sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Bow down before the one you serve!


Após anos e anos a passar ao lado do nosso país, os Nine Inch Nails finalmente tomaram a decisão acertada de vir tocar uns acordes em Portugal, e assim, apresentaram-se em Lisboa nos passados dias 10, 11 e 12 de Fevereiro no Coliseu dos Recreios para tocar os três primeiros concertos da tour mundial de 2007. Trent Reznor apresentava-se assim pela primeira vez no nosso país, para o deleite dos fãs que finalmente punham fim a um jejum que lhes parecia eterno. Sábado, dia 10, as duas escadarias que davam entrada para o recinto do Coliseu mostravam o início das filas cheias de gente vestida de negro, pronta para a estreia absoluta dos NIN – não sobrara um único bilhete, era lotação esgotada.

The PoPo

Para os primeiros concertos do tour, Reznor escolheu uma banda de Filadélfia para o acompanhar: os The PoPo. A curiosidade dos espectadores variava consideravelmente face a estes americanos. Uns queriam ver os The PoPo, já que a informação disponível sobre a banda era escassa – os curiosos, portanto. No extremo oposto encontravam-se os fãs mais acérrimos de NIN, que desesperavam só de pensar que ainda iam ter de aturar uma banda desconhecida antes dos senhores do rock industrial pisarem o palco. Mal sabiam estes o prazer que estava a ser adiado…

Apesar da sua etnia duvidosa, aparentavam ser muçulmanos, e um dos vocalistas usava mesmo uma túnica. Sim, um dos vocalistas, já que a banda se diferenciou de bandas “tradicionais”, mostrando a sua polivalência e talento: era constituída por um vocalista/baterista/guitarrista, um vocalista/guitarrista/teclista, um baixista/baterista e um teclista/sintetizador.

Apesar do público um pouco desinteressado, os The PoPo conseguiram captar a atenção do Coliseu, comunicando de forma pragmática e simples com o público, obtendo a bênção de muitos espectadores através de múltiplos agradecimentos e elogios à grande banda que iria tocar a seguir. Apenas com um álbum recentemente editado, pouco divulgado e pouco disponível, deram-se a conhecer com o seu estilo alternativo e indie, sendo os pontos mais altos do concerto Apocalypse Blaze, London Falling e Funtimes On The Frontline. Não creio que venham a ser uma banda com grande projecção mundial, mas decerto que têm presença em palco e não será de todo desagradável voltar a vê-los por terras lusas.

Nine Inch Nails

Após a despedida dos The PoPo, a ânsia aumentava no Coliseu, e a ocasião não era para menos. Seguiram-se preparações de luzes e testes de som (guitarras, bateria, etc.) e enquanto alguns membros da banda passeavam pelo palco, o público perscrutava a escuridão à procura de Trent Reznor. O ponteiro do relógio marcava agora 22 horas e todos contavam com a pontualidade dos NIN. O ressoar dos tambores de Pilgrimage anunciou o início daquela que viria a ser uma noite memorável. Surgindo de rompante da escuridão, Trent Reznor tomou o microfone e interrompeu a intro para dar início a Mr. Self Destruct, que pôs a plateia em alvoroço imediato: foi uma questão de segundos até que se formassem vários mosh pits e o Coliseu albergasse uma profusão de braços e corpos imparáveis ao som desta abertura verdadeiramente explosiva.

Três músicas depois, deu-se o susto que acabou por se transformar num dos melhores momentos da noite. Com as luzes desligadas, houve uma pausa mais prolongada entre músicas, o que não tinha acontecido até aí. O vocalista rapidamente explicou “The usual story… fire alarm turns off the fucking power, whatever”, mas rapidamente apagou a preocupação momentânea dos inúmeros rostos que nele estavam fixos: “We don’t feel like fuckin’ around, let’s turn the house lights on and just keep playin’, fuck it! Just pretend we've got kick ass lights”, deixando o Coliseu em êxtase. Os papéis inverteram-se: a banda imergiu na escuridão e a plateia iluminou-se. March Of The Pigs começou, uma alucinante bomba que vinha da escuridão para a luz, onde se deu uma libertação de energia tremenda após o grito de Reznor “All you pigs out there, march!”.

O concerto decorreu todo ele a um ritmo estonteante, intercalando da melhor forma a agressividade com a melodia. Pode-se até dizer que foi em jeito de best of, intenso, que os NIN se estrearam em solo português, devido ao desfile de singles que foi feito ao longo do concerto (ver setlist), o que foi um verdadeiro brinde para fãs que nunca tinham tido oportunidade de ver a banda ao vivo no nosso país. Reznor resolveu também presentear os fãs portugueses com uma música que inédita em concertos (Last) e uma pertencente à banda sonora do filme Natural Born Killers (Burn).

Pretty Hate Machine, Broken, The Downward Spiral, The Fragile e With Teeth – todos eles foram incluídos no concerto de sábado. De salientar foram Something I Can Never Have, revelando a perfeição da voz de Trent Reznor ao vivo, Closer, com Reznor junto à plateia, Wish, causa de alta turbulência na plateia, The Hand That Feeds, de With Teeth, Hurt, cantada em ovação por todas as almas presentes no coliseu, e Head Like A Hole, o primeiro êxito da banda, levando-nos de volta a 1989 e finalizando um dos melhores concertos do ano.

Quanto a todo o aparato cénico não houve nada a apontar, apenas elogios a fazer: os holofotes fixos em Reznor e nos restantes membros da banda, os constantes flashes aquando das músicas mais violentas e toda a iluminação do background foram adereços muito bem utilizados. Rebentando com as guitarras, os NIN deixaram o palco, mas os fãs não desistiram, batendo o pé como se não houvesse amanhã… mas o encore não veio, com muita pena minha e do André. Após quase 20 anos ignorando os portugueses, a estreia dos NIN em Portugal não poderia ter sido melhor. Os fãs agradeceram e muitos foram aqueles que saíram do Coliseu com vontade de voltar no dia seguinte para mais uma dose destes ícones do rock industrial.


Setlist:

0. Pilgrimage (intro)
1. Mr. Self Destruct
2. Last
3. Terrible Lie
4. March of Pigs
5. Something I Can Never Have
6. The Line Begins To Blur
7. Closer
8. Burn
9. Wish
10. Help Me I Am In Hell
11. Eraser
12. La Mer/Into the Void
13. No, You Don't
14. Only
15. You Know What You Are?
16. Hurt
17. The Hand That Feeds
18. Head Like A Hole

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Nine Inch Nails - 10/02/2007

O primeiro dos primeiros concertos de NIN em território português deu-se no passado sábado. Tanto eu como o Eduardo estivemos presentes, mas falerei só por mim (como deve ser, eheh).


Bem, como começa a ser hábito, eu perdi, novamente, a banda de suporte. Desta vez, diga-se, não foi por causa da estupidez da equipa de segurança, mas não interessa.


O início do concerto foi simplesmente bombástico. Para quem, como eu, não criou expectativas para o evento, realizou-se ali o trabalho imaginário de uma semana (no mínimo) de estabelecer quão bom seria o concerto. Mr. Selfdestruct ditou como ia ser a próxima hora e meia: frenética. Músicas como Hand That Feeds, Only, Do You Know What You Are?, Head Like A Hole, Terrible Lie, entre uma pequena imensidade de outras, só comprovaram tal facto.


Muito cedo, houve alguns problemas com as luzes de palco. Os meus parabéns para quem conseguiu avariar o engenho, porque só deu o enfâse certo à música que se seguiu a esta vicissitude, March Of The Pigs - que Trent dedicou, como sempre, ao público. Mal Trent Reznor disse "We don’t feel like fuckin’ around, let’s turn the house lights on and just keep playin’, fuck it!" que as luzes do Coliseu se acenderam (cortando a pouca visibilidade que se tinha para o palco), dando um feeling perfeito aquele curto momento. Devo admitir que me questionei sobre o quão propositada pode ter sido esta situação.


Aquando do momento em que o senhor Trent se aproxima do piano e começa a tocar a famosíssima Hurt, qual não foi o meu espanto quando me apercebi que toda a gente sabia a letra. Um dos momentos do concerto, sem qualquer sombra de dúvida. Acho que nem o Johny Cash sabia que tinha uma cover de NIN.


Nine Inch Nails trouxeram a este pequeno país uma setlist a que eu me dou o luxo de chamar best of (e que o Eduardo deve especificar). Os seus maiores êxitos todos num concerto é motivo para grande honra, principalmente quando se espera uma incidência especial nas músicas de With Teeth, o último trabalho da banda. Aliás, é como disse acima, nem sabia bem o que esperar.


A realçar, como não podia deixar de ser, o Coliseu dos Recreios, a melhor sala de espéctaculos em que já estive, que ajudou imenso ao concerto. Não só a sala, como as luzes (mesmo quando avariadas)... tudo foi perfeito e dotado de uma excelente produção. O som da banda estava fenomenal, apesar da imensidade de pormenores que um álbum dos americanos pode conter, ao vivo não se sente a diferença, muito pelo contrário, torna-se muito mais envolvente (para minha grande surpresa).

NIN proporcionaram um dos que serão, com toda a certeza, os melhores concertos do ano. Mas não deixei de sentir que faltou algo de importante para tal concerto, não só por ser o primeiro, mas por todo o feeling e toda a energia que teve: um Encore. Trent Reznor e companhia deixaram o palco sem qualquer tipo de intenção de voltar, apesar de nenhum membro do público ter arrastado o pé durante 5 minutos, no mínimo. Ficou-nos a todos um vazio e a vontade de ir no dia seguinte outra vez.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Linda Martini @ fnac Coimbra (footage)

Para complementar o post de Linda Martini, ficam aqui algumas fotos.

(fotos tiradas por Eduardo Negrão e Luís Alvim)

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Linda Martini @ Fnac (3/02/07)

Não há muito a dizer, sobre um pequeno concerto, num espaço pequeno, com poucas condições... Foi um showcase simplesmente bom, bom demais, até, para um simples Showcase. Não vou abusar na adjectivação, guardo-me para um melhor ocasião, algo ao nível dos meninos de Queluz.
Infelizmente, ainda sinto que os meninos de Coimbra ainda não são mais que meninos: passaram o concerto todo estáticos, nem se mexiam. Felizmente que começou um mosh pit durante a Amor Combate para animar as coisas. E que brilhante ideia, para ajudar ao feeling, a do sing-along extremista - passarem o micro ao público ajudou imenso aquele despertar. Numa linguagem pseudo-erudita, gosto de descrever a última música, a Amor Combate, como uma orgia de fúrias.

Os Linda Martini tocaram "Este Mar", "A Severa (ver de perto)", "Cronófago", "Dá-me A Tua Melhor Faca" e "Amor Combate", sendo que esta última foi no seu encore, nada previsível.

A verdade é que sempre que vejo um concerto deles parece-me que estão cada vez com mais feeling. Estou em pulgas para um concerto a sério por estes lados, ou então terei de me deslocar até à capital para assistir a um (não que me chateie muito).
Tirámos (todos os membros do blog estiveram presentes, como não podia deixar de ser) mesmo algumas fotos e fizemos alguns videos. Algo que há-de ser mostrado. Aguardem...

domingo, fevereiro 04, 2007

Afinal...

...não são os TV On The Radio que vêm abrir para NIN. The PoPo vão acompanhar Trent Reznor na sua tour europeia. Não é uma desilusão, porque ainda não conheço a banda, mas é definitivamente um nó com que fico no estomago. Estava eu todo curioso para ver como seria o concerto dos TV, mas afinal...
Bem, não é qualquer um que abre para Nine Inch Nails, isso é uma certeza. Vamos ver como corre.


Nota: post(s) de Linda Martini na Fnac a ser(em) trabalhado(s).

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Grande Coimbra

O mês de abril (e tão longe anda ele) promete... bem, indiscritivel. Cult Of Luna e Robert Fripp na mesma semana é uma bomba, deixem-me que vos diga. Robert Fripp, que, para quem não sabe, não só era o compositor principal dos King Crimson, tocou imensas vezes com Brian Eno, Peter Gabriel, Peter Hammil e bastantes outros génios da música do século XX. Não, ele não se fez convidado, "genializou" com eles, que não lhes fica nada abaixo, diga-se, inventor de Frippertronics e outros sintetizadores bizarros que são mais usados do que se imagina e guitarrista excelente, tendo ele sido professor/mentor de uma boa percentagem dos bons e excelentes guitarristas do actual século (que são menos do que imaginamos, visto que no estúdio todos são bons). Este senhor vai-se apresentar no bom e belo TAGV com 12 dos seus alunos para deliciar quem tiver a brilhante ousadia de comprar os bilhetes - confesso que faço tenções de ser um desses sortudos - no dia 24 de Abril.
Sobre Cult Of Luna pouco há a dizer... Vanguarda do Post-Doom, um estilo ainda novo e em exploração, a simplicidade com que eles tocam mostra a sua genialidade. Melodiosamente harmoniosos e com um peso que parece impossível de compreender em tal situação. Como bons nórdicos que são, estes suecos são admirados pelos excelentes concertos, e não só pela boa música. Outro concerto que não tenciono perder (por nada, mesmo). Este vai-se realizar em Coimbra, no Cine-Teatro Avenida, com Men Eater a tocar na primeira parte (cujo o lançamento do cd vai dar um próximo artigo, pois só ouvi coisas boas daí).

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Apesar da ausência...

...eu tenho-me dedicado imensamente à música - é bastante complicado não o fazer, mas não interessa. A verdade é que o tempo é menos do que parece. Os álbuns são todos mais curtos do que parecem e eu ando sem tempo para debitar opiniões.

Mas fora essas situações que não controlo, há já uns dias que decidi ouvir mellhor Reel #1, dos Catpeople, que marcaram presença em Paredes. A verdade é que o álbum está realmente muito bom - longe de original, claro, já cá estão os Interpol há alguns anos a mostrar como se faz - e extremamente equilibrado. Claro que, como é de esperar, há músicas que estão menos conseguidas, mas que não estragam em nada a qualidade das outras. Gosto mesmo de ver essas músicas especificas como aperitivo para a que se segue.

Acho que não perdiam nada em fazer o belo do download do Reel (para consumo próprio, que eu não quero incentivar ninguém a transgredir qualquer lei!), ou, caso não queiram ter muito trabalho, dêem um saltinho no Myspace.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

os próximos:

Este mês de Janeiro pode ter parecido vazio de concertos, mas a verdade é que foi o embalar para um mês de Fevereiro em grande! Trent Reznor e os seus Nine Inch Nails vêm pela primeira vez a Portugal e eu já tenho o meu bilhete! A tour tem marcados 3 concertos por estes lados, todos no Coliseu de Lisboa (10, 11 e 12 salvo o erro), é o que eu chamo uma grande estreia. Confesso que me sinto muito entusiasmado, não só pelo evento, mas também pela banda de abertura que possa vir. A tour americana de NIN foi apoiada pelos TV On The Radio, uma das bandas mais originais do momento e com um som mais característico (se bem que as influências de NIN estão bastante presentes). A hipótese deles acompanharam Trent não fica de parte, o que me deixa muito mais satisfeito por já ter uma garantia em casa de que não vou faltar. Espero ter muito que dizer, ou que fique sem palavras para descrever o concerto.

Mas o mês de Fevereiro não é só Nine Inch Nails, felizmente. Para o pessoal de Coimbra, Linda Martini tem confirmado no MySpace um concerto na Fnac, no dia 3 às 17h. Outra obrigação. Um concerto na Fnac é sempre imensamente limitado, mas não deixam de ser os Linda Martini!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Adeus 2006...

Começou um ano novo, a nostalgia de um ano que passou faz-nos pensar no bom e no mau que se viveu e, neste caso, ouviu. Eu não gosto muito deste tipo de discurso, mas como é inevitável em todo o lado, eu não vou fugir à "regra" e cedo.


A banda portuguesa com melhor trabalho, gosto de acreditar que foram os Linda Martini. Olhos de Mongól está digno de respeito, no mínimo. Um álbum muito bem trabalhado, composto e interpretado. Estão realmente de parabéns. Mas os Moonspell não lhes ficaram nada atrás. Memorial está muito bem conseguido, talvez mais primitivo (na escala da evolução da banda), mas nota-se toda a maturidade que adquiriram ao longo dos anos.


"Internacionalmente" (um conceito que me desagrada muito, é tudo música), tenho imenso a destacar e não consigo, sequer, declarar um melhor que o outro, pois, no fundo, movem-se todos num meio complexo, a música, que compreende muitos outros meios...

Primeiramente, The Mars Volta com Amputechture. O regresso dos actuais senhores do progressivo mostra muito. Especulando, posso dizer que já deram tudo no primeiro e segundo álbuns, tendo em conta que o primeiro é algo novo no Prog-Rock e o segundo já mostra algo de familiar, este último já reflecte Robert Fripp, King Crimson e Yes muito claramente. Mas a originalidade não tem afectado em nada a genialidade da sua sonoridade, que tem vindo a evoluir de forma muito vistosa: está muito mais explorada, muito mais complexa, sempre muito cativante... A realidade é que Amputechture só demonstrou que a banda ainda tem muito para a dar. Apesar de ser um álbum que custa a entrar e a ser declarado como obra-prima, assim que entramos no esquema, percebemos que muito está para vir. As reacções ao mais recente trabalho dos TMV tem sido de estranheza, o que me leva a crer que o próximo album vai exceder expectativas. Mas quero deixar claro que The Mars Volta é um projecto que nunca pára de me surpreender, quanto mais ouço mais impressionado fico. (tenho é imensa pena que John Theodore, esse grande baterista, tenha saído da banda... fico na esperança que encontrem um tão bom ou que se aguente à bronca com o trabalho que John deixou, ou que ele acabe por voltar.) Espero poder confirmar isto em concerto...

Já que ainda estamos no progressivo, abordo já Mastodon, que voltaram à carga com Blood Mountain. Outro álbum excelente. Técnicamente, os americanos são brutais, mas mantêm uma postura que não fatiga, e dentro de tanta excelência musical, Blood Mountain mostra-se muito fácil de ouvir (para quem estômago para o Metal) e, também, se apresenta como um dos grandes trabalhos do ano. Algo que não pude confirmar da melhor forma em concerto...

Quem fala de Metal, acaba por fugir para o Post-Doom, e aí, os suecos Cult Of Luna apresentam-se muito bem com Somewhere Along The HighWay. A característca que CoL têm apresentado como natural no seu trabalho é o decréscimo da presença do vocalista em cada álbum - que chegou mesmo, por problemas pessoais, a não acompanhar a banda durante uma tour. O vocalista desempenha, ainda assim, um papel importantíssimo no trabalho, o que demonstra uma excelência de composição dentro da simplicidade, da harmonia, da depressão e do peso, que não se reflectem só nas músicas no seu todo, mas no trabalho individual de cada membro, extremamente bem aproveitado por cada um. Ainda assim, destaco Johannes Pearson, o guitarrista/compositor, pelo que, óbviamente, realizou, e os trabalhos de bateria, mesmo não sendo os mais complexos, proporcionam a ambiência perfeita na música, e isso é, indubitávelmente, o mais importante. Aguardo um regresso a Portugal...

Dentro do género, Callisto apresentaram Noir, um trabalho "oscilantemente" bem concretizado. Está, supostamente, menos pesado, mas não tarda que me apercebi que é uma conclusão errada. O peso mantém-se, mas na melodia própriamente dita, antes de antigir o peso musical. Desde as vocalizações, às próprias melodias, passando pelo ritmo característico ao post-doom, a banda conseguiu fazer algo com personalidade, o que é muito bom. O post-doom, é, também, um estilo género muito jovem e, por isso, ainda muito está por descobrir e conseguir, a prova disse é este álbum.

Continuando com o Post, Gregor Samsa foi uma das descobertas que mais prazer me proporcionou. É a primeira vez que falo da banda, portanto não me vou alongar. O seu Debut, 55:12, está excelente, post-rock com influências claras de Sigur Rós e de Mogwai, mas que consegue fugir ao estilo e quebrar um pouco a monotonia com a introdução de uma voz feminina como uma constante, algo que ajuda imenso às ambiências e que lhe dá um quelque chose de novidade, ou de algo que eu não consigo tão bem descrever.

Isis e Red Sparowes... não ouvi muito os últimos álbuns, portanto vou abster a minha opinião. Talvez mais tarde a dê.

O regresso de Placebo! Esse foi um regresso muito bem conseguido. Sinceramente nem me surpreendeu ou deixou de o fazer. Um híbrido emocional, como gosto de lhe chamar. A qualidade de Meds era uma situação da qual não esperava menos. Mas, mais uma vez, o trio britânico quebrou com a linha que delineou no trabalho anterior (Sleeping With Ghosts), mas sem nunca quebrar ou deixar aquilo que os identifica como OS Placebo, como têm feito até aqui. Grande CD, o Meds. O concerto foi brutal, cheio de feeling. Há muita gente que tem a aprender com estes meninos...

Quanto ao regresso de Muse... este tem sido envolvido por muita controvérsia. Não tenho muito a dizer. É um trabalho de qualidade, mas que quebra com o que têm feito até então, mais comercial. O mais correcto é nem comparar com os anteriores, porque este, como já disse, é diferente. Não é, portanto, uma ruptura ou uma quebra. É Blackholes and Revelations.



Já falei do que mais me marcou, ou talvez do que vi que mais marcou. Não insisto mais no ano que passou. A época de concertos deve estar a recomeçar!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

"I got a bone to pick and a few to brake"

Um impulso de jazz levou-me a relembrar o que não quero esquecer: Refused. Esta banda continuou e expandiu o trabalho começado por The Nation Of Ulysses (TNOU), explorando muito mais as possibilidades do punk que os americanos.

The Shape of Punk to Come dos Refused deixou muita gente imensamente impressionada com o trabalho deles e com as próprias possiblidades que o punk/hardcore tinha e que ninguém havia experimentado até então (fora os TNOU). Esta obra-prima dos meninos suecos mistura o hardcore com o jazz, com o electrónico, com o hard-rock e talvez com um cheirinho de metal - nada de muito pesado na realidade, ou que quem tenha ouvido sensível considere impossível de ouvir; muito pelo contrário, não deixaria de ficar impressionado. Dentro da poluição que é o punk-hardcore, os meninos suecos fizeram no seu estilo musical, nas letras e na sonoridade, uma limpeza e uma clarificação. A imundidade mantém-se, mas com uma complexidade e uma pureza de embelezar tudo.

Imensas bandas conhecidas chegaram mesmo a tentar covers dos singles do album, principalmente de "New Noise", uma crítica à actualidade musical muito ao estilo original do punk. Pessoalmente acho que nunca esses covers atingiram a excelência dos originais, talvez pela interpretação dos vocalistas que acabam por perder aquela fúria pura de Dennis Lyxzen.

No entanto, as outras obras da banda, mesmo sendo muito interessantes dentro do punk, não me chamaram tanto a atenção e excluo a hipótese de serem tão geniais quanto The Shape of Punk to Come.
Uma obra que nunca vou esquecer, sem dúvida...

sábado, dezembro 09, 2006

de dentro do baú... o Prog-Rock

Desde há uns meses que me tenho apercebido que o novo não é uma simples criação, por muito original que se torne. Toda a música nova – no verdadeiro sentido do termo, ou seja, música original, ainda estranha aos ouvidos por ser uma sonoridade desconhecida – resulta de uma qualquer evolução.

Considero importante poder compreender este processo evolutivo para conseguir entender melhor a música, o estilo, a sonoridade em questão.
Pessoalmente, considero o Prog-Rock uma das sonoridades mais complexas da música contemporânea, parecendo, por vezes quase incoerente ou mesmo dissonante. A realidade é que funciona tudo de uma forma incrivelmente harmoniosa e é isso que delineia o fosso entre música excessivamente técnica e rock progressivo.

De tudo o que retirei do “baú” onde tinha as coisinhas velhas, conclui que os primórdios do rock progressivo, os primeiros passos neste estilo, começaram com os próprios Beatles, conhecidos como os pais do rock (algo que não vou discutir agora; talvez num artigo posterior venha a abordar essa situação, pois admito que é uma forma muito pessoal de ver as coisas), no White Álbum, um disco incrivelmente experimentalista. A forma como tentam enquadrar os instrumentos, quebrando as repetições e as construções básicas das músicas, revolucionam toda a visão que se pode ter do rock, ou mesmo da música (uma banda vanguardista e por isso ficou conhecida, pelas suas rupturas). O álbum ficou conhecido pelo caos introspectivo em que se apresenta. É uma obra em que a banda explora o melhor de cada membro, tanto como músico, assim como de compositor. É uma verdadeira reflexão sobre o seu rock e sobre aquilo que conseguiam fazer. Ficou aberta a porta de muitas das inúmeras possibilidades do rock, que até então não haviam sido procuradas.
Claro que não posso esquecer os pais do psicadélico, do rock musicalmente “estranho”, Pink Floyd, outra das bandas que proporcionou o Progressivo, mas que, uma vez mais e como muitas outras bandas, foi influenciada pelos próprios Beatles.

Surgem, então, as grandes bandas do Prog-Rock ou do Art-Rock, sinónimos que se viriam a fundir, em termos de conceito, com a “morte” do próprio estilo, assim que o Punk aparece e arrebata todo o público. Genesis, nos finais dos anos 60, assim como Van Der Graaf Generator, Yes, King Crimson, Jethro Tull, Soft Machine, Camel, entre muitos outros, começam a explorar o rock progressivo; músicos de clássica a procurarem os seus caminhos pelo rock, sempre com o psicadélico em mente, compõem as obras musicais mais geniais do século XX – das quais gosto de realçar The Lamb Lies Down On Broadway dos Génesis, um álbum conceptual baseado numa história escrita pelo vocalista da banda, Peter Gabriel.
Os anos 70, apogeu musical dos Rock Progressivo, foram também o apogeu das bandas que surgiram nos anos 60 e que procuravam mais que um rock simplista. Guitarristas como Robert Fripp e teclistas, senhores do Moog, como Tony Banks ou Peter Hamil, músicos por excelência, assumem toda uma perfeição técnica num estilo incontornável e sempre instável, do qual não se conseguia prever nada, mas que não parava de surpreender pela sua complexidade e genialidade.
E precisamente nos anos 70 surge a banda que viria a ser o máximo do Prog-Rock: Gentle Giant (dos quais virei a falar mais tarde, num artigo só para eles, que não merecem menos). A banda que realmente experimentou tudo o que havia a experimentar, aplicando todos os conhecimentos e mesmo os instrumentos que traziam da sua aprendizagem clássica. Nunca ninguém atingiu tamanha incoerência em música tão harmoniosa.

O Progressivo aparece, então, com a investida dos músicos clássicos, de violinistas, de pianistas, no mundo novo que era o Rock. Quebrando a simplicidade e toda a forma de composição a que o estilo tinha habituado o público, o movimento progressivo tanto cresceu como não tardou a acabar. Aplicando os seus conhecimentos da música clássica, os novos músicos de rock tornaram o rock imprevisível e uma onda novamente nova (passo a redundância), cheia de crescendos e de mudanças súbitas de melodia nada regulares ou compreensíveis até então.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

The Rogers Sisters

Numa das minhas procuras normais de algo novo para ouvir, deparei-me com The Rogers Sisters, um trio nova-iorquino composto pelas irmãs Rogers - Jennifer na guitarra e Laura na bateria - e pelo baixista Miyuki Furtado.

A banda é inconstante no seu estilo, mas constante na qualidade da música. Há quando não sei se estou a ouvir B52s ou The Kills - nesta última situação de uma forma mais consistente e menos repetitiva. As vocalizações, feitas por toda a banda, dão uma sonoridade muito revival à música, relembrando os belos anos 80.

Com dois trabalhos já no mercado ( Purely Evil em 2002 e Three Fingers em 2004), voltam à carga com The Invisible Deck, editado em março. O single "Never Learn to Cry" é um exemplo muito bom de tudo o que a banda é, sendo os álbuns todos muito equilibrados.

Como é uma descoberta recente, não vou falar demais, não vá dizer nada que seja menos correcto, mas aconselho a que ouçam. Deixo-vos o Myspace para explorarem como bem vos apetecer.

terça-feira, novembro 21, 2006

Olhos de Mongol

E finalmente consegui o tão esperado álbum! “Olhos de Mongol”, dos Linda Martini, vai fazer um mês que já saiu. Estava-me atravessado ainda não ter acesso a nada (com excepção do primeiro single, que está no Myspace) do último trabalho deste rapazes e rapariga que aprendi a respeitar.

A “Cronógrafo”, o primeiro single de “Olhos de Mongol”, pareceu-me muito desenquadrado daquilo que se conhecia do EP e, admito, custou-me a entrar. Mas, bem ouvidas as coisas, mostra a maturidade que a banda atingiu nos últimos tempos. Linda Martini escreveram o próprio destino e largaram o Post-Rock pura e imaculadamente fiel às origens.
O Post-Rock deles é, agora, dotado de uma sonoridade muito própria. O que conseguiram extrair das músicas experimentalistas foi o próprio experimentalismo e exploração das músicas. Mas sente-se aquilo que me parece ser uma recuperação das raízes, um peso e balanço algo característico. Há coisas que não se esquecem, mas os Linda Martini lembraram-se da melhor forma.

O álbum está, no mínimo, muitíssimo bem conseguido. O equilíbrio entre as músicas, o alinhamento... está o que me parece ser evoluído – que perfeito é um conceito discutível. Não há um único momento de quebra ao longo dos mais de 40 minutos de música; há, sim, as típicas ambiências que só são possíveis de conseguir de certa maneira, ou seja, com um ritmo menos acelerado – apesar dos contratempos da bateria – mas que não conduzem a um marasmo, muito pelo contrário, tornam a sonoridade mais envolvente.

"Olhos de Mongol" vale a pena, muito sinceramente.

sábado, novembro 11, 2006

Mindweep

Esta banda foi formada em finais de 2004 e todos os seus membros são provenientes da grande cidade de Coimbra.
Conhecendo-os a todos pessoalmente, venho dar um jeitinho a estes quatro rapazes que recentemente lançaram uma maquete, com quatro faixas originais gravadas com Márcio Silva. A música compreende-se como rock alternativo com grandes influências de Muse, mas cada um pode desenvolver a sua opinião fazendo uma pequena visita ao Myspace da banda e ouvir a quatro faixas presentes na maquete. A banda é formada por Ricardo Ferreira (baixo, teclas e 2ª voz), Sérgio brito (bateria/percursão), Rui Lopes "buga" (guitarras, teclas e sintetizador), Rui Amaral "zé fumaça" (voz). Pessoalmente, espero grandes coisas desta banda, pois venho a acompanhar este projecto praticamente desde do início. Tenho um grande respeito por todos eles como músicos e desejo-lhes a melhor das sortes na aventura que iram seguir no mundo da indústria musical.

"the mind weeps for evolution!!"

Espero que gostem

terça-feira, novembro 07, 2006

Tool + Mastodon @ Pavilhão Atlântico

Antes de adiantar seja o que for sobre o concerto, deixo uma forte critica à organização do evento que fez mais de metade do público perder grande parte da actuação de Mastodon ou mesmo a totalidade desta. Para além da abertura das portas ter sido imensamente tardia, as filas, por causa das excessivas revistas realizadas pela segurança (com uma muito grande possibilidade de ter sido exigida pelos Tool), não avançavam, pura e simplesmente.

Tentativa de mostrar as intermináveis filas...


Como já referi, o concerto de Mastodon foi “boicotado”, mas eu tive a sorte de apanhar as duas ultimas músicas. Só fiquei ainda mais frustrado por não ter visto o concerto no seu todo. Mastodon – cujos álbuns são obras que eu respeito imensamente pelo trabalho técnico da banda, quer individualmente, quer em conjunto – surpreendeu-me, pois o concerto mostrou-se extremamente vivo. Algo que não era de esperar, tendo em conta que as músicas são extremamente técnicas e muito trabalhadas, podia tornar o concerto bastante enfadonho e tal não aconteceu. Muito pelo contrário, não só a banda me pareceu muito enérgica e animada, como as músicas bastante melhores ao vivo do que eu esperava. O som estava imensamente bom – outra surpresa – , som que nem estava preparado para eles e que tinha como principal obstáculo o espaço (tão conhecido pela má acústica) e a própria sonoridade da banda, cheia de distorções.

Depois vem a eterna espera que precede cada concerto de Tool. Por hábito, culpa-se sempre Maynard James Keenan, o vocalista da banda, que é conhecido pelo seu feitio de perfeita rock-star, mas toda a banda é extremamente perfeccionista e isso reflecte-se claramente nos concertos, todos muito bem programados. Cada música, cada minuto, cada segundo todo sincronizado com os próprios contratempos, tão característicos na musicalidade dos missionários do prog-metal actual. Por regra, nada falha num concerto de Tool. Este não foi excepção.

Entram Danny Carey, o senhor baterista, Adam Jones, o senhor guitarrista, e Justin Chancellor, o senhor baixista. Maynard demorou-se na entrada.
Começa Stinkfist. Toda a audiência sabia as letras, e menos não seria de esperar. O pavilhão Atlântico, bastante cheio, mas não completamente, fazia-se ouvir, quase se sobrepondo aos próprios instrumentos. Um início mais brutal ou violento era impossível; foi um início perfeito para o concerto que se avizinhava.

Seguiu-se The Pot, do novo álbum, 10.000 Days, precedida de um alegre “Goodnight Portugal” do vocalista, que, mais uma vez foi entoada em uníssono pela audiência. Maynard ajudou ao espectáculo permitindo o sing-along e criando um grande compasso de espera até que se retomasse a música, criando um grande ímpeto. Mais uma vez, há que referir a grande propriedade de tudo estar programado e ensaiado ao milímetro num concerto de Tool: o baixo entrou, em grande força (e com um grande ovação), precisamente ao mesmo tempo que a voz – e não se esperava menos que isso.
Depois, veio Forty Six & 2, outro dos grandes clássicos da banda. O solo de bateria de Danny Carey, que no álbum soa incrivelmente genial, ao vivo soa ainda melhor, porque realmente o senhor mostra que sabe tocar, e muito. Contratempo seguido de contratempo em contratempo com o anterior contratempo… é a única forma que encontro de descrever o que acontece naqueles últimos 2 estonteantes minutos de música.

Jambi veio fazer perdurar todo aquele sentimento até a um interlúdio repleto de ambiências negras: era a vez de Schism, muitíssimo aclamada por toda a gente. Com um baixo no mínimo característico e em grande destaque.
Entretanto, a setlist mostrou um pequeno boicote, e o concerto perdeu bastante todo o poder que tinha sido cultivado pela banda até então, caindo mais na técnica, com a banda a abusar dos efeitos (todos excelentes, sem qualquer dúvida) dos seus instrumentos. Mas há um merecido destaque para os efeitos de luzes, que estavam, no mínimo, muito bons e sempre sincronizados com as características imagens que passam nos ecrãs do palco. Desde lazers, aos típicos holofotes, ainda com projectores ascendentes e descendentes e mesmo a imagem do 10.000 Days bem acima dos ecrãs… tudo muito bem estudado.

Fizeram, então, a pausa mais interessante a que já assisti: uma pequena reunião de grupo no centro do palco, em que picaram um bom bocado os fãs, fazendo-os cantar, levantar isqueiros e telemóveis…
Lateralus marcou o retomar do concerto, seguida de um estranho discurso sobre uma tarde de sol, em pleno o verão, em que Maynard mostrou a boa disposição com que estava.
Vicarious e Aenima acabaram, então, o concerto de em grande força, com ovações incessáveis e ensurdecedoras. O público pedia o encore, mas os Tool já deixaram de os fazer.
O concerto foi bastante longo para as 10 músicas tocadas, o normal para um concerto de Tool. Apesar da produção do concerto estar mais trabalhada, no SBSR a banda teve uma setlist ligeiramente diferente e que na altura me entrou bastante melhor; mas festival é festival, não é sequer uma boa medida de comparação.

domingo, novembro 05, 2006

Muse\ Hopes and Expectations Black holes and revelations

Matthew Bellamy(Vocalista\Guitarrista) , Dominic Howard(Bateria) e Christopher Wolstenholme(baixo) decidiram fazer uma pausa na sua tour de Espanha, e dirigiram-se à nossa capital, para deixar a marca do seu novo álbum, Black Holes and Revelantions, no nosso pequeno país, 2 anos após a sua última visita a Portugal, no festival Super Bock Super Rock.

O concerto foi realizado no renovado Campo Pequeno, que demonstrou ser um palco perfeito para qualquer tipo de espectáculo musical. Para abrir o apetite dos milhares de fãs, a banda britânica convidou os espanhóis Poet in Process, que demonstraram grande à vontade em palco. Uma Senhora vocalista, Lynne M. Proctor, a liderar, com uma energia estupenda que levou a plateia a aplaudir efusivamente a promissora banda da Catalunha.

Mas o momento pelo qual, todos esperavam chegou apenas meia hora depois, com o véu a cair e Bellamy e companhia a aparecer dando início ao espectáculo com a primeira faixa do novo álbum, “Take a Bow” – o britânico não deixou de fazer o seu papel de entertainer e fez uma vénia a todos os presentes, que deixou o publico em êxtase, todo acompanhado por arranjos tecnológicos e pirotécnicos sensacionais, que já são imagens de marca da banda.
Os Muse revelaram logo de seguida que não vinham a Portugal apenas para promover o seu mais recente trabalho, com o arranque do baixo de “Hysteria”. O concerto prosseguiu ao mais alto nível, com Bellamy a levar a plateia ao rubro com solos de guitarras pouco explorados, mas que deixaria qualquer fã da banda em delírio, e com músicas como “Stockholm Syndrome”, “Muscle Museam”, “Plug in Baby”, “Citizen Erased”, “Bliss”, fazendo sempre intervalos para se dirigir ao piano, a fim de fazer os tão esperados solos de “New Born”, “Apocalypse Please”, "Butterflies and Hurricanes”.

Finalizando, o concerto soube a pouco: palco pequeno, solos pouco aproveitados (tirando a um pequena intro com roadhouse blues dos The Doors), apenas menos de duas horas de concerto, mas os Muse provaram ser uma banda muito profissional, marcando presença somente com o objectivo de garantir que o público tivesse uma noite em grande com a sua música, e os Muse conseguem-no com uma facilidade louvável.

E Bellamy… Matt Bellamy simplesmente não desafina!

sexta-feira, novembro 03, 2006

Ao vivo a partir de uma galáxia longínqua…


Lisboa acolheu quinta-feira 26 de Outubro, os britânicos Muse num concerto de apresentação do seu novo álbum intitulado “Black Holes And Revelations”. Após Ilha do Ermal, Aula Magna, Hardclub, Festival Sudoeste e Super Bock Super Bock, os Muse apresentaram-se pela 6ª vez em terras lusas, protagonizando o primeiro grande concerto no Campo Pequeno, após a recente restauração e remodelação desta praça de touros. Com lotação esgotada, o recinto acolheu cerca de 6900 pessoas, distribuídos pela plateia (arena), bancadas e galerias.

Poet In Process

A abertura do concerto ficou a cargo dos espanhóis Poet In Process, oriundos de Barcelona, cuja escolha se perpetuou para a abertura de outros 5 concertos da banda inglesa na actual tournée. O quarteto espanhol ficou desde o início bastante limitado, devido ao escasso palco a que teve direito, uma vez que o restante palco estava interdito por um pano negro, encobrindo o palco que os Muse tinham preparado para este concerto. Desde cedo que os Poet In Process não foram muito bem recebidos pelo público português, que estava impaciente para ver o concerto que o trio britânico tinha preparado. Apesar do público difícil, os Poet In Process conseguiram tocar um concerto mais ou menos coeso, não obstante a reacção que estavam a obter dos espectadores. Isto deveu-se em grande parte à energia e sensualidade em palco da vocalista Lynne Martí, que se destacava na banda pelo seu carisma. Quanto à qualidade dos temas apresentados, Poet In Process revelaram-se fraquíssimos, especialmente na clara falta de talento e entusiasmo de todos os membros da banda, à excepção da vocalista. O público viu os hispânicos partir da mesma forma que os viu a entrar: com indiferença e desdém.

Muse

Com mais um álbum na bagagem, os rapazes de Teignmouth apareciam desta vez em Portugal com uma panóplia de temas mais alargada, mas, estando incluído na tournée do novo álbum, o concerto iria incidir mais nos temas do novo álbum.
Após a partida dos Poet In Process, passaram-se cerca de trinta minutos, que se revelaram exasperantes para os fãs mais ávidos. Tudo o que se passava por detrás do pano negro era um mistério para aqueles que aguardavam impacientemente o aparecimento da banda inglesa. Assim que o pano negro desceu, a curiosidade e estupefacção estampou-se em todos os rostos presentes no Campo Pequeno. O palco arrojado levou algum tempo a ser totalmente assimilado pelo público, que o perscrutava de uma ponta à outra, à procura de alguma coisa que tivesse escapado até ao olho mais atento. No background, um painel de luzes gigante. À esquerda, uma pirâmide octogonal invertida também ela revestida por um painel de luzes.
Abrindo com um tema que em 2004 era apenas um interlúdio de piano usado em concertos (Take A Bow), os Muse estavam incompletos: pisavam o palco apenas o frontman Matt Bellamy e o baixista Chris Wolstenholme, que eram os únicos membros necessários para tocar o início do tema de abertura. No entanto, segundos antes da música atingir o clímax, Bellamy, iluminado por múltiplos holofotes, saudou o público com o seu tradicional braço estendido para o infinito e a estranha pirâmide elevou-se no ar, ficando à mostra o que se encontrava escondido no seu interior: o baterista Dominic Howard, que acompanhou a banda a partir daqui, fazendo deste um dos pontos altos do concerto. A partir deste momento, o concerto fluiu de uma forma natural e harmoniosa, encaixando todas as músicas da melhor forma, intercalando, por vezes, com fantásticos improvisos e riffs por parte do talentoso Matthew Bellamy. Exemplo disto foi quando Bellamy brindou o povo português com excelentes performances no sintetizador inserido na sua guitarra.

O trio britânico não fugiu à temática do concerto e fez o que se esperava: uma promoção do seu novo álbum e, portanto, nove dos dezanove temas tocados fazem parte do último trabalho da banda. A actuação dos Muse decorreu sem qualquer tipo de falhas, mostrando o profissionalismo e talento de todos os membros da banda. A comunicação verbal com o público foi escassa, tendo sido Dominic quem falou mais com os fãs, mas Bellamy foi aquele que, com saudações e outros tipos de gestos simbólicos, estabeleceu a comunicação perfeita com o público.

Destacaram-se os singles do novo álbum, Supermassive Black Hole e Starlight, ao som dos quais a plateia enlouqueceu, e também os temas Plug In Baby, Hysteria, Butterflies & Hurricanes, New Born, Time Is Running Out, entoado pela multidão ensurdecedora sobrepondo-se à voz de Bellamy, Muscle Museum (única música do álbum Showbiz tocada no concerto) e Forced In, tocada pela banda de volta da bateria de Dominic enquanto na pirâmide flamejavam labaredas. O encore teve três músicas, fechando o concerto em apoteose com Knights Of Cydonia, que já foi considerada várias vezes pela imprensa britânica como “uma das melhores faixas de sempre para fechar concertos”. Após este tema, os Muse abandonaram o palco prontamente, com a excepção de Dominic, que veio ao microfone principal agradecer, aplaudir e tecer elogios ao público presente no Campo Pequeno.

De louvar foi também toda a cenografia do concerto que, conjuntamente com os temas eximiamente tocados, enalteceu todos os momentos daquela noite, estabelecendo uma combinação perfeita entre a música e o espectáculo visual, elevando o concerto ao nível de um espectáculo audiovisual de alta qualidade. Exemplo disto foram as bolas insufláveis gigantes libertadas para a plateia, que eventualmente rebentavam levando a uma chuva de confettis, e todos os temas mostrados no painel de luzes, com destaque para a chuva de estrelas aquando de Starlight, a dança frenética de robôs ao som de Supermassive Black Hole e as letras gigantes com o refrão de Knights of Cydonia.
De parabéns está também a organização do concerto que fez um trabalho excepcional e a escolha da sala de espectáculos não poderia ter sido melhor: o look vintage do Campo Pequeno encaixou perfeitamente no estilo musical dos Muse, revelando-se um elemento essencial de uma noite perfeita.

Os Muse mostraram que continuam a fazer música com qualidade e a protagonizar espectáculos fantásticos e não apenas meros concertos, deixando indubitáveis marcas na memória dos presentes.

”Link it to the world, link it to yourself…”

Setlist:
Take A Bow
Histerya
Map Of The Problematique + Riff
Butterflies And Hurricanes
New Born
City Of
Delusion

Plug In Baby
Forced In
Bliss
Apocalypse Please
Hoodoo
Invincible
Supermassive Blackhole
Starlight
Time Is Running Out
Stockholm Syndrome + Riff

Citizen Erased
Muscle Museum + I Want To Break Free (riff)
Knights Of Cydonia

segunda-feira, outubro 23, 2006

E recomeça

Na próxima Quinta-feira recomeça a época de concertos, embora mais curta que a anterior. Depois desta pausa, os colaboradores deste espaço vão assistir aos concertos mais esperados do momento, dentro da cena Pop-Rock alternativa e do Metal-Progressivo. Vamos estar presentes em Muse (Poet in Process para abrir), dia 26 de Outubro, e em Tool (com Mastodon como banda de abertura) dia 5 de Novembro.

Aguardem comentários para breve.

Está agendado, também, um concerto de Enablers (banda da Neurot Recordings, que tem um membro dos Swans), dia 10 de Novembro… Vamos ver o que se consegue fazer.

domingo, outubro 22, 2006

Bauhaus @ Paredes de Coura (dia 17)

Bauhaus não foi somente o concerto da noite de 17, mas foi, também, o concerto do festival Heinneken Paredes de Coura de 2006. Peter Murphy e companhia, considerados os pais do gótico, trouxeram todas as suas ambiências negras, todo o romantismo e toda a inteligência das suas letras para um concerto inesquecível e infernal. Mesmo a chuva ajudou ao espectáculo, que parecia propositado. Murphy não deixou de ajudar a este facto clamando “It’s raining… god must be winning”.

Foi um concerto em que as luzes, tão negras e pouco vivas, se mostraram um excesso. O concerto, a música, eram tão negros que ao envolver faziam as luzes custar. As rosas vermelhas à volta da bateria ajudavam imenso à imagem da banda, tão dark, todos vestidos de preto, com excepção do guitarrista – Daniel Ash – que ostentava um belo casaco berrante e branco.
A banda deu um concerto muito teatral, apesar de todo feeling que transmitia ao público. Os ecrãs, que até então eram réplicas para quem se encontrava longe do palco, com eles eram imagens a preto e branco, ainda mais fiéis, do que se passava lá. Todas as ambiências estavam a ser aproveitadas ao máximo.

Instrumentalmente a banda mostrou-se melhor do que eu esperava. Ash, para além do som de guitarra que caracteriza Bauhaus, tocou ainda saxofone, mostrando já alguma experiência no instrumento. O baixista – David J – deu todo o sentimento gótico à música e ainda se apresentou numa atitude muito altiva, mas não presunçosa. Não estava a dar tanta vivacidade ao concerto como Murphy e Ash, mas o seu contributo ficou, certamente. Kevin Haskins, o baterista, com a sua bateria pouco preocupada com o ritmo, mostrou-se fiel aos álbuns.
O concerto começou logo com um dos grandes êxitos do primeiro álbum da banda, In The Flat Field, com a música Double Dare. Para quem conhecia a banda, começou imediatamente um concerto inesquecível. Passaram pelo que não podiam evitar: In The Flat Field, God in an Alcove, Dark Entries, Satori…

O concerto teve direito a 3 encores, facto inatingível por nenhuma das bandas que tocaram antes de Bauhaus havia conseguido. O primeiro encore foi o delírio. Para um concerto que já estava a ser impressionante, os britânicos tocaram Atmosphere, dos seus contemporâneos Joy Division, fazendo toda a gente saltar e cantar. Foi o realizar de um sonho para muita gente que, como eu, nunca teve a oportunidade de ouvir a banda de Ian Curtis ao vivo. Ainda mais tocado por alguém contemporâneo, o que dá muito mais valor ao acontecimento.

Este foi o melhor encerrar de festival a que já tive o prazer de assistir.

Dia 17/08, Paredes de Coura

Dia 17 começou com os Catpeople, espanhóis, vindos da capital da Catalunha. Os meninos de Barcelona tentam recuperar os post-punk de Joy Division e Interpol e não escondeu a falta de originalidade que os caracteriza. Apesar de tudo, têm uma personalidade que, cedo, os diferencia. Ou então, Interpol e Joy Division são simplesmente inconfundíveis. Eu acredito que ambas as opções são verdades.
Catpeople começaram a tocar por volta das 18h. Sofreu, como já havia acontecido neste festival, do “síndrome da hora”. Por tocarem tão cedo, nem o publico estava predisposto, ou nem chegava mesmo a haver publico. Ainda assim, eles não se inibiram, e deram o seu melhor, certamente, dadas as condições, pouco mais havia a fazer. O vocalista assumiu na perfeição a liderança da banda, não deixando de mostrar alguma frustração (sinceramente, não sei se era parte do espectáculo ou era mesmo como ele se sentia) e usando-a em prol do concerto, o que mostrava um grande envolvimento de sua parte. O resto da banda não se evidenciou muito, mostrando-se muito presa ao chão em que se encontrava. As músicas estavam incrivelmente semelhantes ao que se conhece deles em estúdio, o que merece um destaque.

Seguiram-se os Shout Out Louds, vindos da Suécia. Apresentando uma forte influencia de The Cure, deram um concerto Foram mais animados, e conseguiram envolver muito mais o público que os Catpeople. Nem mesmo a chuva demoveu aquela gente. O vocalista mostrou-se muito comunicativo, o que também ajudou a prender a audiência. A banda mostrou uma vivacidade interessante em palco, nunca estando estática. Musicalmente mostraram-se muito fiéis ao que apresentam em álbum, o que só lhes dá pontos a favor. A teclista, típica senhora nórdica, não passou ao lado de alguns membros masculinos da audiência, que não deixaram de mandar o ramo de flores, que ela, sempre muito simpática, agradeceu (o vocalista não apreciou muito essa situação, visto que se tratava da sua noiva). Os meninos de Estocolmo mostraram-se muito calorosos.

Maduros é uma banda que nem me atrevo a comentar, por ter sido um concerto tão mau. Outras bandas portuguesas, que certamente dariam um concerto no mínimo decente, mereciam aquele lugar no cartaz muito mais que esses senhores. O nome é a única coisa que têm. Foi o pior concerto do festival, de longe.

Seguiram-se o !!!, que estão, sem dúvida de parabéns. Segundo sei, já o ano passado de 2005 deram um concerto memorável e, por exigência da banda, voltaram este ano, no mesmo dia, uma hora e pouco mais tarde, para dar outro concerto incrivelmente bom, e deixaram, mesmo, a promessa de um regresso para o ano que vem, ainda mais tarde. Aguardo.

Os !!!, com a sua música electrónica instrumental, puseram Paredes de Coura inteira a dançar. Não havia, naquele anfiteatro, quem se encontrasse estático. O concerto foi, acima de tudo, contagiante. Os vocalistas, mostraram uma energia incrível e uma interacção com o publico digna de destaque. Nem mesmo eles pararam de dançar e fizeram o espectáculo por si – que o resto da banda entretinha-se a instrumentalizar a sua música de dança. Os vocalistas chegaram mesmo a ir às grades, pôr o publico a cantar a dançar ainda mais. Mexeram com toda a gente; a indiferença não era uma opção. Espero que eles voltem, realmente para o ano que vem, com um novo álbum (que não tarda para ser editado).

The Cramps foi um concerto interessante, mas muito fraco, tendo em conta tudo o que os anteriores !!! provocaram e conseguiram. A banda mostrou-se muito parada – com excepção do vocalista que, com a ajuda de muito álcool, se mostrava eléctrico – e com grandes dificuldades de tocar. A música era muito repetitiva e pouco apelativa. O que temia para os Gang of Four, concretizou-se com The Cramps.

sábado, outubro 21, 2006

Bloc Party @ Paredes de Coura (dia 16)

Bloc Party foi o concerto da noite de 16. Quem já esperava algo de bom da parte deles, ficou surpreendido; quem esperava algo de muito bom, também se assustou com o que eles trouxeram. Já apresentaram algumas músicas do novo álbum, que não tarde deve estar a sair, mas não o suficiente para chegar a uma conclusão. Ficaram-se principalmente pelo Silent Alarm e fugiram apenas para tocar os singles de mais sucesso, antes do álbum, Little Thoughts e, depois do álbum, Two More Years (que foi das músicas mais aclamadas, como seria de esperar). Kele – o vocalista – mostrou uma empatia muito boa com a audiência, o que ajudou imenso no espectáculo e familiarizar tanto a banda, como o próprio público.

Banquet foi das músicas que mais impressionou. Quem já tinha visto filmes e clips, sabia que eles a tocavam a um ritmo muito mais acelerado, mas ainda assim – como já referi – surpreendeu tanta energia e tanta vida. Mesmo quando já eles tinham parado de tocar, havia quem insistisse a fazer o stage-dive. Claro que outra música que levou o publico ao rubro foi Helicopter, como já esperava o Kele, que chegou mesmo a afirmar “it’s time to get wild”.

Os solos de guitarra mostraram-se tecnicamente superiores do que são em álbum, e o guitarrista – Russel – mostrou ter presença e, ainda mais importante, feeling para o que toca.
O baixo e a bateria estavam muito certinhos, instrumentalmente nada tenho a apontar. Mas em termos de atitude, tenho sim. Até aqui houve surpresa. Nem o baterista – Matt – nem o baixista – Gordon – se mostraram apagados em relação à audiência, comunicando imensamente, tanto verbal como gestualmente.
Kele, como já referi, manteve uma bela comunicação com o público. Não deixou, mesmo ele, de mostrar a sua surpresa para tão bom concerto, dizendo que não esperava ser tão reconhecido em Portugal, ou alguma vez dar um concerto tão bom.

Com sorte, teremos um regresso destes meninos muito rapidamente, assim que o novo álbum for lançado.

Dia 16/08, Paredes de Coura

Dia 16, o dia que pessoalmente mais aguardava, com um cartaz mais promissor e mais familiar. Correspondeu perfeitamente às expectativas e chegou mesmo a excede-las, em certas situações.

Infelizmente não pude assistir ao concerto assistir aos concertos de Vicious Five, nem de Eagles of Death Metal. Estou certo de que foram concertos muito enérgicos (pelas impressões que troquei, posso concluir isso). Ficará para uma próxima.

Gang of Four foi um concerto que me surpreendeu grandemente. São uma banda lendária, mas que, supostamente, já havia deixado a estrada e os concertos há alguns anos. Tal regresso poderia muito bem representar as dificuldades que agora atravessavam e, portanto, uma qualidade não muito satisfatória dos espectáculos. Muito pelo contrário, estes veteranos do post-punk vieram para calar muita gente. Com um concerto super electrificante, mostraram que ainda não perderam a atitude contestatária que os moveu no início. Músicas como To Hell With Poverty mexeram toda a gente. O vocalista, com a sua atitude pseudo-sexy e poses anti-presença fez muita gente saltar; o baixista nunca parou de correr, saltar e seja mais o que for, ele fazia; o guitarrista era o membro de classe da banda, sem nunca se mexer muito e com muita calma, acabou por surpreender ainda mais que os outros ao mostrar uma pose muito mais vivida, e não uma presença presunçosa. Realço a situação do microondas, em que o vocalista e um taco de baseball dão um ritmo mais batido à música. Este foi um concerto impressionante.

Seguiram-se os Yeah Yeah Yeahs, que chegaram e começaram logo com a força toda. Karen O como estrela principal, sem sombra de dúvidas. Como seria de esperar, o concerto foi mais centrado no último álbum, mas ainda assim fizeram-se as naturais recuperações a Date With a Night, Maps e Y Control, repletos de gritos orgásmicos e gemidos sonoros, que caracterizaram o grande álbum que é Fever to Tell. Date With a Night foi um ponto digno de relevância no concerto, em que os gemidos da Karen puseram toda a gente a saltar e mesmo a gemer com ela. Claro que Gold Lion não passou ao lado de ninguém, sendo acompanhada com um “sing-along” de todo o público – o que é mais que compreensível, visto que muita gente só conheceu os Yeah Yeah Yeahs por esse single de Show Your Bones. Infelizmente, a falta de comunicação entre a banda e o publico levou o concerto um pouco à monotonia; nesse aspecto podia ter sido muito melhor. Ainda assim, foi super contangiante. O resto da banda também mostrou uma atitude muito rock e desinibida (claro que nunca como a nossa grande Karen) e contribui imensamente para o bom espectáculo. Aguardo um regresso destes senhores do rock, que bem que merecem a minha presença num concerto, novamente.

We Are Scientists fecharam a noite com um concerto muito mau. Eles chegaram mesmo a pedir desculpa, visto que não tinham culpa do grande concerto que Bloc Party deu. Nesse aspecto, dou-lhes toda a razão. A organização mudou a ordem do cartaz à última hora, pondo We Are Scientists como cabeça de cartaz, o que foi um grande erro. O sentido de humor da banda também não ajudou muito no concerto, o que levou as pessoas a abandonarem o anfiteatro para as tendas e para o palco Afterhours.

Broken Social Scene @ Paredes de Coura (dia 15)

Broken Social Scene foi o concerto de dia 15. Genericamente, pouco mais há a dizer sobre estes senhores e senhoras, que deram água pelas barbas a Morrissey e a todos os que actuaram antes. Quem acreditava que tanta gente em palco podia dificultar o espectáculo e as actuações, enganava-se redondamente. Os canadianos conseguem juntar o seu rock, com um toque da música clássica, com um pouco do blues que toda a gente gosta de ouvir, leve e de fundo e ainda com a sua atitude independente num espectáculo frenético, mas não sufocante. Envolve, mas não nos leva. É um concerto suave, por assim dizer. Apesar de tudo, muito enérgico.

Não há ninguém a realçar na banda, visto que todos foram excepcionais. Mas faço uma referência aos membros femininos do grupo, que mostraram uma atitude muito viva e até sensual, de uma forma muito pura e nada promíscua ou atrevida. Leslie Feist, com Anthem For a Seventeen Year Old Girl, acabou por assumir a banda de uma forma muito característica. A violinista mantinha uma postura muito própria e interessante, não deixando de se evidenciar a nível musical com o som do seu instrumento, que sobressaía às guitarras e aos sintetizadores tão comuns no rock.

Broken Social Scene foi um concerto muito vivo e sentido, tanto pela banda que afirmou sentir-se “como que em casa”, visto que em Toronto também há imensos portugueses, como pelo público em geral, que se deixou envolver pela sonoridade deles, que mesmo que não seja original, tem uma identidade muito própria que os distingue das restantes bandas de indie-rock actual.

Dia 15/08, Paredes de Coura

Dia 15, sem dúvida algo a não esquecer, nem que seja pelo facto de ser o primeiro dia do festival, propriamente dito. O jazz na relva, merece, sem sombra de dúvida um grande realce. Com uma onda de boa disposição e boa vontade tanto da audiência, como da banda de José Eduardo, a tarde foi mais rápida do que todos desejámos. Desde reinterpretações de músicas de José Afonso aos clássicos do jazz, foi uma tarde que marcou a todos presentes com um toque português muito interessante.

Por volta das 18h, abriu, finalmente, o recinto do festival. Começou o concerto de White Rose Movement. A banda britânica, cujo álbum foi produzido pelo mesmo senhor de Silent Alarm (Bloc Party) e Echoes (The Rapture), deu um concerto deveras interessante. Infelizmente, teve o grande handicap do concerto ser tão cedo; o público não estava muito receptivo ou simplesmente não estava. O recinto estava muito vazio e a audiência estática, ainda a esperar pelos próximos. Apesar de tudo o concerto foi muito enérgico e cheio de uma energia punk muito forte, ajudada pela batida mais electrónica da banda, que inclui no seu reportório de influências os lendários New Order. Alguns imprevistos durante o concerto, com microfones e guitarras, cortaram o baixo ritmo (não por culpa da banda, volto a referir) do concerto. Mas foi uma actuação arrogante, como nenhum punk não devia deixar de ser, e muito enérgica; no final, a simpatia que a banda não mostrou durante o concerto, para manter a postura, revelou-se. Seria um concerto interessante de ver com mais público e principalmente com um público predisposto.

Depois de uma breve pausa, tocaram os Gomez, sobre os quais tenho pouco a dizer. O concerto foi deveras muito monótono e menos enérgico do que seria, à partida, possível, mostrando-se bastante inferiores aos WRM, que haviam actuado anteriormente.

Os noruegueses Madrugada vieram, então, tentar a sua sorte. Foi um concerto interessante, e mais esperado pelo público, essencialmente. Com uma audiência mais selecta, muitos que se deslocaram até Paredes de Coura propositadamente para os ver, possibilitaram uma primeira meia-hora muito boa e viva. Infelizmente, acabou por se tornar um concerto monótono. A repetição de movimentos, principalmente por parte do vocalista, que deveria assumir uma posição mais viva e menos rotineira em palco, visto que é a inevitavelmente a imagem da banda, fez com que o concerto acabasse por perder qualidade. Mas realço, novamente, a primeira meia-hora do concerto, que foi, sem qualquer sombra de dúvida, algo de impressionante para quem nada esperava dos Madrugada.

Morrissey foi a grande desilusão da noite. O concerto mais aguardado foi uma quebra para os mais neutros – e uma alegria incondicional para quem estava lá exclusivamente para o ver (e não eram poucos) – que esperavam algo de melhor do pai do rock-alternativo. O seu carácter egocêntrico – tendo em conta que é uma estrela e um importantíssimo ícone da música, nem que seja por ter sido o vocalista dos The Smiths – criou um fosso muito grande entre a audiência, os músicos e ele mesmo. Havia uma grande distância entre ele e a banda, o que dava um carácter demasiado impessoal a um concerto de tamanha magnitude. Infelizmente, Morrissey pouco fez em termos de espectáculo, senão agitar o fio do microfone (que deu muitos problemas). Ainda assim, nem a chuva movia toda aquela gente para longe do palco.