravan), que só leva a levantar suposições sobre a capacidade que eles têm, ou não, para dar mais concertos na cidade.
Infelizmente, foi um concerto bastante fraco, mas a culpa não recai somente sobre eles; o próprio público mostrou-se muito estático e quase pouco receptivo à banda, mesmo que estivesse quase todo para os ver... Houveram alguns problemas a nível de som, inicialmente, em que a voz estava muito baixa, mas nada de problemático. Foi, aliás, imediatamente resolvido. O grande problema do concerto foi a bateria (por muito surpreendente que isto possa parecer, mas todos temos dias menos bons), que protagonizou bastantes enganos, quebrando o ritmo normal das músicas e, inevitavelmente, afectando a própria performance dos restantes membros, mesmo a nível de atitude. Ainda assim, as primeiras músicas ("Cronófago" e "Dá-me a tua melhor faca") foram bastante intensas e bem tocadas.

The Guys From The Caravan é que, apesar das condições mais agrestes (tocarem depois dos cabeças de cartaz), não me deixaram mal. Disse, num post anterior, que eles tinham concertos à altura das melhores bandas portuguesas e isso foi provado na sexta-feira. Há que ter em conta, claro, que o tipo de música que tocam é muito sui generis e, portanto, a própria energia que a banda assume torna-se bastante peculiar, mas a sua música, tão livre e solta, é extremamente contagiante ao vivo - muito mais que numa audição normal - e cria um ambiente divertido e descontraído. E para que mais serve a música, não é? Eu fico com vontade de perceber se há mais formas de gostar de música, depois de um concerto como o dos The Guys From The Caravan. Destaco as músicas "Worms", "Daniel Jonhston", "Put The Perfume One" e a própria "The Guys From The Caravan" (com que encerram a actuação, apresentando a banda durante uma pausa quase constrangedora, retomando, logo de seguida a música), que ao vivo são uma autêntica festa, sendo muito divertidas, dançáveis e enérgicas.
Estou realmente entusiasmado com estes senhores de origens menos certas, e aguardo mais concertos deles - mais ainda do que um álbum, ou um EP - para me divertir ainda mais. Fico também curioso, porque descobri que estão a participar nas Garage Sessions da TMN; espero, sinceramente, que ganhem.

Publicarei as fotos do concerto noutro post. Digamos que no computador onde estou não tenho acesso a elas.

domingo, junho 10, 2007

cá vou...

Parto hoje para Lisboa, para ver The (International) Noise Conspiracy...

Depois dou-vos a cobertura deste e do concerto de Linda Martini no Ar de Rato, com The Guys From The Caravan.

CAPITALISM STOLE MY VIRGINITY!

terça-feira, junho 05, 2007

Our Love to Admire

Os nova iorquinos, de concerto marcado em Portugal para o SBSR, no dia 5, já andam com uma nova música no Myspace: “The Heinrich Manouver” não fica nada atrás dos anteriores singles de Interpol, aliás, se há algo a destacar na banda é a coesão dos seus álbuns, sempre muito equilibrados e muito, mas muito bons – realça-se Turn On The Bright Lights, que é uma obra-prima, mas que não se sobrepõe ao sucessor, Antics; Turn On The Bright Lights é um álbum que possui o poder da novidade.
Ao que parece, a mudança para uma editora major não influenciou a qualidade dos Interpol, que, com este “The Heinrich Manouver”, só nos deixam com água na boca para um terceiro trabalho, que tem todas as características (ainda que platónicas) para ser muito bom e satisfazer os hábitos e exigências auditivas dos fãs.

Our Love to Admire será “lançado às feras” no dia 9 de Julho deste ano.

segunda-feira, junho 04, 2007

The Guys From The Caravan

No espaço de uma semana, esta banda cujas origens não são muito certas (diz-se Lisboa, diz-se Coimbra...), vai parar a caravana duas vezes na cidade universitária. Foi um primeiro showcase na Fnac do fórum, no dia 1 de Junho, no qual eu estive presente, e será outro no dia 8, no Ar de Rato, a abrir para Linda Martini.
The Guys From The Caravan, com uma imagem muito peculiar, tem uma sonoridade muito característica - ainda que não original, é uma forma inovadora de ver a música, assumindo influências diversas e distintas, que pouca gente teria a ideia de juntar - e uma presença em palco mais energica do que seria de esperar. Mostraram, no seu showcase, que já tocam há mais do que 6 meses juntos (que é o tempo correspondente à existência do projecto, segundo disseram) e que têm uma química, enquanto banda, que já demonstra alguns anos de concertos, ensaios e de vários projectos: transparecem experiência.
Fico, assim, bastante curioso para um concerto maior, numa sala mais propícia a concertos, como é o Ar de Rato. Como já referi anteriormente, os Linda Martini têm um concerto muito bom, e atrevo-me a dizer, mesmo, que será um dos melhores na cena portuguesa actual (comparável a Men Eater, que dão concertos tão intensos), mas também me sinto à vontade para prever, depois de ter assistido a uma pequena amostra do que os rapazes da caravana são capazes, que eles não vão ficar nada atrás dos meninos bonitos do Rock de Queluz.

Fica o endereço de Myspace deles, para se deliciarem com as sonoridades soltas e viajadas que oferecem. Se são de Coimbra, não hesitem em aparecer, no dia 8, no Ar de Rato.

domingo, junho 03, 2007

Fanatismos ou vontades moribundas?

Nas últimas duas semanas, a notícia de que The Mars Volta entraram em estúdio para gravar um EP, a ausência de datas para Agosto e a vontade de ver estes senhores do Progressivo actual novamente em no nosso jardinzinho, esquecido há uns 4 anos por eles, levou uma pequena legião de fãs a expressar a sua vontade de os ver no festival Paredes de Coura, no Fórum Oficial do evento. Eu próprio me encontro presente entre eles, numa desmesurada tentativa de ver TMV em Portugal.

O problema destes fóruns está directamente ligado à sua vantagem: a opinião é necessária. Com isto não quero dizer que a minha opinião é mais válida que a dos outros, mas, se visitarem o fórum, vão perceber que pedir My Chemical Romance num festival que se tem destacado pela capacidade de receber bandas mais Indie e mais alternativas acaba por ser bastante parvo ou mesmo pouco lógico. Esta situação entre outras, como o pedido da presença dos Europe no festival, não se mostram propícias ao ambiente do festival. Claro que a existência de liberdade de opinião é uma mais-valia, mas é o problema destes fóruns é que não permite o esclarecimento de posições e das próprias opiniões, pelo que esta torrente perde um pouco a legitimidade – daí eu afirmar que não passa de uma tentativa desmesurada de tentar ver TMV.

Mas a situação adquiriu um carácter engraçado, que já conduz um movimento de fanatismo: há promessas de idas desde Coimbra até Espanha de bicicleta, para depois se regressar a Paredes de Coura, caso The Mars Volta parem por lá. Vamos ver se tal acontece.
Fica a promessa de uma cobertura live e em directo do acontecimento, caso se concretize.


Para festejar e, quem sabe, para incentivar quem ler este texto a também desesperar connosco, deixo um pequeno clip para deliciar.


Roulette Dares (The Haunt Of) - Live [e ainda com o grande baterista John Theodore]

Liberdade para Mumia!

E mais uma audiência, começada no dia 17 de Maio, pelo caso Mumia Abu-Jamal, tantas vezes abordado pelos mais conscientes letristas - de entre os quais vou realçar Zack de la Rocha, dos Rage Against The Machine - e pelas bandas mais interventivas, levanta novo alvoroço. É um recurso que pode decidir a vida deste importante revolucionário, injustamente incriminado por um assassinato de um polícia, que (realço) não cometeu - e há provas concretas deste facto - e que dita o quão livre é realmente o país das opurtunidades, que cala quem se levanta para apoiar a igualdade e a verdadeira liberdade.

Na versão do Live & Rare desta música, Zack de la Rocha clama de forma clara e furiosa "Freedom for Mumia!", entoando a voz de imensas gerações que acompanham esta barbaridade há mais de 25 anos. É uma música que fala, precisamente, da forma como é manipulada a liberdade nas presentes democracias neo-liberais, em que a existência de presos políticos é mordazmente admitida e fomentada - tendo em conta que como Mumia Abu-Jamal há mais; relembro Leonard Peltier, também apoiado pela música dos conscientes.


Freedom - Rage Against The Machine

sábado, maio 26, 2007

Given to the Rising, Neurosis


Para quem achava que, depois de 20 anos, Neurosis não tinham nada de novo para fazer, algo que trouxesse uma lufada de ar fresco às suas criações, enganou-se redondamente.

Não há muitas palavras que consigam descrever Given to the Rising; o álbum está sufocante, intenso e muito forte, sempre com o peso característico de Neurosis. É uma obra-prima, definitivamente.

From Monument to Masses

É uma banda cujo o conhecimento eu tinha adiado. Tinha o belo do segundo álbum a saltar aqui ao meu lado há meses! Mas como andava tão embrenhado no post-rock de não sei quem e começava a achar que me ia fartar com tanta repetição (que infelizmente acontece), achei que não ia gostar assim tanto...

Não podia estar mais enganado, felizmente.

From Monument to Masses é muito bom! Têm uma sonoridade tipicamente Post-Rock, admito, mas dão-lhe um carácter muito próprio, com influências muito Punk/Hardcore, visível, principalmente, na da carga crítica e política que as letras têm, e na própria energia que a música tem. Desde sustentarem as suas letras com citações de Noam Chomsky e discursos do genialíssimo Jorge Arbusto filho, mostram um lado consciencioso na sua música, e não somente melodioso (que também é, muito).

Estou alegremente triste com a descoberta: demorei muito para chegar lá, mas cheguei.

sábado, maio 19, 2007

Festa dos Blocos

Ontem foi o grande concerto dos Bloc Party, também conhecidos como Festa dos Blocos ou mesmo por Blocos de Festa. O concerto? Brutal. A minha paciência para o descrever? Epá, algo reduzida. Vamos ver o que se arranja...
Indo ao que interessa. Chegámos cedinho ao grandioso Coliseu e, após termos tratado do chop-chop, fomos acampar, mesmo ali à porta (É que isto de ser fã tem que se lhe diga! Asseguro-vos. Foram 10 penosos minutos, ali, sentado num canteiro de uma sebe ranhosa que me picava o rabo de maneira veemente) .
Os D3o abriram a rasgar e deram um concerto a mostrar quem manda. Tony Fortuna fez o seu habitual topless e lá fomos rocalhando durante uns agradáveis minutos. Porém, aquele que podia ser um concerto muitíssimo bom, revelou-se algo mortiço. O pessoal, algo enconado, entrou numa de politicamente correcto e aquelas quebras de ritmo desorientaram o pessoal que ficou com medo de começar a dançar no vazio.
Quando vieram os reis da noite tudo mudou. O pessoal, que se vinha chegando todo à frente como se quisesse ir para de cima do palco, começou a entrar em ebulição e, ao ritmo da Song for Clay, começou aos baldões, procedendo-se assim à filtragem do pessoal que realmente queria andar aos pinotes e do pessoal que queria ver o espetáculo em paz. Foi durinho. Aquele calor sufocante ia dando cabo de mim. Mas vá, com sacrifício lá se aguentou e, com o tempo, lá me fui ambientando.
De realçar como sou fixe: fiz o único crowd surfing bem sucedido que vi e andei em tronco nu. Ok, admito. Tirei a t-shirt porque estava a hiper-ventilar. Não foi uma questão de estilo...


Queria só dar um abraço ao gajo que ajudei a subir para me tentar imitar (lá está, só podia...) e que se mandou para um sítio vazio, caindo redondinho no chão, protagonizando o malho da noite.

Logh @ Santiago Alquimista (fotos)

Christian Kjellvander





Logh



Jeff Buckley

Boas composições, contagiantes e tristes, e ainda tinha uma voz incrível para suportar tudo isso. Era um dom. Grace, de 1994, é um exemplo de excelência, um grande trabalho que corre vários estilos musicais todos com um sentido único; é perfeitamente errado dizer que toca rock, pop, seja o que for: é mesmo daqueles álbuns que leva a crer que a música é una e é de quem a faz, não interessa o que lhe possam chamar, é Jeff Buckley e não mais nada a discutir aqui.
Melodias bonitas, fortes, alegres, tristes... todas elas com a carga melancólica de uma vida desgastada caracterizam este talento marcado pela morte aos 25 anos. Não fica aquela questão Como seria se ele tivesse vivido? Não teria tanto para dar? A realidade é que o esquecimento já tinha sido posto de lado em 1994. Quem é que não conhece a famosissíma Hallelujah, música de mil e um momentos, filmes, séries de televisão, etc?

Deixo na memória deste espaço o que não é para ser esquecido:



Jeff Buckley - Last Goodbye

sábado, maio 12, 2007

"a pirataria financia o terrorismo"

Imaginem, vocês, depois de sacarem um álbum da net para o ouvirem e ficarem a conhecer o trabalho de uma banda cujo concerto gostavam de ver, irem plantar uma bomba de seguida: parece-me perfeitamente lógico. Ou então, sabotarem o carro do senhor presidente de não sei do quê depois de ouvirem o cd que gravaram da vossa banda preferida para não terem de pagar 4 contos por meia-hora de cultura: parece-me normalíssimo.
Não vou tecer mais comentários à afirmação de Tozé Brito.

Logh @ Santiago Alquimista

Ontem, o Santiago Alquimista, em Lisboa, recebeu os suecos Logh (+ Christian Kjellvander + Katabatic, na primeira parte), concerto em que eu, como não podia deixar de ser, marquei presença. Sunset Panorama é daqueles álbuns que ainda agora me arrepia de tão bom: muito equilibrado, consistente e apesar de uma sonoridade leve e pouco pesada, tem uma carga grande melancólica imensamente contagiante. Mesmo o hábito não atenuou o efeito que o penúltimo trabalho da banda tinha em mim - se tanto, amadureceu a minha forma de o ver e intensificou-o, de certo modo. Confesso que North, o mais recente álbum da banda, me deixou de pé atrás, bastante exitante quanto ao concerto, mas como nem sequer que conheço este trabalho decentemente, acho que não seria justo deixar de ver o concerto. Aliás, ao vivo, North parece resultar muito melhor, ou pelo menos deixou-me curioso para ouvir melhor e com mais atenção.
A sala de espectáculos era uma novidade para mim. Nunca tinha ao Santiago Alquimista e fiquei agradávelmente surpreendido. Para os concertos que nos esperavam, o formato de bar com música ao vivo era perfeito. (vamos ver se aplicável para Pelican, ahah). Infelizmente, acho que o PA estava com alguns problemas, pois desde o início que enchia a sala com um ruído bastante irritante, muito evidente durante o concerto de Christian Kjellvander. Mas isso são pormenores...



Katabatic

Estes portugueses fazem parte da nova geração de Post-Rock que está em surgimento na capital. Também estes gravaram na Black Sheep Studios (assim como Linda Martini, Riding Panico, If Lucy Fell, Men Eater, entre outros) recentemente e apresentam uma sonoridade muito ambiental - talvez demais - e claras influências de Sigur Rós e God is an Astronaut. O concerto não foi muito vivo, pois parecia que a banda se ficava simplesmente pela ambiência, deixando a música um pouco vaga. Apesar de tudo, foi interessante ver o uso do arco de violoncelo na guitarra e alguns instrumentos estranhos noutras alturas. Outro problema que demonstraram foi na ligação entre as músicas, onde demoravam imenso e cortavam logo todo o efeito da música e da ambiência criada, o que não ajudou em nada ao espectáculo. O mais provável é que toda a minha opinião tenha sido influenciada por pequenos pormenores como este, mas que dizem imenso. Katabatic não apresentam nada de novo dentro do Post-Rock, fazem o que gostam e isso vê-se e é importante.



Christian Kjellvander

Também sueco, tem acompanhado os Logh nesta tour. Song Writter e com uma voz extremamente peculiar e interessante. Acompanhado por uma bonita rapariga, com uma voz muito interessante, a sua música, na sua maioria acústica, mostrou-se muito melodiosa e harmoniosa, conseguindo sobrepôr-se ao burburinho que enchia o bar. Burburinho que rapidamente se dissipou, assim que Christian começou a contagiar o público, o que não se mostrou ser difícil para ele, bastate comunicativo, calmo e simpático. Conseguiu deixar toda a gente muito à-vontade com a sua música, principalmente quando explicou a razão que o levou a compôr uma música com o nome de "Portugal" (numa tradução sueco-português ou inglês meio manhosa). As suas composições pareciam simples, mas tinham o essencial para satisfazer uma pessoa calma, e a música de Christian é, acima de tudo, apaziguadora.
Foi interessante ver como, para além da guitarra, conseguiu introduzir bem outros instrumentos nas suas composições, para além da backvocals, sem quebrar o feeling que as enche. E instrumentos como o famoso e mítico Serrote, por exemplo. No fim, fechou com uma música «não-acústica», dando um gosto do que seria o próximo e esperado concerto.
O concerto foi perfeito para o formato da sala, conseguindo dissipar o burburinho que enchia o público. A música, e a sua voz, eram bonitas, calmas e simples, deixando qualquer pessoa bastante feliz com aquele momento. Foi um concerto muito engraçado e uma experiÊncia quase que nova para mim, que já não sabia o que era estar sentado a assistir a um concerto de um Song Writter sem ter de saltar e fazer o pino. O sossego também é música, e Christian Kjellvander conseguiu deixar isso bem claro.



Logh

O momento porque todos os presentes esperavam. Mal subiram ao palco, encheram a sala com o single do último álbum, que, felizmente, resultou muito melhor naquele momento do que quando o ouvi pela primeira vez. Para quem esperava um concerto vazio, os Logh contrariaram essa hipótese com muita classe. Apresentaram-se com os seus 6 elementos em palco, preenchendo muito bem as melodias musicalmente, e todos mostraram ter vontade de estar em palco, vontade de tocar, com uma energia oscilante, establecendo uma ligação forte com as suas músicas.
Mattias Friberg, o vocalista, falou pouco, mas falou o essencial, deixando a sua presença falar acima de todas as palavras, assim como o resto da banda; uma presença muito negra e triste, intensificada não só pelas roupas de todos eles (pretas), mas pelas próprias letras, muito obscuras e depressivas. No entanto, deixou-nos a todos com um sorriso, talvez de ironia.
Na realidade, há poucas palavras para descrever um bom concerto. Fico sempre com a sensação que deixo algo de fora, mas também não quero deixar ninguém com a imagem errada de uma boa simplicidade. Foi um concerto tranquilo nalguns pontos, enérgico noutros; contagiante e equilibrado; uma setlist muito bem ponderada e que resultou na perfeição; presença em palco excelente... e seria muito fácil continuar com esta descrição.
Infelizmente para mim, deixaram Sunset Panorama de parte, tocando apenas uma música, o que é perfeitamente compreensível, visto que estão em tour a promover o mais recente North. Mas nem foi mau, muito pelo contrário: fiquei com uma ideia completamente diferente do trabalho em geral de Logh, que não conhecia tão bem como o penúltimo trabalho.
No final, o encore foi necessário e, mais uma vez, bem gerido. Tocaram 3 músicas (entre elas "Smoke Will Lead You Home") bem trabalhadas, reflectindo o que foi o concerto: muito bom.

quarta-feira, maio 09, 2007

The Vicious Five + Linda Martini @ Queimodromo

Como não podia deixar de ser, e como já referi anteriormente, eu marquei presença nestes concertos. Infelizmente, não estava nas melhores condições para tirar fotografias ou tomar nota das músicas tocadas – fui arrastado várias vezes para o mosh pit que se gerou mesmo ao meu lado – e, por isso, não vou brindar ninguém com imagens bonitas dos concertos ou setlists chorosas (pelo menos até as arranjar). Claro que o som não estava o melhor – afinal, não eram cabeças de cartaz, convinha terem um som pior que Xutos e Pontapés para não deixar ninguém envergonhado – e o público não era o mais fácil, visto que toda a gente esperava ouvir as músicas cujas letras toda a gente conhece, mas eles chegaram, viram e tocaram o que tinham a tocar da melhor maneira que se pode imaginar, conseguindo mesmo, tanto The Vicious Five como Linda Martini, arrebatar alguns fãs aos Xutos.



The Vicious Five

Vieram novamente a Coimbra com a energia toda. Sempre irreverentes, puseram os ainda poucos – mas cada vez mais, gradualmente – espectadores a dançar, a saltar, ou simplesmente aos empurrões solidários. Apresentaram uma música nova, sempre rock, sempre enérgico; nada de novo, portanto. Tocaram os singles de Up On The Walls, mostrando uma onda mais de dar ao público o que querem, ao invés de entrarem numa de promoção do álbum, num pedido de socorro para que consumam os belos CDs. Quim (ou CALIPO, segundo o Myspace), o vocalista, está cada vez mais eloquente nos seus discursos e apelos à revolta e revolução, assumindo desta vez uma posição muito crítica em relação à escola e ao ensino, mas sempre de forma pertinente, aproveitando o momento de Queima e mostrando o seu sentido de opurtunidade; esteve acima de tudo muito interactivo, o que ajudou imenso ao concerto e levou à adesão de muitos dos que não estavam presentes para ver The Vicious Five.
O concerto foi muito enérgico, mas eu já tive o prazer de ver melhor deles. Mas isso não significa nada, até porque o território da Queima das Fitas, num concerto de abertura dos Xutos não facilita em nada a situação. Acima de tudo, acho que The Vicious Five estão de parabéns pelo o crescimento que têm demonstrado.



Linda Martini

Vindos de Queluz, vieram dar o seu primeiro concerto a Coimbra, visto que só tinham showcases no seu reportório da cidade. Começaram logo com “Este Mar”, envolvendo logo o público pré-disposto ao seu som; nenhumas palavras para começar, apenas música. De seguida, após uma curta e sóbria «identificação», tocaram “Amor Combate”: era óbvio que tinham preparado um concerto muito enérgico e a setlist mostrou-se, desde logo, prova disso. Sendo o primeiro single da banda e a música que os chutou para um mercado mais mainstream, a “Amor Combate” é a música que é mais facilmente aceite pelo público em geral, e na Queima não foi diferente, nas primeiras filas cantava-se a letra bem alto. A partir daqui, o concerto foi simplesmente brutal. Desde mosh a momentos mais ambientais e envolventes, a actuação de Linda Martini foi o momento alto da noite, e a banda mostrou-se capaz de aguentar isso, apresentando-se com uma atitude de palco cada vez melhor e mais espontânea (pobres Xutos e Pontapés, nunca hão-de conseguir dar concertos assim. Tive pena deles…), apesar de muito introspectiva, não deixou de ser contagiante. Para além das já referidas, tocaram ainda “Efémera”, “Dá-me a tua melhor faca”, “Estuque”, “Cronófago”, “Lição de voo nº1” e fecharam com “A Severa (ver de perto)”. Esta última é outra música que merece destaque: assim como “Este Mar” é um início perfeito para o que os Linda Martini têm para mostrar, a última faixa do Olhos de mongol é simplesmente a desfecho que um concerto deles pede. Começa calma, mas cedo começa a crescer e não tarda o momento em que sufoca com um balanço, uma energia e um ambiente incrível.
Vieram de Queluz até a Coimbra para mostrar que não esqueceram o EP – felizmente, que eu já estava a começar a acreditar que esse grande trabalho já tinha se tinha perdido no grande Olhos de mongol – e para mostrar que, mesmo que não cresçam mais nos meios comerciais, têm imenso para dar. Aguarda-se o regresso para um concerto com ainda mais tempo – sabe sempre a pouco; fica-se com vontade de mais.

segunda-feira, maio 07, 2007

Hoje...

Esta noite, no famoso Queimodromo de Coimbra (onde a festa estudantil se sente com uma intensidade ridicula), estreiam-se os Linda Martini na cidade académica - excluindo showcases, que são simples amostras de concertos. Era um momento esperado por todos, mas a estreia pode não ser a melhor, visto que é um uma altura complicada: ou o concerto vai ser muito bem aceite e no mínimo brutal, ou corre mal e espera-se por uma altura melhor.
Sinceramente, não estou muito preocupado. Os Linda Martini já têm anos de estrada e a música deles tem vindo a amadurecer cada vez mais, assim como as suas actuações estão cada vez mais enérgicas e envolventes. Acho que vai ser complicado o público não se deixar arrastar pela onda da banda. Lá estarei para ver.

Não posso deixar de estar entusiasmado com o concerto de The Vicious Five, igualmente esperado (acho que nunca falei de nenhum concerto deles no blog). Igualmente com "estaleca" e estrada, os revolucionários lisboetas andam a cantar cada vez mais forte a diferença.

Os concertos de hoje são, portanto, The Vicious Five e Linda Martini. Depois são os Xutos que vão fazer não sei o quê... é o espirito da Queima das Fitas, não é? Ninguém estará sóbrio, já, toda a gente vai curtir à sua maneira.

terça-feira, maio 01, 2007

Rage Against The Machine

E estão de volta, os meninos de L.A. (nunca pensei ver o de la Rocha tão menino...).

Testify

domingo, abril 29, 2007

Mais sacrifícios do culto

Para os interessados, visitem o Amplificasom, um blog sobre música muito bom e que merece uma boa cadeia de elogios que eu vou saltar agora. Estão lá fotos e clips do concerto de Cult of Luna, em Coimbra, no dia 21. Acreditem que vale a pena. Muito a pena.



Já agora, vejam este outro que encontrei, do mesmo concerto, claro, mas que não consta entre os do Amplificasom.

Cult Of Luna - Waiting For You (s/ bateria)

Arte, para além de música

Neurosis é uma banda de genios que nunca há-de ser entendida. Mais que música, eles fazem arte, criam ambientes e proporcionam estados de espirito. Há mesmo n lendas sobre estudos de psicologia relacionados com a composição dos álbuns e situações parecidas, que roçam, talvez, o absurdo; todavia, assim que começamos a conhecer a banda começamos mesmo a ponderar a possiblidade desses factos.
Odiados ou amados, Neurosis é um grupo de pessoas que nunca pode ser colocado no mesmo patamar de todos os seus seguidores (Tool, Cult of Luna, Isis, Mastodon, etc.), pois, contrariamente a estes, nunca se tornaram profissionais. Sempre fizeram a música como quiseram e nunca sofreram uma "evolução" no sentido de serem uma banda grande e mainstream, mantendo-se num circuito mais underground. Claro que a banda é apreciada e respeitada mundialmente, à sua maneira, e com esse crescimento de fãs e de pessoas que os acompanham, acabaram por conseguir fundar a Neurot Records, editora importantíssima no movimento de novas bandas com novas sonoridades em surgimento.
Pessoalmente, acho-os geniais e admiro o pouco das suas vastas criações que conheço. Claro que não me quero ficar por esse pouco e pretendo conhecer melhor. Muito melhor.

Deixo-vos uma pequena demosntração da sua arte, que transcende a música, chegando a campos de imagem e de envolvência muito superiores e diferentes do nosso normal:


Neurosis - A Sun That Never Sets

domingo, abril 22, 2007

O culto da lua em Coimbra

Os suecos oriundos da cidade de Umëa, Cult Of Luna, apresentaram-se ontem em Coimbra e vão ainda tocar em Corroios, hoje. Para meu grande prazer, estive presente no grande concerto no Convento de S. Francisco, em Coimbra. Devo desde já dizer que para a banda em questão, o espaço foi mais que perfeito. Se o concerto já se avizinhava intenso, o ambiente envolveu ainda mais, graças ao local.

Cult of Luna


Men Eater foi a banda escolhida para abrir os concertos dos suecos em Portugal.
Estes, sempre com o objectivo de promover o recém editado álbum de estreia, Hellstone, apresentaram um concerto muito forte e sentido, excelente a todos os níveis. Confesso que o álbum, apesar de me parecer muito bom, não me tinha entrado muito bem; ao questão é que ao vivo a coisa muda de figura completamente. O quarteto tem um feeling fenomenal e uma presença incrivel, muito envolvente. A sua pequena apresentação durou o suficiente para se perceber que o álbum tem muito que se lhe diga e que merece ser ouvido; e acima de tudo, eles merecem ser ouvidos, com concertos assim... Estou ansioso para os voltar a ver, numa apresentação deles e com mais tempo.

Men Eater


Deu-se a pausa em que montam o palco para a banda da noite... Apagam-se as luzes e começa um piano, ainda o palco estava vazio. Eram as notas de "Marching to the Heartbeats", intro de Somewhere Along The Highway. A melodia manteve-se o tempo suficiente para tornar a impaciência incomportável; o público no burburinho à espera do momento da noite. Então, finalmente, entraram 4 membros de Cult Of Luna. Brevemente aplaudidos, começou a soar "Waiting For You", num estranho alinhamento da banda - 3 guitarras e um sintetizador. No crescendo da música, entram o baterista e Johannes, a «estrela» da banda, acrescentanto muito pouco, inicialmente. Não houve bateria nesta introdução, pois o baterista apenas tocou pandeireta; já Johannes entrou com o power que a música tem no cd. Ainda que não com o balanço que a música tem no cd, a introdução foi imensamente forte, a preparação perfeita para o que estava para vir: pesada, mas a poupar energia para o que esperava o reduzido público (cerca de 150-200 pessoas).

Johannes Persson, de Cult of Luna


Pode-se então dizer que o concerto começou, propriamente, com "Finland". Cheio de melodia e de peso. Segui-se hora e meia de pura presença, verdadeiro peso e uma envolvência surreal. O espaço, propício a ecos, ajudou imenso em termos acústicos.
Os meninos de Umëa não se mostraram reservados, todos extremamente enérgicos e cheios de feeling (via-se que gostavam do que faziam), mostravam ao público como se toca post-doom e como se curte o post-doom.

Um concerto sempre introspectivo, com a ajuda das luzes, formando um ambiente de solidão imenso


Pesado é a palavra que melhor descreve o concerto, mas foi um peso tão tolerável e tão sui generis que é impossível dizer que foi realmente pesado... é uma contradição, bem sei. Mas é verdade. Aliás, a verdade é que o concerto foi indiscritível. Mais uma vez... a envolvência.

A setlist foi equalitariamente dividida entre os dois últimos álbuns da banda


A banda apresentou-se sem vocalista (contrariamente ao que aconteceu na Casa da Música, no Porto), mas com os restantes 6 elementos. O alinhamento foi perfeito, cativante e bem explorado, sendo ele próprio um crescendo - em que o concerto começa menos pesado e acaba com uma intensidade brutal.

Um dos concertos do ano, certamente, Cult of Luna, com a sua
presença muito enérgica e pouco comunicativa, criam ambientes
muito característicos e possibilitam ao público as experiências
mais singulares e únicas.



Setlist:

0.1 Marching to the Heartbeats (piano)
0.2 Waiting For You (s/ bateria)
1 Finland
2 Adrift
3 Dim
4 Echoes
5 Crossing Over
6 Dark City, Dead Man

segunda-feira, abril 16, 2007

Rumores...

Houve rumores a circular pelos meios da música... e parece que não eram mais que isso. Falava-se da vinda de Police, esses grandes senhores do New Wave, ao Estádio Municipal de Coimbra. Infelizmente os rumores que circulavam foram meras confusões com o concerto de George Michael no mesmo recinto... Mas a esperança não se perde, ah isso não! Afinal, os Police reuniram-se para um tour que pode muito bem passar no nosso bom país.

E o mesmo pode acontecer com Rage Against The Machine. Os meninos anti-sistémicos de Los Angeles deixaram-se de brincadeiras com os Audioslave para voltarem à boa força das letras agressivas e intervencionistas que tanto marcaram as gerações dos anos 90. Zach de la Rocha que lá achava que R.A.T.M havia morrido... bem, acho que todos precisamos de sobreviver; não será por ter voltado ao bom que algo há-de ter mudado.
Verdade se diga, desde 2001 que nada se ouve de de la Rocha, fora uma ou outra música/trabalho com alguns DJ's e alguns cantores de hip hop. Assim se dissipam os rumores da suposta prisão do "revolucionário". Mas falava-se de projectos a solo dele, algo mais empreendedor... quem sabe?

domingo, abril 08, 2007

Gentle Giant (e há mais para vir)

Já referi estes senhores em artigos anteriores. E tal como prometi que faria, vou mostrar-vos algumas peças de génio dos senhores Senhores do Prog-Rock/Art-Rock. Deliciem-se (que para menos não dá)...